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Não passou no vestibular? Confira histórias de pessoas que superaram a reprovação

Alcançar um sonho nem sempre é fácil, mas quem conseguiu uma vaga, depois de ser reprovado, conta que vale a pena continuar tentando

Por Carolina Vellei Atualizado em 16 Maio 2017, 13h39 - Publicado em 19 dez 2012, 17h12

Aquela sensação de olhar a lista de aprovados e não encontrar o seu nome… Só quem já passou por isso sabe como é. Primeiro você tenta descobrir se realmente está vendo a lista certa. Depois, começa a perceber que não passou e é nessa hora que vem o sentimento de frustração. Choro, raiva, sofrimento… E, por fim, a dúvida: "por que eu não passei?". O GUIA DO ESTUDANTE conversou com especialistas e com estudantes que já passaram por essa experiência para ajudar você a superar este momento.

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Veja o fracasso como oportunidade

Como lidar com o fracasso? O psicólogo Rafael Lourenço de Camargo, consultor de cursinhos pré-vestibulares e diretor do Instituto de Psicologia Cognitiva Comportamental de Franca (IPCC-Franca), explica que não é o evento em si que deixa a pessoa triste, mas sim a interpretação que ela dá à situação que a faz se sentir mal. Se você fica com raiva, perde o controle; se pensa que é incompetente, fica desmotivada a continuar. "É importante que o estudante tenha uma visão realista da situação. O mundo adulto é repleto de fracassos. Desejamos várias coisas e muitas vezes não somos capazes de alcançá-las", comenta Camargo.

Então, se não dá para escapar dos fracassos durante a vida, temos uma boa notícia: você acaba de entrar no mundo adulto, parabéns! Junto com alguns fracassos inerentes ao ser humano, é quando viramos adultos que nos deparamos com responsabilidades e deveres. É necessário entender (e até aceitar) que, apesar de querermos que tudo se resolva em apenas um ano, também corremos o risco de não passar.

Para o coordenador de vestibulares do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, que o mais importante nesta hora é "levantar a cabeça". "Não é porque você perdeu uma batalha que perdeu o mundo. Agora é hora de se reorganizar e acreditar que é capaz e que não é menos que ninguém", afirma. Para Nascimento, é importante acreditar na sua capacidade quando você quer algo na vida.

Eles não passaram de primeira

Não é coisa de outro mundo não passar na primeira tentativa. O vestibular da Fuvest, que seleciona estudantes para a USP e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, por exemplo, apresenta algumas estatísticas interessantes sobre o perfil do candidato que tenta o curso de Medicina, sempre no topo das carreiras mais concorridas. Segundo estatísticas da organização, no último vestibular, aplicado em 2011, 12,8% dos candidatos estava há mais de dois anos em cursinhos pré-vestibulares e mais de 48% do total dos candidatos já tinha prestado o vestibular pelo menos uma vez.

Por isso, entenda que você não estará sozinho caso tente o vestibular outra vez. A prova do vestibular acontece, muitas vezes, em um dia só. E nem sempre acordamos bem naquele dia. São muitos os fatores que influenciam no seu desempenho na prova. Faz parte do amadurecimento do estudante este processo pré-universidade. É comum, neste período, o aluno se sentir meio perdido, sem identidade, como conta o psicólogo Camargo: "É um momento em que ele se sente desamparado, porque ele não está mais no Ensino Médio, mas também não está na faculdade", conta.

Apesar disso, é importante usar a oportunidade para melhorar como estudante e para refletir sobre si mesmo. O coordenador Nascimento lembra que o estudante deve tirar um tempo para pensar sobre as seguintes questões:

– Quero continuar tentando?
– É para este curso mesmo que eu quero prestar?
– Para quais faculdades quero prestar este curso?
– Vou começar/continuar com o cursinho ou estudar em casa?
– Precisarei trabalhar ou meus pais me ajudarão neste ano?
– O que fiz de errado no ano passado que preciso mudar este ano?

 

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Abaixo você encontrará casos de jovens que aproveitaram o tempo que tiveram para rever suas escolhas ou então para reforçar as decisões que já tinham tomado. "Se o estudante enxergar este momento como uma oportunidade para ele aprender a estudar, quando ele entrar na graduação, estará mais preparado para assistir às aulas", conta o psicólogo.

Confira o depoimento de três universitárias que passaram no vestibular este ano e que tiveram que superar alguns obstáculos até entrar na faculdade:

 

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"Comecei a tentar em 2003, desde que me formei no Ensino Médio. Estudava em uma escola pública de Camaragibe, uma cidade da região metropolitana de Recife, que era horrível. Os professores faltavam muito. Eu era a melhor aluna da escola e pensei que iria passar no vestibular, mas vi que não conseguia resolver nenhuma questão. Resolvi entrar em um cursinho, com bolsa, porque não tinha como pagar por um. Passei por muitas dificuldades, ouvi muitos "nãos" na vida. Teve uma época que já estava exausta de tentar, pensei "será que devo ouvir os outros e desistir?". Mas não desisti. Desde sempre eu quis ser médica. Quando tinha 16 anos, minha avó adoeceu e eu a acompanhava ao hospital. Meus avós infelizmente morreram na emergência do hospital. Quando precisei do carinho da médica que os atendeu, ela não estava nem aí para mim. Desse dia em diante, tive certeza que queria Medicina para atender bem aos pacientes, para mostrar que ninguém é melhor do que ninguém. No cursinho, comecei a ficar desesperada. O professor chegou a indicar que eu estudasse com livros do Ensino Fundamental, porque tinha dificuldades até em fração. Mas, pra mim, querer é poder e comecei a correr atrás dos meus sonhos. Apesar de aprender mais a cada ano, eu sempre tentava e não conseguia. Também me inscrevi no ProUni, mas nunca fui chamada. Meus pais e parentes passaram a desacreditar em mim lá pela quarta, quinta tentativa e queriam que eu fosse trabalhar para trazer dinheiro para casa. Até entendo a opinião deles, porque às vezes somos imediatistas e ninguém da minha família chegou a fazer faculdade. Como não tinha dinheiro nem pra passagem do ônibus até o cursinho, comecei a dar aulas particulares aos sábados. Depois de nove anos tentando, consegui ficar na lista de remanejamento da Universidade de Pernambuco (UPE) e realizei o meu sonho de estudar Medicina em uma universidade pública. Consegui me matricular este ano. No dia da minha matricula foi lindo, a presidente da comissão do vestibular foi me cumprimentar pessoalmente, porque ela sabia da minha história e das dificuldades que passei. Chorei muito e ainda não acredito que passei. Mostrei para todos aqueles que queriam que eu desistisse que eu era capaz. Eu acho que quando você quer, você realmente pode. No futuro eu quero poder dizer aos meus filhos que querer é poder e que eles podem se tornar quem eles" quiserem."

 

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"Eu terminei o terceiro colegial e prestei vestibular para Medicina. Não passei, mesmo fazendo cursinho junto com o colégio. Queria fazer esta faculdade desde criança, mas depois de dois anos de cursinho eu já estava cansada e não queria mais. Comecei a pensar o que eu gostava na Medicina e vi que era a área de pesquisa. Descobri o curso de Biotecnologia, que também me proporcionava trabalhar com isso, e resolvi tentar. Passei na Ufscar há um ano e até hoje não me arrependo. Conheci muitas pessoas que estavam tentando Medicina há mais de quatro anos, enquanto viajava para prestar o vestibular em outras cidades. É uma escolha de cada um tentar por tantos anos. Minha família sempre me apoiou, em cada viagem, em cada vestibular. Eles ficaram muito felizes quando eu passei. Acho que não conseguiria encarar uma faculdade longe de casa. Isso pesou bastante, já que o curso de Medicina nas universidades paulistas é bem concorrido."

 

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"Desde sempre eu queria fazer Ciências Sociais e Jornalismo. Prestei o primeiro curso na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), assim que saí do terceiro ano do Ensino Médio, e na UFC (Universidade Federal do Ceará), mas passei na turma do segundo semestre, então comecei o curso na Unicamp. Gostei, mas vi que a estrutura da universidade não era aquilo que imaginava. Fui para a UFC depois para ver como era lá. Fiquei duas semanas e vi que não era diferente. Resolvi terminar Ciências Sociais e depois prestar Jornalismo na USP, porque lá a estrutura seria melhor. Não passei para a segunda fase da Fuvest na primeira vez que tentei. Fiz um ano de cursinho em Fortaleza e não passei. Resolvi me mudar para São José dos Campo, onde morei em uma república com outras meninas que também faziam o cursinho. Mesmo assim, ainda era a 16ª na lista de espera. Cansei do cursinho e voltei para casa. Passei seis meses estudando sozinha, voltei para São José para fazer os últimos seis meses do ano no cursinho. Aí eu passei! Acho que a ansiedade no meu 3º ano de cursinho me prejudicou. Foi preciso procurar a ajuda de um psicólogo, que consultei enquanto não estava mais no cursinho. Uma coisa que percebi é que a cada ano eu ia melhor no vestibular, sempre foi uma progressão. Uma coisa que me ajudou muito foi fazer teatro. Comecei no segundo semestre de 2011 e fiz novos amigos, além de fugir do clima do cursinho. As pessoas falam, mas os estudantes não acreditam. As duas horas que passava no teatro não me impediram de passar, só me ajudaram!"

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