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EaD: saiba quais são os desafios de estudar na modalidade

Fazer uma graduação EaD tem suas comodidades, mas muitos desafios também. Veja dicas para tirar o melhor proveito

Optar por uma graduação a distância pode ser vantajoso sob muitos aspectos: a mensalidade mais barata, o fato de não precisar se deslocar todos os dias para a faculdade e poder estudar em locais e horários mais convenientes são atrativos para muitos estudantes que desejam obter um diploma superior.

Mas engana-se quem acha que é moleza concluir um curso a distância. Muitos estudantes que começam a fazer uma graduação EAD se surpreendem com as exigências do curso. Afinal, estudar sozinho na frente do computador, sem a companhia diária e física de professores e colegas de turma, exige boa dose de autonomia. Além disso, todas as disciplinas têm uma carga horária a ser cumprida e, sem uma boa organização, é fácil deixar acumular as tarefas e se perder em meio ao cronograma de atividades a ser executadas.

Essa diferença entre expectativa e realidade acaba levando muitos estudantes a desistir dos cursos, que apresentam elevado índice de evasão (veja boxe na página ao lado). Por isso, antes de se decidir por uma graduação a distância, é fundamental saber se você tem algumas características pessoais que lhe permitem adaptar-se à modalidade. Conheça a seguir os atributos indispensáveis para um estudante EAD.

Disciplina

 (iStock/iStock)

A graduação a distância é bastante procurada por estudantes que não conseguiriam conciliar a presença diária na sala de aula com as exigências do trabalho e outras demandas pessoais. Mas a flexibilidade que a EAD proporciona exige que o aluno tenha disciplina para não procrastinar os estudos em meio aos diversos compromissos profissionais e familiares. “O estudante precisa criar o hábito do estudo e calcular o seu tempo livre para também não prejudicar as outras tarefas cotidianas. É uma caraterística da vida moderna”, diz Josiane Tonelotto, reitora da EAD Laureate, grupo educacional que reúne as universidades Anhembi-Morumbi, FMU, Unifacs e UnP.

É isso que o estudante David da Silva Figueiredo procura fazer. Aos 19 anos, ele havia desistido de um curso presencial justamente por não conseguir conciliar o ritmo das aulas com as tarefas e as viagens que o seu trabalho exigia. Hoje, com 33 anos, está prestes a se graduar em um curso a distância de Sistemas de Informação pela Estácio.

Casado e com uma filha, David mora no Rio de Janeiro e presta serviços na prefeitura de Niterói como consultor na área de segurança da informação, em um deslocamento que toma duas horas de seu dia. “Tenho um dia de trabalho muito pesado, mas tento ler o material de estudo no ônibus, a caminho de Niterói. Em casa, aguardo a minha filha dormir para acompanhar as videoaulas e fazer os exercícios, focando só nos estudos”, detalha.

Organização

 (ismagilov/iStock)

Para Stavros Xanthopoylos, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), ter disciplina é essencial para se organizar e criar uma rotina adequada de estudos. “São necessárias pelo menos duas horas por dia para o aluno conseguir obter o conhecimento que busca no curso”, aponta.

Mas não basta dedicar um horário diário para as atividades no computador e para a leitura. É preciso também definir prioridades entre as tarefas propostas pelo curso. “Todo curso traz um calendário de atividades, com marcos importantes, de estudo e de entregas de tarefas individuais ou em grupo”, explica Xanthopoylos. Por isso, quem não estabelece uma rotina cotidiana de estudo e deixa acumular as atividades dificilmente vai dar conta de entregar os trabalhos no prazo correto.

O fato de ter flexibilidade para organizar uma rotina de estudos, contudo, não significa que sempre se pode estudar na hora que quiser. Durante o curso o aluno precisa interagir em aulas ao vivo ou atividades em chats ou fóruns em tempo real, com horários predeterminados. Além disso, dependendo do curso, é necessário conciliar o emprego com as aulas de campo ou nos polos presenciais. Portanto, mesmo em um curso EAD, alguns compromissos têm hora e até local determinados.

Autonomia e proatividade

 (Rawpixel Ltd/iStock)

A rotina de um curso EAD exige muitas horas de leitura e reflexão, o que, em uma boa instituição, implica estudar mais até do que em um curso presencial. E isso sem a presença constante do professor. “Nos cursos de EAD de qualidade, professores e tutores se distanciam cada vez mais daquele papel de detentor e difusor do saber”, explica Josiane. Segundo a reitora da EAD Laureate, os professores atuam mais como mediadores, orientando os caminhos a ser seguidos pelos alunos, para que eles desenvolvam um pensamento crítico. Logo, o estudante precisa entender que é tão ou mais responsável do que o professor no processo de aprendizagem.

Como a interação entre alunos e professores ocorre de forma pontual, virtual e menos intensa que nos cursos presenciais, a proatividade é uma característica fundamental para o estudante EAD. Além de saber acionar o professor da forma mais objetiva para tirar as dúvidas, utilizando os recursos de interação disponíveis, o aluno deve entender que a matéria não se resume ao conteúdo apresentado no ambiente virtual de aprendizagem (AVA), a plataforma digital dos cursos EAD. É importante saber extrapolar o material didático oferecido para encontrar as soluções exigidas por determinadas tarefas. “O aluno de EAD não pode ser passivo, esperando tudo ser entregue pelo professor. Ele precisa ser um pesquisador, explorando aspectos que possam ser aplicados na vida real”, recomenda Xanthopoylos.

Para Cristiani Pereira Marta, de 31 anos, estudante do curso de Processos Gerenciais na modalidade EAD pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a curiosidade é um fator essencial para conseguir extrair o máximo de um curso a distância. “No curso temos o embasamento teórico para ir atrás da informação, o que pode ser suficiente para fazer a prova ou um trabalho. Mas qual a intenção de fazer um curso? É adquirir conhecimento. Então, se eu tiver um pequeno insight a partir de alguma matéria, vou procurar saber mais sobre o assunto para poder aplicar profissionalmente”, explica Cristiani.

Por já ter feito uma graduação presencial de Secretariado Executivo, Cristiani consegue comparar suas experiências nas duas modalidades de ensino. “No EAD eu estudo muito mais do que no presencial porque o conteúdo estimula a troca e a busca de informações, o que faz você ter de pensar mais”, analisa. No boxe ao lado, você confere outras informações sobre a carreira e a rotina de estudos de Cristiani.

Tecnologia

Uma mesa com um laptop, um calendário de 2017 e um caderno com uma caneta em cima

 (amnachphoto/iStock)

Por fim, a familiaridade com a tecnologia também ajuda a extrair o máximo potencial da EAD. Embora essa característica seja muitas vezes subestimada pelo fato de os dispositivos digitais e os softwares interativos já estarem incorporados ao cotidiano da maioria dos estudantes, não são raros os casos de alunos que enfrentam dificuldade para interagir com a plataforma digital dos cursos. “É um equívoco achar que basta saber manusear um smartphone para lidar com a gama de ferramentas tecnológicas de um curso EAD. Muitos não se adaptam porque não têm proficiência digital”, avisa Josiane Tonelotto.

Além de saber dominar os recursos digitais disponibilizados pelo curso, é importante ter um conjunto básico de equipamentos. O primeiro é um computador com configurações básicas e programas convencionais, como o pacote Office e softwares multimídia. Dependendo do curso, talvez seja preciso adquirir programas específicos. Nesse caso, a escola deve orientar sobre a obtenção e o uso. Outro item fundamental é o acesso à internet banda larga, de no mínimo 1 Mb. A conexão deverá ter boa qualidade e ser estável para o aluno poder assistir às videoaulas e participar de fóruns e chats em tempo real. É importante também que o equipamento tenha pelo menos uma memória de 2Gb e 10 Gb de espaço livre no HD. E, claro, um bom smartphone sempre ajuda a acessar os conteúdos do curso onde você estiver.

O desafio de superar a desistência na EaD

 (iStock/iStock)

A evasão é um dos principais desafios a ser superados pelas instituições que oferecem cursos a distância. De acordo com o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), 33,7% dos alunos abandonaram uma graduação EAD em 2015 – taxa que é 22,8% maior que a dos cursos presenciais.

O Censo EAD Brasil, divulgado pela Abed, lista quatro fatores fundamentais que estimulam essa desistência, pela ordem: falta de tempo; questões financeiras; falta de adaptação à modalidade EAD ou à metodologia do curso; e escolha errada. Esses dados revelam que muitos estudantes subestimam a dedicação que um curso EAD exige e, por não conseguir acompanhar o ritmo de estudo e de entrega dos trabalhos, acabam desistindo. Também há aqueles que não se adaptam à modalidade, que, sem a presença física do professor, exige uma dedicação maior do aluno na busca pelo conhecimento.

Para Stavros Xanthopoylos, da Abed, as escolas têm papel fundamental para alterar esse quadro. “Quantos não desistem porque a instituição não se preocupa em dar o suporte necessário ao aluno? É papel da escola encontrar meios para fazer com que os estudantes aprendam”, aponta.

A reitora da EAD Laureate, Josiane Tonelotto, explica que o acompanhamento dos alunos nos primeiros momentos do curso é fundamental para evitar a evasão. “Temos um mecanismo para controlar todas as atividades dos estudantes. Os tutores acompanham e perguntam por que um trabalho não foi entregue”, explica. Josiane também indica que outra forma de elevar a retenção dos estudantes é oferecendo-lhes orientações para ajudá-los a se adaptar à modalidade – no caso da EAD Laureate, há um curso extracurricular de gerenciamento de tempo, bastante procurado pelos alunos da EAD.