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Quase metade dos estudantes de universidades federais veio de escolas públicas

Estudo divulgado por associação de universidades federais também mostra que mais de 40% deles são das classes C, D e E

Por da redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h48 - Publicado em 3 ago 2011, 17h45

Estudo publicado hoje (3) pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostra que quase metade dos estudantes de universidades federais veio de escolas públicas e é das classes C, D e E. Os dados foram levantados em 2010 e analisaram os 22 mil alunos de cursos presenciais de 57 instituições federais de ensino.

Segundo a pesquisa, 44,8% dos estudantes cursaram todo o ensino médio em escola pública, enquanto 40% cursaram todo o ensino médio em escola privada. Os outros 15,2% estudaram nos dois tipos de escola durante sua formação. O número de estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública aumentou em relação à última pesquisa: em 2003 eram 37,5%.

Quanto o nível socioeconômico, o estudo aponta que 43,7% dos estudantes são das classes C, D e E. O percentual de alunos de baixa renda é maior nas instituições de ensino das regiões Norte (69%) e Nordeste (52%) e menor no Sul (33%). Comparando os dados atuais com os do último estudo feito, em 2003, percebe-se que a porcentagem de alunos de baixa renda aumentou pouco, mesmo com políticas afirmativas. Em 2003, 42,8% eram das classes C, D e E.

Benefícios
O estudo também mostra que 2,5% dos alunos moram em residência estudantil e cerca de 15% são beneficiários de programas que custeiam total ou parcialmente a alimentação. Vânia Silva, 26 anos, ex-aluna do curso de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB), contou, ao longo de toda a graduação, com bolsas e outros tipos de auxílio.

No primeiro semestre, a ajuda era de R$ 130, insuficiente para os gastos com alimentação, transporte e materiais. Ela participou de projetos de pesquisa e extensão na universidade para aumentar o benefício e conseguiu moradia na Casa do Estudante. Mas viu colegas desistirem do curso porque não tinham condições de se manter.

"Para quem quer ter um bom desempenho acadêmico, o auxílio é muito pequeno. Esse dinheiro eu deveria gastar em livros ou em viagens para participar de encontros de pesquisadores, mas usava para custear minhas necessidades básicas", conta.

Confira outros dados do estudo:

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– Maioria dos estudantes é branca
53,9% se declaram brancos, enquanto 8,72% negros e 32% pardos. 61% dos negros são das classes C, D e E, enquanto apenas 4% são da classe A.
O número de negros aumentou pouco de 2003 para cá, quando menos de 6% se declaravam negros.

– Maioria usa transporte público
56% dos estudantes usam transporte público para chegar à aula. 18% vêm de bicicleta, a pé ou de carona e 21% têm transporte próprio.

– Maioria é mulher
São 53,5% de mulheres e 46,5% de homens.

– Trabalho e renda
37,6% dos estudantes trabalham. Desses, a maioria é das classes C, D e E.

– Maioria mora com os pais
A casa dos pais é a moradia da maioria (55,5%) dos alunos. Quase 10% vivem em repúblicas estudantis e menos de 7% moram sozinhos.

– Internet é principal fonte de informação
70% usam a internet para ler notícias. Menos de 3% leem jornal e 20% assistem à telejornais.

– Consumo de bebidas e drogas
15% consomem com frequência bebidas alcoólicas e cigarros. 6% dizem usar drogas ilícitas.

*com informações da Agência Brasil

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