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“Quem leva a sério consegue”, diz diretor executivo da Fuvest

Em entrevista para o GE, ele explica como é elaborada a prova, dá dicas para os candidatos e fala sobre os programas de inclusão social da universidade

Por da redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h56 - Publicado em 21 out 2014, 18h47

"Não cai nada que não esteja previsto". É com essa frase que Antonio Comune, diretor executivo da Fuvest, acaba explicando por que o vestibular que seleciona alunos para a Universidade de São Paulo (USP) é sempre considerado uma "prova clássica" pelos professores dos cursinhos. Em uma entrevista para o GE, Comune explicou como é elaborada a prova e deu informações importantes para quem está se preparando para realizá-la. A íntegra da conversa está no GUIA DO ESTUDANTE Fuvest 2015.

Guia do Estudante: Qual é a melhor maneira de se preparar para a Fuvest?

Professor Antonio Comune: Olhar o programa com todo o conteúdo que será cobrado em cada disciplina e estudar muito tudo que está lá. Não cai nada que não esteja previsto. Depois, conhecer a prova e se preparar para demonstrar seu conhecimento dentro daquele formato.

Como é elaborada a prova?

O exame é feito de questões inéditas. Dificilmente há repetição de temas específicos de um ano para outro, mas por outro lado há um trabalho de cobrir todas as grandes áreas em que se pedem conhecimentos dentro de cada disciplina. A cada edição começamos tudo do zero.

Quem formula as questões?

Há uma banca formada por professores de todas as unidades da USP. São escolhidos educadores que se destacam no seu trabalho. Eles formam grupos e se debruçam sobre a elaboração das questões por seis meses. O processo é muito trabalhoso e sigiloso. Por fim, eles chegam a um conjunto de questões da primeira e segunda fases que equilibra os assuntos que um aluno deve conhecer antes de ingressar na universidade.

E a redação?

O tema também é definido pela banca, mas a linha que a Fuvest segue pode ser deduzida facilmente olhando as provas dos últimos anos. Você vai perceber que tem sempre uma coerência: a USP quer que o aluno demonstre a sua capacidade de refletir, que elabore conceitos, faça conexões pertinentes e saiba, sobretudo, expressar suas ideias. Queremos uma dissertação bem escrita. Não em uma língua portuguesa culta, mas sim correta. Também consideramos fundamental que os seus pontos de vista estejam bem estruturados.

Qual é o perfil de aluno que a Fuvest quer selecionar?

Procuramos mirar nos melhores estudantes. Aqueles que demonstraram conhecer os assuntos do ensino médio e que têm interesse em continuar estudando. No passado, as provas da segunda fase eram direcionadas à área que o candidato pretendia, mas houve mudanças e hoje há questões dissertativas de todas as disciplinas para todos os candidatos no segundo dia da última etapa. Exatamente para saber quem é bom em aprender.

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A USP tem o objetivo de ter metade dos novos alunos oriundos de escola pública até 2018. O que vai ser feito nesse sentido?

A opção da USP tem sido por essa política de incremento da pontuação por bônus, mas não dá para afirmar que será suficiente. O que a Fuvest acompanha e sugere são percentuais de calibragem da bonificação, mas atingir o objetivo proposto depende de outras políticas de inclusão da universidade e da sociedade também. Precisamos convencer mais gente a participar do vestibular. Atualmente, o total de inscritos que estudou em escola pública é de 35%. Para chegar a 50% dos aprovados só se fizermos uma reserva sem restrições. O certo, no entanto, seria termos até mais da metade das inscrições de candidatos com esse perfil, porque o percentual da população que estuda em escola pública é maior do que 80%.

#VOCETAMBEMPODE: USP promove campanha para atrair alunos da rede pública

A Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo lançou uma campanha para ampliar o entendimento dos alunos de escolas públicas sobre as formas de ingresso na universidade, derrubando o mito de que é "impossível" passar no vestibular. No site, que pode ser acessado aqui, há informações sobre programas de bonificação para esses estudantes e sobre os projetos de permanência e formação estudantil.


Como o senhor vê a utilização do Enem para ingresso no ensino superior? Ele pode vir a ser usado pela USP?

No começo da utilização do Enem, a USP foi uma das primeiras a usá-lo como uma parte da sua nota. Devido às datas dos processos seletivos, ficamos tecnicamente impossibilitados e paramos. Agora, essa questão certamente será analisada no futuro, porque parece ser uma tendência nacional. Acho o sistema usado pelo Enem, com a TRI (Teoria da Resposta ao Item, que atribui pesos diferentes às questões conforme a quantidade de acertos), uma coisa boa, que já mostrou ter validade nos Estados Unidos, embora seja preciso ter um banco de questões muito grande para isso.

Qual o seu conselho para o aluno de ensino médio que quer ingressar na USP?

Estudar os conteúdos necessários. Algumas vezes você leva anos e tem que repetir uma, duas, três vezes o exame. Mas quem leva a sério e percorre esse caminho, consegue.

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