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Segundo dia da Unicamp: confira análise dos professores por disciplina

Assim como o primeiro dia, a prova desta segunda-feira trouxe temas atuais. Especialista considera exame deste ano mais difícil do que o da edição anterior

Por Redação Atualizado em 10 jan 2022, 23h09 - Publicado em 10 jan 2022, 22h44

Nesta segunda-feira (10), chegou ao fim a segunda fase da Unicamp 2022. Considerando os dois dias de prova, a abstenção fechou em 13,5%, contra 8,8% do ano passado. Em relação ao nível de dificuldade, Daniel Cecílio, diretor pedagógico do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante, de Campinas (SP), analisa que a prova deste ano foi mais difícil do que a da edição anterior, “realmente privilegiando os candidatos mais bem preparados”.

Cecílio pontua que a exceção é a prova de Biologia, considerada pela equipe da Oficina do Estudante mais fácil do que a de 2021. “Mas, isso não quer dizer que foi uma prova ruim. Pelo contrário, foi extremamente atual e contextualizada, com assuntos altamente debatidos no momento, como degradação ambiental, fake news e o SARS-Cov-2”, explica. 

Confira os comentários dos professores por disciplina. 

Biologia 

Em comparação aos itens da edição anterior, a prova desse ano estava mais fácil, segundo Marcelo Perrenoud, professor de biologia da Oficina do Estudante. 

Para ele, alguns temas foram destaque na elaboração das perguntas: degradação de biomas brasileiros, veiculação de fake news sobre vacinação e o SARS-Cov-2, fisiologia vegetal, genética e parasitoses como a malária.

“Mais uma vez, a Unicamp se mostrou extremamente competente e atual, sendo capaz de criar questões que exploram ao máximo diversas habilidades dos vestibulandos”, analisa Perrenoud.

Já para a equipe do Curso Anglo, esse ano a prova estava “relativamente difícil” porém, mesmo assim, cobrou conteúdos e habilidades esperadas. “Os temas de biologia foram bastante diversificados e muito bem distribuídos, como sistema imune, respiração fisiovegetal, zoologia, ecologia e genética”, destaca Sérgio Paganim, diretor pedagógico do Curso Anglo.

Física 

Apesar de parecidas no estilo, a segunda fase dessa edição foi um pouco mais exigente em relação ano passado. De modo geral, as questões se mantiveram longe de polêmicas. Porém, em alguns casos faltou mais clareza na elaboração. Pelo menos é o que avalia Arnaldo Bom Nobre, professor de física da Oficina. 

Os conteúdos cobrados incluem cinemática, eletricidade, dinâmica, força restante, energia, trabalho e impulso, estática e hidrostática. A ausência de perguntas sobre óptica e termologia chamaram a atenção de Bom Nobre. “Destaco ainda que nada foi pedido sobre saúde, pandemia e afins”, comenta.

Os professores do Curso Anglo chamam a atenção para uma pergunta em havia a possibilidade de dois resultados. “A questão seis é a mais complicada. Ao abordar a velocidade média não está claro se é ‘velocidade vetorial’ ou se é ‘velocidade de rapidez’. Isso muda o resultado. Ou seja, a banca fatalmente vai ter de aceitar ambos”, destacam. 

Química 

 “A prova foi muito bem feita. Exigindo interpretação de gráficos, cartoons e bons textos”, comenta Marcos Formis, professor de química da Oficina. Assuntos como química verde, variação de pH, separação de materiais e eletroquímica foram destaque, na opinião do docente. 

Com alto nível de exigência e complexidade, os estudantes tiveram que se esforçar para chegar em uma resolução, pois nenhuma questão era simples ou com resposta imediata, avalia a equipe do Curso Anglo. 

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Geografia 

Renato Piton, professor da Oficina do Estudante, classifica a dificuldade da prova de Geografia como alta, relativamente superior à avaliação do ano anterior. Segundo ele, as questões exigiam um nível elevado de aprofundamento nos assuntos abordados em sala de aula. “Além disso, trouxe assuntos não comuns ao cotidiano escolar, como saber em quais estados está localizada a tribo Ianomâmi”, observa. 

Piton afirma que os assuntos foram bem distribuídos entre a Geografia Física e Humana, trazendo mesmo nos temas mais naturais uma reflexão crítica. A prova abordou temas bastante atuais como cultura indígena, geopolítica de 2021 e elementos ligados à pandemia da covid-19. 

Paganim destaca um erro na nomenclatura no enunciado de uma questão. A prova chamou de mar morto o que era um mar negro. “O que não chega a dificultar a resolução da questão”, explica o diretor. “Mas, ainda assim, foi uma prova muito contextualizada e de nível adequado para fazer uma avaliação bastante precisa”, completa.

Matemática 

A equipe de professores do Anglo considerou a prova de Matemática inteligente e adequada para a segunda fase, por balancear questões fáceis e complicadas. De acordo com o cursinho, a banca também mesclou itens de puro cálculo, sem contextualização, e outros em que era necessário entender um gráfico ou uma situação problema. 

Rodrigo do Carmo, professor de Matemática da Oficina do Estudante, diz lamentar a falta de questões sobre Geometria Plana, Matriz, Determinantes e Sistemas Lineares, Combinatória e Probabilidade – assuntos clássicos da segunda fase da Unicamp. “Em geral, foi uma prova exigente, difícil e trabalhosa”, resume.

História 

Felipe da Costa Mello, professor da Oficina, considera que a prova de História apresentou um um nível de dificuldade médio, semelhante ao vestibular do ano passado. “As questões estavam bem contextualizadas, trazendo elementos que ajudavam os candidatos. Além disso, a distribuição dos assuntos foi tradicional e equilibrada”, diz Mello. 

A equipe do Anglo considerou a avaliação da Unicamp como a mais bonita prova de história desse ano. “O principal motivo é que a banca trouxe recorte com temas culturais da contemporaneidade”, explica. Questões abordaram aspectos importantes como a cultura indígena, a cultura negra e a segregação no mundo contemporâneo, a partir da noção de muros tomando como base o Muro de Berlim. 

“Outro ponto que chamou atenção na prova foi a estrutura das questões. O item A servia, classicamente, para explorar o entendimento do texto a partir de uma perspectiva histórica. Já o item B exigia mais profundidade de análise em torno das temáticas que foram abordadas na questão”, acrescenta Paganim, diretor do Anglo .

Filosofia e Sociologia

Segundo Juliana Guide, professora de humanidades da Oficina, a segunda fase chamou atenção pela incidência de itens sobre a questão indígena, principalmente relacionados à antropologia, debates sobre eurocentrismo e etnocentrismo.

Além disso, a ausência de perguntas de filosofia tanto na primeira quanto na segunda fase chamou a atenção de Guide. 

Paganin também chama atenção para o número reduzido de questões de sociologia e para a ausência de questões de filosofia, diferente do esperado.

“Na verdade, há duas questões específicas de sociologia que aparecem em questões interdisciplinares, ou seja, elas aparecem de forma auxiliar em relação a outras disciplinas”, comenta Paganin. “Uma cobrava o conceito de cultura e de choque cultural e a outra cobrava uma noção mais técnica, a definição de neoliberalismo.”

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