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Terremoto pode ser assunto de mais vestibulares que o comum, afirmam professores

Teor das questões deve ser o mesmo: mais conceito, menos decoreba

Por por MARIANA NADAI e FELIPE VAN DEURSEN Atualizado em 16 Maio 2017, 13h48 - Publicado em 21 mar 2011, 11h29

A impressão é que eles estão cada vez mais comuns. Em 13 meses, Haiti, Chile e Japão sofreram terremotos avassaladores, com consequências drásticas que chocaram o mundo. Mas isso não quer dizer que hoje há mais terremotos que no passado. O imediatismo das notícias e a cada vez maior influência das redes sociais deixaram acontecimentos assim mais próximos do nosso cotidiano.

Imagem de satélite mostra um tufão, em 2008, no Japão.
Tragédias naturais são recorrentes no país.
Foto: Getty Images

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“Há 20 anos, se tivesse acontecido um terremoto como o do Haiti, demoraria uma semana para sabermos o que realmente aconteceu”, exemplifica Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do cursinho Objetivo, de São Paulo. Mesmo assim, desde 2004, com o tsunami no Sudeste Asiático (e a consequente popularização do termo), questões assim são mais comuns nos vestibulares.

A professora lembra que todo ano questões sobre terremoto, vulcanismo e placas tectônicas caem nos vestibulares, pois são temas que fazem parte do conteúdo cobrado de geografia. “O que provavelmente pode acontecer esse ano é que mais vestibulares cobrem esse tema”, diz. Reinaldo Scalzaretto, supervisor de geografia do Anglo, também de São Paulo, concorda.

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Ambos dizem que a contextualização da tragédia deverá guiar a maioria das questões. “Um bom vestibular não pergunta decoreba, não vai cobrar do aluno que ele saiba quantos graus na escala Richter teve o terremoto do Japão – que, por sinal, foi de magnitude 9 -, mas, a partir da gravidade do terremoto, vai pedir que o estudante explique o conceito do tremor”, explica Reinaldo.

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“Alguns vestibulares podem elaborar perguntas que abordem temas mais sociais ligados às tragédias. Podem, sim, fazer uma comparação do terremoto no Haiti e no Japão, mostrando o motivo de no primeiro local ter ocorrido uma grande destruição e no segundo não. Esse tipo de questão pode cair mais no vestibular da Unicamp, por exemplo, que costuma fazer mais questões sociais”, diz Vera Lúcia.

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A professora reforça a hipótese de que os vestibulares não aumentarão o espaço dedicado a questões ligadas a tragédias. “Na prova de geografia da Fuvest é bem pouco provável que caiam duas questões sobre terremoto ou tsunami”, opina.

Terremotos do passado
Reinaldo diz que é possível que grandes tragédias do passado apareçam nas provas. “É possível que o vestibular compare dois terremotos, do tipo, um que aconteceu hoje e outro há 100 anos, mas no fim, a questão será sempre sobre como acontecem os terremotos, por que acontecem, essas coisas”, explica o professor.

Um terremoto que sempre merece a atenção dos estudantes é o de Lisboa, em 1755, por conta de suas consequências históricas. O historiador britânico Edward Paice, no livro A Ira de Deus, explica que a tragédia que matou entre 30 mil e 40 mil pessoas provocou reviravoltas em lugares bem longe de Portugal, como o Brasil. O terremoto acelerou o crescimento do poder do marquês de Pombal, que tocou a reconstrução de Lisboa e naquela época já falava da mudança de capital do império, 53 anos antes da vinda de d. João VI ao Brasil. No poder, Pombal expulsou os jesuítas das colônias e instituiu a derrama, mecanismo de confisco nas regiões das minas de ouro que foi um dos motivos que levaram à Inconfidência Mineira.

Além disso, segundo Paice, o terremoto de Lisboa influenciou o filósofo Voltaire. “O terremoto foi o catalisador do pensamento ocidental”, afirma o historiador em entrevista ao GUIA DO ESTUDANTE. “Foi o prenúncio do Iluminismo”.

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