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Último dia da 2ª fase da Fuvest trouxe questões atuais e contextualizadas

Das seis disciplinas cobradas, somente geografia destoou por apresentar um nível maior de complexidade. Pandemia e vacina ficaram de fora do exame

Por Redação Atualizado em 18 jan 2022, 13h26 - Publicado em 17 jan 2022, 21h25

+ Acompanhe a correção comentada da segunda fase

Terminou nesta segunda-feira (17) a aplicação da segunda fase da Fuvest 2022. Na análise de professores, apesar de estar em um nível mediano de dificuldade, a prova de hoje confirmou a característica tradicional de selecionar os candidatos mais bem preparados.

De acordo com Sérgio Paganim, coordenador pedagógico do Curso Anglo, das seis disciplinas cobradas nas questões dissertativas somente geografia apresentou um nível maior de complexidade.

Na formulação da prova, houve a mescla de conhecimentos diretos e também sem contextualização, mas que estavam articulados com conteúdos do ensino médio e com a realidade brasileira, diz Paganim. “A Fuvest elabora um exame de alto nível que, por um lado, se propõe a avaliar conhecimentos clássicos dos currículos do ensino médio. Por outro, explora as competências fundamentais para o ensino superior”, completa. 

Apesar de deixar de fora assuntos como pandemia e vacina, a prova se manteve atual e longe de abordar polêmicas, segundo Daniel Cecílio, diretor pedagógico do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante. 

Geografia

Considerada difícil pelos professores do Anglo, as questões da disciplina cobraram diversos conteúdos de atualidades que serviram de contexto para as análises a serem realizadas. Alguns itens cobraram conceitos puros e outros apenas estudos de caso, mas havia a necessidade de articulá-los para encontrar a resposta correta. Talvez, essa seja a maior dificuldade enfrentada pelos candidatos, apontam. Foram explorados pela prova temas como Afeganistão, El Niño e La Ninã, exploração de sal-gema em Maceió e crises energéticas. 

Em comparação com a edição anterior, o teor atual das questões deste ano surpreendeu o professor Dario Feltrin, da Oficina do Estudante. Para ele, os assuntos sobre geopolítica do Afeganistão e crise hídrica foram os destaques. Em sua avaliação, os itens estavam contextualizados, o que pode ter facilitado no processo de compreensão dos candidatos.

História

A boa contextualização das questões chamou a atenção da equipe Anglo. Isso porque auxiliou os candidatos não somente na resolução, mas também no entendimento de mundo contemporâneo. Houve a prevalência de itens de história do Brasil, em relação aos assuntos gerais da disciplina. Além disso, os temas abordados propuseram discussões  importantes sobre o presente ao tratarem da questão indígena, da separação dos poderes, da Revolução Praieira, da relação entre doenças e medicamentos na questão do Jeca Tatu e do papel da Fundação Palmares

Sobre a dificuldade, Felipe da Costa Mello, da Oficina, destaca que o nível foi médio — semelhante ao ano anterior. Para ele, a distribuição das questões foi coerente. Porém, Felipe sentiu falta de temas que se relacionassem com a temática feminina na história. “De modo geral, a prova seguiu a tradição em trazer questionamentos de temáticas atuais, com cobrança abrangente de conteúdos”, comentou.

Química

De acordo com professores do Anglo, a prova de química da segunda fase da Fuvest foi tradicional, sem surpresas, e bastante conteudista. Paganim ressalta que as perguntas eram muito bem contextualizadas. O diretor do Anglo dá como exemplo os enunciados sobre viagem a Marte e um outro que mostrava uma tabela nutricional de alimentos. “São contextos que colocam os conteúdos de química de uma forma muito mais palpável e concreta para o aluno”, elogia.

Do ponto de vista dos conteúdos, a avaliação apresentou uma ampla gama de assuntos. As questões abordaram separação de misturas, cinética e equilíbrio químico, inorgânico, estequiometria, interações intermoleculares, isomeria, gordura trans e, por fim, eletroquímica, que é um assunto que não havia sido cobrado na primeira fase. 

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Renan Pimentel, professor da Oficina do Estudante, aponta a ausência na prova de reações orgânicas, muito característico desta etapa da Fuvest e, normalmente, na forma de uma questão difícil. Além disso, nenhuma das questões de química tratou o tema da pandemia. Em geral, o professor acredita que a prova teve nível de dificuldade médio. 

Biologia

Para André Bourg, professor da Oficina, a prova de Biologia teve dificuldade média. Ele comenta que as perguntas eram diretas, exigindo conhecimento geral da biologia e algumas, dependiam apenas da interpretação do vestibulando. “Foi relativamente mais fácil que a de 2021 e não teve nenhuma questão polêmica”, observa.

A Fuvest cobrou temas clássicos do estudo de biologia como evolução, ciclo de parasitas, ciclo de vida de angiospermas, fisiologia animal. “Mas, com apenas seis questões, ficaram de fora temas importantes como citologia, genética e biotecnologia”, recupera Paganim

“Também não foi contemplado nenhuma questão sobre os temas relacionados ao vírus da covid-19 ou vacinação”, acrescenta Bourg. 

Física

De acordo com os professores do Anglo, a prova de Física teve um crescente de dificuldade, com algumas questões simples e outras mais complexas. As duas últimas eram as mais trabalhosas e tiveram um nível de dificuldade pensado para carreiras mais específicas, em que a física é crucial. Todas as questões exigiam conhecimentos sólidos de física, além de ótima interpretação de textos, figuras e gráficos. 

Rodrigo Araújo, professor de Física da Oficina do Estudante, considerou o nível da prova de médio a difícil, mas ainda assim mais fácil que a do ano anterior. De acordo com o professor, a distribuição dos assuntos não privilegiou tanto o tema Mecânica, como é de costume na Fuvest. A edição deste ano deixou de fora a óptica geométrica, mas abordou a eletrostática em duas questões diferentes, o que, segundo Araújo, é pouco comum.

Matemática

A prova de matemática seguiu o padrão das últimas edições da Fuvest, segundo os professores do Anglo. As questões foram técnicas, bastante conteudistas e abordaram assuntos clássicos do Ensino Médio. Foram cobrados temas como sequências, probabilidade, geometria espacial, geometria analítica e análise combinatória. 

Segundo Paganim, houve um padrão de dificuldade nos itens de cada questão: o item A fácil e de resolução imediata, o item B exigindo mais do candidato e o item C, nas palavras dos professores, “tem que suar a camisa”, por exigir habilidades mais complexas de matemática.

Rodrigo do Carmo, professor de Matemática da Oficina do Estudante de Campinas (SP), sentiu falta da abordagem de geometria plana entre as questões. Em geral, considerou a prova média a difícil, similar à edição do ano anterior. 

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