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UnB classifica trote de “sujo” e “humilhante”

Recepção a calouros de Agronomia irrita direção da Universidade de Brasília

Por Redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h41 - Publicado em 14 jul 2010, 13h50

Com a cabeça apoiada em um cabo de vassoura, estudantes giravam até ficarem tontos. Na sequência, pulavam numa piscina de lama com legumes, folhas, galhos e lixos. “Assim aconteceu mais um trote sujo na UnB (Universidade de Brasília)”, relatou o portal de notícias da instituição na última terça-feira (13).

Estudantes de Agronomia fazem o ‘elefantinho’ na UnB; universidade classifica brincadeiras de ‘humilhantes’

A festa organizada para os novos estudantes de Agronomia irritou a direção da universidade. Essa não é uma maneira adequada de dar boas vindas. Os novos alunos não devem ser submetidos pelos veteranos a atitudes vexaminosas, disse reitor José Geraldo de Sousa Junior.

A nota publicada no site oficial da UnB relata o episódio em tom de reprovação. “Molhado e tremendo de frio, o calouro Felipe Abreu não parecia confortável com a experiência. Quando entrevistado, disse que ‘por enquanto estava tranquilo’. Já o colega Emanuel Rodrigues disse não “curtir muito esse tipo de trote’. ‘Mas entrei na onda do pessoal’”, diz o texto.

Segundo o relato, uma das brincadeiras era lamber leite condensado de uma linguiça encapada com um preservativo. Não foi divulgada a data em que ocorreu a festa.

Estudantes giram até perder o equilíbrio; universidade condena brincadeiras

BRINCADEIRA
“É como se fosse uma iniciação mesmo. Depois do trote, acaba a divisão entre calouros e veteranos”, se defendeu Vitor Dias, 2º semestre de Agronomia, um dos participantes da festa.

Segundo o estudante, ficar sujo é uma tradição. “Já que é para ficar sujo, que seja com os amigos. Vai ser um momento que todo mundo vai lembrar pro resto da vida”.

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Sobre os xingamentos, ele afirmou que não passavam de ‘brincadeiras entre amigos’. “Pode perguntar pra qualquer um aqui que eles vão dizer que estão felizes. Esse momento só enaltece o curso”.

– Fuja do trote violento

O calouro Sérgio Fernandes gostou da brincadeira. “Sou a favor do trote, pois diferencia o mundo acadêmico do ensino médio é o trote”, destacou. “É o único dia da nossa vida em que vamos fazer isso”.

Muitos estudantes tinham as bocas roxas, pintadas com um corante antimicótico. “Uma corneta a gás embalava a ‘brincadeira’ em pleno horário de aula”, diz o texto do site da UnB.

O relato prossegue: “Depois de brincar, os alunos da Agronomia seguiram de ‘elefantinho’ – fila indiana em que os participantes caminham agachados com as mãos por baixo das pernas – para os jardins do prédio gritando palavras de ordem e desmoralizando a vida acadêmica”.

SEM GRAÇA
Paulo Ramón, agrônomo formado pela UnB, assistiu a todo o trote. “Sou totalmente contra. Nunca dei trote e acho que, de um modo geral, esse tipo de comportamento prejudica a imagem da UnB”, disse.

“Eu acho esse tipo de trote ridículo e sem criatividade. Isso não cativa os calouros”, condena Marcelo B., do 10º semestre. “Acho que tinha que ser alguma coisa para fazer o bem. Olha o tanto de alimentos que gastaram sujando os calouros que poderiam ter sido usados para outro fim”, disse.

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