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Unicamp cancela matrícula de 9 estudantes por fraude em cotas raciais

Outros 10 alunos que usaram as cotas no vestibular desistiram de suas vagas durante o processo de apuração da comissão

Por Taís Ilhéu 28 nov 2019, 14h12

A Unicamp cancelou, nesta semana, a matrícula de nove estudantes que usaram indevidamente as cotas étnicos-raciais para ingressar na universidade. As irregularidades foram constatadas por uma comissão instituída este ano para apurar as 141 denúncias de fraude feitas pela ONG Educafro em abril. O vestibular 2019 foi o primeiro da universidade a adotar o sistema de reserva de vagas.

Tanto o vestibular tradicional da Unicamp quanto o ingresso pela nota do Enem reservam uma porcentagem das vagas para alunos que se autodeclaram pretos, pardos e indígenas. Ao todo, 1.007 estudantes entraram na universidade  por meio dessas cotas. Além dos 9 expulsos agora pela Unicamp, outros 10 abandonaram seus cursos durante o processo de verificação da comissão, segundo o reitor Marcelo Knobel em entrevista ao portal G1

  • Os alunos que tiveram suas matrículas canceladas pertenciam aos cursos de Administração, Engenharia civil, Engenharia mecânica, Engenharia química, Estatística, Geografia, Licenciatura em química e Licenciatura em matemática. A Unicamp informou, em nota, que estes estudantes podem voltar a estudar na universidade caso sejam aprovados em vestibulares futuros. 

    Como funcionam as comissões

    O reitor Knobel afirmou ainda que o trabalho da comissão que averiguou as denúncias foi minucioso e contou com entrevistas individuais com os estudantes. As comissões de investigação de fraude em cotas raciais são amparadas por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, e a recomendação é que a investigação leve em consideração o fenótipo (traços físicos)  e não somente a ascendência do candidato, já que o racismo no Brasil, segundo o STF, perpassa por uma pessoa ser reconhecida como negra.

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