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Aventuras na História

Otan x Pacto de Varsóvia

As alianças militares lideradas

Danila Moura | 01/01/2007 00h00

A Otan e o Pacto de Varsóvia nunca travaram um conflito militar direto, mas fizeram o mundo refém de suas trocas de ameaças por mais de três décadas. Abastecidas pela obcecada corrida armamentista da Guerra Fria, as duas organizações simbolizaram o perigo mais imediato de uma guerra entre Estados Unidos e União Soviética. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) surgiu primeiro, em 1949, para lutar contra a expansão do comunismo e retaliar qualquer ataque soviético contra seus países-membros. A resposta da URSS veio em 1955 com o Pacto de Varsóvia, apoiado pelos países do bloco socialista e criado nos mesmos moldes da rival.

Mudança de rumo

Com o tempo, porém, o papel das duas alianças militares desviou-se da proposta original. O Pacto de Varsóvia voltou-se para a repressão dos governos contrários ao regime socialista e das eventuais insurreições dos países integrantes. Tornou-se uma ferramenta de controle da URSS sobre seus territórios de influência e extinguiu-se em 1990, logo após a implosão do império soviético. A Otan, por sua vez, ampliou sua atuação: fixou-se nas trocas militares de técnicas de segurança com a Europa, nas intervenções de conflitos e até no combate ao narcotráfico. Hoje, agrupa também países do ex-bloco socialista que fizeram parte do Pacto de Varsóvia, como a Romênia e a Bulgária.

 

Estratégias durante a Guerra Fria

Tecnologia de defesa

Os EUA não se preocupavam com o efetivo militar em solo europeu, o que mantinha a região fragilizada diante de um ataque soviético por terra. Por outro lado, a Otan compensou seus efetivos militares, tradicionalmente menores que os do Pacto de Varsóvia, investindo de forma maciça em tecnologia de defesa em vários pontos do planeta, principalmente ao redor da URSS. A aliança espalhou sistemas de defesa antimísseis por 4 900 quilômetros, cercando totalmente as fronteiras soviéticas. Os americanos focaram também na produção de armas estratégicas, para poder atacar o território soviético a partir dos EUA.

Pensando no ataque

O Pacto de Varsóvia adotou inicialmente dispositivos mais ofensivos, mas não com a clara intenção de atacar o inimigo. A preocupação em se preca ver de uma guerra nos moldes tradicionais era bem maior. Em meados de 1955, já possuía algum poderio nuclear, que foi igualado ao americano cerca de quatro anos depois. Isso mudou a estratégia dos dois lados: ninguém imaginava um confronto bélico sem o uso de armas nucleares. O orçamento militar soviético aumentava cerca de 4% ao ano, e chegou a consumir 15% do produto nacional russo, contra 5% do americano.

 

Ações e poder de fogo

Dados referentes ao ano de 1985, em solo europeu

Otan

Países fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido

Contingente: 1,367 milhão

Tanques e blindados: 9 900

Helicópteros armados: 1 475

Peças de artilharia: 2 875

Submarinos: 300

Porta-aviões: 28

Navios de superfície: 583

Intervenções polêmicas: Envio de soldados à província de Kosovo, nos Bálcãs, em 1999. Ficou marcada pelos constantes erros que levaram à morte dezenas de civis.

Pacto de Varsóvia

Países fundadores: Alemanha Oriental, Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia, Tchecoslováquia, União Soviética

Contingente: 1,425 milhão

Tanques e blindados: 26 mil

Helicópteros armados: 1 700

Peças de artilharia: 11 200

Submarinos: 290

Porta-aviões: 12

Navios de superfície: 300

Intervenções polêmicas: Envio de tropas à Tchecoslováquia, em 1968, no episódio que ficou conhecido como Primavera de Praga e reprimiu com violência a "desestalinização" do país.

Fonte: Otan

 

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