Guia do Estudante

As notícias internacionais mais importantes da semana de 17 de julho

Ana Prado | 22/07/2016

Veja cinco destaques do noticiário internacional para quem vai prestar vestibular:

Prisão de supostos terroristas no Brasil repercute na imprensa internacional

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A imprensa internacional repercutiu nesta semana a prisão de dez brasileiros que supostamente estariam envolvidos com terrorismo. Jornais da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina deram destaque para a notícia, que também entrou para o ranking de assuntos mais comentados do Google Trends. A publicação norte-americana The New York Times disse que as prisões “aumentam a tensão no Brasil a apenas duas semanas do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro”. Na Argentina, o jornal La Nacion publicou manchete com a notícia da operação policial no Brasil, mas destacou que a célula detida não havia tido contato direito com o Estado Islâmico.

Após tentativa de golpe, Turquia suspende Convenção Europeia de Direitos Humanos

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta quarta-feira (20) a decretação de estado de emergência no país, durante três meses. Isso aconteceu cinco dias depois de um fracassado golpe de Estado que deixou cerca de 300 mortos e abriu uma onda de demissões por motivação política nas esferas privada e estatal, além de milhares de detenções.

>> Leia: 5 pontos para entender a tentativa de golpe militar na Turquia

Além disso, a Turquia decidiu suspender temporariamente a Convenção Europeia de Direitos Humanos, que inclui as liberdades fundamentais dos homens e a proibição da pena de morte. O documento europeu é uma referência àquele aprovado pela Organização das Nações Unidas em 1948 sobre os direitos humanos. A suspensão temporária pode ser solicitada com base no Artigo 15 da Convenção, que afirma que “em caso de guerra ou outro perigo público que ameace a vida da nação”, um país signatário da medida “pode revogar suas obrigações”.

Partido Republicano oficializa candidatura de Trump à Presidência dos EUA

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Com propostas polêmicas, a candidatura do empresário Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos foi oficializada na noite de terça-feira (19) pelo Partido Republicano. Ele atingiu o número mínimo necessário de delegados para sua indicação como candidato republicano no segundo dia da convenção do partido, em Cleveland. O anúncio de que ele tinha conseguido esse apoio foi feito pelo filho mais velho, Donald Jr., delegado por Nova York. A eleição será em novembro.

África do Sul deve testar vacina contra o vírus HIV ainda em 2016

Os testes de uma nova vacina contra o HIV (sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids) vão começar este ano na África do Sul, depois de ensaios preliminares em 2015 terem mostrado resultados promissores. Cerca de 250 pessoas participaram do teste preliminar em 2015. Agora, a vacina será testada em 5.400 pessoas, em quatro cidades na África do Sul, e continuará por três anos.

Mortes por aids entre adolescentes mais que dobraram desde 2000, alerta Unicef

Desde o ano 2000, mortes relacionadas à aids mais do que duplicaram entre adolescentes em todo o mundo. A estimativa é que, a cada hora, 29 pessoas de 15 a 19 anos sejam infectadas pelo HIV, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Os números, apresentados durante a 21ª Conferência Internacional sobre Aids, revelam que a doença segue como a segunda causa de morte entre jovens na faixa etária de 10 a 19 anos – e causa número um na África. De acordo com o relatório, meninas são mais vulneráveis à epidemia de Aids, representando cerca de 65% das novas infecções em adolescentes no mundo. Na África Subsaariana, região onde estão aproximadamente 70% das pessoas que vivem com HIV no planeta, três em cada quatro adolescentes infectados em 2015 eram meninas. O medo de passar pelo exame, segundo o Unicef, faz com que muitos jovens não tenham conhecimento de sua situação – apenas 13% das meninas e 9% dos rapazes foram testados no último ano.

 

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Turquia: 5 pontos para entender a tentativa de golpe militar

Fábio Sasaki | 21/07/2016

Partidários do presidente Erdogan comemoram o fracasso do golpe militar na Turquia, em 16 de julho (imagem: iStock)

Partidários do presidente Erdogan comemoram o fracasso do golpe militar na Turquia, em 16 de julho (imagem: iStock)

No dia 15 de julho, a Turquia foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado por parte das Forças Armadas. A situação foi revertida por militares leais ao presidente Recep Tayyp Erdogan, que frustraram a investida dos dissidentes de tomar o poder. Quase 300 pessoas morreram, entre civis que saíram às ruas em defesa de Erdogan e militares golpistas.

Localizada estrategicamente entre a Europa e o Oriente Médio, a Turquia sempre teve papel histórico relevante e é considerado um ator fundamental nas mais importantes questões geopolíticas mundiais. O país está envolvido na coalizão ocidental que combate o grupo terrorista Estado Islâmico e, inclusive, tem sido alvo de atentados terroristas. A Turquia também desempenha papel-chave na crise dos refugiados e assinou recentemente um acordo com a União Europeia para receber parte dos migrantes que saem do Oriente Médio em direção às nações mais ricas do continente.

Vale ressaltar também que a Turquia é membro da Otan, a poderosa aliança militar comandada pelos Estados Unidos e pelas potências europeias. O país abriga, inclusive, ogivas nucleares norte-americanas e serve de plataforma militar para as operações no Oriente Médio.

Por tudo isso, o mundo acompanha atentamente os desdobramentos do frustrado golpe na Turquia. Entenda em 5 passos a atual crise política no país e o que está por trás da tentativa de derrubar Erdogan.

1. O Estado secular

A região onde se localiza atualmente a Turquia foi o centro irradiador de poder dos impérios Bizantino (330-1453) e Otomano (1453-1918). As bases da Turquia moderna começaram a ser estabelecidas com a dissolução do Império Otomano após a derrota na II Guerra Mundial, em 1918. O general Mustafa Kemal, conhecido como Ataturk (pai dos turcos), liderou um movimento nacionalista que aboliu o califado (espécie de monarquia islâmica comandada por um sultão) e proclamou a república em 1923.

Com um programa radical de ocidentalização, Ataturk rompeu com o histórico atrelamento entre o Estado e religião islâmica ao fazer da Turquia um país secular. As novas forças políticas acompanharam a polarização na sociedade e se dividiram entre aqueles que defendiam os valores seculares de Ataturk e os favoráveis a um papel maior do islã na vida pública. Essa polarização gerou grande instabilidade política nos anos seguintes.

Veja também: Turquia, o país dividido entre dois mundos

2. A ascensão de Erdogan

Erdogan é líder do AKP, o partido islâmico que venceu as eleições parlamentares em 2002. No ano seguinte, Erdogan assumiu como primeiro-ministro e, em menos de uma década, tornou-se o político mais influente da Turquia desde Ataturk. Esta popularidade foi sustentada pelo bom desempenho da economia e a consequente elevação do status internacional da Turquia, que passou a ser um ator diplomático essencial na região do Oriente Médio.

No entanto, o poder seduziu Erdogan a ponto de ele gradualmente impor uma agenda mais autoritária. O primeiro-ministro é acusado de tentar neutralizar instituições que servem de contrapeso ao seu poder. Além de minar a influência dos militares, Erdogan se voltou contra o Judiciário, ao concentrar no Executivo a escolha de juízes, e contra a mídia, ao perseguir e prender jornalistas críticos ao seu governo. Essas medidas abalaram o equilíbrio de poderes e a liberdade de imprensa no país, dois alicerces fundamentais dos sistemas democráticos.

Erdogan também passou a adotar uma agenda mais islâmica, como a liberação do uso do lenço islâmico em escolas e repartições públicas e a proibição da venda de bebidas alcóolicas à noite, o que abalou a confiança dos secularistas em seu governo. A tensão entre seculares e islâmicos voltou a se acirrar.

Impedido pela Constituição de concorrer a um novo mandato como primeiro-ministro em 2014, Erdogan acabou sendo eleito presidente – um cargo mais cerimonial em um país parlamentarista como a Turquia. No entanto, ele vem acumulando cada vez mais funções e tenta alterar a Constituição para que o país adote o sistema presidencialista.

3. As Forças Armadas

Considerados guardiões do Estado secular, os militares aplicaram diversos golpes desde a criação da Turquia. Na maioria das vezes, as Forças Armadas derrubaram governantes com um perfil mais religioso, que poderiam ameaçar a laicidade do país. Quando Erdogan assumiu o poder com o respaldo de uma grande base de eleitores, houve uma certa acomodação entre o AKP e os militares, a partir do compromisso de Erdogan de promover reformas pró-Ocidente e manter os fundamentos do Estado secular.

No entanto, gradualmente, Erdogan foi minando a influência das Forças Armadas na política do país. Em 2007, o governo anunciou a descoberta de um grupo ligado à cúpula militar que pretendia derrubar Erdogan. As investigações relacionadas a este suposto plano de golpe de Estado levaram à condenação de mais de duzentos militares em 2013. As prisões contribuíram para reafirmar o poder de Erdogan, mas também provocou insatisfação entre setores das Forças Armadas – o que pode estar na origem da recente tentativa de golpe.

4. O suposto arquiteto do golpe

O governo turco acusa o clérigo islâmico Fethullah Gulen de ter orquestrado a tentativa de golpe. Antigo aliado de Erdogan, Gulen é líder do movimento islâmico Hizmet, que controla uma rede de escolas, universidades, instituições de caridade e órgãos de mídia. Por conta desta abrangência, o líder religioso sustenta uma grande influência em diversos setores da sociedade turca.

Em 2013, uma operação anticorrupção atingiu o círculo de poder de Erdogan, com a prisão de vários de seus aliados. Erdogan afirmou tratar-se de um complô arquitetado por Gulen para derrubar o governo. Desde então, teve início uma perseguição a policiais, juízes e promotores suspeitos de qualquer ligação com o Gulen. Milhares de escolas administradas pelo Hizmet foram fechadas. Desde então, Erdogan rompeu com Gulen, que vive exilado nos Estados Unidos (EUA) e negou qualquer participação na tentativa de golpe.

5. A resposta de Erdogan

Logo após o fracasso da tentativa de golpe, Erdogan declarou que o golpe foi “um presente de Deus para limpar o Exército”. Nos dias seguintes, uma onda de repressão contra suspeitos de participar da conspiração tomou conta do país, principalmente aqueles que possuem alguma ligação com o movimento Hizmet. Uma semana depois do golpe frustrado pelo menos 7 mil soldados e mais de 2 mil juízes e magistrados foram detidos. Neste período, o expurgo havia alcançado mais de 50 mil pessoas, entre policiais, militares, servidores públicos e professores que foram suspensos.

Erdogan também pediu que o governo dos EUA extraditassem Gulen, a quem acusa de arquitetar o golpe e montar um “Estado paralelo” na Turquia. O presidente turco declarou no dia 20 estado de emergência de três meses, o que abre uma brecha para que Erdogan possa aprovar leis sem a autorização do Parlamento e suspenda os direitos individuais da população. Além disso, Erdogan declarou que pode reinstaurar a pena de morte no país, o que repercutiu negativamente na comunidade internacional.

Como as circunstâncias do golpe frustrado ainda não estão completamente esclarecidas, muitos acusam o próprio Erdogan de ter planejado um “autogolpe”, na tentativa de promover o atual expurgo nas Forças Armadas e fortalecer ainda mais a sua posição no poder. De todo modo, a crise na Turquia agrava as divisões entre o secularismo e o islamismo na sociedade e evidencia uma disputa de poder que tem elevado o caráter repressivo do atual governo.

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Como o terrorismo é financiado?

Ana Prado | 19/07/2016

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Com os recentes atentados na França e a intensificação da atuação do Estado Islâmico, ganha força a pergunta: como os grupos terroristas conseguem financiar suas atividades?

O QUE É O FINANCIAMENTO DO TERRORISMO?

Segundo o Guia de Referência Anti-Branqueamento de Capitais e de Combate ao Financiamento do Terrorismo do Banco Mundial, o financiamento do terrorismo é o apoio financeiro, por qualquer meio, ao terrorismo ou àqueles que incentivam, planejam ou cometem atos de terrorismo.

Essa arrecadação de fundos pode acontecer de diversas formas, entre elas fontes lícitas (tais como doações pessoais e lucros de empresas e organizações de caridade) e fontes criminosas, como o tráfico de drogas, o contrabando de armas, bens e serviços tomados indevidamente à base da força, fraude, sequestro e extorsão.

A luta contra o financiamento do terrorismo está intimamente ligada ao combate à lavagem de dinheiro, já que as técnicas utilizadas para lavar o dinheiro são essencialmente as mesmas usadas para ocultar a origem e o destino final do financiamento terrorista, para que assim as fontes continuem a enviar dinheiro sem serem identificadas. Normalmente essas transações financeiras ocorrem diversas vezes, sempre transferindo pequenas quantidades de dinheiro, que irão passar por diferentes contas bancárias, abertas em paraísos fiscais, para dificultar o trabalho das autoridades e também para proteger a identidade de seus patrocinadores e dos beneficiários finais dos fundos.

COMO O ESTADO ISLÂMICO FINANCIA SUAS ATIVIDADES?

terrorismo

Segundo o jornal Al-Araby al-Jadeed, todos os integrantes do Estado Islâmico recebem algum tipo de apoio financeiro. Por exemplo, um combatente comum ganha de 500 a 600 dólares por mês. Além disso, o EI também tem apoiado programas de caridade para beneficiar órfãos, viúvas e feridos simpáticos a sua causa. Ainda segundo o jornal, o grupo terrorista possui, em 2015, um orçamento de pelo menos 2 bilhões de dólares.

Mas como o EI consegue esse dinheiro? Uma das principais fontes de arrecadação do grupo vem da venda de petróleo no mercado negro. Até o fim de 2014, a organização radical assumiu o controle de importantes regiões petrolíferas no Iraque e na Síria, que de acordo com a revista Foreign Affairs produzem cerca de 44 mil barris de petróleo por dia. Estes são vendidos por meio de intermediários na Turquia e na Síria. Para Matthew Levitt, integrante do Washington Institute, o EI ganha em torno de U$ 1 milhão (R$ 2,3 milhões) por dia somente com a exploração do petróleo iraquiano.

Entretanto, o petróleo não é a única fonte de renda para o EI. Ainda segundo Levitt, o grupo armado já possui um sistema de cobrança de impostos em áreas conquistadas, ao mesmo tempo em que promovem atividades ilegais como roubo de reservas de dinheiro de bancos locais, contrabando de carros e armas, sequestros e bloqueios de estradas e também a venda de antiguidades roubadas.

Porém, Levitt acredita que o tipo de operação que vimos na França não é financiada diretamente pelo EI: para ele, a célula possui um financiamento que provém de outras atividades criminosas, como a venda de drogas, realizadas na própria região. Isso porque os custos para realizar um atentado não são excessivamente altos: para Levitt, os atentados ocorridos em novembro de 2015 em Paris podem ter custado menos de 50 mil dólares, principalmente se comparados aos custos para evitar ataques terroristas.

POLÍTICAS DE COMBATE AO FINANCIAMENTO DO TERRORISMO

O financiamento aos grupos terroristas não é um problema recente. Já em 1999, as Nações Unidas demonstravam preocupação com essa questão, e por isso criaram a Convenção Internacional para a Eliminação do Financiamento do Terrorismo.  Essa convenção impõe aos Estados ratificantes a criminalização do terrorismo, das organizações e dos atos terroristas. Segundo a Convenção, é considerado crime qualquer pessoa fornecer ou recolher fundos com a intenção de usá-los para a execução de qualquer ato de terrorismo.

Além disso, foi criado em 1989 pelo G-8 o GAFI (Grupo de Ação Financeira), que tinha como objetivo criminalizar a prática da lavagem de dinheiro no âmbito internacional. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o GAFI expandiu seu mandato para poder tratar também da questão do financiamento dos atos e organizações terroristas, bem como das questões referentes ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa. O grupo atua através da publicação de recomendações específicas para melhorar e harmonizar as regras contra crimes financeiros. Suas recomendações estão relacionadas com o aumento nas exigências de transparência, além de tornar mais rigorosas a fiscalização de transferências eletrônicas, aumento da cooperação internacional entre agências governamentais e grupos financeiros, a fim de trazer mais eficiência para trocas de informações, rastreamento, bloqueios, confiscos e repatriação de bens ilegais.

Foi através de umas das recomendações do GAFI que o Brasil criou a COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), principal órgão brasileiro no combate a crimes financeiros. É a COAF que coordena a participação brasileira em diversas organizações multigovernamentais de prevenção e combate ao financiamento de grupos terroristas.  A maior crítica feita pelo GAFI é o fato do Brasil ainda não criminalizar o financiamento terrorista.

No que se refere a medidas mais efetivas contra os meios de arrecadação financeira de grupos terroristas, especificamente o EI, pode-se dizer que os bombardeios contra refinarias e poços de petróleo têm afetado as receitas da organização terrorista, diminuindo o lucro vindo da venda de petróleo. Também tentando frear o poder econômico dos grupos terroristas o G-20 e o GAFI têm trabalhado para fortalecer o combate a esse tipo de financiamento, principalmente aumentando as medidas contra a lavagem de dinheiro, já que eles afirmam que medidas contra a lavagem de dinheiro são fundamentais para conter economicamente o EI. O Conselho de Segurança da ONU, numa tentativa de diminuir a capacidade financeira do EI, proibiu todo o comércio de antiguidades da Síria, ameaçou impor sanções a qualquer um que compre petróleo do Estado Islâmico e de militantes da Frente Al-Nusra, ligada à Al Qaeda, e exortou os países a não pagar mais resgates de reféns.

Fontes:

COAF BrasilBBC BrasilGrupo de Ação FinanceiraGuia de Referência Anti-Branqueamento de Capitais e de Combate ao Financiamento do Terrorismo do Banco MundialInfomoney

Post publicado originalmente pelo portal Politize! e escrito por Thyana Spode Conrad, formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autora de monografia com título “Paraísos fiscais e a lavagem de dinheiro como instrumento de financiamento de grupos terroristas”. 

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As notícias internacionais mais importantes da semana de 10 de julho

Ana Prado | 15/07/2016

Veja cinco destaques do noticiário internacional para quem vai prestar vestibular:

Caminhão avança sobre multidão e mata mais de 80 pessoas em Nice, na França

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Um caminhão avançou sobre a multidão, matou mais de 80 pessoas e deixou centenas de feridos nesta quinta-feira (14) na cidade de Nice, no sul da França, durante as comemorações da Queda da Bastilha, um feriado nacional francês. O presidente François Hollande classificou o atentado como um ataque terrorista e afirmou que a França vai fortalecer sua campanha antiterrorista na Síria e no Iraque. Leia mais.

Turquia sofre tentativa de golpe militar na tarde desta sexta-feira

As forças armadas da Turquia anunciaram que “tomaram o total controle do país” após fecharem duas pontes em Istambul e sobrevoar o céu de Ancara com aviões e helicópteros nesta sexta-feira (15). Um comunicado divulgado pelos militares fala que a administração do país foi “completamente tomada”. O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, denunciou que um golpe militar estava em andamento durante uma transmissão em um canal de televisão turco. “Algumas pessoas ilegalmente empreenderam uma ação ilegal fora da cadeia de comando,” disse Yildirim. “O governo eleito pelo povo continua no comando. Este governo só sairá quando as pessoas quiserem isso”, completou o primeiro-ministro. O clima de tensão toma conta do país. Acompanhe as notícias aqui.

Theresa May é a primeira mulher a assumir cargo de primeira-ministra britânica em 25 anos

primeira-ministra

Theresa May entrou para a história do Reino Unido nesta quarta-feira (13) como a primeira mulher a assumir o governo em 25 anos, desde o fim da era de Margaret Thatcher. Desde que o primeiro-ministro David Cameron anunciou sua renúncia ao posto devido à derrota no referendo Brexit, sobre a saída do país da União Europeia (UE), May era uma das mais cotadas à sucessão. Apesar de ter apoiado, assim como Cameron, que o Reino Unido permanecesse na UE, a ministra afirma que o resultado do plebiscito deve ser respeitado.

ONU decide que governo chinês não tem direitos sobre territórios do Mar do Sul da China

No dia 12 de julho, a Corte Permanente de Arbitragem da ONU decidiu que a China não tem base legal para reivindicar “direitos históricos” sobre o Mar do Sul da China. Em 2013, as Filipinas haviam entrado com uma queixa na corte contra as pretensões da China na região. O governo de Pequim já adiantou que não irá reconhecer a decisão. Entenda o caso neste post do blog Atualidades.

Países adiam decisão sobre Venezuela assumir presidência do Mercosul

Por falta de consenso, os países fundadores do Mercosul adiaram a decisão sobre quem vai presidir o bloco regional nos próximos seis meses. A Venezuela, que aderiu ao bloco há quatro anos, deveria assumir a presidência pro-tempore nesta terça-feira (12). Os governos paraguaio e brasileiro consideram que o país não está em condições de presidir o bloco neste momento. Espera-se que a decisão só seja tomada em agosto. Com isso, o Uruguai prorroga sua permanência à frente do bloco. Pelas regras, a cada seis meses um país ocupa a presidência, seguindo ordem alfabética.

 

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A China e suas ambições globais

Fábio Sasaki | 14/07/2016

Imagem: iStock

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No dia 12 de julho, a Corte Permanente de Arbitragem da ONU decidiu que a China não tem base legal para reivindicar “direitos históricos” sobre o Mar do Sul da China. Em 2013, as Filipinas haviam entrado com uma queixa na corte contra as pretensões da China na região. O governo de Pequim já adiantou que não irá reconhecer a decisão.

O caso é importante para entender as ambições regionais da China, dentro de uma política externa cada vez mais expansiva.

ENTENDA A DISPUTA REGIONAL

O Mar do Sul da China é, atualmente, o foco de maior tensão no Sudeste Asiático. A área é reivindicada pela China, que alega ter precedência histórica com base em um pedido feito em 1947. No entanto, além das Filipinas, países como Vietnã, Brunei, Malásia e Taiwan também disputam a soberania sobre a região e querem negociar com base na convenção da ONU sobre o Direito do Mar, que define zonas de 200 milhas para cada país. O problema é que, devido à proximidade entre essas nações, as fronteiras marítimas não são bem definidas. Veja no mapa abaixo, as áreas reivindicadas pelos países:

As áreas em disputa no Mar do Sul da China

As áreas em disputa no Mar do Sul da China

A região é alvo de grande disputa devido à sua relevância econômica. Além de ser uma área de interesse para a indústria pesqueira, o Mar do Sul da China é uma importante rota por onde circulam 5 trilhões de dólares em comércio anual. Mas o fator de maior atrito são as potenciais reservas de petróleo. Alguns estudos estimam em até 125 bilhões de barris de petróleo, quantidade superior ao do pré-sal brasileiro.

Mesmo com a indefinição das fronteiras, a China ampliou ofensiva para consolidar a ocupação da área a partir de 2014, ao construir ilhas artificiais e enviar plataformas para a exploração de petróleo na região. Para tentar conter o avanço chinês, as Filipinas recorreram a tribunais internacionais de arbitragem, que deu seu veredito contra a China em 12 de julho.

O caso gera importantes desdobramentos geopolíticos. As ambições expansionistas da China são vistas como uma forma de impor sua hegemonia no Sudeste Asiático. Para se tornar de fato uma potência global, o país entende que precisa consolidar sua força na região.

A DIPLOMACIA ECONÔMICA DA CHINA

Na tentativa de projetar sua influência pelo mundo, a China investe na chamada “diplomacia econômica”. Com projetos de financiamento, aquisição de matérias-primas e obras de infraestrutura, o país aposta no poder de sua economia para angariar aliados. É uma forma de estabelecer uma relação na qual os outros países se tornem cada vez mais dependentes do capital chinês. Veja onde a presença econômica da China se mostra cada vez mais presente:

  • America Latina

Nos últimos 15 anos, o comércio entre a China e a América Latina cresceu mais de 20 vezes, superando os 260 bilhões de dólares. Para o governo de Pequim, a América Latina representa um excelente mercado para os produtos manufaturados da China, de maior valor agregado, ao mesmo tempo em que se torna um dos principais fornecedores de matéria-prima e recursos energéticos para sustentar o desenvolvimento chinês.

Os investimentos em infraestrutura também estão se convertendo em outra modalidade atrativa para a China, que se comprometeu a direcionar 250 bilhões de dólares na América Latina nos próximos 10 anos. O projeto mais ousado na região está em pleno vapor na Nicarágua. Trata-se de um canal interoceânico bancado pela empresa chinesa HKND a um custo de 50 bilhões de dólares. Quando for inaugurado, em 2019, o megaprojeto irá competir com o canal do Panamá e deverá estimular ainda mais o fluxo comercial entre China e América Latina.

  • África

O continente africano, com suas vastas reservas minerais e abundantes jazidas de petróleo, é outro mercado de interesse para a China. Em troca da matéria-prima, empresas chinesas empreendem gigantescas obras de infraestrutura, necessárias para o desenvolvimento dos países da região. De acordo com dados do governo chinês, entre 2002 e 2012 o comércio entre a China e os africanos cresceu 20 vezes, ultrapassando os 200 bilhões de dólares.

  • Ásia e Europa

O projeto mais ambicioso da China responde pelo nome de “Nova Rota da Seda”. O objetivo é criar um corredor econômico, composto por estradas, ferrovias, oleodutos e cabos de fibra ótica, que irá conectar, por via terrestre e marítima, a China à Europa e à África. O corredor atravessará a Ásia Central, o Oriente Médio e o Oceano Índico. Para desenvolver este projeto de integração eurasiana, a China criou um fundo 40 bilhões de dólares, que serão investidos em obras de infraestrutura nos países vizinhos.

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O que significa desenvolvimento sustentável?

guiadoestudante | 13/07/2016

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Termo que tem sido muito utilizado nos últimos anos tanto pela mídia, quanto por acadêmicos e governantes do mundo inteiro, o desenvolvimento sustentável é de extrema importância não apenas para o nosso bem-estar, mas sobretudo para o das gerações futuras. Apesar de ouvirmos constantes debates sobre o assunto, você conseguiria definir esse conceito sem pestanejar?

DESENVOLVIMENTO X CRESCIMENTO ECONÔMICO

Em primeiro lugar, é importante deixar claro que desenvolvimento não se confunde com crescimento econômico, pois não implica apenas a geração de riquezas. Quando um governo faz um projeto de desenvolvimento, ele busca maximizar o bem-estar social e distribuir os benefícios do crescimento do país para a população. Isso significa melhorar a infraestrutura, ampliar o fornecimento de energia e garantir o acesso à educação e à moradia, por exemplo.

A definição mais aceita para se considerar o desenvolvimento como sustentável é a de que ele deve ser capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações. A ideia é que as atividades humanas não esgotem os recursos naturais, como a água limpa, as terras aráveis e as florestas. Ao mesmo tempo, todo desenvolvimento deve garantir condições de educação, de moradia e de saúde que forneçam vida digna à população.

Sustentabilidade, portanto, é o crescimento econômico com igualdade e justiça social, sem esgotar os recursos naturais.

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HISTÓRICO DAS DISCUSSÕES MUNDIAIS SOBRE O MEIO AMBIENTE

Até o final do século XX, a proteção do meio ambiente não tinha a visibilidade e a importância que tem hoje. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, de 1972, em Estocolmo, é considerada o marco das discussões globais sobre o tema. Abordou-se, pela primeira vez, a produção industrial dos países ricos como causa importante da degradação da natureza.

Depois disso, em 1987, o Relatório Nosso Futuro Comum (também chamado de Relatório Brundtland) retomou o debate e lançou o conceito de desenvolvimento sustentável, o qual foi consagrado pelas nações participantes da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92. Nessa conferência, os países assinaram documentos como a Agenda 21, em que se estabeleceram estratégias globais, nacionais e locais para promover o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 baseia-se nas premissas de que os países desenvolvidos devem mudar seu padrão de produção, de que os países em desenvolvimento devem adotar métodos mais sustentáveis para seu crescimento econômico e de que as nações mais industrializadas devem apoiar o crescimento das mais pobres com recursos financeiros e tecnológicos.

Em 2012, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), os países avançaram nas discussões sobre o tema. O objetivo era renovar o compromisso mundial com o desenvolvimento sustentável. Desse modo, foi feita uma avaliação do progresso na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas anteriores e uma discussão sobre temas novos e emergentes.

O momento foi oportuno para se rever o modelo de crescimento dos países diante da crise econômica mundial que teve início em 2008. Para isso, foi elaborado o conceito de economia verde, que propõe um novo modelo de produção que não prejudique o meio ambiente, aumente a eficiência no uso dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, promova a erradicação da fome e da pobreza. Estas definições são encontradas no relatório final da conferência, O Futuro que Queremos, que foi o ponto de partida do processo negociador intergovernamental para definir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados recentemente pelos países da ONU.

POR QUE O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL É TÃO ESSENCIAL?

A preocupação é a de que, se os países não mudarem os diversos modelos predatórios e inconsequentes de desenvolvimento em direção a um modelo mais  sustentável, muitas regiões do planeta sofrerão as consequências da degradação ambiental, como a intensificação de fenômenos naturais (secas, tsunamis, furacões), a queda na produtividade de alimentos e o consequente aumento da fome, por exemplo.

COMO O BRASIL ESTÁ PROMOVENDO O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?

O país tem tido papel de destaque nas conferências internacionais relacionadas ao tema, sobretudo por causa de seus programas de redução da pobreza, do combate ao desmatamento e da grande porcentagem de energia limpa em sua matriz energética total, como a advinda de hidrelétricas e de biomassa.

Em 2012, foi aprovada a lei brasileira nº 12.651 sobre Áreas de Preservação Permanente e Áreas de Reserva Legal, sobre a exploração florestal e o controle e prevenção dos incêndios florestais, com previsão de instrumentos econômicos e financeiros para o alcance do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, o Ministério do Meio Ambiente desenvolveu, por exemplo, o programa Cadastro Ambiental Rural (CAR) de imóveis, com o objetivo de promover a recuperação de ecossistemas nos moldes da lei.

Em recente discurso na ONU, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil pretende por fim ao desmatamento ilegal até 2020, além de recuperar áreas de florestas e de pastagens degradas. Quanto à contribuição para minimizar o aquecimento global, o Brasil se comprometeu a reduzir em 43% a emissão de gases do efeito estufa até 2030 em comparação aos dados de 2005. Essa é a meta que o Brasil apresentará na próxima Cúpula do Clima (COP 21) em Paris. Além disso, outro compromisso apresentado pela presidente foi o de estabelecer um limite de 45% de fontes renováveis no total da matriz energética. Cabe destacar que a matriz energética brasileira é a mais limpa do mundo, correspondendo a 39% do total em 2014, enquanto no mundo a taxa média é de 14%.

DESAFIOS

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É importante destacar, porém, que o Brasil ainda possui inúmeros problemas na garantia do desenvolvimento baseado no tripé da sustentabilidade.

Um deles é a falta de planejamento no crescimento das cidades, o que leva a enchentes, grandes engarrafamentos, excesso de poluição e redução das áreas verdes. Além disso, ocorre a especulação imobiliária, que tende a marginalizar a população de baixa renda, a qual muitas vezes se vê obrigada a ocupar terrenos irregulares e impróprios, sem fornecimento de energia e de esgoto.

Outro desafio é o de promover o crescimento da agropecuária sem que se necessite ocupar novas áreas, a exemplo da expansão da fronteira agrícola no Cerrado e na Amazônia. Para isso, a agropecuária busca aumentar sua produtividade, sobretudo por meio da mecanização da produção.

O QUE VOCÊ PODE FAZER PELO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?

A sustentabilidade pode estar presente no nosso cotidiano de maneiras muito simples. Ao separar o lixo em casa, economizar água, desligar as luzes quando necessário, escolher eletrodomésticos que economizem energia, usar produtos biodegradáveis, priorizar o transporte público e reduzir o consumo supérfluo, você está colaborando com a sustentabilidade do planeta. São medidas que parecem simples, mas que se fossem de fato adotadas pela maior parte da população, certamente diminuiriam os riscos de danificar os recursos naturais, ao mesmo tempo em que haveria economia na produção e aumento da qualidade de vida das pessoas.

Além disso, tendo consciência do que se pode fazer para promover o desenvolvimento sustentável, podemos pressionar nossos governantes para implementar políticas públicas nessa direção.

Quer saber mais sobre como você pode colaborar com um mundo mais sustentável? Veja aqui!

Fontes:

MRE – MMA – WWF-Brasil – Blog Atualidades Vestibular

Texto originalmente publicado no site Politize!

 

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As notícias internacionais mais importantes da semana de 3 de julho

Ana Prado | 08/07/2016

Veja cinco destaques do noticiário internacional para quem vai prestar vestibular:

‘Não é Não’: Após ataques no começo do ano, Alemanha endurece lei sobre violência sexual

Mulher carrega placa com os dizeres "Não toque em mim" em protesto contra ataques no Ano-Novo (Getty Images)

Pessoa carrega placa com os dizeres “Não toque em mim” em protesto contra ataques no Ano-Novo (Getty Images)

O Parlamento alemão aprovou nesta quinta (7), por unanimidade, uma nova definição do crime de estupro no país. Agora, o princípio do “Não é Não” está garantido na lei. Isso quer dizer que basta não haver consentimento da vítima para que o ato sexual seja criminalizado. Até então, a legislação só considerava, de fato, estupro quando havia sinais claros de uso da força e de que a mulher tentou resistir fisicamente à agressão. Com a mudança, a Alemanha adequa uma lei considerada ultrapassada – a última reforma foi há 20 anos – e passa a ratificar a Convenção de Istambul, tratado europeu que estabelece padrões mínimos para prevenir a violência contra a mulher, proteger as vítimas, levar os crimes à Justiça e desenvolver políticas públicas.

A campanha pela reforma na lei vinha desde que a Convenção de Istambul entrou em vigor, em 2014. Mas o debate sobre torná-la mais severa se intensificou após os ataques de cunho sexual na noite de Ano Novo na cidade de Colônia, no fim do ano passado. Foram cerca de mil denúncias de mulheres que se viram cercadas por grupos de homens e tiveram partes do corpo apalpadas ou foram beijadas à força. Como resposta, a nova legislação também classifica como crime de assédio sexual atos como “passar a mão” sem consentimento. Nesses casos, a pena pode chegar a dois anos de prisão. A nova legislação ainda precisa passar pelo Bundesrat (câmara onde estão representados os 16 estados alemães), o que deve acontecer no fim de setembro. Leia mais aqui.

>> Veja também: O que é cultura do estupro?

Mesmo sob críticas, Uruguai afirma que passará comando do Mercosul para a Venezuela

O governo do Uruguai, que exerce a presidência do Mercosul, informou nesta quinta-feira (7) que pretende transferir o comando do bloco para a Venezuela. A sucessão é alvo de críticas internas, principalmente do Paraguai, por causa da crise instalada no país bolivariano presidido por Nicolás Maduro. O chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, defende inclusive a aplicação da chamada cláusula democrática do Mercosul, que prevê sanções a um país do bloco em caso de ruptura democrática. O próprio Paraguai foi suspenso, em 2012, após o afastamento do então presidente Fernando Lugo. Na época, com a ausência do Paraguai, os demais países do bloco aprovaram a entrada da Venezuela no Mercosul, que estava travada pelo Senado paraguaio.

A troca da presidência pro tempore do Mercosul é feita a cada seis meses e deveria ocorrer na próxima Cúpula de Presidentes do bloco, que estava prevista para a próxima terça-feira (12), em Montevidéu, mas foi cancelada. Diante do impasse, na segunda-feira (11), os chanceleres do Brasil, Paraguai, Uruguai e da Argentina vão se reunir para discutir a situação da Venezuela. Brasil e Argentina acusam o governo Maduro de dificultar a organização de um referendo por parte da oposição venezuelana que pode tirá-lo do poder.

Morte de homem negro pela polícia provoca indignação e protestos nos Estados Unidos

"Eu sou o próximo?", diz recado deixado na rua durante protesto contra a morte de homem (Getty Images)

“Eu sou o próximo?”, diz recado deixado na rua durante protesto contra a morte de homem (Getty Images)

Um policial matou a tiros um homem negro durante uma batida de trânsito perto de Minneapolis, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. A morte do homem, identificado como Philando Castile, aconteceu na quarta (6) e provocou protestos de organizações de direitos humanos e manifestações de indignação das autoridades sobre a violência policial.

Castile trabalhava como funcionário de um refeitório escolar. O veículo foi parado pela polícia por ter uma luz de farol queimada. O episódio foi o segundo assassinato de um negro em apenas dois dias. Desta vez, a repercussão está sendo maior porque a namorada de Philando, Reynolds, que estava no carro da vítima no momento dos tiros, gravou no aparelho celular e transmitiu ao vivo pelo Facebook os últimos instantes de vida de seu namorado. No carro, também estava a filha dela, de apenas quatro anos. Leia mais aqui.

Governo da Colômbia avalia abrir parte da fronteira para ajudar Venezuela

As autoridades da Colômbia avaliam ampliar um corredor humanitário na problemática fronteira com a Venezuela para ajudar os habitantes do país vizinho que os procuram diante da falta de alimentos e medicamentos. “Nós não vamos deixar que nossos irmãos venezuelanos passem problemas de fome ou de necessidade de medicamentos. Se tiver de ampliar o corredor humanitário, vamos ampliá-lo”, informou a chanceler colombiana, María Angela Holguín, durante visita à cidade de Cúcuta, na fronteira entre os países.

A Venezuela passa por uma séria crise econômica, com severas implicações políticas, resultando em problemas de abastecimento para a população local, especialmente a camada mais pobre. Os venezuelanos reclamam da falta de itens de necessidade básica, como alimentos e remédios, além de produtos de uso diário, como papel higiênico. A chanceler disse ainda que estão em curso negociações com as autoridades de Caracas para abertura da fronteira, fechada por ordem de Nicolás Maduro, alegando motivos de segurança.

venezuela

Venezuelanos fazem fila em cidade na fronteira com a Colômbia para adquirir itens básicos de consumo (Getty Images)

Bagdá sofre pior atentado terrorista em 13 anos; Estado Islâmico reivindica autoria

No domingo (3), pelo menos 250 pessoas foram mortas em dois atentados terroristas em Bagdá, no Iraque. Segundo informações oficiais, um carro-bomba explodiu no bairro de Karada, no centro da capital, em um local repleto de jovens e de famílias que celebravam o fim do Ramadã, o mês sagrado dos islâmicos. Poucas horas antes, na parte oriental da cidade, outro carro-bomba explodiu.

Em um comunicado na internet, o Estado Islâmico assumiu a autoria dos dois ataques e disse se tratar de uma vingança contra os xiitas, considerados hereges pelo grupo sunita. Embora o bairro atacado fosse xiita, quase metade das vítimas do ataque em Karada era sunita, de acordo com a imprensa local.

 

 

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Entenda por que a Turquia é alvo do Estado Islâmico

Fábio Sasaki | 07/07/2016

Imagem: iStock

Imagem: iStock

No dia 28 de junho, a Turquia sofreu mais um atentado terrorista. Três homens-bomba causaram explosões no aeroporto de Atatürk, em Istambul, matando 41 pessoas e deixando outras 239 feridas. Autoridades do país acusam o grupo Estado Islâmico (EI) de estar envolvido no atentado.

O ataque ao aeroporto de Atatürk foi o quarto atentado terrorista na metrópole turca apenas em 2016. Desde o ano passado, quando a Turquia iniciou uma campanha aberta de ataques ao EI, o país passou a ser alvo das ofensivas da organização terrorista.

Entenda a seguir como as relações entre o governo da Turquia e outros atores no Oriente Médio arrastaram o país para este conflito.

Síria

Desde 2011, a guerra civil na Síria vem desestabilizando todo o Oriente Médio. A Turquia foi um dos primeiros países da região a se voltar diretamente contra o governo da Síria logo no início do conflito, ainda que as duas nações cultivassem boas relações no passado. Os turcos passaram a financiar milícias que tinham como objetivo derrubar o ditador sírio Bashar al-Assad.

Estado Islâmico

No decorrer do conflito na Síria, o EI ganhou maior protagonismo e despontou como a única força capaz de fazer frente às tropas de Assad. A partir daí, o governo turco passou a estabelecer uma relação ambígua com o grupo extremista.

Formalmente, a Turquia mantém o discurso de alinhamento com as potências ocidentais no combate ao fundamentalismo islâmico do EI. No entanto, como tanto a Turquia como o EI querem derrubar Assad, o governo de Erdogan é acusado de fazer vistas grossas em relação aos avanços do grupo extremista.

Curdos

Os interesses da Turquia e do EI também convergem em outro aspecto: ambos têm os curdos como inimigos. Os curdos formam a maior etnia sem Estado no mundo e mantêm um projeto para a criação de um país próprio desde o final do século XX, sobretudo na Turquia, na Síria e no Iraque, países nos quais o movimento é violentamente reprimido. Na Turquia, o principal grupo separatista é o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que iniciou a luta armada em 1984.

Na Síria, os curdos locais conquistaram boa dose de autonomia no norte do país, perto da fronteira com a Turquia, onde mantém relações estreitas com o PKK e defendem seu território contra o avanço do EI. Para a Turquia, a aliança entre os curdos sírios e o PKK representa a principal ameaça ao seu território. Por isso, sempre foi conveniente para Erdogan deixar que o EI fizesse o “trabalho sujo” de lançar ataques aos curdos sírios e ao PKK na região.

A Turquia como alvo

Mas esta relação entre a Turquia e o EI acabou se tornando insustentável. A situação começou a mudar em julho de 2015, quando a cidade turca de Suruç, no sul do país, foi alvo de um ataque do EI, que vitimou 32 pessoas, a maioria curdas. No mesmo episódio, o PKK matou dois policiais turcos, acusados de colaborar com o ataque jihadista. O caso levou o governo Erdogan a mudar sua estratégia: a Turquia passou a atacar abertamente alvos do PKK na Síria, rompendo a trégua com os curdos, e iniciou uma colaboração efetiva com a Otan, do qual é membro, no combate o EI.

Mas, ao abrir duas novas frentes de combate, a Turquia também acabou se expondo. Agora o país sofre com atentados de grandes proporções em Istambul, na capital Ancara e em outras cidades importantes. A maioria deles são atribuídos ao EI, mas o PKK também é acusado de promover ataques.

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Entenda o que é o Brexit

Ana Prado | 04/07/2016

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No dia 23 de junho de 2016, os cidadãos do Reino Unido participaram de um plebiscito em que podiam escolher entre duas opções: o Reino Unido permanecer (“remain”) ou deixar (“leave”) a União Europeia. No fim das contas, venceu a opção pela saída dos britânicos da UE, com 52%. Sem dúvida, esta é uma decisão de grandes proporções para aquele país, para a Europa e para todo o mundo. Vamos entender um pouco melhor as implicações do Brexit.

O QUE É BREXIT?
A sigla Brexit é uma junção de “Britain” e “exit”, que em português significa saída do Reino Unido (da União Europeia). O Brexit, opção que venceu o plebiscito, consiste basicamente no desmembramento, por parte do Reino Unido, do bloco da União Europeia.

O QUE É A UNIÃO EUROPEIA?
Surgida após a Segunda Guerra Mundial e desenvolvida ao longo de décadas, a União Europeia é um bloco econômico acordado entre vários países europeus (com a saída do Reino Unido serão 27 países-membros), cujo objetivo maior é promover a integração e a cooperação entre tais países, em diversos aspectos: econômicos, culturais e políticos.

Os irremediáveis prejuízos da Primeira e Segunda Guerras serviram de inspiração para o surgimento da UE. Em lugar da desconfiança e do isolacionismo que as grandes potências europeias mantiveram entre si na primeira metade do século XX (e a rigor ao longo de grande parte de sua história), líderes desses países preferiram adotar medidas que aproximassem as populações do continente, promovendo a cooperação e um sentimento de unidade europeia. Os líderes europeus acreditavam, após a Segunda Guerra Mundial, que essa integração conduziria a região a uma paz definitiva.

Protesters gather on College Green in front of the Houses of Parliament as they demonstrate against the EU referendum result on June 28, 2016 in London, England. Up to 50,000 people were expected before the event was cancelled due to safety concerns. Early evening up to 2000 people have still convereged on the square and then marched to Parliament to vent their anti-Brexit feelings.

     Britânicos participam de protesto contra o Brexit em Londres

De alguma forma, eles estavam certos, afinal a União Europeia existe até hoje, mais de sete décadas após o fim da Segunda Guerra, e já alcançou acordos de integração em um nível inédito na história mundial: abertura comercial, formação de um mercado comum europeu, acordo de livre circulação de pessoas e até a unificação monetária (o Euro é a moeda oficial de 19 países europeus atualmente).

A União Europeia tornou-se uma forte organização política, com significativo poder de decisão na vida dos europeus. Possui um parlamento e também uma corte de justiça. Tudo isso são feitos que não encontram paralelo na história mundial: vários Estados soberanos optaram por se integrar e até mesmo abrir mão de parte de suas soberanias, por entender que a cooperação entre si traria mais benefícios para si.

POR QUE O REINO UNIDO ESCOLHEU DEIXAR A UNIÃO EUROPEIA?
A realização e o resultado do plebiscito sobre a presença do Reino Unido na União Europeia traduzem um sentimento compartilhado por muitos europeus em relação à essa organização – especialmente nos últimos anos. Como você já deve saber, o mundo passa por uma grave crise de refugiados: chegamos ao maior número de pessoas que abandonam seu país-natal desde a Segunda Guerra Mundial, por causa de conflitos armados que ameaçam suas vidas. Desesperadas, essas pessoas fogem para lugares que eles acreditam serem seguros e acolhedores.

Por esse motivo, milhões de pessoas têm migrado incessantemente de países da África e do Oriente Médio para a Europa. A onda de imigrantes assusta muitos europeus, que muitas vezes reagem com xenofobia em relação a essas pessoas.

A campanha pelo Brexit certamente foi muito fortalecida pela percepção de que o Reino Unido estava sendo prejudicado pela facilidade com que muitos estrangeiros conseguiam migrar para o país. A alegação de que o país não possui controle efetivo sobre suas próprias fronteiras por causa da União Europeia pesou bastante para o resultado final.

Além da questão da imigração, também há o argumento de que a União Europeia cria uma situação injusta entre seus membros, em que os países com economias mais fortes (como Alemanha, França e Reino Unido) sustentam os países economicamente mais fracos e endividados (Espanha, Portugal, Grécia, Itália, etc).

Por fim, é preciso notar que o Reino Unido é um país que guarda algumas diferenças com seus vizinhos. O país fica em uma ilha e sua vocação marítima o alçou à condição de maior império do mundo no século XIX, com colônias espalhadas por todo o globo. É daí que vem a famosa frase “O sol nunca se põe no império britânico”.

O sentimento nacionalista britânico, portanto, pode ter sido um apelo para que a população da ilha (principalmente os ingleses e galeses) deixasse seus pares europeus. Membro da UE desde 1973, o Reino Unido sempre teve uma participação titubeante no bloco. Um exemplo disso é que o país nunca adotou o euro como moeda (a libra esterlina continuou circulando). O país também não participou completamente do acordo de Schengen, que não era originalmente parte da União Europeia, mas desde 1997 faz parte do quadro jurídico; tal acordo criou um espaço de livre circulação de pessoas entre países europeus, sem a necessidade de controle de passaporte.

AGORA QUE O BREXIT VENCEU, O QUE ACONTECE?
Com a vitória da saída do Reino Unido da União Europeia, abre-se um período de incertezas, afinal, essa é a primeira vez que um membro decide deixar a união. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que fez campanha pela permanência de seu país, já declarou que renunciará ao seu cargo em outubro, afirmando que um novo primeiro-ministro deve conduzir as negociações de saída do bloco. Agora, Reino Unido e União Europeia terão de fazer intensas negociações, que definirão como será a relação entre eles de agora em diante.

Veja no infográfico abaixo como funciona, de acordo com o artigo 50 do Tratado de Lisboa, o processo de saída de um membro da União Europeia:

brexit infografico

Além disso, há previsões preliminares sobre como a saída afeta na prática o dia a dia dos britânicos, dos europeus e do resto do mundo:

Economia
As previsões sobre as consequências do Brexit para a economia não são positivas. O país deve sofrer perdas por não participar mais do mercado comum europeu – a União Europeia já sinalizou de que não manterá intacto o acesso a esse mercado se não o Reino Unido não aceitar também a livre circulação de pessoas. Não se sabe ao certo em que nível a economia britânica e mundial será afetada, mas é os resultados no curto prazo já são negativos. Nos próximos anos, o país pode experimentar desvalorização de sua moeda, aumento da inflação, recessão econômica, queda na renda per capita, entre outros problemas graves.

Além disso, o Reino Unido também não participará mais das negociações da criação de uma área de livre comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos, que se for concretizada será a maior área de livre comércio já registrada na história.

Imigração
Apesar de ainda não serem conhecidas as consequências exatas em relação à imigração, é provável que haja maior controle na entrada de estrangeiros no país. Como membro da União Europeia, o Reino Unido teve de receber uma parcela dos refugiados que chegaram ao continente, o que parece ter sido um dos grandes motivos para o Brexit. Agora, sem fazer parte do bloco, o país terá mais liberdade para regular a entrada de imigrantes.

Texto originalmente publicado no site Politize!

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As notícias internacionais mais importantes da semana de 26 de junho

Ana Prado | 01/07/2016

Veja cinco destaques do noticiário internacional para quem vai prestar vestibular:

Ataque suicida a aeroporto de Istambul deixa mais de 40 mortos; governo culpa Estado Islâmico

istambul

Na última terça-feira (28), três homens-bomba realizaram um ataque terrorista ao aeroporto de Ataturk, em Istambul (Turquia), deixando 43 mortos e aproximadamente 230 feridos. Esse foi o mais mortal em uma série de atentados que abalaram o país este ano. Autoridades turcas acreditam que o ataque foi liderado pelo grupo terrorista Estado Islâmico. O jornal turco Yeni Safak atribui a responsabilidade do atentado ao checheno Akhmed Chatayev, identificado na lista das Nações Unidas como um dos militantes do Estado Islâmico encarregado por treinar extremistas. 

Unicef diz que quase 70 milhões de crianças podem morrer devido a pobreza extrema até 2030  

Quase 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030 e 167 milhões viverão em pobreza extrema nesse ano se a comunidade internacional não investir já nas mais crianças pobres, alertou nesta terça (28) um relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Nesse mesmo ano, as crianças da África subsaariana terão 10 vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos do que as dos países ricos e nove em cada dez crianças a viver em pobreza extrema estarão naquela área. “Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: As vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples fato de terem nascido num determinado país, comunidade, género ou circunstância”, escreve o diretor-geral da organização, Anthony Lake, no prefácio do relatório, intitulado “Uma oportunidade justa para todas as crianças”.

Apesar de pedidos, governo britânico rejeita convocar outro referendo sobre UE

ue

O governo britânico disse nesta segunda (27) que não pretende convocar outro referendo sobre a saída do país da União Europeia (UE). A hipótese de uma nova consulta popular ganhou força nos últimos dias, quando mais de 2 milhões de pessoas assinaram uma petição online solicitando outro referendo. A iniciativa partiu de um cidadão identificado como William Oliver Healy, que pede para os deputados britânicos a “implementação de uma norma pela qual, se o voto para sair ou ficar na UE for inferior a 60%, com uma participação de 75%, deveria ser convocado outro referendo”. Na consulta do dia 23, 51,9% dos eleitores votaram para que o Reino Unido saísse da UE, contra 48,1%. A eleição contou com 72% da participação.

Presidente da China diz que não aceitará tentativas de independência de Taiwan

A China não aceitará nenhuma ação voltada à obtenção de independência por Taiwan e se oporá às forças separatistas, declarou nesta sexta-feira o presidente da China, Xi Jinping. “O desenvolvimento pacífico das relações entre as duas margens do estreito de Taiwan é o único caminho. Se ater ao “Consenso de 1992” e se opor ao separatismo — esse é o nosso fundamento político”, disse Xi Jinping, ao discursar em encontro solene, por ocasião dos 95 anos do Partido Comunista da China. Ele destacou que Pequim “nunca aceitará ações voltadas para a chamada independência de Taiwan. “Consenso de 1992” é o termo usado após a reunião dos representantes da China e de Taiwan em 1992, que prevê o reconhecimento da unidade e do princípio de uma “China única”. No entanto, China e Taiwan apresentam interpretações diferentes desse termo.

>> Entenda disputa entre os dois países.

Itália, Estados Unidos e Colômbia desmontam rede internacional de tráfico de drogas

Uma megaoperação da Guarda de Finanças da Itália, da Polícia Nacional da Colômbia e da Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos desmantelou nesta quinta (30) uma rede internacional de tráfico de drogas. Ao todo, 144 pessoas foram presas e cerca de 11 toneladas de cocaína foram apreendidas pelas autoridades dos três países. Se tivesse sido comercializada, a droga renderia cerca de 3 bilhões de euros (R$ 10,7 bilhões). De acordo com os investigadores, a rede tinha representantes também no Brasil, na Costa Rica, no Panamá, no Chile e na Venezuela. Os colombianos informaram ainda que, em seu país, alguns dos detidos eram membros do grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN).

 

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