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Medicina ou Direito?

Orientador profissional esclarece

Eu estou passando por uma fase de indecisão tremenda. Estou terminando o 3º ano e ainda não sei o que cursar. Minha família inteira é da área da saúde. Meus pais são enfermeiros e meu irmão está no 2º ano de Medicina. A pressão da escolha está acabando comigo. Meus pais têm um curso de técnico de Enfermagem na cidade onde moro, e no final do ano também o concluirei. Estou habituada com o ambiente hospitalar, mas todas as vezes que entro em um hospital, sinto que não é para mim. Sou ótima em biologia e química, o que me leva para a área da saúde, mas também sou ótima com argumentos e não desisto até provar que eu “estou certa”. Mas sou péssima em História, o que me afastaria do Direito… O que devo fazer?
Enviado por Isabela

Dar continuidade a um negócio de família ou a uma “tradição” quanto a certo campo de atuação profissional é um elemento frequentemente presente no processo de escolha profissional. Famílias que mantém escritórios de advocacia há algumas gerações acabam por exercer grande pressão na hora da escolha dos jovens, por exemplo. Isso ocorre às vezes mesmo de maneira indireta: já há um negócio estabelecido, uma clientela conquistada historicamente, o que sinaliza para maior segurança no momento do ingresso no mercado de trabalho.

No seu caso, os contatos profissionais que seus pais já desenvolveram e que seu irmão terá no momento em que você estiver finalizando seu curso de graduação poderiam de fato “abrir portas’ para você. Possivelmente esta seja a ideia de seus pais, o que você talvez sinta como uma forma de “pressão”.

De uma forma ou de outra, os pais sempre participam das escolhas de seus filhos, mesmo quando não opinam diretamente. Há jovens inclusive que se queixam de não receberem qualquer orientação de seus pais, pessoas em quem confiam e que sabem que procuram sempre ajudar. A questão é avaliar a forma desta influência; para isso, o melhor é sempre buscar o diálogo, a reflexão conjunta.

Procure entender o que lhe afasta do ambiente ligado às profissões da saúde, ou como você diz, “sinto que não é pra mim”: a rotina de tarefas? A situação que envolve sofrimento de outras pessoas? O ritmo de trabalho? Em que medida o fato de a família já estar envolvida com a área e portanto deter um conhecimento muito maior que o seu sobre as práticas ligadas à saúde se oporiam a seu estilo “questionador”, “argumentativo” (“não desistir até provar que está certa”)? Há vários aspectos a serem refletidos.

Por outro lado, você indicou poucos interesses que poderiam indicar profissões pelas quais pudesse se interessar. Escolher envolve assumir riscos e enfrentar desafios com coragem, mas também ampliar reflexões sobre valores pessoais, objetivos de vida, estabelecer metas para conquistar um estilo de vida no futuro, a forma como uma pessoa pretende se envolver com a dinâmica do trabalho nos anos que se seguirão à graduação.

Pense sobre estes fatores e invista na pesquisa de profissões que se aproximem destes objetivos, além de considerar apenas a opção entre seguir ou não uma carreira da área da saúde.

Depois de refletir bastante e qualificar seus argumentos, a negociação com seus pais ocorrerá de maneira mais tranquila; suas conclusões poderão ou não se aproximar da forma que eles pensam, mas você terá maior segurança em afirmar sua escolha.

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