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89 segundos para o fim do mundo: conheça o relógio do Juízo Final

Criação de cientistas há 78 anos se aproxima da sua medição mais drástica. Projeto mira conscientização

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
7 fev 2025, 19h00
Cientistas do Relógio do Juízo Final anunciam novo movimento
 (Bulletin of the Atomic Scientists/Canva/Divulgação)
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E se te dissessem que o mundo como conhecemos tem apenas 89 segundos? Segundo os cientistas por trás do Relógio do Juízo Final, é esse o tempo restante para a humanidade. Em um anúncio realizado no final de janeiro, em Washington, o Boletim dos Cientistas Atômicos anunciou uma nova movimentação do relógio: 89 segundos para a meia-noite. É o mais próximo do “fim” que já estivemos. Fundado em 1947 por cientistas do Projeto Manhattan (sim, aquele mesmo das bombas atômicas de Oppenheimer) e realizado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, o Relógio do Juízo Final é uma espécie de indicador de “quão ruim a situação está”. Os 89 segundos para o fim do mundo, obviamente, não são literais – são uma analogia que visa conscientizar a humanidade.

A proposta é simples (mas assustadora): a meia-noite simboliza o momento de uma catástrofe global, e quanto mais perto os ponteiros estão dela, maior é a ameaça para a humanidade. Ao longo das décadas, ele tem sido ajustado conforme o avanço de armas nucleares, crises geopolíticas, mudanças climáticas e, mais recentemente, a disseminação de desinformação e os riscos do avanço tecnológico.

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O comitê responsável pelo Relógio, que tem sede na Universidade de Chicago, inclui especialistas renomados em áreas como física, segurança global, mudanças climáticas e Inteligência Artificial. Entre eles, há ganhadores do Prêmio Nobel e ex-integrantes de governos e organismos internacionais, que avaliam anualmente os riscos existenciais enfrentados pela humanidade para determinar a posição dos ponteiros.

Neste início de 2025, os cientistas tomaram a decisão de ajustar o Relógio em 89 segundos para a meia-noite – o tempo mais próximo já registrado nos 78 anos de existência do projeto. A decisão é um reflexo do cenário global de extrema instabilidade que estamos vivendo, impulsionado por conflitos geopolíticos, aumento do risco nuclear, intensificação das mudanças climáticas e os desafios éticos e de segurança ligados à Inteligência Artificial.

Mas o que significa esse ajuste? Como ele impacta as decisões dos principais líderes políticos? Para compreender melhor essa analogia – que é prato cheio para o vestibular –, o GUIA DO ESTUDANTE foi atrás da história do Relógio, os fatores que levaram à sua configuração atual e as implicações para o mundo nos próximos anos.

Tic-tac…

O Relógio do Juízo Final foi concebido como uma metáfora visual para alertar o público e os líderes mundiais sobre os riscos crescentes das tecnologias criadas pelo próprio ser humano. Inicialmente, sua principal preocupação era a corrida nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética (URSS) durante a Guerra Fria, período em que os ponteiros se moveram agressivamente para frente e para trás conforme as tensões diplomáticas oscilavam.

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Em 1953, por exemplo, o relógio foi ajustado para dois minutos da meia-noite após os primeiros testes de bombas de hidrogênio pelos EUA e pela URSS. Já em 1991, no fim da Guerra Fria, o otimismo global se refletiu na configuração mais distante já registrada: 17 minutos antes da meia-noite.

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Com o tempo, a ideia por trás do Relógio se expandiu. Em 2007, passou a considerar não apenas a ameaça nuclear, mas também o impacto das mudanças climáticas e, mais recentemente, os desafios éticos das novas tecnologias, como Inteligência Artificial e guerra cibernética. Isto é, hoje, a contagem dos segundos não é determinada apenas por arsenais atômicos, mas por um conjunto de ameaças que tornam o mundo cada vez mais instável.

No ano passado, os cientistas posicionaram os ponteiros em 90 segundos para a meia-noite, marcando o momento mais próximo da catástrofe global até então. Na época, o alerta foi impulsionado, principalmente, pela continuidade da Guerra na Ucrânia, as ameaças nucleares vindas da Rússia e o colapso de acordos internacionais de controle de armas. Além disso, a aceleração das mudanças climáticas e o aumento dos investimentos em combustíveis fósseis reforçaram a preocupação dos cientistas.

Outro fator emergente na edição do Relógio de 2024 foi o avanço da IA, especialmente no campo militar e na disseminação de desinformação. Chatbots sofisticados e modelos de IA passaram a ser utilizados para manipular a opinião pública e amplificar conflitos, aumentando os desafios geopolíticos e sociais. As preocupações com armas autônomas, capazes de decidir alvos sem intervenção humana, também começaram a ganhar mais atenção.

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89 segundos para a meia-noite

O relógio simbólico do Juízo Final criado pelo Boletim de Cientistas Atômicos
(Bulletin of the Atomic Scientists/Divulgação)

No dia 28 de janeiro de 2025, na mais recente atualização, o Boletim dos Cientistas Atômicos tomou a decisão de mover os ponteiros do Relógio para 89 segundos antes da meia-noite, aproximando-o um segundo a mais do possível colapso global. Esse ajuste reflete o cenário de múltiplas crises que o planeta enfrenta – algumas sem precedentes em termos de alcance e impacto.

A decisão de mover o Relógio ainda mais perto da meia-noite do que em 2024 sinaliza que a situação global se agravou. Os fatores que já eram críticos ano passado se intensificaram: conflitos armados ganharam novas frentes, o risco nuclear continuou crescendo e os recordes de temperatura foram novamente quebrados. A IA se tornou ainda mais poderosa e desregulada, ampliando os desafios éticos e geopolíticos.

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Para se ter uma ideia do perigo, 10 anos atrás, em 2015, a métrica era de 3 minutos para a meia-noite.

Enquanto em 2024 os cientistas alertavam que o momento era de “perigo histórico”, agora reforçam que cada segundo perdido pode ser crucial para evitar a catástrofe. Segundo a declaração dos cientistas, os principais fatores que influenciaram essa decisão foram:

  • A escalada das tensões nucleares: a Guerra na Ucrânia continua sem perspectiva de resolução, aumentando o risco de um confronto direto entre potências nucleares. Além disso, conflitos no Oriente Médio ameaçam se expandir e envolver ainda mais países;
  • Mudanças climáticas fora de controle: o último ano registrou recordes de temperatura global e eventos climáticos extremos, como furacões, secas severas e inundações, tornando evidente a ineficácia das ações políticas e econômicas para conter o problema;
  • Riscos tecnológicos emergentes: a crescente influência da IA na desinformação digital ameaça a democracia e a estabilidade social;
  • A proliferação de doenças e riscos biológicos: o aumento da disseminação de patógenos, aliado à manipulação genética em laboratórios de alta segurança, despertando o receio de novas pandemias ou do uso de armas biológicas.

Ainda conforme o relatório do grupo, o ajuste de um único segundo no relógio deve ser encarado como um alerta máximo. Não se trata de um detalhe simbólico, mas de uma evidência concreta de que estamos vivendo um período de instabilidade extrema, em que cada decisão política pode ser crucial para evitar desastres globais.

O que isso significa?

A proximidade inédita da meia-noite indica que a humanidade está em um momento crítico, em que múltiplos fatores de risco estão convergindo para um caminho nada positivo. Claro, tudo não passa de uma metáfora, de uma análise de cenário. Mas, ainda assim, a mensagem é clara: estamos nos aproximando perigosamente de um ponto sem retorno.

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Isso não significa que o colapso global seja inevitável, mas sugere que, sem mudanças drásticas nas políticas internacionais e no comportamento coletivo, a possibilidade de desastres só aumenta. O Boletim dos Cientistas Atômicos destaca que o tempo para evitar catástrofes está se esgotando, e que líderes mundiais precisam agir com urgência para reverter esse cenário.

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Os especialistas apontam três caminhos prioritários para afastar a humanidade do risco iminente:

  1. Controle de armas nucleares: o fortalecimento de tratados internacionais, a retomada de diálogos diplomáticos entre as potências e a redução do arsenal atômico são medidas fundamentais para evitar um conflito nuclear.
  2. Compromisso real com a sustentabilidade: os governos devem adotar medidas mais agressivas para conter a crise climática, reduzindo emissões de carbono e investindo em energias limpas.
  3. Regulação da inteligência artificial e biotecnologia: o avanço tecnológico precisa ser acompanhado por regulações que impeçam o uso irresponsável dessas ferramentas, especialmente no setor militar e na manipulação de informações.

Além dessas medidas, há um chamado para que a sociedade civil se mobilize. A disseminação da ciência e da informação confiável é essencial para pressionar governos e corporações a tomarem decisões mais responsáveis. Em um mundo onde a desinformação e as fake news se tornaram armas políticas, o acesso a dados verificados e embasados cientificamente pode ser um dos principais instrumentos de resistência.

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