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Como é comprovada a eficácia de uma vacina?

O Instituto Butantan afirma que a vacina desenvolvida com a Sinovac tem 78% de eficácia. Entenda o que isso significa

Por Juliana Morales Atualizado em 7 jan 2021, 15h54 - Publicado em 12 nov 2020, 16h03

A farmacêutica norte-americana Moderna anunciou que sua vacina em desenvolvimento contra a covid-19 é 94,5% eficaz na prevenção à covid-19, de acordo com dados iniciais do estudo de fase 3. A empresa americana Pfizer e a alemã BioNTech também divulgaram o resultado preliminar da fase 3 (a última etapa de testes antes da aprovação) da vacina que estão desenvolvendo em parceria. Os dados sugeriram mais de 90% de eficácia do imunizante.

Nesta quinta (7), o Instituto Butantan divulgou os dados da vacina desenvolvida em parceria com a Sinovac. Com uma tecnologia menos avançada que as duas primeiras (que usam uma moderna técnica de RNA), o imunizante testado em 23 mil brasileiros mostrou eficácia de 78%. Mas, entre os vacinados que foram infectados pelo coronavírus, nenhum desenvolveu a forma grave da doença, o que pode ajudar a aliviar a rede hospitalar brasileira. O Butantan deve entrar em breve com pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para liberação de uso emergencial da vacina.

Notícias como essas trazem uma grande dose de esperança para o mundo, mas são acompanhadas de dúvidas: afinal, como eles chegaram a esse número? Será que o efeito continuará válido no futuro? O GUIA esclarece, vem com a gente!

Como se avalia a eficácia de uma vacina?

Para determinar a eficácia de uma vacina, ou seja, a capacidade de prevenir uma doença, voluntários da pesquisa são divididos em dois grupos iguais: um deles vai receber o placebo, que é uma dose sem efeito, e o outro grupo vai receber, de fato, o imunizante que está sendo testado. Depois de um determinado tempo, verifica-se quais participantes da pesquisa ficaram doentes, e quantos deles correspondem à parcela que recebeu a vacina. Quanto menos contaminados no grupo que recebeu o imunizante, mais eficiente ela é.

No caso da vacina da Pfizer e da BioNTech, que começou a fase 3 no dia 27 de julho, 94 pessoas foram contaminadas até o momento da divulgação. Mas a empresa responsável não informou quantas tinham tomado a vacina ou placebo, apenas que o estudo de sete dias depois da segunda dose da vacina e 28 dias depois a primeira apontou mais de mais de 90% de eficácia. Sabe-se que 43 mil pessoas estão participando do estudo em diversos países – cerca de 3 mil voluntários no Brasil.

+ Se você ainda tem dúvidas sobre as etapas de testes para a aprovação de uma vacina, vale conferir nosso conteúdo especial sobre o assunto!

Quais são as garantias dessa eficácia?

O professor de Biologia do Curso Anglo Marcelo Perrenoud explica que como qualquer medicamento, nenhuma vacina é 100% eficaz em todas as pessoas vacinadas: “A ação imunológica de uma vacina no organismo humano depende de diversos fatores, tais como a idade, outras doenças ou patologias que a pessoa possa ter, o tempo decorrido desde a vacinação”. Além disso, o contato anterior com o agente causador da doença, o modo de inoculação da vacina e como ela é produzida podem afetar seus efeitos.

Outro ponto que coloca à prova a eficiência de uma vacina para combater a covid-19, e tem sido muito falado nas últimas semanas, é a mutação do coronavírus. A Dinamarca, por exemplo, falou recentemente sobre a existência de uma nova versão do Sars-Cov-2, conhecida como “cluster” 5, encontrada em visons.

O governo dinamarquês afirma que a nova variação não piora as complicações relacionadas à Covid-19 em humanos, mas atua de uma maneira que impede a produção de anticorpos. Esse fator pode prejudicar o desenvolvimento de vacinas contra a doença.

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+ Saiba mais sobre a mutação do coronavírus na Dinamarca, que está colocando a OMS em alerta

Dessa forma, esclarece o professor de Biologia, “doses mais eficazes e atualizadas deverão ser administradas periodicamente na população, assim como acontece hoje com a vacina da gripe”.

Perrenoud também ressalta que a eficácia e a segurança da vacina deverão continuar sendo testadas, principalmente, quando de fato ela for administrada em um grande número de indivíduos, como acontecerá em breve, assim que for disponibilizada para a maior parte da população mundial. Dessa forma, a análise da capacidade de gerar uma resposta imunológica duradoura, assim como dos efeitos colaterais, deverá prosseguir para que aconteça o processo de aperfeiçoamento do imunizante.

Quanto de eficácia é necessária para a aprovação de uma vacina?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vacina para a Covid-19 deve ter pelo menos 50% de eficácia. Tanto a Anvisa como o FDA (órgão regulatório dos Estado Unidos) também adotaram essa porcentagem mínima.

Reportagem da revista Superinteressante explica que “para chegar nesse valor, o cálculo é feito com base no Teorema do Limiar. Ele indica o mínimo de pessoas que devem estar imunizadas para frear a pandemia”. Entenda melhor as equações usadas na avaliação neste link.

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