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Como é comprovada a eficácia de uma vacina?

A Pfizer e a BioNTech anunciaram que sua vacina tem 90% de eficácia contra a covid, a da Moderna apresentou 94,5% de eficácia. Entenda o que isso significa

Por Juliana Morales Atualizado em 16 nov 2020, 11h21 - Publicado em 12 nov 2020, 16h03

A farmacêutica norte-americana Moderna anunciou, nesta segunda-feira (16), que sua vacina em desenvolvimento contra a covid-19 é 94,5% eficaz na prevenção à doença, de acordo com dados iniciais do estudo de fase 3. 

Na semana passada, empresa americana Pfizer e a alemã BioNTech também divulgaram o resultado preliminar da fase 3 (a última etapa de testes antes da aprovação) da vacina que estão desenvolvendo em parceria. Os dados sugeriram mais de 90% de eficácia do imunizante.

Notícias como essas trazem uma grande dose de esperança para o mundo, mas são acompanhadas de dúvidas: afinal, como eles chegaram a esse número? Será que o efeito continuará válido no futuro? O GUIA esclarece, vem com a gente!

Como se avalia a eficácia de uma vacina?

Para determinar a eficácia de uma vacina, ou seja, a capacidade de prevenir uma doença, voluntários da pesquisa são divididos em dois grupos iguais: um deles vai receber o placebo, que é uma dose sem efeito, e o outro grupo vai receber, de fato, o imunizante que está sendo testado. Depois de um determinado tempo, verifica-se quais participantes da pesquisa ficaram doentes, e quantos deles correspondem à parcela que recebeu a vacina. Quanto menos contaminados no grupo que recebeu o imunizante, mais eficiente ela é.

No caso da vacina da Pfizer e da BioNTech, que começou a fase 3 no dia 27 de julho, 94 pessoas foram contaminadas até o momento da divulgação. Mas a empresa responsável não informou quantas tinham tomado a vacina ou placebo, apenas que o estudo de sete dias depois da segunda dose da vacina e 28 dias depois a primeira apontou mais de mais de 90% de eficácia. Sabe-se que 43 mil pessoas estão participando do estudo em diversos países – cerca de 3 mil voluntários no Brasil.

+ Se você ainda tem dúvidas sobre as etapas de testes para a aprovação de uma vacina, vale conferir nosso conteúdo especial sobre o assunto!

Quais são as garantias dessa eficácia?

O professor de Biologia do Curso Anglo Marcelo Perrenoud explica que como qualquer medicamento, nenhuma vacina é 100% eficaz em todas as pessoas vacinadas: “A ação imunológica de uma vacina no organismo humano depende de diversos fatores, tais como a idade, outras doenças ou patologias que a pessoa possa ter, o tempo decorrido desde a vacinação”. Além disso, o contato anterior com o agente causador da doença, o modo de inoculação da vacina e como ela é produzida podem afetar seus efeitos.

Outro ponto que coloca à prova a eficiência de uma vacina para combater a covid-19, e tem sido muito falado nas últimas semanas, é a mutação do coronavírus. A Dinamarca, por exemplo, falou recentemente sobre a existência de uma nova versão do Sars-Cov-2, conhecida como “cluster” 5, encontrada em visons.

O governo dinamarquês afirma que a nova variação não piora as complicações relacionadas à Covid-19 em humanos, mas atua de uma maneira que impede a produção de anticorpos. Esse fator pode prejudicar o desenvolvimento de vacinas contra a doença.

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+ Saiba mais sobre a mutação do coronavírus na Dinamarca, que está colocando a OMS em alerta

Dessa forma, esclarece o professor de Biologia, “doses mais eficazes e atualizadas deverão ser administradas periodicamente na população, assim como acontece hoje com a vacina da gripe”.

Perrenoud também ressalta que a eficácia e a segurança da vacina deverão continuar sendo testadas, principalmente, quando de fato ela for administrada em um grande número de indivíduos, como acontecerá em breve, assim que for disponibilizada para a maior parte da população mundial. Dessa forma, a análise da capacidade de gerar uma resposta imunológica duradoura, assim como dos efeitos colaterais, deverá prosseguir para que aconteça o processo de aperfeiçoamento do imunizante.

Quanto de eficácia é necessária para a aprovação de uma vacina?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vacina para a Covid-19 deve ter pelo menos 50% de eficácia. Tanto a Anvisa como o FDA (órgão regulatório dos Estado Unidos) também adotaram essa porcentagem mínima.

Reportagem da revista Superinteressante explica que “para chegar nesse valor, o cálculo é feito com base no Teorema do Limiar. Ele indica o mínimo de pessoas que devem estar imunizadas para frear a pandemia”. Entenda melhor as equações usadas na avaliação neste link.

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