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O que é NFT e como tem gente enriquecendo com isso

Qual o valor de um meme? Uma nova forma de comércio tem chamado atenção com vendas milionárias

Por Luccas Diaz Atualizado em 24 nov 2021, 15h50 - Publicado em 7 Maio 2021, 18h44

Que tal ganhar milhões depois de virar um meme? Isso se tornou realidade para a jovem americana Zoë Roth. Quando ela tinha 5 anos, em 2005, uma foto sua se tornou viral. Roth posava com um olhar malicioso em frente a uma casa em chamas. A foto/meme conhecida pelo nome de ‘disaster girl’ foi vendida em um leilão online por R$ 2, 7 milhões.

Mas veja bem, não foi a foto que foi vendida. Foi o arquivo original do meme! O contrato milionário vem do conceito chamado de NFT. A sigla vem de “non-fungible token”, que em português pode ser traduzido como “token não-fungível”. O NFT é um novo formato de certificação de autenticidade digital que permite a compra de qualquer coisa que exista virtualmente: meme, GIF, tuites, arte. Ele transforma qualquer mídia digital em algo único e insubstituível por meio de um blockchain, ou seja, um tipo de protocolo de segurança

 

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Menina olha diretamente para a câmera com olhar maléfico enquanto uma casa em chamas é socorrida pelos bombeiros.
Zoë Roth posou para a foto quando tinha apenas 5 anos, em 2005. Ela viralizou na internet anos depois. Twitter/Reprodução

Afinal, quanto vale um meme? Quanto vale uma obra de arte? Quanto vale um gol feito em uma final de campeonato?

Dá para entender melhor o NFT analisando a palavra fungibilidade: ela é atribuída a tudo que tem o mesmo valor. Por exemplo, o dinheiro. Uma nota de R$10 tem o mesmo valor de outra nota de R$10 ou de duas notas de R$5. Algo não-fungível, portanto, se refere a coisas únicas – como o meme da garota no incêndio,  a Mona Lisa do Leonardo Da Vinci, um tuite do Supla.

Certificado de dono

O professor Carlos de Oliveira Junior é um artista-programador. Em seu trabalho como diretor de tecnologia da SuperUber e do projeto Encontros Digitais, ele busca integrar arte, conteúdo, hardware, software, design e arquitetura em novos formatos. Ele explica que as NFTs podem parecer confusas em um primeiro momento porque a pessoa que compra um desses ativos se torna dono de algo que qualquer um pode ir no Google e salvar.

“No mundo digital tudo pode ser copiado infinitamente sem prejudicar a versão original do arquivo. É difícil atribuir valor a uma imagem JPG, ou um vídeo MP4 porque uma obra de arte digital é um arquivo e a cópia ou compartilhamento de arquivos na internet é algo natural”, explica.

Segundo ele, as NFTs chegam para resolver o problema da posse de um objeto digital. “A compra de uma NFT é realizada por uma criptomoeda e a transação gera um registro que atribui a posse em uma blockchain, que funciona como um livro de registros de transações”, conta. O registro funciona como um certificado digital que irá garantir que o arquivo original pertence a determinada pessoa. “Ficará registrado na blockchain de onde aquela obra veio e para quem foi”, explica o professor.

Moeda dourada gravada com o brasão do Ethereum.
A criptomoeda Ethereum no dia do fechamento desse texto estava valendo R$ 18.390,24. Pixabay/Reprodução

As NFTs não devem ser encaradas como uma moeda digital. NFT é o ativo vendido em si. “Mas não confunda, por exemplo, Bitcoin com NFT. A NFT se tornou possível com o surgimento do Ethereum, uma criptomoeda que opera em uma blockchain diferente do Bitcoin, como se fossem dois bancos de dados distintos”, esclarece. A inovação da criptomoeda Ethereum vem da possibilidade de criar contratos inteligentes, ou seja, além de armazenar a transação, esses contratos realizam transações secundárias automaticamente, de acordo com uma lógica embutida no contrato.

Fim da pirataria?

Se a ideia das NFTs é atribuir posse a elementos que antes “não tinham donos” (ou nem eram imaginados como algo comercializável), seria esse conceito a solução para o problema da pirataria na internet? O professor esclarece que ainda não é bem assim. “Muita gente costuma achar que NFT resolve o problema do plágio e pirataria, mas infelizmente não. Pessoas com má intenção poderão colocar o trabalho de outra pessoa para vender. Isso é crime, e é combatido pelas plataformas de venda de NFTs”, afirma.

Toda vez que uma NFT é vendida, há o envio de uma comissão para o criador da obra e para a plataforma onde a venda ocorreu. “Isso garante ao artista um retorno permanente sobre todas as vendas futuras que forem feitas do seu trabalho”, diz. No caso do meme da garota no incêndio, todos os outros arquivos disponíveis na internet com a foto continuam circulando. Mas o arquivo original da foto, e o status de “dono” dela, agora pertencem a uma única pessoa.

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Segundo o professor, isso é algo sem precedentes e que vai além de apenas o comércio de arte e ativos digitais. “As NFTs e os contratos inteligentes viabilizam uma série de outras dinâmicas de mercado que antes aconteciam de forma arcaica, em cartórios, bancos, galerias de arte, imobiliárias e todas as instituições que se propõe a ser intermediárias destas transações”, explica.

Por isso, mesmo que até o momento os casos mais emblemáticos de vendas de NFTs envolvam artes digitais e memes, o formato de venda pode se transformar em uma nova forma de lidar com burocracia e processos de autenticação. “O que estamos vendo agora é a possibilidade das instituições se atualizarem também.  Há diversas iniciativas em andamento.  As NFTs estão acelerando esse processo de mudança”, afirma Carlos.

Polêmica ambiental

Um dos principais argumentos dos críticos às NFTs é o seu alto consumo de energia elétrica. Segundo o professor, uma única transação de NFT na rede Ethereum pode consumir eletricamente o equivalente há 1 mês de consumo elétrico de um cidadão europeu médio.

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“Assim como assistir um filme, realizar uma busca na internet, tudo que a gente faz no computador consome energia elétrica e de alguma forma colabora para as mudanças climáticas”, afirma. “Vivemos em um mundo onde o carvão, o petróleo, e outras fontes de energia não renováveis continuam sendo consumidas em escalas industriais”, esclarece o professor. Ele explica que uma alternativa  é a procura por outras plataformas que gastem menos energia elétrica.

“Isso mostra que o debate sobre o consumo elétrico é algo complexo (eco-inter-intra-trans-multi-disciplinar)”, comenta. Segundo o professor, que vende sua coleção tanto na rede Ethereum, como na rede Tezos, “os artistas devem sempre se atualizar, os algoritmos otimizarem o consumo energético, as placas de vídeo se tornarem mais econômicas, os governos buscarem fontes renováveis de energia”.

Dá para ficar rico?

Houve uma grande comoção na internet quando memes foram vendidos por milhões de reais. Uma obra de arte digital do artista Beeple foi vendida por quase U$ 70 milhões. “O Beeple se tornou o terceiro artista vivo mais rico do mundo, e logo após a venda disse: ‘acho que provavelmente isso significa que a arte digital veio para ficar’”, conta o professor Carlos.

Arte digital do artista Beeple consiste uma compilação de 5 mil pequenas imagens oriundas de 5 mil dias de trabalho.
Obra “Everydays: The first 5000 days” do artista Beeple foi vendida por 69 milhões de dólares. Beeple/Reprodução

Qualquer um que seja o dono autêntico de um ativo como uma arte digital, uma música, uma receita, um meme, um vídeo, uma skin em um jogo ou até mesmo um terreno digital pode lucrar com a venda por meio das NFTs. Tanto no comércio de colecionáveis quanto de investimento. Há guias completos na internet e plataformas que não cobram um conhecimento avançando em criptomoeda para começar a vender.

Carlos finaliza dizendo que as NFTs proporcionam muito mais que apenas uma nova forma de comércio. “Com as NFTs, atribuímos valor a um meme da mesma forma como atribuímos valor a uma cédula de papel. O valor existe porque acreditamos que ele existe”, afirma. “Fica fácil perceber o tamanho dessa mudança quando vemos crianças usando dinheiro para comprar roupas digitais para seu personagem em um jogo. É uma mudança cultural notável”, conclui.

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