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O que é o estreito de Ormuz e a quem ele pertence?

Faixa marítima que conecta o Golfo Pérsico ao oceano aberto, o Estreito passou a ocupar uma posição central na disputa entre Estados Unidos, Israel e Irã

Por Beatriz Arruda 15 abr 2026, 19h00
Imagem do Estreito de Ormuz
 (Wikimedia Commons/Reprodução)
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  • Em 28 de fevereiro, os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã marcaram o início de uma guerra que já vinha sendo sinalizada desde 2025. As primeiras ofensivas militares resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e intensificaram os conflitos no Oriente Médio. Em resposta, o Irã passou a atacar Israel e bases militares norte-americanas em países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. É neste contexto que o Estreito de Ormuz passou a ocupar uma posição central na disputa geopolítica.

    A região, localizada entre o Irã e os Emirados Árabes, representa um ponto estratégico para o transporte de petróleo, sendo considerada uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Por isso, qualquer tentativa de bloqueio do estreito pode gerar impactos significativos no comércio internacional de petróleo e, consequentemente, na economia global .

    Com ampla repercussão desde o início do ano, a guerra no Irã e a situação no Estreito de Ormuz continuam em evidência e merecem atenção.

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    A quem pertence o Estreito de Ormuz?

    O Estreito de Ormuz é uma faixa marítima estreita que conecta o Golfo Pérsico ao oceano aberto, sendo limitado ao norte pelo Irã e, ao sul, por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos. As dimensões do Estreito de Ormuz ajudam a entender sua relevância: o estreito tem cerca de 167 km de extensão, com largura de aproximadamente 50 km nas entradas e saídas e, em seu trecho mais estreito, apenas cerca de 33 km.

    Na perspectiva do Irã, as águas do estreito constituem seu mar territorial, que é definido como uma faixa de até 12 milhas náuticas (aproximadamente 22,2 km) a partir da costa, garantindo aos países soberania sobre essa área. Sendo assim, em seu ponto mais estreito, boa parte de Ormuz está situado dentro das águas territoriais do Irã.

    No entanto, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em vigor desde 1994, estabelece que os estreitos utilizados para a navegação internacional devem seguir o regime de “passagem em trânsito”. Na prática, isso significa que navios e aeronaves podem circular livremente por essas áreas desde que o trânsito seja “contínuo e expedito”, isto é, contínuo e rápido. Irã e Estados Unidos não ratificaram o acordo, embora os Estados Unidos apoiem o princípio da livre navegação.

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    Em artigo para a The Conversation, Elizabeth Mendenhall, especialista no tema e professora da Universidade de Rhode Island, explica que o Irã reconhece que Ormuz é um estreito internacional, mas se baseia em normas da Convenção sobre o Mar Territorial, de 1958.

    De acordo com este tratado, embarcações estrangeiras têm direito à “passagem inocente”, ou seja, podem atravessar a região desde que não ameacem a segurança dos países costeiros – um impasse na situação atual, já que os Estados Unidos representariam essa ameaça.

    O tratado também abre margem para que os países criem regras sobre a passagem e avaliem se ela é, de fato, inocente.

    estreito de Ormuz

    De acordo com Rafaela Locali, professora de Geografia e Atualidades do Colégio Oficina do Estudante, o Estreito de Ormuz é “considerado estratégico porque constitui um dos principais “chokepoints” do sistema energético global”. O termo, que pode ser traduzido como “ponto de estrangulamento”, refere-se a áreas geográficas estreitas que concentram e limitam o fluxo de transporte.

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    No caso de Ormuz, sua profundidade permite a passagem de navios petroleiros, o que o torna uma rota essencial: aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo passam por ali. Além disso, o estreito também é fundamental para as exportações de fertilizantes no Oriente Médio, insumos essenciais para a agricultura no mundo todo.

    Vale destacar que o petróleo que circula por essa região não é exclusivamente iraniano. Outros países do Golfo, como Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também dependem da passagem para a exportação do combustível fóssil.

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    Como a guerra impacta o Estreito de Ormuz e a economia mundial?

    O Estreito de Ormuz, por onde costumam passar cerca de 3 mil navios por mês, registrou uma queda drástica no tráfego desde o início do conflito. Como resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o governo iraniano bloqueou a passagem, restringindo a circulação de embarcações comerciais e ameaçando atacar navios que tentassem fazer a travessia. “Com o tempo ele [o Irã] liberou a passagem para alguns navios de países dos BRICS e sugeriu a cobrança de uma espécie de pedágios aos petroleiros, na casa de um dólar por litro de petróleo”, acrescenta a professora Rafaela.

    Segundo Locali, os efeitos desse cenário já refletem na economia global. O bloqueio tem provocado a alta dos preços do petróleo, o que impacta diretamente os custos de transporte e energia. “Isso pode levar a uma pressão inflacionária global e um risco de desaceleração econômica ou até recessão em países altamente dependentes de importação energética, como economias europeias e asiáticas”, destaca a professora.

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    No último final de semana, Estados Unidos e Irã não chegaram a um acordo de cessar-fogo em negociações realizadas no Paquistão. De acordo com Rafaela, os interesses divergentes dificultam o consenso entre os dois países: enquanto os Estados Unidos exigem o controle do programa nuclear iraniano e a garantia da liberdade de navegação, o Irã busca o fim das sanções econômicas e o direito de manter a produção de mísseis.

    Diante do impasse, Donald Trump anunciou um bloqueio a navios iranianos que tentam entrar e sair pelo Estreito de Ormuz. A medida prevê a interceptação de embarcações não autorizadas pelos Estados Unidos com o objetivo de limitar a capacidade do Irã de lucrar com as exportações de petróleo e pressionar ainda mais o país.

    Embarcação das Forças Armadas dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz
    Embarcação das Forças Armadas dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz (NAVCENT Public Affairs/Wikimedia Commons)

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    Como o tema pode ser cobrado no Enem e outros vestibulares?

    Para Rafaela, o tema tem potencial de aparecer no Enem e em vestibulares por articular conceitos como geopolítica, globalização, fluxos energéticos e interdependência econômica, que costumam aparecer nos editais das principais provas. “Além de estar diretamente associado a acontecimentos recentes, o que aumenta sua probabilidade de cobrança, especialmente em exames como Unicamp e Fuvest, que valorizam a análise de conflitos contemporâneos articulados a conceitos geográficos”, acrescenta. No caso do Enem, a tendência é que o assunto apareça em questões que exigem leitura e interpretação de textos, mapas e gráficos.

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    A professora também ressalta que, em perguntas sobre conflitos geopolíticos, as bancas costumam priorizar temas como dependência energética, o valor estratégico dos recursos naturais e o papel da geografia física, como o Estreito de Ormuz, nas estratégias políticas e militares.

    Confira, a seguir, uma questão recente de vestibular sobre conflitos e a geografia do Oriente Médio, acompanhada da resolução comentada.

    1. Comvest/Vestibular Unicamp 2026

    Historicamente, a região do Oriente Médio vive uma série de conflitos envolvendo alianças e disputas por interesses econômicos, geopolíticos e religiosos. Por exemplo, o chamado eixo da resistência é formado por um conjunto de países e grupos rebeldes sob influência do Irã. Esse eixo se define por confrontar forças militares ocidentais, como no caso dos Estados Unidos e de Israel. O mapa a seguir mostra a localização dos países e grupos sob influência do Irã.

    (Adaptado de https://www.bbc.com/portuguese/articles/cw4dgr9yrpvo. Acesso em 23/05/2025.)

    Imagem da questão sobre Oriente Médio, cobrada na 1ª fase do Vestibular 2026 da Unicamp
    (COMVEST/Reprodução)
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    A partir dessas informações, assinale a alternativa que apresenta corretamente as disputas e as alianças do Irã com grupos étnicos, militares e religiosos dentro dos países indicados no mapa.

    a) Disputas: com a minoria sunita do islamismo (Iraque); com o Estado Islâmico (Síria).
    Alianças: com os Houthis (Iêmen); com o Hezbollah (Líbano).

    b) Disputas: com os Houthis (Iêmen); com o Estado Islâmico (Síria).
    Alianças: com a minoria sunita do islamismo (Iraque); com o Hezbollah (Líbano).

    c) Disputas: com a minoria sunita do islamismo (Iraque); com o Hezbollah (Líbano).
    Alianças: com os Houthis (Iêmen); com o Estado Islâmico (Síria).

    d) Disputas: com os Houthis (Iêmen); com o Hezbollah (Líbano).
    Alianças: com a minoria sunita do islamismo (Iraque); com o Estado Islâmico (Síria).

    Resolução Comentada

    Alternativa A.

    Conforme a resolução do Colégio Oficina do Estudantes, o conflito entre o Irã, país de maioria xiita, e os sunitas do Iraque é marcado por uma trajetória complexa, que remete à invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003. Com a queda de Saddam Hussein, o Irã expandiu sua influência no território iraquiano, principalmente pelo apoio militar a facções xiitas, que combatem grupos extremistas sunitas, como o Estado Islâmico. Já em relação às alianças, o Irã oferece apoio militar e financeiro aos Houthis, no Iêmen, e ao Hezbollah, no Líbano — ambos xiitas.

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