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Desfazendo a confusão entre terrorismo e islamismo

Por Redação Atualizado em 24 fev 2017, 15h08 - Publicado em 27 jun 2016, 20h51

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O grupo autodenominado Estado Islâmico tem causado temor no mundo todo, principalmente por suas declarações contra o Ocidente. Isso tem aumentado a atual onda islamofóbica e intensificado os debates sobre a entrada de refugiados muçulmanos na Europa e nos Estados Unidos. Como o preconceito normalmente é consequência da generalização feita sem exame crítico, esse artigo tem por objetivo mudar perspectivas deturpadas de que essas pessoas são terroristas por serem muçulmanas.

Em primeiro lugar, é importante diferenciar árabes de muçulmanos, já que nem todo árabe é muçulmano e vice-versa.

Os árabes são os integrantes de um povo heterogêneo, originário da península Arábica, e habitam principalmente o Oriente Médio, região situada entre a Ásia e a África. As religiões predominantes entre os árabes são o islamismo, o cristianismo e o judaísmo.


Mapa geopolítico do Oriente Médio.

Já os muçulmanos são os indivíduos que aderem ao Islamismo, religião monoteísta fundada pelo profeta árabe Maomé. O Alcorão é o livro sagrado do Islã, texto considerado pelos seus seguidores como a palavra literal de Deus (Alá, em árabe).

Com a morte de Maomé, em 632, houve discordância sobre quem iria sucedê-lo como líder da comunidade muçulmana. Das divisões que surgiram, os sunitas e os xiitas são os principais grupos. A maioria dos muçulmanos são sunitas, cerca de 85%, e os xiitas representam cerca de 15%. O maior país muçulmano do mundo é a Indonésia.

FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

Fundamentalistas são encontrados entre diversas religiões e pregam que os dogmas de seus livros sagrados sejam seguidos à risca e literalmente. O termo surgiu no começo do século 20 nos Estados Unidos, quando protestantes determinaram que a fé cristã exigia acreditar em tudo o que está escrito na Bíblia.

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Os ataques de 11 de setembro de 2001, organizados pelo grupo fundamentalista sunita Al Qaeda, reacenderam a preocupação contra fundamentalistas e criaram dois mitos frequentes: o de que todo fundamentalista é muçulmano e o de que todo muçulmano é terrorista.

muculmanos

O fundamentalismo, porém, não é parte do islamismo. O que ocorre é que alguns grupos interpretam que a religião deve ser seguida estritamente e tentam impor essa visão à sociedade. Assim como grupos fundamentalistas islâmicos como a Al Qaeda, o Boko Haram e o Estado Islâmico, há grupos fundamentalistas também no judaísmo, como o Kach Kahane Chai – que objetiva restabelecer os territórios judaicos como determina a Torá e expulsar os palestinos da região – e no cristianismo, como Christian Voice (Voz Cristã), da Inglaterra – que condena o divórcio,  as clínicas de aborto e faz a promoção da cura de homossexuais.

Outro ponto importante é o de que há grupos fundamentalistas em todas as religiões, porém nem todos praticam atos de terrorismo. O fundamentalismo cristão, por exemplo, defende que a sociedade e a ciência devem se basear estritamente nos ensinamentos da Bíblia, mas, apesar existirem ações de violência isoladas contra os que violam esse entendimento, não há grupos organizados que praticam atos terroristas.

Diferentemente do que muitos afirmam, o Alcorão não prega a violência. Os que o utilizam com esse propósito fazem suas próprias interpretações para justificar seus atos. De acordo com Fernando Celino, assessor de comunicação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro, a própria palavra “islã” vem da raiz árabe “salam”, que significa “paz”. A saudação islâmica “salamaleico” significa “Que a paz esteja com você”.

Apesar de o autodenominado Estado Islâmico se declarar muçulmano, grande parte dos adeptos do islamismo repudia os atos e afirmam que eles não representam o Islã. Desse modo, o problema não é religião, mas as forças políticas que usam o Islã para se manterem de modo ditatorial.

Neste momento crítico em que se encontra a questão do terrorismo, espera-se que os governantes tomem medidas para combater a intensificação da islamofobia, sobretudo porque pode agravar ainda mais a crise dos refugiados. Além disso, a discriminação contra os muçulmanos é uma ferramenta muito potente que o Estado Islâmico usa para recrutar jovens europeus.

Leia também: Como o Brasil tem tentado se proteger do terrorismo? Conheça a Lei Antiterrorismo.

Texto originalmente publicado no site Politize!

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