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O equilíbrio de forças no Oriente Médio

Estados Unidos e Rússia são importantes atores que influenciam a geopolítica local

A guerra na Síria começou em 2011 a partir de protestos contra o regime de Bashar al-Assad e se transformou na maior tragédia humanitária deste século, com mais de 500 mil mortes e 5 milhões de refugiados. O caos sírio é apenas um dos desdobramentos do atual quadro de instabilidade no Oriente Médio, que, por sua vez, é fruto de antigas rivalidades e intervenções externas.  Neste cenário de tensão permanente, veja como os principais atores se posicionam diante dos desafios regionais.

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Estados Unidos

Com grandes interesses econômicos e políticos na região, os Estados Unidos desempenham um papel de potência central desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945. Após o governo de George W. Bush, que iniciou as guerras do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003), a atual administração, de Barack Obama, retirou as tropas desses países. Para alguns analistas, a recusa de Obama em mandar tropas terrestres para combater o EI na Síria e no Iraque deixou o caminho aberto para uma intervenção mais incisiva da Rússia no conflito sírio. Com a posse de Donald Trump, em 2017, a expectativa era que os EUA permanecessem estrategicamente afastados do conflito, conforme prometera o presidente. No entanto, os norte-americanos já lançaram duas ofensivas contra a Síria: a primeira em abril de 2017 e a segunda na semana que passou – ambas foram motivadas por denúncias de que o regime de Assad teria feito uso de armas químicas.

 

Rússia

Principal aliada do regime sírio de Bashar al-Assad fora do Oriente Médio, seus interesses na região vêm da época da ex-União Soviética. O país mantém na Síria uma base militar na cidade portuária de Latakia. Ao iniciar, em setembro de 2015, bombardeios em território sírio, que atingiram principalmente grupos rebeldes de oposição a Assad, a Rússia provocou uma mudança significativa do conflito sírio, em favor do governo. Com a ajuda de Vladimir Putin, o regime sírio retomou o controle de importantes regiões do país, praticamente eliminou a ameaça do EI em seu território e evitou a derrocada de seu governo. Para os russos, a Síria se tornou peça-chave para a projeção de seu poder no Oriente Médio e sustentar a estratégia de antagonismo em relação às potências ocidentais.

 

Turquia

A Turquia integra a coalizão internacional contra o EI, mas sua preocupação central é evitar a ascensão dos curdos, que estão presentes em seu território e em outros países da região, e lutam pela criação de um Estado próprio. Os curdos conquistaram grande autonomia na Síria e no Iraque, o que poderia estimular movimentos separatistas curdos na Turquia. Por isso, segundo analistas, o regime turco fez vistas grossas à passagem de jihadistas por suas fronteiras em direção às regiões controladas pelo EI, já que o grupo combate os curdos. Antigo aliado sírio, a Turquia foi um dos primeiros países a voltar-se contra Bashar al-Assad assim que começaram as revoltas na Síria, em 2011.

 

Irã

O país é a principal força xiita na região e maior aliado do governo sírio de Bashar al-Assad. O governo iraniano enviou milícias para combater ao lado das tropas sírias contra os grupos rebeldes e o EI. O acordo que assinou com as grandes potências, em 2015, concordando em limitar seu programa nuclear, levou o país de volta à comunidade internacional e ampliou sua capacidade de influenciar no jogo diplomático da região. Seus principais rivais no Oriente Médio são Israel e Arábia Saudita.

 

 

Iraque

Desde a ocupação anglo-americana, que durou de 2003 a 2011, o país vive sob instabilidade. Inicialmente, houve uma violenta luta contra as tropas estrangeiras, que englobava vários setores da sociedade iraquiana. A partir de 2006, acirraram-se os conflitos sectários entre muçulmanos xiitas e sunitas. Nesse quadro de desagregação, o EI fortaleceu-se e ocupou várias regiões do país. O governo xiita do Iraque é um aliado da Síria, e ambos tentam conter o avanço do EI em seus territórios.

 

 

Síria

O regime de Bashar al-Assad passou a ser combatido em 2011 por grupos rebeldes armados, sustentados pelas grandes potências, Arábia Saudita e Catar. O governo sírio tem o apoio do Irã e do grupo libanês Hezbollah, além da Rússia. Numa situação de caos criada pelo conflito, o EI, vindo do Iraque, ocupou metade do território sírio. No entanto a ajuda militar do Irã e da Rússia foram fundamentais para o fortalecimento do regime de Assad, que praticamente acabou com a ameaça do EI em seu território. O confronto agora volta-se para o combate das diversas milícias rebeldes espalhadas pela Síria.

 

Arábia Saudita

País que lidera a ala sunita dos muçulmanos no Oriente Médio. Seu regime é inspirado no wahabismo, uma forma de islamismo fundamentalista considerado inspirador de grupos terroristas como Al Qaeda e EI. Apesar disso, é aliado dos países ocidentais, que, por interesse comercial no petróleo saudita, costumam tolerar como a repressão aos direitos das mulheres e execuções por decapitação. Seu grande rival na região é o regime xiita do Irã, e combate também Al-Assad na Síria

 

Israel

Desde sua criação, em 1948, o país vive um conflito com os árabes palestinos que ocupavam a região. Fortemente financiado e armado pelos EUA, Israel também mantém relações hostis com outros países árabes vizinhos como Líbano e Síria. Neste último, Israel ocupa as Colinas de Golã e, apesar da rivalidade com Bashar al-Assad, procurava manter uma distância estratégica da guerra civil. Porém, nos últimos anos as forças israelenses vêm intervindo mais frequentemente no conflito, com bombardeios em território sírio. O maior inimigo de Israel no Oriente Médio é o Irã– os dois países já estiveram à beira de um conflito no início da década, devido ao programa nuclear iraniano.

 

Iêmen

País mais pobre do Oriente Médio, vive um conflito depois que o governo eleito sofreu um golpe por parte do grupo dos houthis, o que deu início a um período de instabilidade. A fragilidade iemenita faz com que sua política esteja constantemente sob pressão de nações mais poderosas, que disputam a influência sobre os rumos do país. A Arábia Saudita comanda uma ação militar no país contra os houthis, que são apoiados discretamente pelo Irã. A grave situação humanitária resultante facilitou a ação da Al Qaeda na Península Arábica (AQPA) e do EI

 

Curdos

Não constituem um país, mas um povo que luta por um Estado próprio, o Curdistão. Estão espalhados por Turquia, Iraque, Síria, Irã, Armênia e Azerbaidjão. Na luta contra o EI, tropas curdas da Síria e do Iraque desempenham um papel central nos combates em terra, apoiadas pelos bombardeios aéreos da coalizão liderada pelos EUA. Esse fato inquieta a Turquia, cujo governo considera mais perigoso para seus interesses internos o fortalecimento dos curdos do que a ampliação de poder de grupos fundamentalistas como o EI. Os curdos iraquianos tentaram sem sucesso separar-se do Iraque, após a realização de um referendo. Já os curdos sírios possuem grande autonomia no norte do país.

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