Clique e Assine a partir de R$ 20,90/mês
Dicas de estudo Por Blog As melhores dicas, técnicas de estudo, concentração e raciocínio para quem vai prestar o vestibular

Como aumentar sua nota de matemática no Enem

Conversamos com estudantes que tiraram mais de 800 pontos no exame em 2017 para conhecer as estratégias que podem render boas notas

Por Carolina Vellei Atualizado em 28 mar 2019, 17h15 - Publicado em 19 fev 2018, 11h52

 

Getty Images/Reprodução
Da esquerda para a direita: Felipe van Vliet Gritti, Rafael Machado Martinucci, Giovanna Baldanzi e Diego Caldas Arquivo pessoal/Arquivo pessoal

Se você tem traumas com a matemática, é importante buscar se reaproximar da matéria. Fazer terapia, olhar os números com mais carinho, começar do zero a relação. Sabe por quê? A matemática pode ser sua grande aliada no Enem, já que o bom desempenho nela costuma elevar a nota final dos candidatos. Foi a única área que cuja nota máxima já ultrapassou os mil pontos. Chegou a 1008,3 em 2015 e, de lá para cá, continua sendo a área com as maiores notas máximas.

Nós já explicamos anteriormente como funciona a Teoria de Resposta ao Item, a metodologia usada para calcular a nota do exame. É importante que você entenda que ela não dá a nota pela quantidade de acertos e sim pela coerência da prova. O que isso significa? Quem acerta questões difíceis e erra questões fáceis acaba sendo penalizado pelo sistema com uma nota menor, porque isso indica que o conhecimento básico naquela área não é compatível com o acerto de uma questão de grande dificuldade, o que poderia indicar o chute do candidato. Quem quiser saber mais sobre o mistério das notas altas em matemática pode conferir essa reportagem aqui.

O que você precisa saber nesse momento: esforçar-se para ir bem em matemática e para acertar pelo menos metade da prova pode render a você notas acima de 800 pontos. Foi o caso do estudante Rafael Machado Martinucci, que acertou 22 questões e conseguiu a nota de 819,1 pontos. “[O Enem 2017] foi uma prova que eu achei mais difícil do que nos dois anos anteriores que prestei, mas o fato de ter feito primeiro as questões mais fáceis me garantiu uma nota melhor”, explica.

Rafael explica sua estratégia para driblar a TRI

Em 2017, eu dei uma atenção maior ao conselho dos professores do cursinho de fazer primeiro as questões mais fáceis, antes daquelas consideradas médias e mais difíceis devido a forma como ocorre a pontuação no Enem, que é baseada na TRI (Teoria de Resposta ao item).
Antes, eu simplesmente ia fazendo questão por questão independente de ser fácil ou difícil, desde que eu soubesse fazer. No final, por uma questão de tempo, sempre acabavam ficando questões consideras fáceis para trás e que eu não conseguia responder e tinha que chutar. Isso acabava puxando a minha nota um pouco para baixo, já que eu fazia questões difíceis, muitas vezes, e errava questões fáceis na hora do chute.
No Enem 2017, eu resolvi primeiramente todas aquelas questões que eu conseguia fazer sem dificuldade e com maior rapidez, deixando aquelas com um nível maior para resolver por último. Assim que as resolvi, passei as respostas para o gabarito e fui para Ciências da Natureza, também em busca das questões fáceis de serem feitas.

A estudante Giovanna Baldanzi, que fez 845,6 pontos em matemática com 35 acertos no Enem 2017, concorda com Rafael. “É muito necessário que você se dedique a todas as áreas do conhecimento. Matemática é uma das que que garante a pontuação mais elevada”, afirma. Como estudava para um curso muito concorrido, Medicina, Giovanna sabia que não poderia negligenciar os números. Apesar de gostar de matemática desde muito nova, ela sempre dedicou tempo para a resolução de problemas.

Continua após a publicidade
Giovanna aconselha o treino por meio de resolução de exercícios

O método que eu uso desde o Ensino Médio e que continuo adotando para o vestibular é fazer exercícios. A meu ver, a matemática é uma matéria que exige treino e exercício pratico. Não tem como você estudar só a teoria.
Costumava ter a aula prática no colégio, aprender a matéria e chegar em casa e fazer os exercícios referentes àquele assunto. Tentava fazer o maior número de exercícios possíveis, porque é pondo em prática que conseguimos saber onde está a nossa dúvida. E por mais que os exercícios sejam repetitivos, é importante fazê-los mesmo assim, porque você vai tendo noções de diferentes modos que aquele conteúdo é cobrado.
As questões de matemática do Enem são bem definidas, são bem características e isso é uma das coisas que facilita muito o estudo. São questões que tem um perfil. Geralmente apresentam uma contextualização no início, com a matemática inserida ao cotidiano para não ficar muito teórico.
Muitas vezes não são perguntas muito objetivas, com o cálculo muito definido. Você tem que interpretar o texto da questão e, aí sim, aplicar a matemática à questão. Os assuntos cobrados na prova são muito recorrentes, basta analisar as provas dos último anos. Assim você pode dedicar mais tempo a esses temas.

  • A estratégia de resolução é usada também por Felipe van Vliet Gritti, que conseguiu acertar 40 questões na prova, totalizando 961,8 pontos. “Na minha opinião, estudar matemática não tem segredos: resolver exercícios é a única fórmula”, diz. Aconselha o treino, mesmo que no começo pareça ser muito difícil, porque foi o que deu certo com ele. Apesar de ter dificuldades no Ensino Médio, conseguiu melhorar sua nota ano a ano (já fez três edições), um feito que ele acredita estar ligado à maturidade adquirida ao longo dos anos. “Mesmo que pareça impossível, faça o máximo de questões possíveis. Em algum momento você se acostuma e não acha mais tão difícil”. Outra dica que ele dá é ir atrás das dúvidas, sempre.

    Diego Caldas, que fez 969,2 pontos com 42 acertos na prova, acredita que seu bom desempenho se deve ao fato de ele sempre ter enxergado a matemática como uma ferramenta para a vida. “Ao estudar para uma prova como o Enem, você adquire habilidades importantes para toda a vida, que podem ser úteis em outras provas, no trabalho, no seu raciocínio e em tomada de decisões”, explica. 

    Ele participa de olimpíadas de matemática desde os 10 anos de idade e explica que a disciplina muitas vezes é incompreendida. “Muitos acham que a matemática é difícil, mas na verdade o problema às vezes é uma base fraca. A matemática precisa de pré-requisitos para o seu estudo, então pessoas muito inteligentes que não tiveram contato com conceitos básicos sentem dificuldade. Por outro lado, dominando os conceitos básicos, ela se torna fácil”, diz.

    Superando as dificuldades

    Ao estudar matemática, não dá para ter preguiça ou desânimo. Assim como Felipe e os demais estudantes entrevistados pelo GUIA, Diego também aperfeiçoou suas habilidades com a resolução constante de exercícios. “Quando não consigo resolver um problema, eu identifico uma falha no meu ‘repertório’ matemático”, conta.

    Para quem tem muitas dificuldades com a matéria, Diego aconselha a estudar a teoria começando do básico. “Não adianta querer pular as matérias mais básicas quando se está com dificuldades, porque elas são as mais importantes”, diz. Rafael Machado concorda com a estratégia e conta que é importante que o estudante se sinta confiante com o seu desempenho.

    Começar fazendo exercícios básicos e mais teóricos acaba muitas vezes ajudando no começo para a pessoa se familiarizar com aquele assunto. Mas é importante ressaltar que não se deve ficar somente nesses exercícios. É preciso avançar para resolver exercícios com níveis de dificuldade gradativamente maiores. Somente assim ela poderá crescer e tomar mais confiança com a matemática.

    Rafael Machado Martinucci

    Além disso, é preciso quebrar os estigmas e preconceitos envolvidos no estudo da matemática, na visão de Giovanna. “Por ser uma matéria de exatas as pessoas já olham torto e muitas vezes não é assim. Por isso, as pessoas já costumam começar a estudar sem vontade. E quando você estuda sem vontade, isso se torna muito mais difícil”, explica. Ela aconselha a quem se sentir assim, a mudar a forma como vê a disciplina, se dedicando de peito aberto. “Na matemática, é muito importante focar em suas dúvidas. Não adianta ter aula, falar ‘não entendi’ e desistir. Essa questão de desistir é um impasse para muita gente. Tem que investir em suas dúvidas. Com isso, você sana o problema e vai ver que não é tão difícil assim”, finaliza.

    Continua após a publicidade
    Publicidade