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Cinco estrelas: curso de Museologia da Unirio propõe a montagem de uma exposição curricular

(Imagem: Thinkstock)

Qual foi a última vez que você visitou um museu? Se a ideia de ir a um local para conferir uma série de peças pertencentes a épocas distintas te atrai, pode ser que você já até tenha pesquisado mais sobre o curso superior de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Localizada no bairro da Urca, no campus da Praia Vermelha, na capital fluminense, a instituição foi a primeira escola do Brasil a oferecer o curso de Museologia, inaugurado em 1932. Anualmente, 100 novos alunos ingressam na graduação, sendo 50 no turno da noite e outros 50 no curso integral.

O museólogo trabalha, em termos gerais, com pesquisa, aquisição, catalogação, conservação e exposição de patrimônios que podem ser de caráter histórico, artístico, científico ou cultural. É importante que esse profissional pense, portanto, qual a melhor forma realizar projetos de comunicação e divulgação de mostras, estude meios de estabelecer diálogo entre os objetos e seu público por meio de ações educativas e também tenha noções de gestão para, por exemplo, negociar a compra de acervo e de equipamentos para o museu. Atualmente, o setor público é o que mais emprega museólogos e é também uma das áreas mais concorridas, devido à estabilidade financeira que proporciona. Porém não é só nesses espaços em que o museólogo pode atuar. Galerias de arte, institutos culturais ou científicos, sítios arqueológicos, órgãos de documentação e catalogação, coleções públicas ou privadas, escolas e núcleos de pesquisa em universidades também são locais possíveis de se encontrar esse profissional na equipe.

Estrutura do curso

Mas, afinal, que tipo de acervo o museólogo estuda? “Tudo pode ser um patrimônio e é passível de musealização”, explica Anne Barcelos, estudante do oitavo e último semestre do curso da Unirio. Isso quer dizer que qualquer objeto pode ter importância histórico-social e integrar a coleção de um museu. A graduação da federal do Rio de Janeiro adota, assim, uma grade curricular com caráter abrangente e interdisciplinar, com conteúdos que abarcam a maioria das áreas da Museologia. História Moderna, Antropologia nos Museus, Fundamentos de Paleontologia e Geologia, Museologia e Educação, Museu, Cultura e Sociedade, Conservação de Óleo Sobre Tela, Museologia e Arte Brasileira, Indumentária, Técnicas e Processos Artísticos e Biodiversidade e Meio Ambiente são algumas das matérias que compõem o mosaico de temas estudados.

Na Escola de Museologia da Unirio há apenas uma sala de laboratório em que, muitas das vezes, acabam sendo ministradas aulas teóricas. Quando há aulas práticas, os alunos aprendem sobre montagem de exposição e conservação de objetos museológicos – a prova final de uma delas envolve, inclusive, realizar o acondicionamento correto de uma peça com a ajuda do professor. As disciplinas de restauração, no entanto, ainda ficam somente no campo da teoria. Uma boa solução encontrada por Jéssica de Castro, do sexto período, para suprir o currículo deficiente na área prática  foi inscrever-se nas disciplinas de férias oferecidas pela universidade, que ocorrem diariamente no mês de janeiro. Em Técnicas e Processos Artísticos os alunos estudam um tipo de tinta em cada aula. “Um dia era tinta guache, outro tinta a óleo… também vimos grafite e afrescos. O professor elaborava os pigmentos, porque alguns podem ser perigosos e precisam de fogo para serem feitos, e nós assistíamos e os aplicávamos em desenhos ou telas”, relata.

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Mão na massa!

Ver de perto os objetos de estudo, conhecer acervos de museus e técnicas de conservação e restauração utilizadas pelas instituições é importante para o graduando em Museologia. Por isso, algumas disciplinas do curso da Unirio preveem visitas técnicas a museus, igrejas e centros culturais no Rio de Janeiro. “Alguns professores fazem passam avaliações onde temos que pesquisar em museus, exposições ou mesmo em monumentos naturais, como nas matérias de Paleontologia e Patrimônio Natural”, conta Jéssica. A estudante estagiou no setor educativo do Museu Nacional de Belas Artes e reforça que a experiência foi uma boa forma de vivenciar o dia-a-dia do museu. “Aprendi muita coisa que não temos como aprender na sala de aula e passei por momentos em que tive que resolver problemas inesperados, coisas que não ocorrem na teoria”, lembra.

(Imagem: Thinkstock)

As viagens de campo também são um recurso adotado por alguns professores para que os estudantes entrem em contato com o universo museológico. Geralmente, a universidade fornece o transporte e os alunos arcam com os custos de estadia e alimentação. “A maioria das viagens são para Ouro Preto e cidadezinhas do entorno, em Minas Gerais, mas também há saídas para São Paulo e para cidades dentro do Rio de Janeiro mesmo, como Petrópolis e Vassouras”, destaca Jéssica. Outros destinos são o parque-museu de arte contemporânea Inhotim, em Brumadinho (MG), e as cidades de Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Cachoeira (BA). “Em cada lugar que vamos visitamos centros culturais, museus, igrejas, locais onde houver cultura”, esclarece Anne.

Na disciplina de Arte Brasileira, Jéssica foi a Ouro Preto (MG), principal cidade economicamente ativa no Brasil durante o ciclo do ouro e da mineração, no século XVIII. As atividades diárias incluem visitas a igrejas, museus e marcos históricos. Nelas, o professor da matéria responsável acompanha os estudantes e explica o contexto e as curiosidades sobre o período e os locais vistos. “Funciona como uma aula prática e é muito enriquecedor”, diz a aluna. Apesar disso, nem só de análises e de estudos são feitas as viagens de campo: durante a noite todos estão livres para se divertir! “Nós nos arrumamos e nos encontramos para conhecer a vida noturna, os bares, as ruas, e ate mesmo ver os monumentos e as igrejas de outro ângulo!”, lembra.

Para se formar, todo aluno de Museologia da Unirio precisa realizar a elaboração e a montagem completa de uma exposição curricular. Anne e seu grupo realizaram o trabalho Eu brinco, Tu brincas, Nós brincamos. “Fizemos parte de tudo, desde a escolha de tema até o educativo da exposição. Até trabalho de marcenaria fizemos!”, conta a estudante, que também participa de um projeto de extensão que busca fazer com que os cidadãos conheçam melhor os acervos e as igrejas históricas de arquitetura colonial religiosa, arte barroca, maneirista e rococó da capital do Rio de Janeiro. “Poder revelar à população a riqueza que existe na cidade é maravilhoso!”

Os estágios no Museu Histórico Nacional, onde Anne está agora, e no Museu das Telecomunicações – Oi Futuro, uma instituição particular voltada para ciência, foram decisivos para que ela optasse pela área de conservação após formada. Nos dois locais, a estudante desempenhou atividades museológicas na Reserva Técnica e no Laboratório de Conservação. Realizar o tratamento técnico voltado para a manutenção e preservação do acervo, a catalogação, a higienização e o acondicionamento do acervo, a conservação de objetos tridimensionais são parte do dia-a-dia da aluna. Ela, que pensava, em cursar Química, para “trabalhar em um laboratório, mexendo em vários produtos químicos e usando jaleco, máscaras e luvas”, agora se vê realizada na Museologia: “hoje, quase me formando, volto a um laboratório, mexendo com produtos químicos, vestida com jaleco, máscara e luvas para fazer conservação de objetos dentro de museus, na qual sou estagiária. Ironia do destino?!”, diverte-se.

 

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