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Estudo Design Gráfico, mas quero trabalhar com Arquitetura. O que fazer?

Por Malú Damázio Atualizado em 24 fev 2017, 15h35 - Publicado em 20 abr 2015, 17h38

(Imagem: Thinkstock)

Uma das situações mais comuns entre universitários é se questionar quanto ao próprio curso. “Será que eu quero fazer isso mesmo?” é uma pergunta incômoda – e bastante necessária! – que muitos estudantes se fazem ao longo da graduação. Hoje o leitor Renato Costa nos enviou uma dúvida nesse sentido: ele cursa Design Gráfico, mas pretende estudar e trabalhar com Arquitetura e Urbanismo e quer saber se sua faculdade pode ajuda-lo a se tornar um arquiteto.

“Estou com uma dúvida que está me martelando esse ano inteiro. Desde pequeno sempre me interessei por estruturas (de vidro, principalmente) e por coisas relacionadas a construção (arranha-céus, prédios, casas, etc) e então me veio a ideia de fazer Arquitetura. Acabei, aos 20 anos ingressando em Psicologia, por medo de não me dar bem em Arquitetura. Tranquei Psicologia por falta de identificação, e com 22 anos (hoje) comecei a fazer Design Gráfico, pois cursos particulares de Arquitetura são caros demais para a minha condição. Então pensei em fazer DG que é relacionado, para depois ingressar no curso que quero.

Minha questão é: com Design Gráfico, mais tarde, terei algum aproveitamento em Arquitetura? Ou seria perda de tempo? Outra dúvida é que, em minha época de fazer o estágio obrigatório, terei entre 28 e 30 anos. E me formarei com 31. Essa idade é considerada avançada para ingressar no ramo?”

>> Saiba mais sobre a carreira em Arquitetura e Urbanismo

Como boa parte dos estudantes ingressa na universidade confusa com relação à carreira ou sem saber exatamente como é o dia-a-dia da profissão que escolheu, é natural que pense em trocar de graduação ou fazer um segundo curso. No caso do Renato, ele optou por Design Gráfico por questões financeiras e por achar que há conhecimentos em comum com a Arquitetura. De fato, algumas disciplinas, como desenho de observação e história da arte, e o manejo de programas de edição e criação de imagens estão presentes na grade curricular dos dois cursos. Entretanto, ainda que ambas as profissões trabalhem com noções espaciais e com projetos a serem cumpridos, elas têm áreas de atuação distintas: o arquiteto se dedica ao planejamento urbano e de edifícios, enquanto o designer pensa na melhor maneira de transmitir uma ideia a partir de elementos visuais.

Para entender melhor a diferença entre arquitetura e design gráfico e em quais áreas essas profissões podem ser complementares, conversamos com a designer do estúdio Casa36, Camila Lisbôa, professora do Istituto Europeo di Design (IED), em São Paulo, que, ao contrário de Renato, trilhou o caminho inverso: tornou-se designer após se graduar arquiteta.

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Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, Camila explica que, apesar haver pontos convergentes entre os campos de atuação, o dia-a-dia do designer e do arquiteto não têm muito em comum. “A Arquitetura está em um universo bem diferente, com aulas de ergonomia, acústica, conforto técnico, estrutura, fundações”, conta. A dedicação a projetos longos de edificações e o contato com aspectos técnicos de construção são situações que, neste caso, só o conhecimento e o trabalho na área de arquitetura podem proporcionar. “Como você parece bem interessado em projeto de edificações, acho que seria legal começar logo uma faculdade na área!”, opina.

Confira o depoimento completo!

Camila Lisbôa, designer no estúdio Casa36 formada em Arquitetura e Urbanismo pela USP:

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“Oi, Renato! Eu sou arquiteta de formação, trabalho com design e vamos ver se te ajudo com as suas dúvidas. Quando cursei a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAUUSP), tínhamos na grade curricular não somente a disciplina de projeto de edificações, como também desenho industrial, planejamento urbano, paisagismo e programação visual – essa última seria o equivalente ao design gráfico. Alguns professores diziam que estávamos sendo treinados para desenhar “da caneta à cidade”. Por isso é tão comum encontrar arquitetos trabalhando em editoras, agências de publicidade, ou com um estúdio próprio, de design (que é o meu caso). Mas isso é característico do programa da FAUUSP, há outras faculdades de Arquitetura que não têm design no currículo.

Você quer saber se seria perda de tempo. Em termos curriculares, não sei se você consegue aproveitar alguma disciplina. Talvez algumas matérias de base, como história da arte, desenho, semiótica. No mais, a Arquitetura está em um universo bem diferente, com aulas de ergonomia, acústica, conforto técnico, estrutura, fundações. E, como você parece bem interessado em projeto de edificações, acho que seria legal começar logo uma faculdade na área!

O que as duas profissões têm em comum é um raciocínio espacial. Você aprende a organizar os elementos: numa folha de papel, numa casa, numa cidade. Em ambas existe um conceito que orienta as escolhas e o desenho, uma preocupação estética, um cuidado com as proporções e usabilidade. E também as duas são atividades projetuais, o que significa dizer que você traça um plano que depois vai ser colocado em prática. Na arquitetura, a prática é a obra. No design gráfico impresso, a prática é a gráfica.

Fazer Arquitetura também me ajudou bastante na concepção de infográficos e na coordenação de processos (o arquiteto é o profissional que compatibiliza, no projeto, o que chega dos engenheiros de hidráulica, elétrica, estrutura etc). Mas o dia-a-dia desses dois profissionais é bem diferente: em arquitetura os tempos são mais longos. Os projetos levam meses, às vezes anos. Em design gráfico às vezes os trabalhos duram uma semana, normalmente um mês. O arquiteto também tem muito mais contato com áreas técnicas do que o designer.

Sobre o ingresso tardio, taí uma vantagem: Arquitetura não tem, como na Comunicação, uma questão com a idade. Na verdade, pelo contrário: conforme o arquiteto vai amadurecendo os projetos tendem a ganhar muito em qualidade. Quando eu me formei o estágio não era obrigatório, mas foi um aprendizado muito importante pra mim. Estagiei em um escritório de paisagismo e em um escritório de projeto e foi um período maravilhoso.

Eu fiz o caminho inverso ao que você está propondo. Comecei a minha carreira em um escritório de projetos, e dali fui trabalhar na Editora Abril. Hoje tenho um estúdio de design, a Casa36, e dou aulas em design editorial no Istituto Europeo di Design (IED), em São Paulo. Mas penso em fazer um mestrado em Arquitetura! Na verdade, gosto muito das duas profissões, e se conseguisse conciliar ambas aqui no estúdio acharia incrível. Se este for o seu caso, acho que pode ser interessante fazer Design, começar a trabalhar nessa área e cursar Arquitetura mais pra frente, já que no momento você não consegue pagar a graduação.

Alguns arquitetos, como a Lina Bo Bardi e o próprio Oscar Niemeyer, transitaram entre o projeto de edifícios, layout de revistas e desenho de mobiliário. Estudar o trabalho de profissionais que não atuaram somente em uma área, como os que falei, é um caminho bacana e hoje você pode encontrar muita coisa na internet. Visitar alguns escritórios e ver como é o dia-a-dia na prática também pode te ajudar a fazer essa escolha. Boa sorte!”

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Renato, para começar a seguir as dicas da Camila Lisbôa, que tal prestar uma prova de bolsa para Arquitetura e Urbanismo em alguma faculdade onde você vive? Com certeza suas noções de desenho de observação e percepção visual te ajudarão nas avaliações de habilidades específicas. :)

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