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Os erros sobre a profissão de coach em O Outro Lado do Paraíso

Você sabe o que realmente faz um coach?

Como o nome já diz, obras de ficção não se preocupam em retratar as coisas como realmente são – e isso inclui as profissões dos personagens da história. É preciso ter isso em mente caso se interesse em seguir uma carreira que tenha conhecido dessa forma.

Mesmo que não acompanhe novelas, pode ser que você tenha visto algo sobre a recente polêmica envolvendo a novela das 21h da Globo, O Outro Lado do Paraíso. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Sociedade Latino Americana de Coaching (Slac) criticaram a forma como uma coach está sendo mostrada na trama, apontando informações equivocadas sobre as práticas e os objetivos desse tipo de profissional.

Com a ajuda da coach e professora Simone Ayoub, listamos alguns desses erros.

1. Coach não faz hipnose

Esse é o principal motivo de polêmicas. Em uma cena, a advogada e coach Adriana (Julia Dalavia) explica a Clara (Bianca Bin) o que faz esse profissional e afirma que usa hipnose para tratar alguns pacientes. Depois, Clara aconselha a amiga Laura (Bella Piero) a procurar os serviços de Adriana (inclusive os de hipnose) para ajudá-la a entender seus problemas com o marido. 

Acontece que uma resolução do Conselho Federal de Psicologia restringe a psicólogos capacitados a prática da hipnose, e “desde que possa comprovar capacitação adequada”.

Em carta enviada à Globo, a Sociedade Latino Americana de Coaching afirma que “coaching é um processo de planejamento estratégico do indivíduo para que ele possa sair de onde está no presente e chegar aos objetivos que quer alcançar no futuro, sem falar, em momento algum, de passado ou utilizar qualquer técnica como a hipnose. Em nenhum momento está ligado ao passado”.

Em nota divulgada nesta segunda (5), o Conselho Federal de Psicologia alerta ainda que “pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que têm a habilitação adequada.”

“O processo de coaching não é terapia (a menos que o coach seja também psicólogo). Não cabe a esse profissional se envolver em questões do passado, como traumas de infância”, explica Simone. Nesses casos, cabe a ele encaminhar o paciente para terapia com um profissional adequado.

2. O coach não opina nas sessões

O papel do profissional é ajudar o coachee (cliente de coaching) por meio de perguntas e ferramentas adequadas. Não cabe a ele expor suas opiniões pessoais e sugerir soluções com frases do tipo “se eu fosse você” ou “eu acho que você deveria.”

3. O coach trabalha sempre com a realidade e não estabelece metas que não pode cumprir

“É preciso desconfiar de afirmações do tipo ‘contrate um coach e conquiste seus sonhos’. Parece algo bonito e poético, mas só na teoria”, diz Simone. Isso porque o processo de coaching deve envolver sempre a realidade, estabelecendo metas concretas. Papos muito abstratos não condizem com o papel desse profissional.

 

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