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Preciso fazer Arquitetura para ser designer de interiores?

(Imagem: Thinkstock)

Projetar ambientes, decorar cômodos e organizar espaços de convivência de maneira objetiva, estética e funcional é trabalho do designer de ambientes. Entretanto, suas tarefas podem ser, em alguns casos, bem parecidas com as de um arquiteto. A semelhança entre as carreiras acaba confundindo muitas pessoas sobre as funções de cada um desses profissionais, que desempenham, em boa parte do tempo, trabalhos complementares. A leitora Vitória Bezerra nos enviou a dúvida desta semana.

“Para ser designer de interiores, há necessidade de cursar Arquitetura? E, se for preciso, eu poderia cursar Arquitetura não sendo boa com contas?”

Algumas universidades brasileiras já oferecem cursos de Design de Ambientes, como é o caso da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e das federais de Goiás (UFG), Rio de Janeiro (UFRJ) e Bahia (UFBA). Ainda assim, existem cursos específicos de Arquitetura que têm formação direcionada à decoração e composição de interiores. Para esclarecer a questão, o Guia do Estudante conversou com a designer de ambientes Viviane Okubo, formada pela UEMG, e com a aluna da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP), Giovanna Fluminhan.

Viviane desenvolve composições de interiores em seu próprio estúdio, o Manga Rosa, e também trabalha em um escritório de arquitetura em Belo Horizonte. Ela conta que, no curso de Design de Ambientes, os alunos estudam vários temas também comuns à Arquitetura. A grande diferença entre as profissões é que a atuação do designer é restrita aos espaços fechados, enquanto o arquiteto pode projetar edifícios. Sobre o medo dos cálculos, a estudante da FAU USP Giovanna adianta: “não deixe de fazer Arquitetura só pela dificuldade com matemática. Na própria graduação nós aprendemos a nos virar!”.

Confira os depoimentos:

Viviane Okubo, designer de ambientes:

“Oi, Vitória! Para ser Designer de Interiores não é necessário ser formado em Arquitetura. No entanto, por serem profissões complementares, possuem campos de estudo em comum e em diferentes níveis de aprofundamento.

Durante o curso de Design de Interiores você aprenderá conceitos básicos de Arquitetura, como leitura e desenho técnico de projetos, estudos de volumetria e materiais, processo criativo, história da arquitetura, arte e design, estudos ergonômicos, acústicos e luminotécnicos.

A principal diferença entre os dois cursos é o fato de que a atuação de designers de interiores se restringe a espaços internos (residenciais, comerciais, industriais e efêmeros) e não possuem habilitação para resolver questões estruturais da edificação. Cabe a este profissional identificar as necessidades humanas, entender o uso do espaço (quais e como as atividades serão exercidas) e conciliar o perfil do usuário às demandas estéticas e funcionais, para promover a qualidade e eficiência no uso do ambiente.

Entre as etapas projetuais está a elaboração do conceito, desenvolvimento de solução de layout baseada em estudos ergonômicos e de fluxos, modelagem 3D, sugestão de materiais e acabamentos, detalhamento e especificação de mobiliário, luminárias e complementos (quadros, tapetes, cortinas etc).

Apesar de não ser uma profissão regulamentada – ou seja, o profissional não pode assumir responsabilidade técnica e legal – é um curso reconhecido pelo MEC, com duração de quatro anos e que garante o título de bacharelado.”

>> Saiba mais sobre o curso de Design de Interiores

Giovanna Fluminhan, estudante de Arquitetura e Urbanismo da FAU USP:

“Oi, Vitória! Tudo bem? A maioria das faculdades de Arquitetura tem sim a disciplina de cálculo em sua grade curricular. No entanto, não veja isso como uma barreira para que você possa entrar na graduação. A formação do arquiteto vai muito da universidade em que ele estudou. Cada uma delas possui enfoque em áreas específicas do conhecimento. A minha, por exemplo, que é a FAU USP, é voltada para o campo das humanas. Nós temos aulas de cálculo e fazemos contas em outras disciplinas, para realizarmos projetos, mas não precisamos ser gênios da matemática. Com a ajuda de uma calculadora e dos próprios colegas de grupo conseguimos levar o curso sem maiores problemas.

Pesquise a grade de disciplinas das faculdades em que você pretende ingressar e veja qual o tipo de formação que elas oferecem. É importante notar ainda se a universidade não tem um curso com pouca base em design e mais voltado para o urbanismo, como é o caso de onde estudo. Algumas são realmente mais direcionadas para o campo das exatas, como a Universidade Estadual de Londrina (UEL) ou a Unicamp. Nesses casos pode ser complicado fazer o curso inteiro sem entender muito de cálculo. Mas, no geral, o estudante de Arquitetura acaba aprendendo a fazer uma continha aqui e outra ali sem grandes crises. Se é isso que você quer mesmo, vá em frente!”

>> Tire suas dúvidas sobre o curso de Arquitetura e Urbanismo

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