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Epidemias: Zika avança e causa alerta global

VÍTIMAS DO AEDES: Casal leva filho com suspeita de microcefalia para tratamento em hospital em Salvador (BA)

 

O surto de zika, associado aos casos de microcefalia, e a epidemia de dengue em 2015 mostram que as doenças infecciosas ainda são um grande problema de saúde pública no Brasil

Emergência de saúde pública internacional. Com essa declaração, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou, em fevereiro de 2016, a respeito do avanço dos casos de microcefalia (malformação congênita em que o cérebro do feto não se desenvolve de maneira adequada durante a gestação) no Brasil e de outras doenças neurológicas associadas ao zika vírus.

Segundo a OMS, o vírus se alastra pelo mundo de forma explosiva. Entre 2015 e 2016, 40 países, a maioria na América Latina, relataram casos autóctones, ou seja, pessoas que foram contaminadas na própria região onde vivem. O Brasil é a nação mais afetada: a estimativa do Ministério da Saúde que o zika já tenha infectado de 400 mil a 1,3 milhão de pessoas. O vírus também assusta porque em 80% dos casos ele é assintomático – a pessoa não apresenta sintomas e, assim, não sabe se o contraiu. Além disso, há fortes evidências de que o zika está relacionado a outra doença, a síndrome de Guillain-Barré: manifestação neurológica rara que causa fraqueza muscular e até paralisia parcial ou total dos membros. A associação do zika vírus à microcefalia e à síndrome de Guillain-Barré é uma situação inédita e sem muitos registros na literatura médica. Cientistas e médicos de todo o mundo investigam essa relação, mas ainda não há resposta para todas as dúvidas. Isso agrava a situação é situação, pois o desconhecimento ajuda a espalhar o pânico. Algumas nações, como Colômbia, El Salvador, Equador e Jamaica, sugeriram às mulheres que evitem engravidar. A OMS recomendou às gestantes que não viajem aos países onde o vírus circula. No Brasil, militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foram convocados para vistoriar residências em todo o país para combater focos de proliferação do mosquito.

Apesar de não haver comprovação científica definitiva de causa e efeito entre o zika vírus e a microcefalia em bebês, de acordo com a OMS “há forte possibilidade e a existência de uma ligação é clara”. A informação confirmou a mudança no perfil da doença, de leve ameaça a algo de proporções alarmantes.

A origem do zika vírus

Detectado pela primeira vez em 1947, na Floresta Zika, em Uganda, na África, o vírus até recentemente não havia se espalhado pelo mundo e não estava relacionado a nenhuma doença grave. No Brasil, foi identificado pela primeira vez em abril de 2015 e, a princípio, foi considerado um “primo” mais brando da dengue, com sintomas considerados mais leves e de recuperação rápida – ambas as doenças são transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti . Desde novembro do mesmo ano, no entanto, o zika vírus começou a ser associado ao surto de microcefalia que acomete, sobretudo, a Região Nordeste do país, especialmente o estado de Pernambuco.

Antes de ser identificado no Brasil, o vírus já havia migrado da África e provocado um surto de zika nas ilhas da Micronésia, localizadas no Pacífico, em 2007, e na vizinha Polinésia Francesa, entre 2013 e 2014. Nas Américas, o zika foi detectado apenas em 2014, na Ilha de Páscoa, território chileno no Oceano Pacífico. Várias hipóteses foram levantadas para explicar como ele teria atingido o Brasil. As mais prováveis apontam como porta de entrada a visita do papa Francisco, em 2013, e uma competição esportiva denominada Campeonato Mundial Canoa Polinésia, em 2014, eventos que contaram com a presença de grupos e de delegações vindos da Polinésia. Estudos mostraram que o vírus daqui é quase idêntico ao do surto ocorrido no Pacífico.

Microcefalia

Segundo os cientistas, há chances de o vírus ter sofrido mutações recentemente ou antes de chegar ao Brasil, pois até então não havia registros de casos de malformação cerebral em bebês associada ao zika em outros países. Alguns pesquisadores, no entanto, apontam que na África, onde ele surgiu, há um índice maior de abortos naturais e mortalidade infantil, e eventuais casos de microcefalia poderiam ter passado despercebidos. Mas os especialistas também consideram a possibilidade de ter ocorrido a interação do vírus com outros fatores, como o ambiente.

De outubro de 2015 a 20 de fevereiro de 2016, foram notificados 5.640 casos de microcefalia ou malformação no sistema nervoso central em recém- -nascidos no Brasil, dos quais 583 foram confirmados. Em 67 destes casos foi constatada a presença do vírus da zika no líquido amniótico de gestantes cujos bebês tinham a complicação. O número é muito grande em comparação aos registros feitos até então. Entre 2001 e 2014, a incidência média de microcefalia era de 163 casos por ano. Além do Brasil, a Polinésia Francesa registrou nove casos de malformação, muito provavelmente ligados ao surto de 2013 e 2014.

Síndrome da zika congênita

Não se sabe ainda qual é a taxa de transmissão da zika de mãe para filho, pois nem todas as gestantes que tiverem a doença vão gerar fetos com a malformação. Estudos mostram que o risco é maior se a mãe contrair o vírus nos três primeiros meses de gravidez. Nos casos em que ocorreu a microcefalia, o vírus alcança o feto por meio da placenta e chega ao sistema nervoso central, onde impede o desenvolvimento normal do cérebro.

Já se fala, no entanto, em síndrome da zika congênita. Além da alteração no tamanho do cérebro, que pode causar diferentes níveis de deficiência mental e até levar à morte, os fetos podem apresentar outras complicações, como problemas oculares e auditivos e malformação de membros (como as mãos e os pés). Mesmo os fetos que nascem sem a microcefalia, com o perímetro cefálico normal (igual ou maior a 32 centímetros) estão sujeitos a ter esses problemas. Nesses casos, a hipótese mais provável é a de que a mãe teria contraído a doença depois do segundo trimestre da gravidez.

Especialistas alertam, no entanto, que do total de casos de microcefalia notificados, uma parte pode não estar ligada ao vírus zika, pois outras doenças, como toxoplasmose, rubéola, infecções causadas pelo citomegalovírus e até mesmo o uso abusivo de drogas também podem causar a malformação. E atestar a ligação do zika com a microcefalia também é difícil. Isso porque os exames que identificam a presença do vírus no sangue do paciente, por exemplo, só são eficazes se realizados num curto espaço de tempo – cinco a sete dias após o início dos sintomas. 

Síndrome de Guillain-Barré

Além da microcefalia, o zika vírus também tem sido associado à síndrome de Guillain-Barré. Trata-se de uma reação a agentes infecciosos, como vírus e bactérias (e não só ao zika vírus) que tem como sintomas a fraqueza muscular e a paralisia dos músculos, principalmente das pernas e dos braços. Pode afetar, ainda, os músculos respiratórios. Os casos mais graves podem levar à morte.

Brasil, El Salvador, Colômbia, Polinésia Francesa, Suriname e Venezuela relataram aumento nos registros dessa síndrome recentemente, segundo a OMS. Martinica e Porto Rico também notificaram casos relacionados ao zika. No Brasil, foram registrados 1.708 ocorrências em 2015, 19% a mais do que no ano anterior. Só na Bahia, 26 dos 42 casos relatados tinham histórico de infecção por zika.

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Modos de transmissão

Entre as formas de transmissão da zika, além da picada do mosquito Aedes aegypti e da via intrauterina (da mãe para o feto por meio da placenta), um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, vinculada ao Ministério da Saúde, divulgado em fevereiro de 2016, encontrou a presença do vírus ativo (com potencial para causar infecção) em amostras de saliva e urina. No entanto, não foi comprovado o risco de contágio. Nos Estados Unidos, há relatos de pessoas que contraíram a doença por meio de relação sexual com infectados. E em Campinas (SP), foi registrado um caso de paciente que ficou doente após transfusão de sangue.

Dengue

Assim como a zika, a dengue é uma infecção viral também transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti (e mais raramente do A. albopictus ). Circulam no Brasil quatro tipos de vírus da dengue – do DEN-1 ao DEN-4. A infecção por uma delas não desenvolve no indivíduo imunidade para as demais, e uma segunda contaminação pode provocar a dengue hemorrágica, a versão mais grave da doença, com sangramentos gastrointestinais, na pele, nas gengivas e pelo nariz.

No final dos anos 1940, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) chegou a considerar a doença erradicada no país, mas ela retornou no final da década de 1960. O reaparecimento e a persistência das epidemias se devem, em parte, à alta capacidade que qualquer vírus tem de se modificar geneticamente, adaptando-se às condições do ambiente e criando uma nova variedade, uma cepa.

Além disso, em relação às doenças transmitidas por vetores, como a dengue e a zika, também conta a dificuldade de combate ao próprio mosquito – a reprodução do Aedes aegypti acontece em água parada, e a quantidade em uma simples tampinha de garrafa já é suficiente para a larva se desenvolver. Segundo o Ministério da Saúde, dois terços dos criadouros do Aedes estão nas residências, fato que levou militares e agentes de saúde a vistoriar, no início de 2016, imóveis de todos o país para a eliminação dos possíveis focos (como água parada em caixas d’água, lajes, tanques, pratos de vasos de plantas, pneus etc). O crescimento desordenado das cidades e as condições insatisfatórias de saneamento básico, como os esgotos a céu aberto e o lixo nas ruas, também tendem a aumentar os criadouros, agravando a situação.

GEATUALIDADES-23-159-EDPREVENÇÃO: Funcionário da prefeitura lança inseticida no Recife (PE) para impedir a disseminação do Aedes aegypti

 

Maior epidemia da história

A dengue faz cada vez mais vítimas no mundo todo. A OMS estima que 50 milhões de pessoas sejam infectadas a cada ano. Em 2015, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos de dengue, a pior epidemia da doença desde 1990, quando teve início a série histórica. Só o estado de São Paulo concentrou quase a metade dos casos. O país teve recorde no número de mortes em decorrência da doença.

A OMS classifica uma doença como epidemia quando há registros acima de 300 infectados a cada grupo de 100 mil habitantes numa determinada região. No Brasil, essa taxa chegou a 813,1 casos por 100 mil habitantes. A situação foi ainda pior em Goiás e em São Paulo, que superaram a taxa em mais de cinco vezes.

O ano de 2016, infelizmente, não apresenta boas notícias na reversão da epidemia. Até o início de fevereiro já haviam sido registrados 170,1 mil casos contra os 116,4 mil verificados no mesmo período do ano anterior. Porém, houve recuo no número de casos graves e de mortes.

Além da dengue e da zika, o Aedes aegypti transmite outra doença infecciosa: o vírus do chikungunya (CHIKV), que foi isolado pela primeira vez nos anos 1950, na Tanzânia. Hoje se conhecem quatro cepas do vírus, cada uma delas batizada conforme sua região de origem ou maior ocorrência: Sudeste Africano, Oeste Africano, Centro-Africano ou Asiático. A chikungunya começou a fazer vítimas no Brasil em 2014, quando foram notificados 3,6 mil casos autóctones. Em 2015, esse número subiu para 20,6 mil casos, atingindo 12 estados brasileiros.                    

Vacinas

O alerta global da OMS em relação ao avanço da zika impulsionou o desenvolvimento de estudos e de pesquisas para compreender melhor o vírus, aprimorar o diagnóstico e desenvolver tratamentos.

Em relação ao desenvolvimento de vacinas, há ao menos 15 iniciativas no mundo todo, segundo a OMS. Todas elas enfrentam as etapas comuns ao desenvolvimento de qualquer vacina, que é um processo normalmente muito difícil, devido à rapidez com que esses microrganismos se modificam geneticamente. Também é um processo demorado, pois envolve testes com animais e humanos para verificar eficácia, nível de imunização e segurança de cada vacina.

Em fevereiro de 2016, o governo brasileiro firmou acordo com os Estados Unidos para o desenvolvimento de uma vacina a partir do sequenciamento do genoma do vírus da zika, selecionando a parte responsável pelo desenvolvimento de anticorpos. A pesquisa será feita em parceria entre a Universidade do Texas e o Instituto Evandro Chagas, do Pará. O prazo previsto para que o produto chegue ao mercado é de três anos.

Outra frente foi anunciada, também em fevereiro, pelo Ministério da Saúde e o Instituto Butantan de São Paulo. A ideia é usar uma vacina contra a dengue – que está em fase final de testes – para desenvolver um imunizante único, que evitaria os quatro tipos de dengue e a zika.

Uma vacina contra a dengue, a Dengvaxia, produzida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, foi liberada para comercialização no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final de dezembro de 2015. A previsão é que ela esteja disponível na rede privada até junho de 2016. O governo ainda avalia se ela será incorporada ao sistema público.

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Doenças transmissíveis

A zika, a chikungunya e a dengue são exemplos de doenças infecciosas – aquelas transmitidas por microrganismos, como vírus, bactérias, fungos ou parasitas. Essas doenças podem ser contagiosas – passadas de um ser humano para outro, como a gripe, a tuberculose e a aids – ou transmitidas por vetores, como o mosquito Aedes aegypti. Segundo a OMS, as doenças transmissíveis foram responsáveis por 16,9% do total das 57,3 milhões de mortes no planeta em 2015 .

Historicamente, as doenças infecciosas foram as grandes ameaças à saúde humana. Mas perderam força desde a segunda metade do século XX, graças ao maior acesso das pessoas a formas de prevenção, ao desenvolvimento de antibióticos e de vacinas e das melhorias nos serviços médicos e de saneamento. No Brasil, as doenças infecciosas respondem por menos de 5% do total de óbitos.

As doenças infecciosas são muito comuns em regiões tropicais e equatoriais, nas quais o clima úmido e quente favorece a proliferação de vetores. Essas zonas do globo são ocupadas, em sua maior parte, por populações pobres. Daí serem doenças negligenciadas – recebem pouca atenção e baixos investimentos não só dos governos, mas dos laboratórios farmacêuticos, que avaliam que o consumo do medicamento desenvolvido não compensaria o valor investido nas pesquisas. São consideradas negligenciadas, entre outras, a malária, a leishmaniose, a febre amarela e a doença de Chagas.

As infecções das vias respiratórias inferiores (como a pneumonia), as doenças diarreicas e a aids são as três doenças transmissíveis que mais causam mortes no mundo, principalmente na África. As duas primeiras acometem sobretudo crianças em locais onde há desnutrição e falta de cuidados adequados e de higiene.                

Aids e Ebola

Já a síndrome da imunodeficiência adquirida, a aids, causada pelo vírus HIV, ainda não tem cura e atingiu 36,9 milhões de pessoas em 2014 – mais de 68% delas no continente africano. Mas o número de novos infectados e de óbitos vem caindo e, paralelamente, aumenta a qualidade de vida dos soropositivos (portadores do vírus), graças à distribuição dos remédios antirretrovirais (que impedem a multiplicação do vírus HIV no organismo, evitando o enfraquecimento do sistema imunológico).

O Brasil é referência mundial no controle da aids, ao ser pioneiro na combinação de medicamentos (coquetel) e por oferecer tratamento universal e gratuito. Atualmente, a epidemia é considerada estabilizada no país, com taxa de detecção em torno de 20,6 casos a cada 100 mil habitantes, mas o Ministério da Saúde alerta sobre o aumento do número de casos entre os jovens de 15 a 24 anos.

Outra doença infecciosa que preocupou o mundo recentemente foi o ebola. Em 2014, o mundo viveu a pior epidemia da infecção causada pelo vírus ebola, desde que ele foi descoberto, há 40 anos. O ebola provoca uma febre hemorrágica extremamente severa, que leva à morte em até 90% dos casos. A doença, que atingiu principalmente Serra Leoa, Guiné e Libéria, contaminou cerca de 28 mil pessoas e causou a morte de mais de 11 mil, gerando pânico nas populações. Em janeiro de 2016, a OMS anunciou o fim da epidemia de ebola na África.

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Doenças não transmissíveis

Enquanto as doenças transmissíveis respondem hoje por menos de um quarto das causas de morte no mundo, as doenças não transmissíveis – congênitas, adquiridas por hábito e estilo de vida, herança genética ou pelo envelhecimento – são responsáveis por mais de 68% do total de óbitos. Duas delas, a doença isquêmica do coração (infarto) e o acidente vascular cerebral (AVC), lideram a causa de morte em todas as regiões do mundo, exceto na África.

Vários fatores explicam a maior incidência dessas doenças, como o aumento da população idosa, a urbanização e o crescimento da obesidade, devido a dietas desequilibradas e ao sedentarismo. Elas avançam mais rapidamente em países ricos, onde há maior fartura de alimentos industrializados e onde as tecnologias levam as pessoas a se movimentarem menos. Nessas nações, 87% das mortes têm como causa alguma doença não transmissível. Estima-se que até 2030 essa proporção chegue a quase 90%. Mas a tendência é de crescimento também em países pobres. Mesmo na África Subsaariana, a região mais pobre do mundo, a proporção do número de mortes por esse tipo de doenças deve subir, enquanto os falecimentos causados por doenças transmissíveis devem cair. No Brasil, as dez doenças que mais matam são todas não transmissíveis.      

A globalização das doenças

A última vez que a OMS havia decretado emergência global foi em 2014, quando o surto de ebola atingiu a África. O mesmo ocorreu com a gripe H1N1, em 2009, considerada um risco para a saúde pública mundial devido à grande propagação internacional. E agora, em 2016, foi a vez do zika vírus.

O aumento das locomoções intercontinentais, favorecido pela globalização, contribui para que as doenças infecciosas espalhem-se cada vez mais rapidamente pelo mundo. Em 2015, mais de 3,5 bilhões de pessoas viajaram de avião, muitas delas trazendo em seu corpo doenças infecciosas. dessa forma, os vírus podem dar a volta ao mundo em questão de horas e se disseminar com uma velocidade impressionante sem serem inicialmente detectados. Em alguns casos, a simples viagem de uma pessoa infectada a outro país é suficiente para iniciar um ciclo que pode dar origem a uma pandemia mundial.

Os grandes navios, que abastecem o intenso comércio internacional, também levam microrganismos patogênicos (transmissores de doenças) no casco, nos tanques de água de lastro, na própria carga transportada ou tripulação. Por tudo isso, as autoridades médicas consideram inevitável o surgimento de novas pandemias.

Saiu na imprensa

MICROCEFALIA REABRE A DISCUSSÃO SOBRE ABORTO NO BRASIL

                O aumento nos casos de microcefalia no Brasil reabriu o debate sobre aborto no país. Atualmente, no Brasil, só é permitido interromper uma gravidez em caso de risco à vida da mãe, quando a concepção foi resultado de um estupro ou quando o feto é anencéfalo.

           Em entrevista (…), a ativista Debora Diniz disse estar preparando uma ação para pedir que o Supremo Tribunal Federal autorize o aborto em gestações de bebês com microcefalia, que vêm sendo associadas ao zika vírus. (…)

               (…) O grupo que prepara a ação argumenta que a mulher não deve ser punida por uma falha das autoridades em controlar o mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti, o mesmo da dengue.
 
Além disso, o grupo argumenta que a ilegalidade do aborto e a falta de políticas de erradicação do Aedes ferem a Constituição Federal em dois pontos: direito à saúde e direito à seguridade social. (…)

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DOENÇAS


ZIKA VÍRUS A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou, em fevereiro de 2016, situação de emergência internacional devido ao rápido avanço do zika no continente americano e da relação com o aumento dos casos de microcefalia (malformação congênita em que o cérebro do feto não se desenvolve de maneira adequada) no Brasil.
 

MICROCEFALIA Ainda não há comprovação científica definitiva de causa e efeito entre o zika vírus e a microcefalia em fetos de mulheres grávidas. Mas a OMS já confirmou a existência de uma forte ligação entre eles. Os bebês que têm a doença nascem com perímetro cefálico igual ou menor a 32 centímetros e podem ter outras complicações – a chamada síndrome da zika congênita – como problemas cognitivos, motores, neurológicos e respiratórios.
 

DENGUE Assim como a zika, a dengue também é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Em 2015, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos da doença, a pior epidemia desde o início da série histórica, há 25 anos. A dengue chegou ao país no final do século XIX e foi considerada erradicada no final dos anos 1940. Um dos motivos para o retorno da epidemia é a alta capacidade que o vírus tem de se modificar geneticamente.
 

 
DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS Podem ser contagiosas (passadas de um ser humano para outro, como é o caso da aids e da tuberculose) ou transmitidas por vetores, como o mosquito Aedes aegypti. Foram as responsáveis por cerca de 17% das mortes no planeta, em 2015, sobretudo em países pobres, que têm menor acesso a medicamentos, sistemas de saúde e formas de prevenção.
 

 
DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS São aquelas congênitas, adquiridas por hábito e estilo de vida, herança genética ou pelo envelhecimento. Constituem a causa de quase 70% das mortes no mundo, com destaque para o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). Essa proporção é mais alta nos países desenvolvidos.

 

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