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Pensadores: Os múltiplos olhares de Umberto Eco

O intelectual italiano, que morreu em fevereiro de 2016, foi reconhecido tanto pelos romances como pelos estudos em comunicação GE/Guia do Estudante

Filósofo, linguista, especialista em estética medieval, ensaísta, escritor, professor universitário e colunista. Um dos principais pensadores contemporâneos, Umberto Eco (1932-2016) assumiu diferentes papéis durante sua vida. Em grande parte deles, refletiu sobre a comunicação e até vivenciou experiências na TV e na mídia impressa. Trouxe importantes contribuições para a discussão sobre a cultura de massa, a mídia e as novas tecnologias de comunicação e informação.

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Formado em Filosofia e mestre em Semiótica (a ciência dos signos linguísticos e da linguagem), nos anos 1960 fez parte da chamada Escola Sociológica Europeia, que tinha uma visão menos negativa sobre os meios de comunicação de massa. Era um contraponto à Escola de Frankfurt e do conceito de indústria cultural – a produção de bens culturais feita nos moldes da produção industrial.

O problema dos frankfurtianos, segundo Eco, é considerar que a cultura de massa é nociva justamente por seu caráter industrial. De acordo com ele, não se pode ignorar que a sociedade atual é industrial e que as questões culturais têm que ser pensadas a partir dessa constatação. Para ele, os meios de comunicação de massa são a única fonte de informação para uma parcela da população que sempre esteve distante das informações, ou seja, eles ajudam a difundir informações que anteriormente não eram acessíveis ao público.

Um de seus ensaios mais recentes, Não Contem com o Fim do Livro (2009), em coautoria com Jean-Claude Carrière, questiona o futuro das obras impressas diante do crescimento da internet e de outras plataformas digitais de leitura. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, à época do lançamento da publicação, Umberto Eco disparou:

“(…) A internet é (…) incapaz de selecionar o que interessa,(…) depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos”.

Umberto Eco destacou-se também na literatura. Escreveu sete obras de ficção, como os best-sellers O Pêndulo de Foucault (1988) e O Nome da Rosa (1980). Este último, cuja história se passa num monastério da Idade Média, teve tradução para 30 idiomas, vendeu mais de 10 milhões de exemplares e foi adaptado para o cinema, em 1986.

O universo da cultura e da comunicação é o tema de sua última ficção, Número Zero (2014). A história se passa em 1992, quando a Operação Mãos Limpas investigou os escândalos de corrupção na Itália. Eco, então, conta a história da redação de um jornal criado para chantagear e difamar os adversários.

O nome do livro refere-se à edição “zero”, uma espécie de teste, feito anteriormente ao lançamento do primeiro número de uma publicação. A obra faz uma crítica ao jornalismo atual e ao papel das mídias sociais no processo de disseminação da informação.

Sobre esse tema, deu uma declaração que gerou grande repercussão, em junho de 2015, ao receber o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura na Universidade de Turim:

“As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de imbecis que antes só falavam em um bar, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um Prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”.