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4 filmes indicados ao Oscar 2025 para pensar o autoritarismo na história

Da Roma Antiga à Ditadura Militar brasileira: conheça narrativas que vão te fazer refletir – e aprender – sobre os regimes autoritários

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
23 jan 2025, 10h49
Montagem com cenas dos filmes "Ainda estou aqui", "Conclave" e "Gladiador 2"
 (Focus Features/Globoplay/Paramount Pictures/Reprodução)
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A lista de filmes indicados ao Oscar 2025 foi divulgada nesta quinta-feira (23). Seguindo a previsão de internautas e veículos especializados, filmes como “A Substância“, “Wicked: Parte Um” e o brasileiro “Ainda estou aqui” competem nas principais categorias da premiação. Entre os indicados, quatro filmes, incluindo o longa de Walter Salles, se destacam por trazer diferentes abordagens acerca do autoritarismo ao longo da história.

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Seja na ditadura militar brasileira, na fuga do regime nazista, no lado corrupto da Igreja Católica, ou na Roma Antiga, as histórias mergulham o espectador em um momento de opressão, conservadorismo e no abuso de poder tão sempre marcantes em tais regimes. Não são aulas de História, claro, mas plantam a semente necessária para querer entender mais sobre esses eventos do passado – até para identificar os seus resquícios no presente. Confira 4 filmes indicados ao Oscar 2025 para pensar o autoritarismo na história.

1. Ainda estou aqui

O filme brasileiro, que já representa um marco histórico para o cinema nacional, é uma joia rara. Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, acompanha a história da família Paiva em meio à ditadura militar que governou o Brasil nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Acompanhamos a luta de Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva, que vê, do dia para a noite, sua vida mudar completamente.

Tudo começa no dia que Rubens é convocado a um interrogatório no departamento militar acerca do seu suposto envolvimento com o Partido Comunista – a última vez que Eunice e os filhos veem o ex-deputado.

Fidedigna, a narrativa apresenta a uma nova geração – e agora também ao mundo –, a história real de Eunice, que se torna depois uma das maiores advogadas da causa indígena do país, e sua angústia por não saber o paradeiro do marido. Esta dor foi vivida por tantas outras famílias durante o período militar: centenas de homens e mulheres que desapareceram sem explicações, rastros ou sequer um corpo para enterrar. O longa é eficaz em mostrar, com muita sensibilidade, o lado mais atroz do regime militar brasileiro.

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2. Conclave

Ao retratar os bastidores da eleição de um novo Papa, “Conclave” nos mostra as dinâmicas de poder nos bastidores da Igreja Católica. Adaptado do livro homônimo de Robert Harris, o filme não se limita a explorar a espiritualidade do processo, mas mergulha mesmo nas intrigas políticas e nos jogos de influência que permeiam a instituição religiosa. É apontado por muitos cinéfilos, inclusive, como uma crítica à corrupção da instituição.

O Papa, vale lembrar, também é um chefe de Estado, detendo os poderes legislativo, executivo e judicial do Vaticano. Isso inclui o seu posicionamento a favor ou contra importantes questões contemporâneas – o Papa Francismo, por exemplo, clama periodicamente pelo cessar-fogo na Palestina. A narrativa de “Conclave”, assim, evidencia como a ambição humana pode corroer os ideais sagrados da instituição, transformando a escolha do novo líder em um campo de batalha ideológico e moral.

A obra expõe como a hierarquia eclesiástica, frequentemente idealizada como incorruptível, é também palco de manipulações, chantagens e rivalidades. A tensão entre tradição e modernidade é personificada nos cardeais: uns defendem a manutenção dos dogmas tradicionais, enquanto outros clamam por reformas que reflitam os desafios contemporâneos. O filme não hesita em abordar temas sensíveis, como os escândalos de abuso sexual, o papel das mulheres na Igreja e as divisões internas entre correntes ideológicas.

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3. Gladiador II

Gladiador II, do prestigiado diretor Ridley Scott, retorna ao universo do épico original para explorar mais uma vez as lutas pelo poder na Roma Antiga. A trama se passa 16 anos após a morte de Maximus e acompanha o seu filho, Lucius, quando ele é capturado e forçado a lutar como gladiador em um império governado pelos tirânicos irmãos Caracalla e Geta.

Esses co-imperadores representam a corrupção e a vaidade que permeavam o regime romano, utilizando o “pão e circo” como ferramenta de controle das massas enquanto consolidam sua tirania. A arena, com suas batalhas brutais e espetáculos extravagantes, torna-se uma metáfora poderosa para o abuso de poder e a manipulação política.

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O filme aprofunda sua crítica ao autoritarismo ao retratar o Coliseu não apenas como um espaço de entretenimento, mas como um símbolo da opressão institucionalizada. Vale lembrar que muitos elementos do filme afastam-se dos fatos históricos, e não dá para encará-lo como uma aula de História.

Por fim, não podemos negar: é um longa recheado de ação, lutas épicas (envolvendo até animais!) e cenários de tirar o fôlego. O pão e circo é real!

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4. O Brutalista

Com estreia brasileira marcada para o dia 25 de fevereiro, “O Brutalista” conta a história (fictícia) de um arquiteto húngaro judeu que imigra para os Estados Unidos em 1947, após sobreviver aos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial. Sem contatos e trabalhando em uma mina de carvão, ele é procurado por um magnata americano que conhece seu trabalho e deseja apostar em sua carreira na América.

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O que ele não imaginava é que, ao aceitar a proposta, se veria novamente nas mãos de um líder autoritário, desenvolvendo uma relação de poder desigual com o chefe, com sua arte sendo constantemente apropriada e distorcida. O filme é oportunidade de conhecer o brutalismo, movimento arquitetônico marcado pelo uso de concreto aparente e formas geométricas, que, no longa, é usado como uma metáfora para a rigidez e o peso das estruturas sociais que moldam a vida dos imigrantes nos EUA.

A narrativa expõe como, sob o pretexto da “filantropia”, seu chefe o transforma em um símbolo exótico para exibição, enquanto desvirtua sua obra para atender interesses próprios.

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