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‘O Homem que Calculava’: o livro que vai te fazer gostar de matemática

Unindo ciência exata com ficção, este livro é capaz de apresentar a matemática de um ponto de vista instigante - e até prazeroso

Por Karolina Monte 20 jul 2022, 12h11

Vamos combinar: a matemática está longe de aparecer na lista de matérias favoritas de muitos alunos.

Seja pelo conteúdo em si, muitas vezes abstrato, ou pelo bloqueio coletivo que ronda a disciplina, tornou-se quase um consenso que a matéria é, por essência, difícil de aprender. Com isso, a opção mais fácil parece ser deixar o estudo de lado e a aversão pelos cálculos sem uma resolução – assim como tantos teoremas que existem há séculos. É o que muita gente faz até certa etapa da vida.

O problema é que, quando os vestibulares batem à porta, ignorar os números deixa de ser uma opção. Neste texto, a colunista do GUIA DO ESTUDANTE, Susane Ribeiro, explica porque os acertos em matemática são os que mais podem aumentar a nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em comparação com outras disciplinas cobradas no exame. Para o pré-vestibulando, encarar os cálculos é uma tarefa inevitável, mas nem por isso precisa ser um martírio.

+ A importância do teorema de Pitágoras e da matemática, além das provas

E se te contarmos que existe um livro capaz de transformar a matemática em algo mais intuitivo em nosso cotidiano e até prazeroso, com histórias que lembram os contos de “As Mil e uma Noites”? Pois este livro existe e, depois de conhecê-lo, sua relação com os cálculos e teoremas nunca mais será a mesma.

O Homem que Calculava

Livro
Editora Record/Divulgação

Escrito por Malba Tahan, “O Homem que Calculava” conta as aventuras de Beremiz Samir, um viajante persa com grande aptidão para os cálculos matemáticos. Durante suas andanças pelo Oriente Médio, o narrador do livro conta as aventuras matemáticas de Beremiz, que sempre se depara com situações cotidianas que, de alguma forma, envolvem algum tipo de cálculo matemático.

O livro infanto-juvenil é perfeito para quem deseja não apenas aprender os cálculos matemáticos, mas também suas aplicações práticas. A realidade de Beremiz até pode, à princípio, parecer distante de nossa realidade, mas no decorrer do livro o leitor percebe o quão fácil é transpor as situações para o próprio cotidiano.

É uma leitura recomendada tanto para quem ainda precisa da matemática nos estudos, como os vestibulandos, como também para aqueles que desejam ressignificar sua relação com a disciplina.

Os contos de “O Homem que Calculava” elevam a ciência exata que é a matemática ao patamar lúdico das histórias e contos para os mais jovens, ao inserir os cálculos de maneira leve e prazerosa, intrigando o leitor sobre as soluções que Beremiz realiza para as situações em que se encontra.

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No livro, um dos mais célebres exemplos desta façanha é o conto onde é narrada a singular aventura dos 35 camelos que deviam ser repartidos por três irmãos árabes. Beremiz Samir efetua uma divisão que parecia impossível, contentando plenamente os três homens – e ainda lucrando uma parte da herança para si próprio.

Além de todo o efeito lúdico-narrativo que aproxima o leitor da matemática, ao final do livro há um apêndice com todas as contas feitas por Beremiz de forma mais exata, explicando o passo a passo de seu raciocínio matemático.

Recomendado como leitura paradidática em muitas escolas, “O Homem que Calculava” foi publicado pela primeira vez no ano de 1938 e nunca deixou de ser reeditado desde então.

O fato do livro estar presente em livrarias por todo o Brasil desde sua primeira publicação não é em vão: a linguagem narrativa simples e ficcional que acompanha as façanhas matemáticas de Beremiz consegue dialogar com as diferentes gerações que cresceram com a obra e que, em algum momento da vida, sentiram um leve dissabor com a matemática.

E este sucesso vai para além da língua portuguesa: o livro já foi traduzido para edições em espanhol, inglês, alemão, italiano, holandês e árabe.

O “Homem que Calculava” é capaz de transformar por completo a visão dolorosa que temos sobre esta ciência exata, ao torná-la mágica e, acima de tudo, possível. Tão possível quanto 1+1 é igual a 2.

O autor por trás do pseudônimo

Júlio César de Melo e Sousa, autor do livro O Homem Que Calculava
Júlio César de Melo e Sousa, autor do livro “O Homem que Calculava” Reprodução/Wikimedia Commons

Apesar do que poderia se intuir sobre um livro que lembra “As Mil e Uma Noites”, o “O Homem que Calculava” foi escrito por um brasileiro! O professor e pedagogo Júlio César de Melo e Sousa é o autor deste que é uma das maiores referências no mundo dos livros paradidáticos.

Júlio César foi um pedagogo professor de matemática, e, acima de tudo, um exímio contador de histórias e ferrenho divulgador dos estudos matemáticos no Brasil.

Nascido em 6 de maio de 1895, na cidade do Rio de Janeiro, desde pequeno demonstrou uma grande aptidão para a criação de histórias. Criou o heterônimo Malba Tahan para publicar seus livros de contos situados dentro do universo árabe, pois acreditava que um professor brasileiro não chamaria a atenção dentro deste universo e contexto.

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