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Inspiração: conheça ambientalistas que fizeram história

Defensores do meio ambiente que se tornaram referência ao longo da história tiveram papel essencial para fortalecer a proteção da natureza

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 20 out 2021, 22h57 - Publicado em 20 out 2021, 22h56

Nos últimos anos, os movimentos de jovens ativistas ganharam força em diferentes locais do mundo. Motivados principalmente pelos protestos da sueca Greta Thunberg, atualmente há diversos movimentos diferentes que lutam pela defesa do meio ambiente e por justiça climática. Ao mesmo tempo, cientistas, comunicadores e ativistas de décadas passadas abriram o caminho para as gerações atuais. Enquanto pesquisadores vêm alertando sobre os perigos da mudança do clima, o trabalho para estimular a conscientização ambiental e para chamar a atenção da sociedade é essencial para construir o caminho em direção a um mundo mais sustentável. 

Jacques Cousteau – Desbravador subaquático

Conhecer as belezas do mundo natural é um passo essencial para defender a preservação da natureza. Mas como mostrar para a população aquilo que está a dezenas de metros debaixo d’água? Precursor dos registros subaquáticos, Jacques Cousteau (1910-1987) foi um oceanógrafo e documentarista francês que, por meio de longas-metragens, livros e produções para a televisão, popularizou o mundo do mar. Pioneiro na área, Cousteau construiu equipamentos que facilitaram a exploração dos oceanos, como o Aqualung, equipamento com tubo de ar, válvula e respirador, que permitiu os primeiros mergulhos autônomos – não à toa, ele é considerado um dos pioneiros dessa prática, hoje essencial para a exploração dos mares. 

Em 1956, o francês recebeu uma Palma de Ouro no festival de Cannes e ganhou um Oscar no ano seguinte, com seu filme “O Mundo do Silêncio”. O longa levou às telonas imagens inéditas do fundo do Mar Vermelho. Nos oito anos seguintes, Cousteau viria a ganhar mais dois Oscars. Seu navio, o renomado Calypso, contava com um set permanente de filmagens, com o qual o explorador produziu mais de cem filmes. Assim, Cousteau levou ao público leigo a possibilidade de se conectar com a natureza que era impossível de ser vivenciada por quem está na superfície. O conhecimento sobre o universo aquático e as suas espécies é essencial para promover a preservação dos oceanos, a consciência ambiental e a divulgação científica.

Jane Goodall – A primatóloga dos chimpanzés

Hoje com 87 anos, Jane Goodall é a primatóloga britânica que se tornou mundialmente conhecida graças aos seus estudos sobre chimpanzés. Em 1960, a cientista chegou à Tanzânia com o objetivo de pesquisar a vida e o comportamento desses primatas. Cinco anos depois, ela apareceu na capa da revista National Geographic – por ser mulher, teve que ouvir que o reconhecimento foi por causa das suas pernas.

Aos poucos, Jane deu nomes a alguns dos chimpanzés, aprendeu a reconhecer os sons produzidos por eles e começou a brincar com seus filhotes. Foi o trabalho da britânica que levou à compreensão de que chimpanzés, assim como seres humanos, são capazes de modificar objetos e transformá-los em ferramentas úteis no dia a dia. 

A partir da década de 1980, Jane passou a atuar também como ativista. Uma de suas iniciativas foi convencer empresas a deixar de usar chimpanzés em experimentos. Por meio de sua organização, o Instituto Jane Goodall, a cientista criou o projeto Roots and Shoots, um movimento global de jovens com o objetivo de incentivá-los a se manifestarem e agirem para tomar decisões compassivas, influenciando e liderando mudanças nas suas comunidades. “Todos os dias, cada um de nós causa um impacto no planeta. Só os mais pobres não têm escolha, eles fazem o que precisam para sobreviver. Vou deixar o mundo um pouco melhor ou não? Depende de nós”, disse Jane.

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David Attenborough – A Voz da Natureza

O naturalista David Attenborough, hoje com 95 anos, é, literalmente, uma das vozes mais conhecidas na promoção da conscientização sobre a importância do mundo natural.  Attenborough é aclamado pela produção de programas de televisão e documentários que exploram a vida na Terra. Com um trabalho desenvolvido ao longo de décadas na rede britânica BBC – sua primeira série foi veiculada em 1954 –, o naturalista levou imagens e informações sobre animais raros, como espécies pouco conhecidas de primatas, cobras e pássaros, a milhões de pessoas pelo mundo. 

No final dos anos 70, ele criou o Life on Earth, um programa de TV que conciliou técnicas de fotografia para mostrar os mais diferentes seres vivos em seus habitats naturais. Estima-se que 500 milhões de pessoas pelo mundo tenham assistido ao seriado. Nos últimos anos, ele narrou documentários que abordam temas como a mudança climática. Recentemente, o inglês lançou novas produções na Netflix, como o documentário “David Attenborough e Nosso Planeta”, uma produção que mostra como a vida do naturalista se misturou com as suas produções. 

Pela longa trajetória de produção em audiovisual, o naturalista acompanhou as transformações no meio ambiente e os seus documentários também são registros naturais sobre a evolução da tecnologia. Ao longo de quase um século de vida, a qualidade de captação de imagens mudou consideravelmente. Ao mesmo tempo, independentemente do tempo que se passa, sua voz continua inconfundível e necessária para conscientizar públicos de todas as gerações.

Chico Mendes – Símbolo da Amazônia

No Brasil, um dos grandes nomes da luta pela preservação da Amazônia é o de Chico Mendes (1944-1988). Nascido no Acre, ele passou a infância e a juventude cortando seringa, atividade que aprendeu com seu pai. Na década de 1970, enquanto a política do regime militar estimulava a ocupação da Amazônia por pessoas de outros estados para incentivar a pecuária, os seringueiros, que dependiam da floresta em pé, começavam a ter mais conflitos por causa do desmatamento da floresta para a abertura de pastagens. Em 1976, com a liderança do presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia, Wilson Pinheiro, os seringueiros inventaram os “empates às derrubadas”. De acordo com o Memorial Chico Mendes, eles reuniam suas famílias, iam para as áreas ameaçadas de desmatamento, desmontavam os acampamentos dos peões e paravam as motosserras. Com o aumento das tensões por causa desses movimentos, Pinheiro foi assassinado em 1980, dentro da sede do Sindicato. 

Em 1983, Chico Mendes foi eleito para ocupar a liderança do STR. Dois anos depois, ele reuniu mais de cem trabalhadores no Encontro Nacional dos Seringueiros para elaborar uma proposta de reforma agrária para valorizar a floresta em pé. Foi a partir dessa iniciativa que surgiu o conceito da Reserva Extrativista. A sua atuação política, sindical e ambiental fez com que as suas ações extrapolassem os impactos locais e chegassem a organismos internacionais. Antes do final dos anos 1980, Mendes ganhou prêmios da ONU e da Better World Society. Contudo, a atenção para a sua defesa pelo meio ambiente também trouxe mais conflitos com grileiros que queriam ocupar as terras na Amazônia. Ao sofrer uma emboscada nos fundos de sua casa, um grileiro de terras com histórico de violência, Darly Alves, ordenou o assassinato de Mendes em 22 de dezembro de 1988. Mais de três décadas depois, ambientalistas ainda enfrentam grandes ameaças por defender a natureza. De acordo com a ONG Global Witness, o Brasil foi o quarto país que mais matou defensores do meio ambiente em 2020. Do total de 227 pessoas assassinadas no mundo, 20 mortes ocorreram no Brasil. 

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