8 possíveis temas para a redação do Enem 2026
Migrações climáticas, inteligência artificial e esgotamento profissional estão entre as apostas dos especialistas
À medida que o Enem 2026 se aproxima, cresce a expectativa dos estudantes para descobrir o tema da redação, um dos momentos mais aguardados do primeiro dia de prova, marcado para 8 novembro. Com uma pontuação que pode chegar a mil pontos, a redação tem um peso importante na nota final e pode ser o diferencial que vai garantir a aprovação na universidade.
Adivinhar o tema, porém, não é o que vai fazer o candidato alcançar uma boa nota. Ainda assim, as apostas dos especialistas podem ajudar na preparação ao oferecer pistas sobre assuntos em destaque, além de servir como ponto de partida para praticar a escrita na reta final.
O GUIA DO ESTUDANTE conversou com Luciana Patrocinio, diretora de soluções complementares na Cogna Educação, que detém a plataforma Red1000, e Gabrielle Cavalin, gerente de redação do Poliedro Educação. A seguir, você confere as principais apostas para o tema da redação do Enem 2026.
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1) Perspectivas para a aquisição de bens duráveis pela juventude no Brasil contemporâneo
Conquistar a independência financeira e adquirir bens duráveis, como imóveis e veículos, tem se tornado um desafio para muitos jovens brasileiros nos últimos anos. O aumento do custo de vida, a instabilidade econômica e as transformações no mercado de trabalho estão entre os fatores que podem dificultar esse processo. Nesse contexto, Luciana Patrocinio aponta que o tema pode aparecer na redação do Enem 2026.
“A temática ganha relevância ao observar o cenário de dificuldades da juventude para conquistar a independência financeira e adquirir bens, tornando-se necessário refletir sobre os obstáculos que limitam esse acesso e sobre as perspectivas das novas gerações para a construção de patrimônio e de estabilidade econômica no país”, afirma.
2) Desafios sociais impostos pela migração climática no Brasil
No Brasil, episódios recentes de eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, ajudam a contextualizar a discussão sobre migrações climáticas, um tema forte para o Enem deste ano, segundo Luciana. “Um dos impactos que estão sendo gerados por esse fator são as migrações climáticas, em que cidadãos buscam melhores condições de vida em outras cidades e estados pela recorrência de secas, enchentes, deslizamentos e baixa qualidade do ar”, observa.
Uma proposta sobre o tema poderia abordar os desafios sociais enfrentados pelas cidades que recebem essas populações, como a pressão sobre a infraestrutura urbana, a sobrecarga nos serviços públicos e a precarização do trabalho.
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3) Desafios para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade brasileira
Para Gabrielle Cavalin, a Lei nº 15.459, sancionada em julho de 2026, que atualizou as regras sobre o Símbolo Internacional de Acessibilidade e reforçou a identificação de locais e serviços destinados às pessoas com deficiência, evidenciou a atualidade da discussão sobre inclusão no Brasil. “Embora o país disponha de um conjunto significativo de legislações voltadas à garantia dos direitos desse grupo, ainda persistem barreiras físicas, comunicacionais e, sobretudo, atitudinais que dificultam sua participação plena na sociedade”, afirma.
Segundo a especialista, o tema permite ampliar a discussão sobre acessibilidade, abordando não apenas as condições físicas dos espaços, mas também a inclusão efetiva das pessoas com deficiência e o combate ao capacitismo.
Vale lembrar, no entanto, que em 2017 o Enem já cobrou um tema neste mesmo eixo, quando trouxe a frase-tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Por isso, as chances de aparecer um assunto similar é menor.
4) Desafios para o desenvolvimento da leitura crítica na sociedade contemporânea brasileira
Uma pista para o tema da redação do Enem 2026 pode estar na Prova Nacional Docente (PND). Em 2025, as duas avaliações abordaram questões relacionadas ao mesmo eixo temático: enquanto a questão discursiva da PND abordou “O idadismo como desafio social e educacional no Brasil”, o Enem propôs o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira“. Por isso, vale prestar atenção ao tema da questão discursiva da PND 2026, que foi “A leitura como compromisso de todas as áreas do conhecimento”.
A partir desse tema, Luciana aposta que o Enem pode explorar os desafios para o desenvolvimento da leitura crítica em meio ao excesso de informações digitais. “O desenvolvimento da criticidade de leitura vem sendo prejudicado, já que as habilidades de leitura profunda não estão sendo devidamente exercitadas, somente de leitura superficial, o que gera interpretações equivocadas e a divulgação de informações falsas pelos cidadãos”.
Uma redação sobre o assunto poderia discutir como as políticas educacionais e as práticas pedagógicas podem responder a esse cenário.
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5) Implicações sociais e educacionais da Inteligência Artificial no Brasil
A inteligência artificial generativa já está transformando a maneira como os estudantes pesquisam, estudam e produzem textos, imagens e outros conteúdos. Segundo Gabrielle, embora essas ferramentas possam apoiar a aprendizagem, ampliar o acesso a explicações personalizadas e possibilidades de criação, seu uso também levanta questões importantes. Entre elas estão a autoria dos trabalhos, a confiabilidade das informações, a dependência tecnológica e o risco de comprometer o desenvolvimento de habilidades cognitivas importantes para a formação dos estudantes.
“O tema é relevante para o Enem porque permite explorar múltiplos eixos argumentativos: ética, desigualdade de acesso a tecnologias, responsabilidade social, autonomia intelectual, autoria e o papel da escola na formação para o uso crítico das tecnologias”, elenca a especialista.
6) Efeitos do esgotamento profissional na sociedade brasileira
As transformações nas relações de trabalho, a intensificação das demandas profissionais e a constante pressão por resultados têm contribuído para o aumento dos casos da Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno relacionado ao estresse crônico no ambiente de trabalho.
No Brasil, o problema já acendeu um alerta: segundo dados da Previdência Social, os afastamentos por burnout passaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, um aumento superior a 800%.
Uma possível aposta para o Enem é a discussão sobre os impactos do esgotamento profissional na sociedade brasileira e as estratégias de prevenção necessárias. “Esse fenômeno afeta não apenas a saúde física e mental dos trabalhadores, mas também a economia, as relações sociais e a qualidade dos serviços prestados à população”, ressalta Luciana.
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7) Desafios para a promoção do letramento digital no Brasil contemporâneo
O letramento digital diz respeito à capacidade de acessar, interpretar e produzir informações em ambientes digitais de maneira crítica e eficiente. Embora o acesso à internet no Brasil tenha chegado a 90,5% dos brasileiros em 2025, ainda há desafios relacionados ao uso dessa tecnologia. Segundo uma pesquisa de 2024 do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), um em cada quatro brasileiros apresenta baixo nível de habilidades digitais.
Essas competências são fundamentais em um mundo cada vez mais digital, tanto para lidar com situações do cotidiano quanto para acompanhar as exigências do mercado de trabalho. “Nesse sentido, discutir a temática é essencial para a construção de um futuro digital moldado por cidadãos informados e críticos, capacitados para as oportunidades que emergem de uma sociedade cada vez mais conectada”, explica Luciana.
Ela ressalta, no entanto, que a discussão precisa ir além do aprendizado sobre como utilizar a internet. Também é necessário considerar questões como acessibilidade à rede, a qualidade da conexão, o acesso à informação e as desigualdades na obtenção de recursos tecnológicos.
8) A defesa dos direitos de crianças e adolescentes no mundo virtual
Em agosto de 2025, o influenciador Felca publicou o vídeo “Adultização”, no qual denunciou a exploração infantil na internet e a exposição de crianças a comportamentos e conteúdos inadequados no ambiente digital. A repercussão do vídeo ampliou o debate público sobre a proteção de crianças e adolescentes na internet e impulsionou a aprovação da Lei nº 15.211, conhecida como ECA Digital.
A legislação estabelece, entre outras medidas, regras para provedores e plataformas digitais, como controles parentais e mecanismos de denúncia, com o objetivo de fortalecer a segurança desse público no ambiente virtual. Para Gabrielle, porém, ainda há desafios na definição dos limites de responsabilidade das famílias e das empresas de tecnologia. “O episódio trouxe o tema ao centro das discussões públicas, evidenciando a necessidade de proteção social, emocional e jurídica no ambiente online”, destaca.
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