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O que esperar do ‘testlet’ e de outras mudanças no Enem 2026

Mudanças no modelo de questões e correção da redação podem assustar, mas essência do exame se mantêm a mesma

Por Taís Ilhéu 25 abr 2026, 12h00
gabarito enem 2025
 (Angelo Miguel/MEC/Reprodução)
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O ano de 2010 marcou uma virada na vida dos estudantes brasileiros. O Enem, exame criado em 1998, deixou de ser apenas um termômetro do Ensino Médio e, com o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), tornou-se o maior vestibular do Brasil, abrindo portas para dezenas de universidades públicas. Agora pense um pouco: quanta coisa mudou de lá para cá na vida e no perfil de quem faz esta prova? 

A sala de aula ganhou outra cara – especialmente com a chegada dos smartphones, redes sociais e outras tecnologias que ainda não conseguimos equilibrar. Estudar para o Enem também ficou diferente. Se há 20 anos o único jeito de se preparar era com apostilas, revistas, livros, agora o vestibulando é inundado por conteúdos de todos os tipos. De videoaulas gratuitas com bastante qualidade, a vídeos de 30 segundos sobre técnicas de estudo, dicas “infalíveis” e até redações que podem ser decoradas e copiadas na íntegra no dia da prova – um jeito de tentar alcançar notas altas com pouco esforço. 

Se o estudante que faz o Enem não é mais o mesmo, faria sentido que o exame se mantivesse intocado nas últimas décadas? Há seis meses, quando o GUIA DO ESTUDANTE retornou às bancas com uma publicação sobre Enem, reforçamos a solidez do exame e o seu modelo consolidado. Isso não muda. A matriz de referência e as competências exigidas dos estudantes são as mesmas: é preciso dominar a linguagem das áreas do conhecimento, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, argumentar e elaborar respostas. Tudo isso está bem explicado na nova edição do GUIA DO ENEM 2026, que chegou às bancas nesta sexta-feira (24).

+ No Enem e nos vestibulares, a resposta pode estar na pergunta

O Enem também segue valorizando o candidato ligado às atualidades, que sabe interpretar o mundo à sua volta e exerce um olhar crítico sobre a realidade. Mas a maneira de avaliar tudo isso passa agora por pontuais calibragens.

Ainda em 2025, os candidatos encontraram um novo tipo de questão, até então inédita na prova – que já é, no entanto, conhecida de quem faz outros vestibulares, como Fuvest ou Unesp. Em Língua Portuguesa, os candidatos se depararam com a crônica “De próprio Punho”, com nada mais, nada menos, que 45 linhas. Cansativo? É aí que entra a mudança: este mesmo texto servia de base para cinco perguntas.

Este modelo de questão, conhecido como testlet, foi anunciado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em 12 de novembro do ano passado, entre os dois dias de aplicação do Enem 2025. 

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Em publicação no site do instituto, a diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, Hilda Linhares, explicou que, na edição passada, o testlet foi aplicado apenas na prova de Linguagens, mas que a partir de 2026 os candidatos podem esperar encontrá-lo também nas outras áreas do conhecimento cobradas no exame.

Entre os benefícios destacados pelo Inep, alguns dialogam diretamente com o cenário enfrentado pelos candidatos hoje:

  • Torna a prova mais curta, menos cansativa e com menos esforço na leitura. O Enem sempre foi uma prova de resistência, mas hoje exige ainda mais de estudantes com atenção dispersa e dificuldade de concentração (um dos efeitos colaterais das redes sociais). 
  • Abordagem de textos mais complexos e prova mais integrada entre diferentes disciplinas – o que já é uma marca do exame, mas se torna ainda mais urgente com a implementação do Novo Ensino Médio.

Para além do comunicado do Inep, os candidatos devem saber que o instituto abriu, no final de 2024, um edital de seleção para novos elaboradores e revisores do Banco Nacional de Itens, de onde saem as questões do Enem. Este banco é abastecido de tempos em tempos, e depois de um longo processo de testagem e calibragem, as questões finalmente vão parar na prova. Com uma nova leva de elaboradores, podemos esperar questões novas vindo aí! 

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A redação

Se a novidade no modelo de questão passou despercebida por muita gente, não podemos dizer o mesmo a respeito das mudanças nos critérios avaliativos da redação. Assim que as notas foram divulgadas, em janeiro de 2026, quem era veterano de Enem (ou mesmo os vestibulandos de primeira viagem que praticavam com simulados) se assustou com um aparente aperto nos critérios de correção. As notas caíram. 

Apesar do silêncio do Inep, logo surgiram relatos anônimos de corretores (que você confere aqui), documentos sigilosos e outras evidências de quais foram as reais mudanças. 

Os operadores argumentativos, avaliados na Competência 4, passaram a ser analisados de forma mais qualitativa; um dos elementos da proposta de intervenção ganhou mais peso; e, o que mais rendeu discussões, o repertório sociocultural passou a ser avaliado dentro de duas competências, com um olhar mais criterioso para os chamados “repertórios de bolso”. 

O momento da mudança foi o que gerou mais críticas – pela primeira vez, o MEC permitiu o uso de notas das três últimas edições do Enem para concorrer no Sisu. Quem só tinha a nota do Enem 2025, queixou-se da disputa injusta, já que os candidatos de anos anteriores teriam tido uma correção menos rigorosa da redação.

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Do ponto de vista pedagógico, no entanto, os professores entrevistados pelo GUIA DO ESTUDANTE afirmam: a mudança pode beneficiar o candidato que se prepara bem – penalizando, por outro lado, aqueles que apostam nos modelos decorados e engessados da internet.

Essa preparação envolve conhecer a prova, seus critérios de avaliação e o que ela espera do candidato. Praticar com questões de anos anteriores, observar redações que tiveram bom desempenho e escrever com frequência para aprimorar o próprio texto. Desenvolver um plano de estudos e uma estratégia de prova consistente. Informar-se sobre o mundo e interpretar os acontecimentos à sua volta. Tudo isso, você aprende nas páginas do GUIA ENEM 2026.

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O que esperar do ‘testlet’ e de outras mudanças no Enem 2026
Mudanças no modelo de questões e correção da redação podem assustar, mas essência do exame se mantêm a mesma

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