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Redação Enem: Desafios para a valorização de povos tradicionais no Brasil

"Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil" poderia levar o aluno a propor intervenções que enalteçam os direitos humanos

Por Luccas Diaz
Atualizado em 13 nov 2022, 23h11 - Publicado em 13 nov 2022, 13h52

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Na tarde deste domingo (13), os milhões de candidatos que fazem o Enem 2022 escrevem uma redação sobre os “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil“. O tema foi divulgado pouco depois do início da prova no Twitter do Ministro da Educação, Victor Godoy.

A proposta veio acompanhada, como já é padrão no exame, de quatros textos motivadores. O material destacava a multiplicidade das comunidades tradicionais, ressaltando que o termo não diz respeito somente aos povos indígenas. Um dos textos explicava a própria definição do termo “povos tradicionais”. Outro, no caso um gráfico, apresentava a estimativa populacional de povos e comunidade tradicionais em cada estado brasileiro, incluindo entre eles povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e ciganos.

Durante o ano, o GUIA DO ESTUDANTE explorou o tema em pelo menos duas reportagens. Em julho, uma extensa análise defendia que a demarcação de terras indígenas era a garantia de preservação da identidade, da cultura e das tradições dessas populações.

No mesmo mês, uma outra reportagem traçou um perfil sobre a obra do ambientalista e líder indígena Ailton Krenak. Confira um trecho: “Em ‘A vida não é útil’, o autor afirma que a sociedade opera como se uma casta ou um grupo tivesse sido eleito como “a” humanidade, enquanto todos os outros que estão fora deste grupo compõem uma sub-humanidade. Para Krenak, não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente é largada à margem do caminho.”

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Para professores de cursos pré-vestibular, é uma discussão rica e revelante para o contexto atual, com diferentes abordagens possíveis.

“As comunidades e os povos tradicionais são as comunidades indígenas, quilombolas, caboclos, pescadores, povos ribeirinhos. Ou seja, todas as manifestações culturais brasileiras ancestrais que não se organizam de acordo com a lógica urbana e que dependem dos recursos naturais para manter a sua cultura, desenvolver suas práticas religiosas e manter seus modos de vida”, analisa Marina Rocha, professora de redação da Plataforma AZ de Aprendizagem.

“Os desafios envolvidos nessa valorização passam por uma inoperância governamental, no sentido de não serem pensadas políticas públicas eficientes para garantir o acesso à cidadania desses povos e os seus próprios aspectos culturais e religiosos.”

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Fabiula Neubern, coordenadora de Redação do Poliedro, reflete que ao tematizar desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil, o Enem retoma um formato que não aparecia desde 2017, que é o uso da palavra ‘desafios’ – naquele ano, o tema foi “Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil”. Desta vez, o problema colocado é o desafio de valorizar. “É importante que o candidato pense nas causas que levam à essa dificuldade de valorização, e, também, nas consequências dessa desvalorização”.

Para ela, um possível repertório seria a própria Constituição Federal: o artigo 215 assegura a proteção às manifestações culturais indígenas e afro-brasileiras.

Em relação à escolha do tema, o professor Mateus Leme, do Oficina do Estudante, destaca que, ainda que não enverede por temas polêmicos, o Enem historicamente não se priva de dar visibilidade a minorias sociais no tema da redação.

Outros professores concordam e, por isso, o tema não causou surpresa. Para Daniela Toffoli, coordenadora de Linguagens do Curso Anglo, o tema é a cara do Enem. “É um problema, e como o próprio Inep já nos diz na cartilha de redação, é um problema de ordem social. Portanto, vai levar o aluno a pensar em uma proposta de intervenção que valorize os direitos humanos das comunidades e dos povos tradicionais brasileiros”, afirma.

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Para Daniela, a frase tema indica um caminho para o candidato. “O fato de dizer que existem desafios para que se valorize essas comunidades já faz com que pensemos em alguns pontos, como o passado em que os povos indígenas foram escravizados, a falta de representatividade política e o preconceito contra essas culturas”. A professora também destaca o lugar do agronegócio neste debate: “a partir do momento em que ele se sobrepõe à preservação desses povos faz com que eles sejam desvalorizados”.

Um dos textos motivadores foi a Carta da Amazônia 2021, manifesto assinado por lideranças indígenas, quilombolas e extrativistas apresentado durante a COP26.

Roberta Panza, do Colégio e Sistema pH, ressalta que este é um tema que também dialoga com o eixo Meio Ambiente. “É um tema de grande importância e que atravessa o Brasil de maneira geral. Um tema bem universal”.

O que pode zerar a redação do Enem

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Entre as atitudes que podem levar a esta nota está a fuga total do tema proposto ou do formato dissertativo-argumentativo, deixar a folha de redação em branco, escrever menos de sete linhas, escrever discurso ofensivo ou desenhar na prova.

Escrever partes desconexas no meio do texto (como as famosas receitas de miojo ou hinos de clubes de futebol) também zera a redação. O GUIA já publicou um texto sobre essas atitudes que podem zerar a prova, confira aqui!

As cinco competências avaliadas na prova

A redação do Enem vale, no total, 1000 pontos, que são divididos entre cinco competências da seguinte forma:

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Competência 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;

Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;

Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado que respeite os direitos humanos.

 

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