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10 anos da Primavera Árabe: tudo o que você precisa saber

Quando um fato histórico importante completa um aniversário redondo, as chances de o tema aparecer nas provas aumentam 😉

Por Julia Di Spagna Atualizado em 1 abr 2021, 16h33 - Publicado em 30 mar 2021, 13h47

Há uma década, países do Oriente Médio e do norte da África passavam por uma série de revoltas cujas consequências são observadas até hoje. Populações de países como Tunísia, Líbia, Egito, entre outros, saíram às ruas para protestar contra governos autoritários e as péssimas condições socioeconômicas que enfrentavam: pobreza, falta de serviços públicos e desemprego, sobretudo entre os mais jovens. Esse fenômeno ficou conhecido como Primavera Árabe.

Segundo os especialistas consultados para essa matéria, “Primavera” sugeria o florescer das democracias populares, em alusão à Primavera dos Povos, no final do século XVIII, e à Primavera de Praga, em 1968. A grande diferença foi que as mobilizações organizadas dessa vez se basearam fortemente no uso de redes sociais, que conseguiram superar a censura dos governos repressivos e não só expandir as manifestações, mas torná-las visíveis ao mundo todo.

Como resultado, essas revoltas populares derrubaram ditaduras que duravam décadas na região, como a da Tunísia.

Para ajudar você a entender melhor o que foi a Primavera Árabe, suas causas e consequências, conversamos com Fernando Caiafa, professor de História do Curso Poliedro, Paulo Inácio, professor do Curso Etapa, e o professor de Geografia do Colégio Oficina do Estudante de Campinas Luis Felipe Valle.

Causas

Como já mencionamos, as causas imediatas para desencadear a insatisfação foram a repressão política das ditaduras, a crise econômica e o desemprego, que atingia principalmente os jovens urbanos e escolarizados.

“As revoltas tiveram início na Tunísia, quando um comerciante local ateou fogo ao próprio corpo e morreu, após ser humilhado pela polícia em uma discussão que envolvia um carrinho de mão que utilizava para vender alguns produtos”, explica Caiafa. Por não ter autorização para comercializar na rua, os policiais o agrediram e todos seus produtos que estavam à venda foram roubados pelas próprias autoridades. 

Após o fato, a população tomou as ruas em um grande protesto, acusando o governo de ser corrupto e altamente violento. O então presidente da Tunísia, Zine el-Abdine Ben Ali, foi forçado a deixar o país em janeiro de 2011 e esse fato inspirou populações de outros países a seguirem o mesmo caminho. “E como um rastilho de pólvora, toda a região experimentou movimentos semelhantes”, explica o especialista. 

Cada país teve suas peculiaridades com lutas específicas, mas existiam muitas questões em comum, pois a região compartilhava dos mesmos problemas e a população se sentia igualmente frustrada. A falta de democracia e de liberdade bem como ações corruptas e pouco transparentes por parte do governo estavam na raiz dos protestos. 

“A crise econômica global a partir de 2008 agravou ainda mais a situação desses países, fazendo disparar taxas de desemprego e inflação, por exemplo. Os mais jovens se sentiam extremamente desamparados pela falta de perspectiva de mudança por meio da política tradicional, considerada pouco confiável e autoritária.” 

  • Consequências

    “Milícias armadas, grupos fundamentalistas e mercenários financiados por países hegemônicos tomaram a frente de grande parte das manifestações e, após mais de uma década de confrontos e luta popular, a Primavera Árabe tem se convertido num longo Inverno”, diz Valle. 

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    Segundo o professor, com exceção da Tunísia, que realizou e respeitou eleições democráticas, nos países que passaram pela Primavera, governos teocráticos autoritários foram depostos e substituídos por governos de coalizão, antidemocráticos, militarizados e nocivos à auto-organização dos povos e à soberania dessas nações, ricas em petróleo ou localizadas em rotas estratégicas entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

    A Primavera Árabe também desencadeou guerras civis de grandes proporções em países como a Síria, Líbia e Iêmen, algumas das quais estão ativas até hoje. No Egito, houve uma tentativa frustrada de democracia, além do avanço brutal do Estado Islâmico, atualmente enfraquecido, porém ainda atuante. 

    “Houve, sim, alguns pontuais avanços em países como Marrocos, Jordânia e Arábia Saudita – onde, em 2018, mulheres ganharam finalmente o direito de dirigir veículos. Porém, para um movimento que sonhava com mais liberdade, democracia, serviços públicos de qualidade, o resultado ainda é desanimador”, explica Caiafa. 

    Além disso, as guerras acabaram produzindo um grande número de refugiados, que se arriscam em rotas perigosas em busca de um lugar melhor para viver, sobretudo na Europa, mas também em países como o Brasil. 

    Os especialistas ressaltam a importância da Primavera Árabe por ter sido um ato supostamente “isolado” que desencadeou protestos de grande proporção que, uma década depois, ainda produzem efeitos. 

    Nos vestibulares

    Caiafa destaca três grandes tópicos que os vestibulandos precisam dominar para as provas:  

    1. Contexto e causas do movimento  
    2. Principais reivindicações  
    3. Quais foram os desfechos 

    Para os vestibulares, Valle também diz que é fundamental reconhecer a importância da internet, sobretudo das redes sociais, na organização popular de uma sociedade conectada em rede, e na influência política, econômica e cultural que exerce. “Ela pode servir tanto como ferramenta de fortalecimento democrático e acesso à informação quanto de alienação, manipulação e controle das massas populares em obediência a interesses geopolíticos de nações hegemônicas, como EUA, China e Rússia”, completa. 

    Vale lembrar também do alcance que as redes sociais deram às manifestações de de junho de 2013 no Brasil e ao Black Lives Matter, nos EUA em 2020, em termos de mobilização popular.

    Além disso, o professor do Etapa ressalta que esse tema pode ser cobrado a partir da relação com outras revoltas populares da Nova Ordem Mundial, como os protestos de Hong Kong, contra o aumento da repressão chinesa.

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