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7 músicas censuradas durante a ditadura militar

Artistas consagrados criticavam a repressão do governo enquanto tentavam driblar os censores com recursos linguísticos

Por Julia Di Spagna
25 Maio 2021, 16h20

Em 1968, durante a ditadura militar brasileira, foi decretado o Ato Institucional nº5, ou AI-5, que deu início ao período mais restritivo e duro do regime. Entre as medidas adotadas, a censura da liberdade de expressão foi uma das mais marcantes. Obras culturais, como filmes, livros e músicas, precisavam de uma aprovação prévia do governo para circularem. 

Em outras palavras, no caso das canções, pessoas eram contratadas para avaliar as letras e decidirem se as músicas poderiam ou não serem reproduzidas. As justificativas variavam desde “fere a moral e os bons costumes” até simplesmente “falta de gosto”.

Para driblar os censores, muitos artistas exploravam metáforas e recursos sonoros, escondendo suas críticas em jogos de palavras. Com isso, parte das canções até eram aprovadas, mas depois – quando a ficha caía – eram proibidas.

Para você entender melhor como funcionava a censura, separamos sete canções proibidas durante a ditadura. Confira abaixo: 

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Apesar de Você (Chico Buarque)

Em um primeiro momento, Apesar de Você  foi aprovada pela censura, pois pensavam que se tratava de uma música sobre os desentendimentos de um casal. A repercussão foi grande e, meses depois, perceberam que a canção era uma crítica de Chico Buarque ao regime militar. Com isso, as rádios foram proibidas de tocá-la. 

Tiro ao Álvaro (Adoniran Barbosa)

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A justificativa da censura para vetar a canção do sambista paulista foi a “falta de gosto”, como aponta um documento oficial da época. Houve um questionamento sobre o uso de palavras, como “tauba”, “artomorve” e “revorve”. 

A questão é que essas palavras não foram colocadas na música por falta de conhecimento do autor sobre as regras de pronúncia e português, mas como um recurso poético, explorando a coloquialidade na letra. 

Vaca Profana (Caetano Veloso)

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A música foi censurada em 1984, quando Gal Costa lançou o disco “Profana”. A justificativa da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) foi que a letra feria a “moral e os bons costumes” dos brasileiros. 

Cálice (Gilberto Gil/Chico Buarque)

A composição de Gilberto Gil e Chico Buarque criticava a ditadura, mas tentava driblar a censura por meio de um jogo de palavras, metáforas e referências bíblicas. O próprio título, que aparece no refrão, tem uma semelhança sonora com o imperativo “cale-se”, em uma crítica à censura da época. 

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Durante um festival histórico em 1973, no qual os artistas apresentariam a canção, os microfones foram desligados, seguindo apenas com a melodia.

Milagre dos Peixes (Álbum – Milton Nascimento)

Um dos discos mais marcantes da Música Popular Brasileira (MPB), Milagre dos Peixes, foi censurado de tal forma que se tornou basicamente um álbum instrumental: oito das 11 faixas foram gravadas sem letra, apenas com melodia. Mas isso não impediu que o cantor conquistasse o público com sua obra e se consagrasse ao fazer da sua voz um grande instrumento. 

Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré)

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Considerado um hino de resistência contra a ditadura, a canção foi apresentada em um programa da TV Globo, em 1968, mas a censura proibiu a emissora de dar o primeiro lugar para a música de Vandré. 

Segundo os censores, a letra incentivava protestos contra o regime e era ofensiva ao exército. 

Acender as Velas (Zé Keti)

Assim como o samba “Opinião”, também de Zé Keti, “Acender as Velas” foi censurada por denunciar as dificuldades enfrentadas no dia a dia das favelas nos anos 1960. Repleta de críticas sociais, o teor da canção incomodou o governo. 

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Artistas consagrados criticavam a repressão do governo enquanto tentavam driblar os censores com recursos linguísticos

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