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Aprovado em Medicina foi primeiro da família a prestar vestibular

Daniel Willing desenvolveu técnica própria para estudar enquanto cursava Farmácia

Ingressar em um curso concorrido em uma universidade pública pode ser encarado como um longo percurso com obstáculos e escaladas – e foi assim que Daniel Willing, 20 anos, enfrentou os 5 anos de estudos até ser aprovado em Medicina. Ele é o primeiro da família a prestar vestibular e cursar uma faculdade.

Este ano, foi aprovado em três universidades: a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Optou por cursar Medicina na Unifesp.

“Vestibular é muito complicado e mexe com o emocional. Mas é preciso entender que o desempenho é individual. Não se baseie no amigo que saiu do Ensino Médio e logo ingressou em um curso concorrido. Cada um tem um tempo de aprendizado”, defende.

Desde o seu primeiro vestibular, em 2013, Daniel percebeu que, de fato, cada um tem o seu próprio ritmo. Na época, o estudante cursava o segundo ano do Ensino Médio em uma escola pública e complementava os estudos em um cursinho gratuito. Ele acertou poucas questões da prova, mas não desanimou. “Eu era muito inexperiente e a minha base era fraca. Mas eu pensei: ‘Estou no começo do caminho e posso melhorar'”.

No ano seguinte, mudou de curso pré-vestibular. Optou por um cursinho com mensalidade que coubesse no bolso dos pais – o seu pai é porteiro e a mãe é dona de casa. Só então é que lhe caiu a ficha de que Medicina é um dos cursos mais concorridos, com uma nota de corte muito alta – entre 2016 e 2017, a concorrência para essa carreira mais do que dobrou na Fuvest, o vestibular que seleciona alunos para a Universidade de São Paulo. No ano passado, a média era de 135,7 candidatos por vaga, contra 63 por vaga em 2016.

Sabendo que teria de ser um dos melhores na prova, o estudante se empenhou para aprender. Apesar dos esforços, mais uma vez, os resultados não foram suficientes. “A rotina era pesada. Eu ia para o colégio de manhã, assistia às aulas do cursinho até as 18h e estudava na biblioteca até as 21h. Foi difícil, mas eu não me arrependo”, conta.

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Em 2015, os estudos continuaram. Ele se matriculou novamente no mesmo cursinho pré-vestibular – só que, dessa vez, estudando de manhã. Durante a tarde revisava as disciplinas do dia, seguindo o mantra de todo professor: matéria dada é matéria estudada.

Ele permanecia no cursinho até as 21h fazendo exercícios. E recomeçava tudo no outro dia. Até que um dos professores sugeriu uma estratégia diferente: prestar vestibular para outro curso. E, assim, fortalecer na faculdade os conhecimentos em Química, Física, Biologia e Matemática – disciplinas específicas para a segunda fase do vestibular em Medicina. Ele seguiu o conselho. Em 2016 foi aprovado em Farmácia, na UNIFESP. Naquele ano, o Guia do Estudante conversou com o aluno sobre dicas de estudos.

Daniel estudou em período integral quando começou o curso de Farmácia. Estava feliz com a conquista, mas lembrava do seu objetivo principal: ser aprovado em Medicina. Em 2017, ele decidiu assistir a poucas disciplinas de Farmácia e montou a grade da graduação de modo que conseguisse estudar para as matérias do vestibular.

Não fez curso pré-vestibular e ainda trabalhou duas vezes por semana como plantonista de Biologia e Química, no cursinho onde estudou nos outros anos. Assim, compartilhava o que sabia, reforçava os conhecimentos para a prova e complementava a renda da família. E adotou um cronograma rígido de estudos até que, finalmente, foi aprovado no tão sonhado curso de Medicina.

Depois dos anos todos de treino para o vestibular, Daniel conseguiu chegar a um método eficiente para lhe ajudar a fixar o conhecimento.

Veja as suas dicas:

Maximize o tempo

Daniel acordava cedo. A rotina de estudos começava às 6h30 e ia até as 8h. Nas matérias em que possuía mais facilidade, como as ciências exatas, ele estudava a base do conhecimento em livros didáticos. Mas, para ciências humanas, assistia a vídeos de aulas na internet.

Acerte 45 exercícios

Após estudar pela manhã, ele descansava entre 10 e 15 minutos e fazia exercícios do que havia visto naquele dia. Completava 50 questões com o objetivo de acertar, no mínimo, 45. Se ele não obtivesse o total de acertos, acrescentava mais 50 exercícios até acertar 45. Revisando, claro, os que errou.

Seja o seu professor

 (GE/Reprodução)

Antes de dormir, o estudante gravava o conteúdo que havia estudado. Ele fingia que era um professor dando aula. Quando estudava Filosofia, por exemplo, gravava um áudio explicando o conteúdo. No dia seguinte, escutava a explicação no metrô ou no ônibus. “Esse método é bom porque você fixa a matéria. E depois relembra quando escuta novamente. Eu chamo de revisão otimizada”, explica. 

Tire as dúvidas

Como o aluno não estava matriculado em nenhum curso pré-vestibular, ele contou com a ajuda de uma professora de português que corrigia as suas redações. Para as dúvidas sobre exercícios de outras disciplinas, ele rguntava para alguns professores do cursinho onde estudou.

Aprenda os conceitos básicos

O estudante defende que é necessário construir uma boa base de conhecimento. Talvez sua dificuldade seja num exercício mais complexo, mas ela surgiu porque o conhecimento básico da disciplina não está solidificado. “No começo eu me preocupava em memorizar as fórmulas de Física. E tinha muita dificuldade. Mas, depois de entender os conceitos da matéria, eu consegui aprender.” 

Busque apoio nos outros 

Daniel era introspectivo e individualista quando começou a estudar para o vestibular. Ao longo dos anos, percebeu que se fortalecia emocionalmente com os amigos e a família por perto. “Quando a gente está focado na prova, acaba negligenciando outras partes da vida como os amigos e até mesmo a saúde. Depois que me aproximei das pessoas ao meu redor, eu fiquei mais forte. Eles me apoiaram.” Tanto que, em 2017, o aluno estudava de segunda a sábado, até as 15h. No restinho do final de semana, curtia os amigos e a família.

Escreva os seus sonhos

Durante os anos de estudo, Daniel escrevia como seria quando ele fosse médico. Pensava em quais especialidades gostaria de atuar na profissão e como faria diferença no mundo. “Parece bobo, mas esse costume me mantinha motivado. Eu acreditei em mim. E deu certo.”