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Até que nível a ansiedade pré-vestibular é normal?

É necessário desenvolver estratégias para lidar com esse sentimento natural, que pode ser positivo quando sob controle

Por Juliana Morales Atualizado em 18 jan 2021, 15h12 - Publicado em 16 jan 2021, 18h06

Ansiedade é um sentimento bem conhecido pelos estudantes. Isso porque, apesar de todo o esforço e estudo durante o ano, o vestibular é um cenário de incerteza, principalmente, neste ano, com a pandemia. “As pessoas tendem a ter um olhar sempre do patológico sobre a ansiedade. Na verdade, é uma reação natural do nosso corpo diante de um desafio e de uma situação sobre a qual não se tem o controle”, explica Adriana Antunes, psicóloga escolar do Polo Educacional Sesc. 

Thais Ribeiro, psicóloga e coordenadora do Colégio Poliedro de Campinas, ressalta que o sentimento, além de natural, pode ajudar o aluno. “A ansiedade normal é importante, ela deixa o aluno preparado e atento, ajuda a fazer uma prova de cinco horas e não sente sono. Está acontecendo ali biologicamente uma descarga de neurotransmissores para manter a atenção naquele momento”.

Quando a ansiedade ultrapassa os limites do comum?

De acordo com as especialistas, existe um linha muito tênue entre a ansiedade esperada e aquela que ultrapassa os limites e merece atenção maior e encaminhamento para um profissional especializado.

Elas explicam que, quando essa preocupação intensa sobre o futuro e o que pode acontecer se torna persistente e chega a paralisar o estudante e afetar sua rotina e seus relacionamentos, é necessário buscar ajuda. É importante que família, amigos e pessoas que estão próximas ajudem a perceber esses sinais. “Quando um jovem tem uma dor física, a família acaba validando isso, reconhece aquela dor e busca ajuda. E quando essa dor não é física, não aparece de forma tão concreta, a tendência das pessoas é achar que é bom a pessoa ficar sozinha, que faz parte”, alerta Adriana.

Thais explica que a crise de ansiedade pode ser uma manifestação do problema que envolve sintomas físicos como falta de ar, taquicardia e sensação de morte iminente. Nesse momento, estar com alguém de confiança e falar sobre o que está sentindo ajuda; outra maneira é focar no fluxo da respiração até conseguir se acalmar, indica a psicóloga.

Como lidar com a ansiedade?

Em casos graves, quando a ansiedade é paralisadora, o acompanhamento psicológico e, se necessário, psiquiátrico é fundamental. Mas, pensando no sentimento que é inevitável e comum em situações de tensão, é necessário desenvolver estratégias para lidar com o misto de preocupação, medo e insegurança.

Adriana aconselha que a primeira coisa a se fazer é reconhecer o que está sentindo (que sensação é essa? Estou mais agitado? Com vontade de chorar?), depois entender o que o sentimento provoca e acolhê-lo. “Não adianta ignorar, precisa encarar. A partir do momento em que reconheço e entendo, consigo me acalmar”.

Thais indica que o estudante encontre uma maneira de ter um momento no dia para desligar de toda essa pressão à sua volta. Um momento para praticar um exercício de respiração, que é de suma importância no controle da ansiedade, ou alguma atividade física com que se identifique. “Jogando futebol, por exemplo, é preciso coordenar os movimentos dos pés, estar atento ao espaço físico, aos jogadores, o foco muda e não dá para pensar só em vestibular”. 

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