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Israel e Palestina: entenda a origem do conflito

Dominação política, êxodos e guerras marcam a região há mais de mil anos

Por Danilo Thomaz, Alexandre de Melo Atualizado em 4 jun 2021, 14h07 - Publicado em 29 Maio 2021, 00h01

O conflito entre Israel e Palestina existe há muitos anos. Em 2021, uma nova escalada de violência foi motivada por ameaças de despejos de famílias palestinas. Você não compreende o que está acontecendo na região? Realmente, recapitular os muitos capítulos do conflito não é uma tarefa fácil. O GUIA destaca a seguir os 5 principais pontos de estudo e para a compreensão de um dos maiores dilemas da humanidade.

1 – Criação do Estado de Israel

O conflito entre os dois países remonta à criação do Estado de Israel. Desde a década de 1940, um novo movimento sionista defendia a fundação de um Estado judeu na Palestina que, na ocasião estava sob domínio inglês. A criação de um Estado judeu seria uma resposta ao Holocausto nazista, que dizimou essa população e também ciganos, homossexuais, dissidentes políticos. 

Em 29 de novembro de 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprova a divisão da Palestina em dois estados: um judeu e outro árabe. Líderes judeus aceitam a resolução da ONU, mas os países árabes não. Na época, viviam na região 1,3 milhão de árabes e 600 mil judeus.

As tropas britânicas deixam a Palestina e grupos sionistas  começam a organizar o Estado judeu. Em 14 de maio de 1948, o presidente da Agência Judia para a Palestina, David Ben-Gurion, anuncia  a formação do Estado de Israel.

O diplomata e político brasileiro Oswaldo Aranha (1894-1960) presidiu a sessão da ONU que deliberou sobre quais porções de terra ficariam com a Palestina e quais com o novo estado, de Israel.

++ SUPERINTERESSANTE: Como foi a fundação de Israel?

 

2 – Origens históricas do conflito – Diáspora judaica

Essa história, porém, não tem início no século 20. É um conflito que remonta à Antiguidade. E é importante ter em mente que a história do povo judeu, como a de outros povos e religiões, inflexiona mito e registro histórico – mesmo porque, na Antiguidade, a História não era uma ciência como hoje e nem tinha como função o apego aos fatos, mas, sim, a construção – ou destruição – de reputações, povos, civilizações. E que nossa explicação aqui não pretende ser a definitiva nem tampouco esgotar a história.

Ainda na Antiguidade, os grupos judeus dividiram-se em dois reinos: o de Israel e o de Judá. A cisão se deu em decorrência dos diferentes conflitos entre esses povos, que, por sua vez, os tornou mais vulneráveis às invasões estrangeiras – estamos falando da Antiguidade, não se esqueça.  

Israel foi dominada pelos assírios, submetendo os povos judeus da região à sua cultura. O Reino de Judá conseguiu manter-se independente até, no 596 a.C., a dominação pela Mesopotâmia.

A libertação dos judeus após meio século e a retomada das terras na região da Palestina, no entanto, não significou paz e liberdade. Houve ainda outros processos de dominação pelos macedônicos, liderados por Alexandre, O Grande e pelo Império Romano, em 63 a.C., que tornou a Judeia um reino associado. 

Apesar de viver sob domínio romano, a Judeia pôde preservar sua cultura até a ascensão do Cristianismo, no ano 70 d.C., quando ocorre, então, a diáspora judaica. Os judeus – que não viviam exclusivamente na Judeia –, ao longo dos séculos, espalham-se pela Europa, formando dois ramos: o sefardita – na Península Ibérica, na Holanda e na Turquia – e asquenazi, a maioria deles no Leste Europeu. 

A vida no Velho Mundo, no entanto, não seria fácil. Os judeus foram expulsos da Península Ibérica no século 16, por causa da Inquisição, e da Inglaterra. Parte dos judeus sefarditas, aliás, imigrou para o Brasil, ajudando a constituir parte da identidade cultural dos estados da região Nordeste. 

O antissemitismo e as guerras europeias levam a uma nova onda de imigrações na primeira metade do século 20 para todo o continente americano, em especial os Estados Unidos, a Argentina, país que também sofre forte influência judaica, e o Brasil. 

3 – Guerras

A criação do Estado de Israel, todavia, muda o eixo da imigração judaica. Judeus de vários países europeus adotam o novo país como sua pátria. O aumento da população judaica em uma nova nação num território que há séculos era de maioria árabe leva a guerras imediatas. 

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Os povos árabes do Oriente Médio iniciaram uma ofensiva contra o Estado de Israel no mesmo ano de sua criação. A Primeira Guerra Árabe-Israelense foi liderada por Egito, Líbano, Síria e Transjordânia (hoje, Jordânia) contra o Estado de Israel que contou com o apoio militar dos Estados Unidos. Após o armistício na região, Israel ocupou novas áreas pertencentes aos palestinos.

Depois, vieram outras guerras, como a de Suez (1956), dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973). A ascensão de forças radicais e fundamentalistas religiosos no mundo árabe e da direita nacionalista em Israel foi levando a uma crescente tensão.  

Veja um resumo em vídeo que o GUIA preparou com a Oficina do Estudante

4 – Questão Palestina

Do mesmo modo que o movimento sionista advogada um Estado israelense, a Palestina luta por seu reconhecimento como estado independente. Isso, no entanto, passa pela disputa em torno da cidade de Jerusalém, que o Estado palestino – composto formalmente pela Faixa de Gaza e a Cisjordânia e reconhecido por 138 dos 193 membros da ONU – advoga como sua capital. 

No entanto, Jerusalém é um ponto turístico religioso sagrado para as três grandes religiões monoteístas:  o islamismo,  o judaísmo e o cristianismo.

A expansão de Israel e seu poderio bélico tem levado a críticas mais severas ao estado israelense – algumas das quais chegam a considerar a ação de Israel como genocídio.

Territórios palestinos hoje: Faixa de Gaza e a Cisjordânia
Territórios palestinos hoje: Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Wikimedia Commons/Divulgação

5 – Hamas

O Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, é o maior grupo político-militar islâmico de origem sunita na Palestina. O grupo surgiu  após o início da primeira intifada palestina contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, em 1987.  O Hamas se compromete com a destruição de Israel em seu estatuto.

Quem está certo?

O escritor Amós Oz (1939-2018), um dos maiores nomes da literatura israelense, costumava afirmar que, no caso Israel e Palestina, os dois lados estavam certos. A solução para o caso seria a criação de dois Estados que, com o tempo, poderiam converter-se numa espécie de federação, nos moldes da União Europeia, por exemplo.

Bibliografia

Era dos Extremos (Companhia das Letras), Eric Hobsbawm
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Cleópatra, uma biografia (Zahar), Stacy Schiff
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Como curar um fanático (Companhia das Letras), Amós Oz
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Arrancados da terra (Companhia das Letras), Lira Neto
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REFERÊNCIAS

BBC – 10 perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos

Youtube: Jerusalém

Youtube: A guerra dos seis dias

O’Malley, Padraig –  The Two-State Delusion: Israel and Palestine-A Tale of Two Narratives. Viking, 2016

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