O que é margem de erro em uma pesquisa eleitoral e como interpretá-la?
Essas três palavrinhas se tornam frequentes durante o período eleitoral, mas como é o cálculo que define este número? Professor de Matemática explica!
O pessoal transforma até em meme: “com margem de erro, eu posso ganhar na Mega Sena ainda hoje”, “considerando a margem de erro, há grandes chances de eu esbarrar com a Ivete Sangalo na rua hoje”… Brincadeiras à parte, essas três palavrinhas se tornam mais frequentes durante o período de eleições, quando as pesquisas de intenção de voto tentam prever qual candidato sairia vencedor e com qual porcentagem aproximada. Mas o que elas significam, na prática? Será que dá para confiar?
Vamos a um exemplo prático, que foi ao ar na edição de 15 de abril do Jornal Nacional, sobre as intenções de voto nas eleições presidenciais de outubro de 2026, para começar a entender.
A Quaest Consultoria divulgou nesta quarta-feira (15) uma nova pesquisa com a intenção de voto para a eleição presidencial. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.
Lula, do PT, aparece com 37% das intenções de voto. Com a margem de erro, tem entre 35% e 39%. Flávio Bolsonaro, do PL, tem 32%. Com a margem de erro, de 30% a 34%.
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A margem de erro é citada tanto ao introduzir a pesquisa completa — “a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos” — quanto na previsão de cada candidato. Lula teria 37% das intenções de voto, mas, com a margem de erro, o número fica entre 35% e 39% — ou seja, “dois pontos percentuais, para mais ou para menos”.
Segundo Rodrigo Serra, professor de Matemática do Colégio Oficina do Estudante, em Campinas (SP), isso acontece por conta do próprio formato de uma pesquisa eleitoral. É inviável entrevistar toda a população de uma cidade, estado ou país para saber a intenção de voto de cada candidato. Por isso, seleciona-se uma amostra da população.
“O importante é que essa escolha seja feita de forma aleatória, levando em consideração as diferentes características da população, entrevistando pessoas de diferentes cidades, classes, gêneros, raças etc.”
Depois de coletar esses dados, porém, surge um detalhe importante: como a pesquisa foi feita apenas com uma parcela da população, podem existir erros amostrais. Isto é, diferenças inevitáveis entre o resultado da amostra e o que aconteceria se fosse possível entrevistar todo mundo.
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O que é a margem de erro?
A margem de erro é um índice estatístico que define a variação máxima que os números podem apresentar “para mais ou para menos”. Em outras palavras, ela funciona como uma espécie de “zona de segurança” que indica até onde aquele resultado pode oscilar sem que isso signifique, necessariamente, que a pesquisa está errada.
“Em uma pesquisa em que a margem de erro seja de 3 pontos percentuais, por exemplo, se um candidato aparece com 50 % das intenções de voto, o intervalo considerado é de 47% a 53%”, explica o professor.
Por isso, quando uma pesquisa diz que determinado candidato tem 47% e outro tem 45%, a diferença não significa automaticamente que o primeiro está na frente. Se os dois valores estiverem dentro do intervalo possível de variação, existe a chance de que eles estejam, na prática, empatados.
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Não é o caso da pesquisa do início do texto, entre Lula e Flávio Bolsonaro, por exemplo. Nessa pesquisa, Lula, com 37%, tem, com a margem de erro, entre 35% e 39% das intenções de voto. Já Flávio Bolsonaro, com 32%, fica entre 30% e 34% considerando a margem.
Outro fator importante é que, nessas pesquisas de opinião, é comum adotar o “nível de confiança de 95%”. Apesar do nome, isso não significa que há 95% de chance de o resultado estar certo, e sim que, se aquela mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados ficariam dentro do intervalo calculado pela margem de erro.
Como calcular a margem de erro?
Existe todo um cálculo estatístico por trás da margem de erro. Ele leva em conta, principalmente, quantas pessoas foram entrevistadas e qual foi o nível de confiança escolhido para o levantamento.
Isso porque a margem de erro está diretamente ligada ao tamanho da amostra: quanto maior o número de entrevistados, mais próximos os resultados tendem a ficar do retrato real da população. Em termos matemáticos, “a margem é inversamente proporcional à raiz quadrada da amostra”.
A fórmula mais comum usada para calcular a margem de erro é:
ME = z · √(p(1 − p) / n)
Nessa equação:
- ME é a margem de erro;
- z é um valor ligado ao nível de confiança (para 95%, o mais comum, z ≈ 1,96);
- p é a proporção estimada (geralmente usa-se 0,5 quando não se sabe o valor real, pois representa o “pior cenário”);
- n é o tamanho da amostra (quantidade de entrevistados).
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Para entender melhor, o professor dá um exemplo prático. Imagine uma pesquisa feita com 2.000 entrevistados, com nível de confiança de 95% e p = 0,5.
Nesse caso, o cálculo ficaria assim:
ME = 1,96 · √(0,5 · 0,5 / 2000)
ME ≈ 2,19%
Ou seja, essa pesquisa teria uma margem de erro de aproximadamente 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Na prática, isso significa que, se um candidato aparece com 30% das intenções de voto, ele pode estar, na realidade, entre 27,8% e 32,2%, dentro do intervalo previsto pela margem de erro.
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