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Poesia também cai no vestibular. Como estudar as principais obras

Professor explica que lidar com a linguagem poética pode ser a parte mais complicada para quem não está habituado com o gênero

Por Julia Di Spagna Atualizado em 14 nov 2020, 12h51 - Publicado em 14 nov 2020, 12h53

A Fuvest e a Unicamp divulgam anualmente a lista de obras de leitura obrigatória. Então, além de resolver exercícios de química, física, história e outras disciplinas, é necessário se dedicar à leitura e à análise dos livros cobrados. Entre eles, estão as obras de poesias, que costumam gerar uma apreensão maior por parte dos estudantes.

Em 2021, as obras de poesia cobradas na Fuvest e na Unicamp serão:

Fuvest

Unicamp

Preparação 

Mas afinal, como se preparar para essas questões?

Segundo Mariana Neto, professora de Literatura do Curso Poliedro, as perguntas de poesia são aquelas que exigem do aluno – além de um domínio do estilo e do contexto do autor – interpretação de texto. Tanto na primeira quanto na segunda fases, os vestibulares querem saber se os estudantes conseguem entender, de fato, o sentido dos poemas. 

Por isso, a preparação para questões que envolvam poesia deve seguir a mesma lógica dos outros gêneros textuais (leitura, estudo de análises e das aulas específicas para essas obras literárias), e uma dedicação extra para avaliar se você realmente entendeu o que está sendo passado pelo texto. 

Características

A principal diferença entre as obras de poesia e os romances é o fato de eles não possuírem enredo. “Um poema lírico é a expressão de uma sensibilidade, de uma forma de ver o mundo e hoje isso vem se tornando cada vez mais difícil de ser compreendido. Em um romance, o aluno entende o seguir da narrativa e sente que sabe do que trata a obra”, diz Mariana. “Na poesia, é preciso um esforço para interpretar cada poema, porque cada um deles é uma nova investida do poeta sobre o mundo”. 

São mais difíceis?

Marcelo Maluf, professor da Oficina do Estudante, explica que os estudantes consideram esse gênero mais complicado por causa da linguagem poética, que é diferente (pelo menos nas obras cobradas pela Fuvest e pela Unicamp) da utilizada na maioria dos romances das listas. “O candidato precisa treinar a leitura poética e isso demora para acontecer. Não é do dia para a noite que alguém aprende a ler poesia”, diz. 

“De uma forma geral, na poesia, temos o ápice da linguagem figurada voltada para construção de uma visão/sensação do mundo. Isso por si só é bastante complicado”, completa Mariana. Para sair do plano abstrato, a coordenadora dá um exemplo a partir de versos de Drummond:

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Itabira é apenas uma fotografia na parede./ Mas como dói! “Confidência de um itabirano”

“Para compreendê-lo, devemos partir da imagem que o poeta nos oferece, ou seja, da fotografia na parede que causa dor ao ser olhada, mas não podemos nos limitar a isso. Depois de reconhecer o mais concreto, é preciso entender seu sentido profundo para o sujeito poético”, afirma. A coordenadora explica que o retrato de Itabira representa para o poeta todas as dores e delícias de sua infância, que se perderam no tempo. “Tudo na poesia é sobre reconhecer como o sujeito percebe o mundo, o que ele sente ou pensa”

Principais aspectos de cada obra

Sobre as obras de Camões e Gregório de Matos, Mariana explica que é preciso recordar certas características da poesia anterior ao Romantismo, como o platonismo da amada impossível e o desconcerto do mundo. 

Para a obra de Gregório de Matos, ainda é necessário entender como funciona o uso do escárnio e da sátira de costumes

Em Drummond, com Claro Enigma, segundo a coordenadora, é fundamental reconhecer a recorrência de temas, como a morte, a passagem do tempo e o não sentido do mundo. 

O Romanceiro da Inconfidência traz um gênero que há muito tempo não aparecia nas listas, o romance medieval. Nesse gênero existe uma narrativa em versos. “Os poemas vão contar a história da Inconfidência Mineira e, como Cecília Meireles ficou mais de dez anos estudando o evento, temos desde os grandes acontecimentos até os causos locais”. 

E Sobrevivendo no Inferno é uma obra que também deve ser lida como poesia. “O aluno deve reconhecer a perspectiva individual do compositor, mas também a coletiva, já que o que temos ali retrata uma experiência que diz respeito à realidade das periferias do Brasil”, explica. 

Dicas

O vestibular é um momento difícil, de muita ansiedade e incerteza. Mas literatura pode representar um momento de alívio, em meio a tantas fórmulas, nomes e eventos históricos. “Ler grandes autores, como são todos os que compõem as listas da Fuvest e da Unicamp, é uma forma de descobrir novas maneiras de ver e sentir”, diz Mariana. 

Uma dica prática é começar por obras mais atuais, como Sobrevivendo no Inferno, e depois partir para as mais antigas.

Outro ponto fundamental é criar o hábito de ler diariamente. Delimite um tempo para se dedicar às obras e tenha disciplina. Em um mês, já será mais fácil desenvolver suas leituras.

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