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Rivalidade histórica entre Estados Unidos e Alemanha entra em campo

Dois gigantes da economia mundial entrarão em campo para se enfrentarem pela Copa do Mundo de 2014. De um lado, os Estados Unidos, que ocupa a primeira posição no ranking mundial com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 16,7 trilhões. Do outro, a Alemanha, em quarto lugar na lista, com um PIB de US$ 3,6 trilhões. Mas, como a disputa é de futebol, o país germânico sai na frente, já que detém três títulos do mundial e tem muito mais tradição com a bola do que os americanos. A rivalidade, porém, é histórica e data de bem antes dessa Copa.

Se formos observar as relações americanas e alemãs da atualidade, veremos que os países são parceiros bem próximos (apesar de essa aliança ter sofrido um “arranhãozinho” depois que, no começo desse ano, a chanceler Angela Merkel descobriu que os norte-americanos andaram espionando suas ligações telefônicas). Mas, nada se compara com o clima de guerra entre as duas nações durante a Segunda Guerra Mundial, último grande conflito direto em que estiveram frente a frente.

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Imperialismo americano

As rivalidades entre os dois países começaram a apertar depois de 1871, quando a Alemanha se unificou e se tornou uma força europeia mais dominante. E por que isso preocupou os EUA? Voltando um pouco no tempo, temos que lembrar da Doutrina Monroe, como ficou conhecida a ideia criada pelo presidente norte-americano James Monroe, que governou entre 1817 e 1825 e foi autor da frase “América para os americanos”. Esse posicionamento político fazia frente à onda recolonizadora que tomou conta da Europa, após a derrota de Napoleão.

Os germânicos ameaçaram o “quintal” norte-americano no final do século 19, quando a marinha alemã tentou estabelecer uma base militar e comercial no Caribe, já que o local oferecia um bom posto de abastecimento de carvão para os navios. Os planos foram vetados pelo chanceler Otto von Bismark, que não queria estremer as relações com os EUA. Mas, assim que o chanceler foi deposto em 1890, os alemães continuaram de olho no território e denunciaram a Doutrina Monroe como uma atitude oportunista dos norte-americanos para se manterem hegemônicos na América.

Duas guerras mundiais

– 100 anos da Primeira Guerra Mundial e as consequências do conflito para o mundo atual

A pretensão expansionista do Império Alemão se confirmou em 1914, quando ele se uniu ao Império Austro-Húngaro e ao Império Turco-Otomano para dominar a Europa. Durante a Primeira Guerra Mundial, após navios norte-americanos serem afundados na costa da Inglaterra, os Estados Unidos entraram em 1917 para dar cabo do conflito e iniciar um novo capítulo na rivalidade com a Alemanha. Em 1918, três grandes impérios morreram de uma vez: o Alemão, o Austro-Húngaro e o Otomano. Os americanos saíram da guerra ainda mais poderosos, como a maior força militar do planeta.

– Saiba mais sobre os interesses dos EUA em entrar para a 1ª Guerra Mundial

O capítulo seguinte da rivalidade entre os países começou quando Adolf Hitler declarou guerra aos Estados Unidos, em 1941, o que formalizou a entrada dos americanos na Segunda Guerra Mundial. Isso aconteceu porque os japoneses, parceiros dos alemães no conflito, atacaram a base de Pearl Harbor e os EUA declararam guerra ao Japão. Mas não dá para encarar esse episódio com ingenuidade. De acordo com alguns historiadores, o governo americano sabia com antecedência que o Japão atacaria sua base no Havaí. Mas nada fez porque era o pretexto que buscava para entrar na Segunda Guerra. Enfim, ainda há controvérsias sobre o assunto.

Após a derrota do Terceiro Reich em 1945, as forças americanas foram uma das potências que ocuparam o território da Alemanha no pós-guerra. Com a Guerra Fria e o país dividido, as relações norte-americanas se fortaleceram com o lado Ocidental alemão, mas não com o Oriental, que vivia sob o domínio da União Soviética. A queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha marcaram uma nova era nas relações germano-americanas, que passaram a conviver diplomaticamente numa boa.

Depois de tudo isso, a gente espera que a rivalidade fique só no futebol mesmo.