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Tema de redação: a dismorfia do Instagram

Como o padrão estético das redes sociais se tornou irreal e cruel

Por Juliana Morales Atualizado em 17 nov 2020, 10h21 - Publicado em 14 nov 2020, 12h44

A pressão estética e o culto ao corpo padrão não são fenômenos recentes. Eles vêm permeando nossa sociedade ao longo dos anos, ganhando novas formas e dimensões. Com o avanço da internet, as redes sociais viraram o espaço “perfeito” para a disseminação cruel dos padrões e ideias de aparência e corpo ideais. 

Neste ano atípico, ficamos ainda mais imersos nas telas e novas ondas de cirurgia estética apareceram no isolamento, repercutindo nas próprias redes. Assim, a discussão sobre o tema torna-se ainda mais relevante. Separamos pontos importantes desse debate que pode aparecer em uma proposta de redação, confira!

Jovens na busca pela selfie perfeita

Por trás do feed do Instagram, cheio de tendências e likes, escondem-se números assustadores de problemas psicológicos. Uma pesquisa realizada pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem, mostrou que 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam redes sociais, mais do que qualquer outro grupo etário. Ao mesmo tempo, as taxas de ansiedade e depressão nessa parcela da população aumentaram 70% nos últimos 25 anos.

O tão discutido documentário da Netflix “O Dilema das Redes” abordou como as mídias sociais, além de terem ferramentas para aumentar o tempo conectado de cada usuário, acabam assumindo o controle da autoestima e o senso de identidade. “[As mídias sociais] não foram criadas por especialistas em psicologia infantil que queriam proteger as crianças. Elas foram criadas para gerar algoritmos que são ótimos em recomendar outro vídeo ou te fazer tirar uma foto com filtro”, aponta no filme Tristan Harris, ex-designer ético do Google.

O problema é ilustrado no documentário com a cena da caçula da família fictícia, usada como recurso de explicação. A adolescente posta uma selfie sem efeitos e acaba apagando porque não recebeu a aprovação em formas de curtidas e comentários. A “solução”, então, é publicar uma foto com filtro. O engajamento aumenta, mas no meio de tantos comentários, ela recebe críticas em relação à sua aparência. O sentimento de vazio e descontentamento do que vê no espelho (e na tela) só aumenta.

Esse novo padrão de beleza, de perfeição, influenciado pelos filtros cada vez mais aprimorados, foi apelidado anos atrás pelo cirurgião plástico americano Tijion Esho como “disformia do Snapchat”. O termo agora se expande para outras mídias como o Instagram. O resultado é o aumento de medidas extremas, como cirurgias estéticas, com o desejo de esconder para sempre as “imperfeições que, com filtros e efeitos, desaparecem em instantes. Um exemplo é a harmonização facial, que arrebanhou muitos adeptos a partir da repercussão na internet. A atriz Maria Bopp, a Blogueirinha do Fim do Mundo, falou sobre esse problema em um vídeo recente:

A gravidade e os riscos desses procedimentos acabam sendo banalizados. Mas não deveriam, como mostra a história da mineira Edisa Soloni, de 20 anos, que morreu no dia 11 de setembro, horas após submeter-se a três cirurgias plásticas. Reportagem do Estado de Minas conta que a jovem foi realizar as cirurgias, motivada pela propaganda nas redes sociais de uma clínica em um bairro nobre de Belo Horizonte e de um médico que se apresentava como cirurgião plástico em um perfil profissional no Instagram. Edisa se encantou pelas fotos de procedimentos estéticos bem-sucedidos, o “antes e depois”, que deveriam respeitar sempre os limites da propaganda e da publicidade médica.

+ Veja como proteger a saúde mental das armadilhas das redes sociais

O problema em dados

Dados da Academia Americana de Cirurgia Facial Plástica e Reconstrutiva de 2018 apontaram que 55% dos cirurgiões relataram ter visto pacientes solicitando procedimentos para “melhorar sua aparência em selfies”.

De acordo com uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgada em dezembro de 2019, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. O levantamento apontou que, em 2018, foram registradas mais de 1 milhão 498 mil cirurgias plásticas estéticas em nosso país, além de mais de 969 mil procedimentos estéticos não-cirúrgicos.

A jornalista e fundadora @movimentocorpolivre, Alexandra Gurgel, fez um vídeo que apresenta dados como esses e fala da influência da internet na autoestima de adolescentes. A influenciadora problematiza o aumento das cirurgias plásticas em público tão jovens.

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A influência do corpo ideal

Um outro aspecto atual no debate sobre pressão estética é a lipoaspiração HD, ou lipo LAD, que ganhou muito espaço nas redes sociais após celebridades realizarem a cirurgia (e postarem sobre ela). Assim como o procedimento cirúrgico tradicional de lipoaspiração, trata-se de aspirar a gordura abaixo da pele. Só que com uma técnica que destaca os músculos, deixando o corpo com um aspecto mais sarado e tonificado.

Muitos profissionais e clínicas estão realizando a divulgação desse procedimento por meio de parcerias entre celebridades e influenciadoras que, muitas vezes, não abordam os riscos da cirurgia. A atriz e estudante de Relações Internacionais Fernanda Concon usou seu Instagram para criticar a romantização e a naturalização da lipo LAD e de outras cirurgias plásticas.

“São pessoas de muita influência apresentando para o seu público as cirurgias plásticas como soluções simples e eficazes para problemas que vão, muitas vezes, além do estético. Sem ao menos criar uma conscientização, ou seja, explicar os reais motivos de estar fazendo a cirurgia, alertar sobre a reflexão que precisa ser feita antes de tomar a decisão, falar dos riscos da cirurgia”, opinou.

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Outra influenciadora que falou sobre a Lipo HD e a questão das permutas foi a @jojoca, que fala de esporte e mulheres. A atleta falou sobre os riscos da cirurgia e como falta responsabilidade ao tratar do tema nas redes sociais. Confira!

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Dica de leitura

Naomi Wolf em seu livro “O Mito da Beleza” falou sobre como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Segundo a autora, “o mito da beleza está sempre prescrevendo comportamentos, não aparência”. Fica aqui então uma dica de leitura para aprofundar nesse debate tão importante, seja para a redação ou para a sua saúde mental! 

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