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O que é preciso para se tornar um atleta olímpico?

Toneladas de esforço, horas de treino e um toque de sorte. Se a Olimpíada de Tóquio despertou em você a vontade de se tornar um atleta, conheça os caminhos

Por Giulia Gianolla, Luccas Diaz Atualizado em 9 ago 2021, 23h46 - Publicado em 8 ago 2021, 09h11

“Se eu comprar um skate agora, dá tempo de participar dos próximos jogos?”
“E se eu tivesse escutado aquele professor que disse que eu era boa no vôlei?”
“Eu com 13 anos mal sabia pedir uma pizza pelo telefone sozinho…”

É bem provável que um desses pensamentos tenha passado pela sua cabeça enquanto acompanhava os jogos olímpicos este ano. Ao assistir os atletas fazerem coisas que mais parecem dignas de super-heróis, é difícil não se sentir inspirado ou, pelo menos, se pegar pensando: “poxa, eu queria saber fazer isso”.

O Brasil se despede das Olimpíadas de Tóquio 2020 com um desempenho surpreendente e uma coleção não apenas de medalhas, mas também de histórias inspiradoras de muita dedicação. Ver Rayssa Leal, de 13 anos, Rebeca Andrade, 22, Ítalo Ferreira, 27, e tantos outros atletas “gente como a gente” serem reconhecidos pelos seus esforços, mostra que o caminho até o pódio não é fácil, mas também não é impossível.

Para quem se apegou ao espírito das Olimpíadas e quer começar a praticar um esporte de alto rendimento, a pergunta fica: como nasce um atleta olímpico?

Potencial na infância

Os ídolos Rebeca Andrade, da ginástica, e Ítalo Ferreira, do surf, têm algo em comum com tantos outros atletas da seleção brasileira: seus talentos chamaram a atenção de professores ou ‘olheiros’ logo na infância.

02.08.2021 - Jogos Olímpicos Tóquio 2020 - Ginástica Artística Feminina. Final do solo. Na foto a atleta Rebeca Andrade durante a final do solo.
Aos 22 anos, Rebeca Andrade já trouxe duas medalhas olímpicas ao Brasil. Wander Roberto/COB/Reprodução

Conhecida como “Daianinha de Guarulhos”, a jovem ginasta começou a dar piruetas aos 4 anos de idade. A tia logo percebeu a inclinação da jovem e inscreveu a garota no projeto social Iniciação Esportiva, mantido pela Prefeitura de Guarulhos, em São Paulo. Não demorou muito para que Rebeca chamasse a atenção da técnica da equipe, Mônica Barroso dos Anjos, e entrasse para o time de alto rendimento. Aos 13 anos, ela já era uma campeã brasileira.

27.07.2021 - Jogos Olímpicos Tóquio 2020 - Final do surfe masculino na praia de Tsurigasaki. Na foto Ítalo Ferreira medalha de ouro na competição.
Em Tóquio, Ítalo Ferreira se tornou o primeiro campeão olímpico da história do surfe. Jonne Roriz/COB/Reprodução

“Diz amém que o ouro vem” foi a frase que Ítalo Ferreira pronunciou poucos minutos depois de sagrar-se campeão mundial. O amém, no caso, veio acompanhado de anos e anos em cima de uma prancha. Ítalo dropou as primeiras ondas ainda na infância. Com a prancha emprestada dos primos ou improvisada em um pedaço de isopor, surfava nos arredores da pousada em que a mãe trabalhava em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte. O talento do jovem chamou a atenção do diretor de marketing de uma marca de surf, Luiz Campos Pinga, e em pouco tempo o rapaz já era destaque em competições e circuitos.

Ajuda de professores e olheiros

Boa parte dos atletas que começam na infância são considerados “talentos naturais” ou “prodígios”. Os responsáveis por fazer a descoberta desses talentos brutos são, muitas vezes, os próprios professores de educação física, ou também os chamados “olheiros”.

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O papel desses profissionais é identificar potencial nos atletas e levá-los para clubes de treinamento onde possam lapidar o “dom”. Alguns procuram talentos visitando escolas, assistindo a jogos juvenis interescolares ou até nas redes sociais. Por isso, é importante praticar o esporte, independente de onde for. Vai que tem alguém assistindo você? 😉

Onde treinar

Caso você esteja empenhado em iniciar uma carreira olímpica, você também pode se candidatar em um dos clubes cadastrados no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), listados na seção de confederações do site. Treinando em um clube, na Federação Estadual ou na Confederação Brasileira do seu esporte, você tem mais chance de chegar às Olimpíadas. Alguns contam com peneiras, outros com testes individuais: escolha o esporte, vá atrás do processo seletivo e, sobretudo, rale muito.

E não romantize porque não é nada fácil ser um atleta olímpico. A rotina de treinos pode ser desgastante e repetitiva até que os movimentos sejam naturais e precisos. Tem ainda as constantes lesões, dieta restritiva, e treinos que podem chegar a 12 horas diárias. Tudo para atingir a perfeição. Vai pedir pra entrar?

  • Programas de incentivo

    Geralmente, são as escolas a grande porta de entrada para o mundo dos esportes de alto rendimento. Nos Estados Unidos, por exemplo, o incentivo das universidades e escolas conta com bolsas de estudos e descontos na mensalidade para atletas. Isso possibilita que jovens se dediquem às suas paixões sem perder o ritmo nos estudos.

    No entanto, além de a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não incluir nas aulas de Educação Física o foco na formação de atletas, o Brasil sofre com a falta de apoio e financiamento para quem pratica esporte – o que pode ser o maior obstáculo. Cerca de 10% dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Tóquio, inclusive, não conseguem viver do esporte, tendo que buscar alternativas em outras profissões – sendo a mais frequente delas a de motorista de aplicativo. Outros, sem patrocínio, só conseguiram participar arrecadando fundos em vaquinhas online.

    No entanto, no último dia 15 de julho, a Lei de Incentivo ao Esporte passou por mudanças que prometem facilitar o investimento em projetos esportivos. De acordo com dados do governo federal, durante o ciclo olímpico atual, 2016 a 2021, a Lei teve 699 projetos voltados ao esporte de alto rendimento que foram aprovados para captação de recursos. O valor obtido neste período foi de mais de R$ 640 milhões.

    Ainda assim, a principal fonte de fomento para carreiras esportivas no Brasil são os clubes. Segundo o Comitê Brasileiros dos Clubes (CBC), nos Jogos Olímpicos Rio 2016, 84% dos 465 atletas que integraram a delegação brasileira foram formados em instituições privadas.

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