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7 mitos e verdades sobre a redação do Enem

É importante tomar cuidado para não confundir uma dica com uma regra

Por Julia Di Spagna Atualizado em 30 out 2020, 13h55 - Publicado em 29 out 2020, 18h09

Você já deve ter escutado uma série de afirmações sobre a redação do Enem: “precisa ter X parágrafos”, “não pode citar tal autor” ou “determinada regra zera a redação”. Mas o que será que é realmente verdade e o que foi dito apenas para dar uma dica, mas foi confundido com uma regra do exame?

Saber diferenciar mitos e verdades é fundamental para um bom resultado na prova. Algumas atitudes realmente podem prejudicar a sua nota ou acarretar na perda de centenas de pontos. Por isso, temos um desafio para você. Separamos algumas afirmações sobre o exame:

  • precisa ter quatro parágrafos
  • precisa ter título
  • precisa citar pelo menos um pensador famoso
  • precisa ter proposta de intervenção 
  • precisa respeitar os direitos humanos
  • não pode usar referências populares
  • não pode copiar nada da coletânea 

E aí? Sabe o que é verdade nessa lista? Conversamos com Milton Costa, professor de redação da Oficina do Estudante, e ele nos ajudou a esclarecer uma por uma. Confira abaixo:

Precisa ter quatro parágrafos

Mito. A verdade é que a maioria dos textos terá três ou quatro parágrafos, mas não é uma regra. O professor explica que a divisão ocorre por causa da estrutura do gênero dissertação escolar, que tem pelo menos três partes bem distintas: a introdução, o desenvolvimento das informações que estão nessa introdução, e a conclusão do raciocínio. No caso do Enem, o candidato pode, ainda, concentrar a proposta de intervenção no parágrafo conclusivo ou mencioná-la aos poucos ao longo do texto. 

“É uma questão de estilo, nada além disso. O Enem penaliza textos monobloco (de um parágrafo só), mas não os desclassifica”, diz Costa. 

A redação pode, portanto, ter dois, três, quatro, cinco ou mesmo seis parágrafos, mas essa divisão deve ser coerente – do ponto de vista do conteúdo – e coesa – do ponto de vista gramatical.

  • Precisa ter título

    Mito. A verdade é que o Enem não impede ninguém de fazer um título nem o leva em consideração na nota caso o candidato resolva fazer um; ou seja, não precisa ter. Mas isso é o que consta no edital. Segundo o professor, na prática, é um pouco mais complexo. 

    “É difícil que a leitura de um texto não seja influenciada pelo título. Se ele é adequado e espirituoso, a influência é boa. Se é inadequado e improvisado (impertinente e supostamente espirituoso), pode pôr tudo a perder”, diz. 

    E lembre-se que não há um espaço específico para títulos na folha de redação do Enem. Caso queira fazer um, o candidato deve colocá-lo na primeira linha da folha. 

    Precisa citar pelo menos um pensador famoso

    Mito. No Enem, o candidato deve mostrar que tem repertório dialogando com o tema e com os textos da coletânea. Essa ação pode, eventualmente, expor o pensamento de alguém de prestígio na sociedade, o chamado ‘argumento de autoridade’, uma voz respeitada que “autoriza” o discurso do vestibulando. Mas não é obrigatório. 

    Um ponto importante é que essa citação, caso ocorra, deve mesmo ser do tal pensador. Nada de inventar citações. E se conhecê-la com as palavras exatas, pode colocá-la entre aspas; caso não se lembre, mas saiba traduzir o que ela diz, pode usar o discurso indireto.

    Costa também ressalta: uma citação, ainda que verdadeira, deve ser coerente aos argumentos ou à tese que se está defendendo. “Se estiver apenas desfilando no texto, apenas para ‘cumprir tabela’, o candidato pode se dar muito mal. Sem contar a incoerência: o que essa citação está fazendo ali afinal?”, diz o professor. 

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    Precisa ter proposta de intervenção

    Verdade. O Enem pede claramente uma proposta de intervenção. A questão é que ele não desclassifica quem não a oferecer. Mas Costa explica que isso é um péssimo negócio: o Exame reserva 20% da nota apenas para ela. 

    Se o candidato não sugere uma intervenção, também perde pontos por mostrar que não compreendeu a proposta de redação, afinal o enunciado pede que se apresente uma. Ou seja, dos 1000 pontos possíveis, são 400 perdidos, que é o que essas duas competências (intervenção e compreensão da proposta) valem juntas. 

    Conclusão: todo candidato deve, sim, fazer uma proposta de intervenção.

    Precisa respeitar os direitos humanos

    Verdade. Se o texto desrespeita os Direitos Humanos, ele zera na 5ª competência. “E sobram 800 pontos então?” Na verdade, Costa explica que 600 pontos ficam comprometidos: os 200 da 5ª competência, os 200 da 2ª competência (compreensão da proposta) e os 200 da 4ª competência (coerência). “Ou seja, além de ser antiético, a nota será baixíssima.”

  • Não pode usar referências populares

    Mito. Como já explicamos, o importante é apresentar um repertório que dialogue com a proposta. 

    Referências populares (séries, filmes, HQs, tirinhas, charges, novelas) podem ser responsáveis por essa intertextualidade e servir para ilustrar certos raciocínios. 

    Mas o professor destaca alguns cuidados que precisam ser tomados: 

    1. busque apresentar uma referência popular, evitando algo muito específico que o corretor pode não conhecer e dificultar a compreensão
    2. se tiver uma referência muito boa, mas que não é tão famosa, não tem problema, desde que você faça uma boa contextualização, de maneira que o corretor que não a conheça seja capaz de entender do que se trata;
    3. livros religiosos e de autoajuda pautam-se em dogmas que não são bem-vindos em uma dissertação, que é uma discussão racional. São referências populares, e até podem ser usadas, mas com critérios redobrados e de forma muito cautelosa. Na dúvida, evite.

    Não pode copiar nada da coletânea 

    Mito. A verdade é que o Enem desconta as linhas copiadas de textos da coletânea do número total de linhas escritas pelo candidato; com isso, pode-se não atingir o número mínimo de linhas exigido pelo Exame. “Caso se perceba o plágio, a nota global certamente será afetada. Copiar trechos de quaisquer fontes é expediente condenável nas mais variadas esferas da vida, e não seria diferente no Enem”, afirma Costa. 

    Mas a coletânea não está lá à toa, e deve, sim, ser usada. “Trechos de meia linha, linha inteira ou linha e meia não farão estrago algum a nenhuma argumentação se devidamente creditados, com aspas ou não. Mais do que isso, ou sem o devido crédito, é pedir para ser penalizado.” 

    Dados estatísticos, medidas, quantidades, números de um modo geral, nomes de instituições, de pessoas, podem e, em certos casos, devem ser copiados. A interpretação do que está em qualquer texto da coletânea – verbal ou não verbal – ou a paráfrase em forma de resumo, podem ser feitos; contudo, sempre em função da argumentação. “Parafrasear a coletânea apenas por parafrasear, para ‘encher linguiça’ ou para mostrar somente que leu e entendeu (mas não propôs nenhum diálogo) é ser incoerente”, explica Costa. 

    Outra dica: o Enem voltou a enumerar os textos motivadores, mas nada de se referir a eles com expressões do tipo “de acordo com o Texto 1…” ou “segundo o Texto 2, …”. As fontes estão no rodapé de cada excerto; faz parte das habilidades esperadas do candidato a o desses créditos de maneira adequada. 

    “Embora quase todas as circunstâncias levem a crer que a redação do Enem é um exercício mecânico, utilitário, a boa redação desmente esse preconceito. Ela revela um leitor proficiente e apto a produzir o melhor do mais básico dos textos escritos”, finaliza o professor.

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