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Como usar inteligência artificial para praticar redação sem deixar de aprender

A IA pode ser uma aliada na preparação para o Enem e vestibulares, mas uso inadequado pode comprometer o desenvolvimento de habilidades importantes de escrita

Por Beatriz Arruda 29 ago 2026, 10h00
Um notebook preto aberto com a tela exibindo um campo de busca e a pergunta What can I help with?. O teclado está em primeiro plano, com algumas teclas refletindo luz. O fundo está desfocado em tons de verde e azul.
 (Aerps.com/Unsplash)
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Não há como negar: a inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de muitos estudantes. Com o avanço da tecnologia e o desenvolvimento de ferramentas capazes de produzir textos cada vez mais parecidos com a escrita humana, proibir ou punir completamente seu uso se torna um desafio.

Para entender como a inteligência artificial pode ser utilizada de maneira eficaz na preparação para a redação do Enem e outros vestibulares, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com Gabrielle Cavalin, gerente de redação do Poliedro Educação e professora do Curso Poliedro. Se você já usa ferramentas de IA para estudar, não se preocupe, o objetivo não é pedir para parar. Pelo contrário, a ideia é compreender, com a ajuda de uma especialista, como a IA pode ser uma aliada e também como estabelecer limites para que o uso não se torne prejudicial ao seu aprendizado.

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Professores percebem quando um texto é 100% de IA

Segundo Gabrielle Cavalin, a popularização de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, trouxe mudanças que logo foram percebidas nas redações dos alunos. Ela conta que começaram a chegar textos sem erros gramaticais, mas que apresentavam conteúdos que não faziam sentido com a coletânea ou com as discussões feitas em aula. “Para o professor que é leitor e corretor do texto do aluno, era perceptível que aquela produção não era autoral”, observa. Também chamava atenção o fato de que, em algumas redações, a escrita não correspondia ao nível de escolaridade dos estudantes ou era muito diferente da forma que eles costumavam escrever.

A especialista aponta que, em um primeiro momento, a atitude das escolas foi restringir o uso dessas ferramentas, priorizando as produções textuais feitas em sala de aula ou mesmo anulando redações com evidências de uso de IA. Mas diante de um cenário em que se tornou cada vez mais difícil identificar o uso de inteligência artificial, essa postura teve que mudar. “O meu papel hoje como professora é ensinar os alunos a utilizá-la de forma crítica, compreendendo quando ela amplia o processo de aprendizagem e quando substitui indevidamente a autoria”, explica Gabrielle.

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IA como aliada na preparação para o Enem e vestibulares

Para a professora, apesar dos riscos, a IA pode ser usada de maneira estratégica em diferentes momentos da elaboração de uma redação, desde a ampliação do repertório e a análise da proposta até o planejamento e a revisão do texto. O que define se a inteligência artificial será, de fato, benéfica ou prejudicial ao aluno é a intencionalidade do uso. “Em qualquer uma dessas etapas, a inteligência artificial pode contribuir quando é utilizada como ferramenta de apoio ao aprendizado, estimulando reflexão, pesquisa e aprimoramento”, esclarece.

Uma das possibilidades que a especialista cita é utilizar a inteligência artificial para ampliar o repertório sociocultural. De acordo com Gabrielle, a partir de um prompt bem elaborado os estudantes podem solicitar referências de diferentes áreas do conhecimento, como literatura, sociologia, filosofia, artes e atualidades, e utilizá-las para enriquecer a argumentação da redação. A IA também pode auxiliar no desenvolvimento da escrita, desde que não substitua a produção dos próprios alunos. “Ao corrigir um texto e explicar as alterações realizadas, a IA ajuda o estudante a compreender seus desvios da norma-padrão, identificar padrões de erro e aprimorar sua escrita”, detalha.

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Outro avanço proporcionado pela IA está nas plataformas de correção que utilizam a tecnologia para oferecer feedback aos estudantes. A professora cita como exemplo o MEC Enem, app disponibilizado pelo Ministério da Educação que permite produzir redações de temas de edições anteriores do Enem e receber uma correção automatizada. Gabrielle conta ainda que o cursinho onde leciona também tem avançado no uso da inteligência artificial como apoio ao processo de correção, mas ressalta: “o objetivo não é substituir o corretor, mas ampliar as possibilidades de prática dos estudantes, permitindo que escrevam mais e recebam mais feedback ao longo da preparação”.

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O que você perde quando deixa de escrever o próprio texto

Os riscos do uso da inteligência artificial, segundo Gabrielle, aparecem quando a tecnologia deixa de ser um apoio e o estudante passa a substituir seu próprio processo de escrita pela IA. “O problema não está na tecnologia em si, mas em utilizá-la para delegar aquilo que deveria ser construído pelo próprio aluno”, enfatiza. Isso acontece quando o aluno entrega à IA todas as etapas da elaboração de uma redação, desde o projeto de texto até a escrita da versão final.

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Essa substituição pode comprometer, por exemplo, o desenvolvimento do domínio da modalidade escrita da língua, competência essencial para aprimorar habilidades como construção sintática, coesão, escolha lexical e adequação à norma-padrão. “Embora oralidade e escrita compartilhem o mesmo sistema linguístico, a escrita exige um nível de elaboração que só se desenvolve por meio do estudo, da prática e da revisão constante”, reforça.

Outra competência que pode ser prejudicada pelo uso inadequado da IA é o pensamento crítico. Gabrielle explica que escrever uma redação envolve interpretar informações, relacionar ideias, selecionar argumentos, analisar diferentes perspectivas e construir um posicionamento. “Quando essas etapas são delegadas à inteligência artificial, o estudante deixa de exercitar processos cognitivos fundamentais para sua formação”, alerta.

A professora do Curso Poliedro também ressalta que é preciso ter cuidado com a ideia de que a resposta produzida pela inteligência artificial será sempre correta ou melhor do que aquilo que os estudantes são capazes de escrever. “Um dos maiores riscos é utilizar suas respostas sem questionamento. Mais importante do que saber usar a inteligência artificial é desenvolver a capacidade de avaliar criticamente aquilo que ela produz”, reforça. Por isso, é preciso sempre ter em mente que a IA pode reproduzir vieses, utilizar fontes imprecisas ou até mesmo inventar informações, em um fenômeno conhecido como alucinação.

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Para quem pretende utilizar a inteligência artificial como aliada nos estudos, Gabrielle orienta: “o objetivo deve ser aprender, e não apenas obter uma resposta pronta”. A tecnologia pode sim ajudar os estudantes a corrigir redações, identificar erros, ampliar o repertório e conhecer outras perspectivas sobre um tema. No entanto, a IA só contribui para a aprendizagem quando utilizada de maneira ativa. “O aprendizado acontece quando o estudante analisa criticamente essas informações e as incorpora à sua própria escrita”, conclui a professora.

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Redação
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