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Dá para ir bem na redação sem dominar o tema?

Não ter treinado o assunto não é motivo para se desesperar. Saiba o que fazer caso tope com um tema inédito na temporada de exames

Por Julia Di Spagna Atualizado em 11 nov 2020, 15h53 - Publicado em 13 nov 2020, 06h53

A redação é a prova mais temida por boa parte dos vestibulandos. Para se dar bem, é preciso treinar muito, estudar quais os temas têm mais chances de serem cobrados e analisar as coletâneas fornecidas pelas bancas. E todas essas atitudes são realmente muito importantes para um bom desempenho. Mas e se depois de todo esse esforço a proposta apresentar um assunto para o qual você não treinou?

Em primeiro lugar, nada de se desesperar! Segundo Fabiula Neubern, coordenadora de Redação do Curso Poliedro, se o candidato for um leitor assíduo, ou seja, alguém que lê jornais, sites de notícia, blogs ou livros cotidianamente, é possível ter um bom desempenho mesmo não dominando o tema. “Isso porque os temas de vestibular versam sobre questões atuais e que envolvem a sociedade na qual o vestibulando vive e da qual, espera-se, participa”, explica. 

Se, por exemplo, o tema solicitado por um exame for a “Dispensa remunerada de diaristas durante a pandemia” pode ser que esse tema, em específico, não tenha sido proposto nas aulas de redação durante o ano de 2020, mas o fato de ser algo que foi bastante divulgado nos portais de notícia e, também pelo fato de estar contido em assuntos sempre relevantes como as relações de trabalho e o desemprego, há boas chances de o aluno leitor conseguir escrever uma ótima redação com base nas suas leituras, vivências e no bom uso da coletânea

Ela ressalta que, se o tema já tiver sido treinado ao longo do ano, as sensações de segurança e de tranquilidade de não estar “no ponto zero” auxiliam no desempenho, mas isso não é tudo – o repertório sempre ajuda. 

Milton Costa, professor da Oficina do Estudante, também explica que a prova de redação do vestibular não deve ser passional. É, antes de tudo, uma prova técnica, que testa habilidades que podem ser adquiridas, ensinadas e aprendidas, treinadas, trabalhadas. E esse treino, para ser bom, deve ser indiferente aos temas, pelo simples fato de ser impossível treinar todos eles. “O candidato deve estar preparado para escrever sobre o que aparecer, independentemente do nível de conhecimento que ele tem acerca do assunto ou do tema”, diz. 

Além disso, no geral, as coletâneas são suficientes para se produzir bons textos. “Fazer com que os excertos dessa coletânea, bem como os dados nela contidos, dialoguem com outros textos fora dali é o desejável, e é aí que mora o repertório próprio. Busque dialogar com o que sabe e é muito difícil que você não saiba nada de fato”, afirma Costa. 

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É importante lembrar, também, que a estrutura estudada e reproduzida nos textos escritos ao longo do ano representa uma significativa parte do desempenho, pois nos diversos vestibulares, a nota de tema faz parte de uma pequena porcentagem do total. “A técnica de escrita tem um peso enorme e que nem sempre é observado ou valorizado. No Enem, por exemplo, 20% da nota diz respeito ao domínio da língua. Outros 20%, ao uso de mecanismos linguísticos que garantam a coesão”, diz Neubern. Ou seja, uma boa redação é um conjunto entre técnica de escrita e leitura, não somente conhecimento do tema. 

A melhor preparação

Além de obviamente produzir no mínimo uma proposta por semana, é necessário dedicar pelo menos uma hora de leitura diária a textos da imprensa tradicional, portais de notícia, jornais, blogs, de domingo a domingo, sobre diversos temas. O importante é estabelecer o hábito. Segundo Costa, essa tarefa diária é tão importante quanto aquela lista imensa de exercícios de Física que você tem para fazer. Depois de uma semana agindo assim, de forma disciplinada, os resultados já vão aparecer. 

Dica: procure veículos confiáveis e tente ler pontos de vista diferentes. “Todos os dias há opiniões divergentes sobre tudo, de democracia a meio ambiente, de ditadura a liberdade de expressão, dos mais preparados especialistas ao mais interessado dos leitores, em cartas, ensaios, crônicas, editoriais, artigos, charges, tirinhas e colunas, além de informação em forma de notícias e reportagens”, diz Costa. Aproveite e explore essa pluralidade.

Na hora da prova

Se você não dominar o tema, comece se perguntando:

  1. Em qual eixo temático ou “grande assunto” esse tema está contido?
  2. Tenho histórico de leitura ou de escrita relacionado a esse eixo?
  3. O que posso aproveitar/vincular com essa escrita ou leitura anteriores?

Depois faça uma leitura atenta da coletânea, identificando pontos relevantes com os quais você possa “dialogar”, ou seja, pontos que podem ser analisados com as suas ferramentas: opinião, visão crítica e repertório. Se conseguir lembrar de algum episódio de filme, série, novela, HQ ou livro que possa servir de ilustração para os argumentos que estiver desenvolvendo, bote no papel e dê detalhes suficientes para que quem não saiba do que se trata possa entender a referência. Resolver outras questões da prova também ajuda no desenvolvimento de ideias. 

Com todos esses elementos em mãos é a hora de encarar esse desafio e aproveitar os recursos que você treinou ao longo do ano para entregar um texto bem estruturado, gramaticalmente correto e amarrado com seu repertório.

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