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Tudo que você precisa saber sobre a redação da Unesp

A segunda fase acontece nos dias 15 e 16 de dezembro; veja dicas para mandar muito bem na redação da Unesp.

A segunda fase da Unesp vai rolar nos dias 15 e 16 de dezembro, e a prova de redação será aplicada no segundo dia. Ela tem valor de 28 pontos dentre os 100 totais (dos dois dias da segunda etapa). Por isso, mandar bem na redação é um passo muito importante para entrar na universidade. 

A instituição exige o tipo dissertativo de texto, mais comum nos vestibulares. Esse gênero pede que você desenvolva uma ideia, um problema ou um questionamento com uma consideração final que deve estar de acordo com os argumentos expostos. Na redação da Unesp, não é obrigatório sugerir uma intervenção, como é cobrado no Enem.

As propostas de redação apresentam uma coletânea de textos motivadores. Eles servem como ponto de partida para a reflexão sobre o tema que deverá ser abordado. Use os trechos como base e nada de copiá-los ou fazer referências diretas como “segundo o autor do primeiro texto/ da coletânea/do texto I”. Isso pode zerar a prova.

Veja como usar a coletânea da melhor maneira. Afinal, os textos estão lá para te ajudar, mas é importante saber usá-los, viu?

Critérios de avaliação

Para evitar grandes deslizes, é importante ficar atento aos critérios nos quais a prova de redação será avaliada. Segundo a Vunesp, responsável pela prova, os textos precisam se adequar a três aspectos. Confira:

Tema: a fuga completa ao tema proposto é motivo suficiente para que a redação não seja corrigida em qualquer outro de seus aspectos, recebendo nota zero.

Estrutura (gênero/tipo de texto e coerência):  avalia-se como o candidato sustenta sua tese em termos argumentativos e como essa argumentação está organizada (introdução, desenvolvimento e conclusão). Objetividade é essencial, sendo assim, o uso de primeira pessoa do singular e de segunda pessoa (singular e plural) poderá ser penalizado.

Na coerência, os avaliadores observarão, além da pertinência dos argumentos mobilizados para a defesa do ponto de vista, a capacidade do candidato de encadear as ideias de forma lógica e coerente.

Expressão (coesão e modalidade): avalia-se, na coesão, o uso dos recursos coesivos da língua (anáforas, catáforas, substituições, conjunções etc.) de modo a tornar a relação entre frases e períodos e entre os parágrafos do texto mais clara e precisa.

Na modalidade, serão examinados os aspectos gramaticais como ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação, bem como a escolha lexical (precisão vocabular) e o grau de formalidade/informalidade expressa em palavras e expressões.

Assim, a redação é anulada em casos de fuga do tema, letra ilegível, texto com menos de sete linhas ou identificação da autoria da redação em qualquer ponto da folha.

Temática

De acordo com os cinco últimos temas de redação do vestibular da Unesp, podemos traçar um perfil temático da prova de redação: a problematização social. Para exemplificar, temos propostas sobre racismo, imagens trágicas, concentração de renda, voto facultativo e consumo.

2015: A frase-tema “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil” cobrava reflexões acerca da herança da escravidão presente no Brasil contemporâneo e sua relação com o racismo contra negros no país.

2016: A replicação da imagem de Aylan Kurdi – a criança síria de 3 anos que morreu afogada numa praia da Turquia – morto, com o rosto enterrado na areia, foi o ponto de partida para a discussão proposta: Publicação de imagens trágicas: banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?.

2017: A extrema concentração de renda foi colocada em questão nesse ano. Na proposta “A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira?”, o candidato deveria discutir se o fato dos 10% dos mais ricos possuírem 85% da riqueza mundial (dados de 2000, citados na coletânea) beneficiaria a sociedade como um todo.

2018: Com base nas eleições nacionais de 2018, o sistema eleitoral foi mote para a discussão se “O voto deveria ser facultativo no Brasil?”. Questão comum em sociedades democráticas, o candidato deveria se posicionar frente à obrigatoriedade do voto nas eleições.

2019: Ao reescrever a frase do filósofo René Descartes (1596-1650) “Penso, logo existo”, e transformá-la numa pergunta associada ao consumo (“Compro, logo existo?”), a Unesp propõe reflexões a respeito da identidade do indivíduo contemporâneo ser baseada na compra de produtos.

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Como ressalta o professor Marcelo Maluf, da Oficina do Estudante, para o vestibular da Unesp, o candidato precisa, então, estar inteirado sobre as discussões contemporâneas sobre o lugar do indivíduo no mundo e, por meio do texto, expressar como enxerga o funcionamento social nacional e mundialmente.

A professora Ana Cristina Campedelli, da Oficina, concorda e fala que a prova de redação é considerada justa, já que “relaciona-se sempre com algo atual e que o estudante teve acesso por meio da mídia e, portanto, ele sabe do que se trata o texto”. Ela ainda aconselha caso o candidato “ trave” diante da proposta: “a dica é transformar a frase temática em um pergunta, cujas respostas auxiliarão a sair do branco e elaborar o texto melhor”.

Para te ajudar a ficar antenado, confira o podcast Atualidades do GE.