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Estudante da rede pública que ajudou o pai pedreiro é aprovado em medicina

Para complementar a renda da família e comprar materiais de estudos, Adailson Moura trabalhou durante a pandemia. O jovem passou no vestibular da UFPA

Por Wender Starlles 22 abr 2021, 15h22

Aprovado no vestibular de medicina na Universidade Federal do Pará (UFPA), Adailson Moura, 18 anos, tem uma verdadeira história de superação. Ele precisou conciliar os estudos durante a quarentena com o auxílio no trabalho do pai, que é pedreiro.

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Os serviços de costura que a mãe do estudante oferecia no distrito onde moram, em Icoaraci, periferia da capital de Belém, também ficaram cada vez mais escassos. Para contornar as dificuldades, ele e os irmãos decidiram ajudar a complementar a renda da família, que foi bastante afetada no ano passado. “Fazíamos isso porque era dali que o nosso material ou qualquer meio tecnológico poderia ser adquirido para colaborar com os nossos estudos”, comenta Adailson. 

Durante a preparação para o vestibular, o jovem demorou a se adaptar ao formato de ensino online. Em casa, assim como é a realidade de muitos outros estudantes brasileiros, Adailson não tinha um lugar adequado onde pudesse se dedicar aos estudos, sem ser atrapalhado.

Apesar desses obstáculos, o sonho de cursar medicina e o apoio da família foram peças fundamentais na aprovação de um curso tão concorrido em uma universidade pública. “Enfrentar um exame ou qualquer concurso é algo cansativo. Não só fisicamente, mas também mentalmente, então, sem a ajuda deles seria muito mais difícil”, disse.

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  • Para outros estudantes de escola pública que desejam ingressar no ensino superior, Adailson deixa uma mensagem inspiradora. “As dificuldades existem. Talvez você não tenha condições de ter um ensino com excelentes materiais ou seus familiares não te apoiem, mas só você sabe o tamanho do seu sonho. Siga em frente, você é capaz”, aconselha. 

    Até o quinto ano do ensino fundamental, o jovem estudava numa escola particular com bolsa integral. Depois desse período, quando precisou ingressar no sistema público de ensino, ele percebeu que as coisas seriam mais complicadas. A falta de materiais para os professores foi um dos pontos que mais chamaram a sua atenção. Em contrapartida, a dedicação do corpo docente se destacava, apesar das péssimas condições de trabalho. “Eles eram realmente comprometidos com o ensino, viam a condição econômica da turma e traziam apostilas de graça para os alunos”, destaca.

    A periferia venceu: Adailson Moura e Samira Oliveira são os novos calouros da UFPA em 2021
    A periferia venceu: Adailson Moura e Samira Oliveira são os novos calouros da UFPA em 2021 Arquivo pessoal/Divulgação

    Embora ainda não tenha começado as aulas do curso direito, Adailson sabe das lutas que terá de enfrentar na área da saúde no Brasil.  “Em certos lugares, é muito negligenciada, nem todos têm acesso a um exame ou uma simples consulta. O mínimo que eu fizer para essas pessoas, além de ser algo gratificante na minha vida, ajudará de forma absurda uma família que está sofrendo”, explica. Seu interesse pelo curso de medicina teve início no Ensino Médio, com as aulas de um querido professor de biologia que, nas palavras do estudante, conseguiu mostrar a beleza do corpo humano, além de transmitir o conhecimento de uma maneira admirável.

    Quando viu o nome na lista de aprovados, Adailson comenta que sentiu uma sensação indescritível. Lembrou de todas as dificuldades enfrentadas e das noites adentro que precisou estudar. Mas esse momento se transformou em festa. “O famoso ‘listão’ é um dos dias mais aguardados do povo paraense e é um dos dias mais alegres da região, os estudantes saem nos carros, colocam uma música tradicional daqui, se sujam de ovo, trigo, colorau e fazem desse dia o melhor da vida deles”, afirma.

    A Universidade Federal do Pará - UFPA é cortada pelo Rio Guamá. Nos últimos anos a UFPA aumentou o acesso para estudantes indígenas, quilombolas e oriundos das periferias
    A Universidade Federal do Pará (UFPA) é atravessada pelo Rio Guamá. Nos últimos anos a UFPA aumentou o acesso para estudantes indígenas, quilombolas e oriundos das periferias. UFPA/Divulgação

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