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‘Passei em 1º lugar em Medicina na USP-RP no meio da pandemia’ 😱

Isabela Nardo conta tudo que aprendeu em 2020, que a fez realizar o sonho de entrar na USP

Por Giulia Gianolla Atualizado em 1 abr 2021, 15h53 - Publicado em 1 abr 2021, 11h15

Desde pequenininha, meu grande sonho sempre foi fazer medicina. Sim, por querer ajudar pessoas, mas não só por isso, até porque acredito que a gente pode ajudar os outros em qualquer profissão. O que realmente me fascina é o quão perfeito é o corpo humano. Ele é quase uma máquina, com engrenagens e sistemas que funcionam juntos perfeitamente. Desde criança, meu olho sempre brilha quando penso na ideia de entender como tudo isso funciona. E essa certeza foi o que me levou a prestar o vestibular mais concorrido do país.

Meu nome é Isabela, tenho 18 anos, sou de Piracicaba e acabo de passar em primeiro lugar em Medicina na USP-Ribeirão Preto. É um sonho se tornando realidade, mas não foi nada fácil. Consegui passar no meio de uma pandemia, tendo que me adaptar a uma rotina completamente nova em casa, sem falar nos surtos de vestibulando que eu acho que todo mundo passa. É um orgulho muito grande, tanto que nem acreditei quando vi minha posição, mas isso com certeza foi fruto de muito estudo e dedicação.

Cresci estudando numa escola particular da minha cidade, o Colégio Luiz de Queiroz (aliás, o mesmo nome da unidade da USP que fica em Piracicaba), onde passei o ensino médio inteiro fazendo provas de vestibular para treinar e chegar aonde eu queria. No terceiro ano, quando finalmente chegou a hora de usar tudo que eu sabia… Não passei. Fiquei de fora por uns 2 pontos em todos os vestibulares, não fui nem para a segunda fase. Fiquei muito triste, chorei por um dia inteiro, mas lá no fundo eu sabia que ainda não era a hora, que eu não estava preparada pra passar.

Então, em 2020, entrei em um cursinho da minha cidade mesmo e comecei de novo. Não vou negar, foi um ano bem desgastante. O período do cursinho é muito cansativo, eram quase 15 horas de estudo todos os dias e a única coisa que salva, que seriam os amigos, eu não consegui ter. A pandemia começou com menos de um mês de aulas e eu mal tive contato com os outros alunos. 

Mas, querendo ou não, a gente acaba achando algo positivo nesse tempo. Depois de tanto estudo, é muito legal a sensação de finalmente aprender algo que você não sabia antes, conseguir resolver um exercício de Física que antes você não entendia, se superar a cada momento… Essas pequenas vitórias do dia a dia foram muito gratificantes e fazem valer a pena. Se não fosse por isso e pelo apoio da minha família, que ficou do meu lado o ano todo, eu teria pirado.

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Hoje, olhando para trás, vejo que realmente não estava pronta quando prestei pela primeira vez. Eu era desorganizada, só estudava para as matérias de que gostava e tinha horários muito diferentes. Se eu pudesse falar comigo mesma naquela época, a dica mais valiosa que eu daria é: tenha uma rotina mais regrada e seja disciplinada. 

Em 2020, aprendi a ter um horário pra tudo, até mesmo pra acordar, relaxar, assistir TV… Eu fazia exatamente as mesmas coisas sempre, era muito metódica. Passei a fazer muitas provas antigas que achava na internet, muitos exercícios, mas sempre com horário fixo. Parece chato, mas era essa regularidade que ajudava, porque eu sempre sabia o que eu tinha que fazer. Se você não se organiza, não tem um horário pra cada coisa, acaba se sentindo perdido. É tudo uma questão de ter calma e dar tempo ao tempo. É natural que, no começo, pareça que você não vai entender nada, mas é um processo. 

Agora, começa uma nova etapa pra mim. É muito esquisito pensar que vai ser à distância nesse início, que vou perder as festas, o trote, a integração, que são tão famosos na USP, mas estou curiosa para ver como vai ser. É o que sempre quis, então de qualquer forma, me sinto animada e pronta pra viver tudo isso.

É só esperar: minhas aulas começam no próximo dia 12, daqui a algumas semanas. E o que vou fazer nesse tempo? A resposta é simples: nada. Nada mesmo. Vou ver minhas séries, fazer algum exercício físico, descansar muuuito. Vou aproveitar esse gostinho de vitória e me preparar para o resto da caminhada. Tá só começando. 🙂

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