Guia do Estudante

3 fatos sobre a vírgula que você precisa saber

Carolina Vellei | 13/04/2015

A vírgula é, de longe, o sinal de pontuação que mais confunde a cabeça das pessoas. Dependendo de como ela é usada, pode mudar completamente o sentido de uma frase. Um exemplo famoso:

- Não, espere.

- Não espere.

Com vírgula, é um pedido para esperar. Sem vírgula, para que vá embora. Olha só! Uma vírgula pode até salvar um relacionamento ou destruí-lo. Perigoso, hein? ;)

virgula

Depois de ler o resumo do GUIA DO ESTUDANTE com algumas regrinhas do bom uso da vírgula, vale a pena conferir 3 fatos sobre o sinal de pontuação que você talvez não conheça! Vamos lá:

 

- A vírgula não existe para marcar pausas

No livro Guia Prático do Português Correto, o professor Cláudio Moreno explica que a pontuação baseada nas pausas tem origem na Idade Média. Naquela época, o hábito da leitura silenciosa ainda não era uma prática muito comum. O normal mesmo era ler em voz alta, e os sinais de pontuação serviam, por isso, para marcar as pausas e as entonações. Essa norma durou por muitos séculos e vigorou, ao menos no Brasil, até a década de 1960. Se você está no ensino médio agora, a chance de seus pais e avós terem aprendido ainda nesse modelo é grande.

Até por isso, muitas pessoas acabam separando o sujeito do predicado com a vírgula porque entendem que ali está uma pausa. Leia as frases a seguir em voz alta e tente identificar o local em que elas farão uma pausa mais marcada:

- Os quatro jogadores da Seleção Brasileira# chegaram ontem aos Estados Unidos.

- A janela, a porta e a geladeira# foram compradas na loja do meu tio.

A chance de o “respiro” cair onde estão marcados os # é grande (exatamente na divisão entre sujeito e predicado). Como vocês vão ler no próximo ponto, a função da vírgula hoje é bem diferente. Assim como as outras pontuações, ela é usada para orientador o leitor na interpretação do que está escrito.

 

- Colocar vírgula entre sujeito e predicado é proibido? Não é bem assim…

Ao contrário da acentuação e da ortografia, em vez de regras, a pontuação tem um princípio fundamental: ajudar o leitor a processar de forma rápida e correta o que está escrito. Desse princípio surgiram diversos procedimentos que a prática (e não a regra acadêmica) veio refinando ao longo do tempo. A recomendação é que os sinais sejam usados apenas nos locais em que o leitor precise ser avisado de que algo diferente está acontecendo. Isso faz com que ele não perca o fio da meada e tenha uma leitura fluída do texto. Não se recomenda colocar vírgula entre sujeito e predicado ou entre o verbo e seus complementos porque isso só serviria para atrapalhar a leitura.

No entanto, existem algumas exceções que permitem o uso da vírgula quando a intenção é facilitar o entendimento da frase (lembre-se do princípio fundamental!). Por exemplo, quando o sujeito é oracional (representado por uma oração subordinada substantiva). Muitos escritores usam uma vírgula para marcar com mais clareza o fim do bloco do sujeito. O professor Moreno relembra alguns exemplos presentes nas narrativas de Machado de Assis. O escritor realista usa tanto com vírgula (“Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência”), como sem (“Quem não viu aquilo não viu nada”).

Outro motivo para usar uma vírgula entre o suj/pred é evitar interpretações incorretas. Veja o exemplo abaixo:

- A pessoa que não lê mal ouve, mal fala, mal vê. (sem a vírgula depois do sujeito – marcado em negrito – existirão leitores que poderão interpretar como “a pessoa que não lê mal”. Colocando a vírgula esse problema desaparece).

 

- Existem 3 situações em que a vírgula antes do “e” é permitida

1 – Quando o “e” liga duas orações cujos sujeitos são diferentes

Ex:

Eu comi o bolo, e Dona Maria foi rezar na igreja. (“Eu” é o sujeito da primeira oração e “Dona Maria” o sujeito da segunda oração)

2 – Quando o “e” introduz a sequência de várias orações ou termos

Ex:

O rapaz se oferece, e pede, e argumenta; a moça vacila, e pensa…

Preciso comprar farinha, e arroz, e feijão, e mandioca.

3 – Quando o “e” integra a expressão “e sim” (com o sentido de “mas”)

Ex: 

Ele não era propriamente um amigo, e sim um falso colega. (Ele não era propriamente um amigo, mas um falso colega)

 

Consultoria:

Guia Prático do Português Correto – Vol. 4 , Pontuação
Cláudio Moreno
Ed. L&PM Pocket

Escreva Certo
Édison de Oliveira e Maria Elyse Bernd
Ed. L&PM Pocket

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Categoria: Dica

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Nova proposta de redação: redução da maioridade penal

Ana Prado | 02/04/2015

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Acompanhando um tema muito discutido nos últimos dias, a proposta desta semana foi tirada da segunda etapa do Processo Seletivo de Avaliação Seriada (PAS) de 2013 da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Leia os fragmentos abaixo:

FRAGMENTO 1

CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
Altamiro Borges

Dados da ONU apontam que uma minoria de países define o adulto como pessoa menor de 18 anos. De acordo com a Unicef, de 53 países, sem contar o Brasil, 42 adotam a maioridade penal aos 18 anos ou mais, o que corresponde às recomendações internacionais de existência de um sistema de justiça específico para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos. Ou seja, a legislação brasileira é avançada por ser especializada para essa faixa etária. Não existe uma solução mágica para os problemas na área de segurança pública que nosso País vivencia. A redução da maioridade penal ou o prolongamento do tempo de internação não passam de uma cortina de fumaça para encobrir os reais problemas da nossa sociedade. A universalização da educação de qualidade em todos os níveis e o combate à violenta desigualdade social, somados a programas estruturantes de cidadania, devem ser utilizados como instrumentos principais de ação em um País que se quer mais seguro e justo. Os dados do sistema carcerário nacional – em que 70% dos presos reincidem na prática de crimes – demonstram que essas mesmas “soluções mágicas” só fizeram aumentar os problemas. O encarceramento das mulheres cresce assustadoramente e, com relação às crianças e aos adolescentes, o que se vê são os mesmos problemas dos estabelecimentos direcionados aos adultos: superlotação, práticas de tortura e violações da dignidade da pessoa humana. Reduzir a maioridade penal é inconstitucional e representa um decreto de falência do Estado brasileiro, por deixar claro à sociedade que a Constituição é letra-morta e que as instituições não têm capacidade de realizar os direitos civis e sociais previstos na legislação. Às crianças, aos adolescentes e aos jovens brasileiros, defendemos o cuidado, pois são eles que construirão a Nação brasileira das próximas décadas. Cuidar significa investimento em educação, políticas sociais estruturantes e, sobretudo, respeito à dignidade humana.

Disponível em: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/05/contra-reducao-da-maioridade-penal.html (Adaptado) Acesso em: 10/5/2013.

 

FRAGMENTO 2

[...] Hoje, uma pessoa com 16 ou 17 anos já é capaz de ter sua personalidade formada, tendo ciência acurada do certo e do errado. Logo, colocar esses marginais na prisão com penas equivalentes aos crimes por eles cometidos não pode ser configurado como um ato de maldade para com um inocente. Além disso, todos sabemos que as instituições que acolhem menores infratores não conseguem ressocializar seus detentos, que muitas vezes saem de lá e são promovidos para as cadeias comuns depois de adultos. O adolescente, em conflito com a lei, ao saber que não receberá as mesmas penas de um adulto, não se inibe ao cometer mais atos infracionais. Isso alimenta a sensação de impunidade e gera crimes que jamais poderiam acontecer. Graças a essa impunidade, muitos criminosos recrutam menores de idade (buchas) para executar suas atividades criminosas. A maioria das pessoas já está cansada de saber que os delinquentes juvenis são os maiores causadores de roubos e pequenos furtos no nosso país, sendo eles presos e logo soltos para voltar para o crime. Como resultado desse sistema, pessoas passam a ter medo de andar na rua. Muitas são as pessoas que sofrem doenças psicológicas em função do pânico que já passaram na mão desses fascínoras, sendo obrigadas a gastar fortunas em tratamentos médicos e psiquiátricos. Logo, toda a nossa sociedade paga caro com a tolerância a esses delinquentes. Enquanto o brasileiro sofre, os bandidos ganham a famigerada bolsa bandido para alimentar a família deles. No Brasil, ser bandido é um bom negócio. Enquanto que o pobre luta para se alimentar, os bandidos nada produzem para se alimentar com o nosso dinheiro. Todo o conforto que eles têm é um luxo se compararmos com o que os pobres miseráveis do Brasil precisam fazer para alimentar suas famílias. Assim, a redução da maioridade penal é apenas o primeiro passo para que possamos criar um país menos acostumado com a imoralidade dos crimes. Não se trata de vingança, se trata de justiça. Não se trata apenas de reduzir a maioridade penal, temos que elevar a moralidade penal.

Disponível em: http://acidblacknerd.wordpress.com/2013/04/25/euvi-reducao-da-maiorida-penal10-motivos-para-ser-a-favor-10- motivos-para-ser-contra/ (Adaptado) Acesso em: 10/5/2013.

Tendo em vista a temática “REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL” desenvolvida nos textos integrantes do caderno de prova e nos fragmentos acima, escreva um ARTIGO DE OPINIÃO, destinado a ser publicado em um blog destinado a estudantes universitários. Você deverá contextualizar o tema, discutir posições e manifestar explicitamente seu posicionamento. O texto deve ter coerência, coesão e argumentação fundamentada. Dê um título criativo. Seu texto deve ter entre 180 e 300 palavras.

Você pode enviar seu texto até quinta-feira, dia 9 de abril, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com, em um anexo ou no corpo na mensagem. Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog. Importante: apenas uma redação será corrigida, mas lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

 

 

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Categoria: Proposta

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Análise da redação para a proposta “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil”

Ana Prado | 27/03/2015

O vestibular 2015/1 da Universidade Estadual Paulista (Unesp) pediu para os candidatos dissertarem sobre “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil” (leia a proposta na íntegra aqui).

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Leia a seguir texto escolhido:

Ninguém se considera racista, mas conhece algum. É evidente que a sociedade brasileira ainda carrega esse preconceito racial, trazido desde o século XIX, quando a Lei Áurea de 1888 pôs fim a escravidão, mas não a liberdade efetiva dos negros, escravos.

Uma pesquisa realizada em São Paulo em 1988, mostrou que a população brasileira possui um preconceito étnico-racial “mascarado” um “apartheid invisível”, na qual 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito e 98% dos mesmos disseram conhecer outras pessoas que tinham, preconceito. Isso só vem ratificar que mesmo após 400 anos do fim da escravidão ainda somos discriminadores raciais e além de tudo não aceitamos a nossa identidade. Os africanos que chegaram no Brasil no período da colonização influenciaram na cultura, na construção da identidade brasileira.

No século XIX, predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que possuía como modelo a cultura europeia -maioria branca- fato que ficou evidenciado com a imigração de europeus para o “embranquecimento” da população brasileira. Esse ideal, portanto, contribuiu para a existência de um sentimento contrário aos negros, sentimento este que se manifestava pela repressão às suas atividades culturais e pela restrição de acesso a certos ramos profissionais.

A naturalização da desigualdade social é tratada no livro A Ralé Brasileira, de Jessé Souza, o autor expõe uma sociedade discriminatória que classifica seres humanos em diferentes categorias, de acordo com sua posição econômica e étnica, marginalizando as pessoas descendentes de africanos, prejudicando-os na ascensão econômica.

 

Comentários da professora de redação do Colégio e Curso Oficina do Estudante, Ednir Barboza: 

COMENTÁRIOS SOBRE A PROPOSTA

Esta proposta de redação convida o aluno a discorrer sobre um tema bastante presente em  nossas relações com o preconceito racial, especialmente, em relação ao negro. A coletânea de textos inspiradores é composta de 4 fragmentos, mais uma foto, que deixam inconteste a presença do preconceito entre brasileiros: camuflado ou não, ele existe! Dos 5 textos, apenas um defende a ausência de preconceito, mas mesmo assim, baseado numa pesquisa que conclui que o preconceito está presente em empresas brasileiras.

A tarefa do aluno era ler, entender e interpretar a coletânea e, a partir daí, criar sua própria impressão sobre o assunto.  Portanto, antes de começar a escrever, o aluno deveria ter formulado sua opinião a respeito do tema: o legado da escravidão e  o  preconceito contra o negro. A primeira conclusão a que se chega ao ler a proposta é que a escravidão deixou marcas indeléveis nesse preconceito velado, mas presente em nossas relações com o negro, no Brasil. E que esse sentimento tem suas origens na escravidão que trouxe africanos para trabalhar de forma sub-humana na lavoura.

AVALIAÇÃO DA REDAÇÃO

Vejamos o texto do aluno que faz uma boa leitura dos textos oferecidos e contribui, também com dados de seu conhecimento próprio. Entretanto, a estrutura do texto, que deve ser dissertativo, peca em alguns aspectos que esclareceremos abaixo.

Afirma no primeiro parágrafo  que “ a sociedade brasileira ainda carrega esse preconceito racial,…” e faz referência à escravidão, ao citar o seu fim com a Lei Áurea. Essa é, portanto, a tese do texto que deverá ser comprovada nos parágrafos seguintes. No segundo parágrafo, o texto argumenta em favor da tese apresentada, mas não traz nenhuma palavra de coesão unindo os 2 parágrafos iniciais. [nesse caso, o parágrafo poderia ter-se iniciado com uma expressão como: isso fica evidente quando se lê uma pesquisa…] é importante lembrar, aqui, que o texto dissertativo precisa ser articulado; as ideias precisam estar interligadas para uma melhor compreensão do todo. Ainda deve-se ressaltar que houve um erro de cálculo ao se afirmar que faz 400 anos que a escravidão terminou legalmente. De 1888 a 2015, temos 127 anos…

No terceiro parágrafo, o aluno continua com sua argumentação esclarecendo a presença do preconceito entre brasileiros, mas também  não há elementos de coesão entre as ideias. O parágrafo poderia ter-se iniciado com : esse sentimento de aversão ao negro, tem sua origem no século XIX, quando predominava…

O último parágrafo, que deveria encerrar o texto, expondo a conclusão a que se chegou após a argumentação, traz um elemento novo- a citação de um autor e seu livro que retrata o preconceito contra os negros. A citação é bem vinda, mas deveria estar entrelaçando os argumentos citados anteriormente não servir como conclusão do texto. A conclusão, numa dissertação, precisa ser o fecho que confirma o que se discutiu no corpo da redação– deve dar conta de retomar a tese e expô-la, no final, já confirmada pela argumentação.

O aluno ainda faz referências ao legado cultural trazido pelos negros, mas abstém-se de desenvolver esse aspecto interessante, que também faz parte da discriminação.

Concluindo a avaliação: é um texto que tinha tudo para ser muito bom: boa leitura da coletânea, acrescida de dados trazido de fora, linguagem adequada e correta (salvo alguns pequenos deslizes), mas que errou na organização e na melhor exploração das ideias. Faltou, também, habilidade em entrelaçar a escravidão ao preconceito, exigência da proposta!

Sugestão: entender a correta estrutura da dissertação e escrever o texto de forma coesa, unindo ideias e conceitos em favor da comprovação da tese, que é o cerne de qualquer texto argumentativo.

Nota: 6,0 (numa escala de 0 a 10)

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Nova proposta de redação: EaD e democratização do ensino superior

Ana Prado | 19/03/2015

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A proposta de redação da semana foi tirada do Vestibular EAD 2014 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Leia as instruções a seguir:

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi uma das primeiras instituições de ensino superior pública a experimentar a oferta da Educação a Distância (EAD). Em 2012, foi publicado o livro “A prática da Educação a Distância na Universidade Federal do Rio Grande do Norte” e, em sua apresentação, a professora Marta Pernambuco afirma que “A implementação da Educação a Distância, principalmente como forma de escolarização”, gera polêmicas.” Depois, ela faz alguns questionamentos, reproduzidos a seguir:

“É uma forma aligeirada e mais econômica, uma política de governo para ampliar a oferta dos sistemas escolares em diferentes níveis? [...]
Será que as pessoas podem aprender de ‘verdade’ a distância? Sem a presença de um professor? É só um ‘faz de conta’, e o aluno sai dos cursos sem os conhecimentos “garantidos” em um curso presencial?”

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PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir das considerações feitas pela professora e do conhecimento prévio que você tem sobre a modalidade de Educação Superior a Distância, escreva um artigo de opinião, no qual você defenda um ponto de vista em resposta à seguinte questão:

A Educação a Distância é uma alternativa viável para a democratização da Educação Superior de qualidade no Brasil?

Seu artigo deverá, obrigatoriamente, atender às seguintes exigências:

- apresentar explicitamente um ponto de vista, fundamentado em, no mínimo, dois argumentos;

- ser redigido na variedade padrão da língua portuguesa;

- não ser escrito em versos;

- ter entre 180 e 300 palavras.

 

Você pode enviar seu texto até quinta-feira, dia 26 de março, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com, em um anexo ou no corpo na mensagem. Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

 

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Categoria: Proposta, Vestibular

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Entenda a estrutura da dissertação (e veja como planejar a sua)

Ana Lourenço | 18/03/2015

Um grande sábio já disse: organização é o segredo para atingir o sucesso. Brincadeira, inventei essa frase agora, mas ela não deixa de ser verdade. Assim, se você quer arrasar na redação, uma das primeiras coisas que deve aprender é a organizar e estruturar o seu texto. Não é difícil. ;)

Primeiro, vamos entender como a dissertação funciona. Ela é dividida em três partes: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.

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Introdução

É a parte do texto em que se coloca a ideia-chave, o assunto da dissertação. A partir da ideia principal é que se desenvolve o resto do texto, onde você pode justificar e apresentar fatos que comprovem sua tese.

Atenção: A tese não deve ser confundida com o tema. Ela é uma proposição sobre o tema, um posicionamento claro e fácil de ser absorvido pelo leitor, em torno da qual se desenvolvem os argumentos que tentam comprová-la.

Desenvolvimento

Os parágrafos de desenvolvimento são os que vão dar sustentação à tese apresentada na introdução. É esse o momento de justificar, demonstrar, provar as declarações feitas na introdução. Os parágrafos de desenvolvimento devem ser marcados pela progressão, ou seja, o texto deve ser construído de forma que vá apresentando novas informações, claras e pertinentes. Ou seja, nada de enrolação ou de repetição desnecessária do que já foi dito! Para facilitar sua argumentação, você pode separar o desenvolvimento de cada ideia em um parágrafo diferente.

Mas além de apresentar fatos que fundamentem a sua dissertação, é importante que você também aponte argumentos contrários e que aponte porque, de acordo com a sua tese, eles não são verdadeiros. Afinal, dissertação não é um artigo de opinião, o que significa que as opiniões contrárias também devem ser consideradas.

Conclusão

Parte final do texto. Mas é preciso que uma coisa fique clara: concluir não é simplesmente “terminar” o texto. A conclusão é feita de comentários que confirmam os aspectos desenvolvidos nos parágrafos anteriores. É o momento de oferecer uma solução ou demonstrar algum tipo de expectativa em relação à sua tese e ao assunto como um todo.

Atenção: a conclusão não é o momento de levantar questionamentos que não tenham sido esclarecidos nos parágrafos argumentativos, portanto EVITE frases interrogativas.

Com essas instruções em mente, o segredo do planejamento da redação é já saber exatamente o que vai abordar em cada parágrafo antes mesmo de iniciar o texto. Além disso, compreender quantas linhas você vai ter para desenvolver cada argumento é absolutamente vital para você saber de quanto espaço dispõe para expor cada ideia. Preparamos um esquema básico ideal para uma redação de 30 linhas. Veja:

estrutura-dissertacao

Mas calma! Só porque colocamos aqui que é um esquema ideal, não significa que você precise seguir à risca as quantidades de linhas. Essa orientação é apenas para auxiliar quem estiver perdido e não souber bem quanto espaço utilizar para cada parte do texto. ;)

Fique ligado: O texto bem sucedido constitui um “todo” significativo, ou seja, uma unidade de sentido. Cada parte do texto só faz sentido se colocada junto às outras. Não se trata de reunir fragmentos isolados. Dentro do texto, os elementos devem estabelecer ligação com as partes, ou seja, cada parágrafo precisa estar relacionado imediatamente com o seu anterior, e com o restante. Isso se chama coesão, tanto no sentido gramatical quanto no sentido do conteúdo.

Mas coesão na redação já vai ser tema de outro post do blog. Continue acompanhando! :)

Consultoria

Redação – Manual de sobrevivência para concursos e vestibulares
Juarez Nogueira
Editora Autêntica

Redação de textos dissertativos – Concursos, vestibulares, Enem
Luiz Ricardo Leitão (org.), Manoel de Carvalho Almeida e Manuel Ferreira da Costa
Editora Ferreira

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Chavões e senso comum nas redações: fuja do clichê!

Ana Lourenço | 02/03/2015

“Nos dias de hoje, o problema da saúde é uma das questões mais importantes para o povo brasileiro. A população precisa se conscientizar de seu papel na busca por um futuro melhor para as próximas gerações. Apesar do estado precário dos hospitais do país, os governantes corruptos não se mobilizam e só o que se vê é descaso. Mas deve-se pensar positivo, porque a esperança é a última que morre.”

Esse parágrafo parece um pouco familiar? Será que você já leu algo parecido antes? Sim, com certeza! E, provavelmente, já escreveu algum texto com um conteúdo semelhante. Vou me explicar melhor: esse pequeno trecho está recheado com o que chamamos de clichês, senso comum, chavões ou frases prontas. São frases ou ideias tomadas como “verdades universais”, muito repetidas ao longo dos anos, que acabam se tornando vícios de linguagem. Às vezes, usamos sem perceber, mas os clichês enfraquecem o texto. Um verdadeiro vírus da redação!

Você consegue identificar todos os chavões presentes no parágrafo? Veja a resposta ao fim do post! :D

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Imagem: Thinkstock

O clichê pode se manifestar de várias maneiras. Veja:

1. Frases prontas: são as frases e construções repetidas à exaustão. Exemplos: fechar com chave de ouro, obra faraônica, voltar à estaca zero, era uma vez. Também são incluídos os ditos populares, como “a pressa é inimiga da perfeição”.

2. Expressões: Não necessariamente são escritas sempre do mesmo modo, mas a ideia é sempre a mesma. Exemplos: a população precisa ser conscientizada, a natureza deve ser preservada, o homem deve parar de fazer guerras.

3. Senso comum: são as ideias prontas, já muito batidas, mas transmitidas como verdade incontestável. Entram aqui os estereótipos. Exemplo: todos os políticos são corruptos, asiáticos são inteligentes. É preciso ficar atento, porque às vezes o senso comum e a generalização podem reproduzir preconceitos: muçulmanos são terroristas, portugueses são burros, mulheres dirigem mal.

Mas por que usar esse tipo de frase é prejudicial para o seu texto? Porque a banca corretora preza pela originalidade e pelo senso criativo do candidato. O uso dos chavões deixa o texto vazio, com pouco sentido, e demonstra falta de habilidade do aluno em formular seu próprio argumento.

Quando digo que o clichê demonstra falta de originalidade, não quero dizer que o candidato deva apresentar uma ideia mirabolante. A originalidade em questão é ser capaz de pensar além do senso comum, ser capaz de problematizar o tema da redação e apresentar um novo ponto de vista sobre aquele assunto.

Vou dar um exemplo utilizando o tema da redação do Enem de 2001, que pedia que o aluno escrevesse um texto sobre o conflito entre o desenvolvimento e a preservação ambiental, e como conciliar os dois interesses. Neste texto, o aluno que escreva “é preciso conscientizar a população”, ou “o governo deve encontrar outras formas de desenvolvimento que não envolva o desmatamento” não está acrescentando nada de novo no debate. É claro que a população deve ser conscientizada e o desmatamento deve ser evitado ao máximo, mas esses pensamentos já se tornaram óbvios.

O que um bom texto faz é trazer o debate para outro ângulo, uma nova perspectiva. Mas como fazer isso? É preciso manter-se bem informado e ter bastante repertório cultural. Conhecer diferentes opiniões, especialmente sobre os assuntos mais comentados nos noticiários. Além disso, boa interpretação de texto é essencial, porque a própria coletânea da proposta de redação costuma ser bastante abrangente.

Mas sobre como construir um bom repertório nós já falamos nesse outro post aqui. Dê uma conferida!

Vamos ver agora se você acertou todos os clichês do parágrafo do início do post!

-Nos dias de hoje;
-A população precisa se conscientizar;
-Futuro melhor para as próximas gerações;
-Governantes corruptos;
-Pensar positivo;
-A esperança é a última que morre.

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Categoria: Dica, Redação

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Título na redação: cinco dicas que podem resolver suas dúvidas

Ana Lourenço | 23/02/2015

Imagine que você está em uma livraria. Na hora de procurar um livro para comprar, quais fatores você leva em conta? A capa e o nome com certeza fazem toda a diferença na hora de julgar se aquele livro é ou não bom, ou se te deu vontade de ler. Com a redação também é assim: o título é o responsável por chamar a atenção do leitor e resumir o assunto do qual ele trata.

Apesar de importante, algumas provas de redação não pedem título – caso do Enem, em que ele é opcional. Outras, como a Fuvest, exigem o título, mas nesses casos a exigência é sempre colocada na proposta (não precisa sair decorando quais provas pedem e quais não pedem).

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Obrigatório ou não, o título pode ser o diferencial no seu texto. Se você souber fazê-lo e ficar bem colocado no texto, é recomendável o uso, mesmo que ele não seja exigido pela prova.

Veja cinco dicas sobre o que é importante saber sobre esse recurso:

1) O título é a síntese do tema

Se o nome de um livro ou de um filme deve entregar um pouco do que será tratado naquela obra, com o título da redação é a mesma coisa: ele deve sintetizar o que o leitor vai encontrar ao longo do texto. Além disso, um título bem trabalhado pode fazer o corretor notar que você entendeu perfeitamente a proposta. Por isso, use a simplicidade e faça um título em que o tema fique claro.

Dica: Algumas pessoas preferem fazer o título antes do texto, para servir como guia. Mas nem sempre isso dá certo: pode ser que, ao longo do texto, você acabe mudando o foco e o título perca um pouco do sentido. Para evitar que isso aconteça, uma sugestão é fazer o título sempre depois que o texto estiver pronto. Assim, você pode se basear nele para definir exatamente qual frase encaixa mais com o que você escreveu.

2) Nada de frases longas

Primeira regra para fazer um bom título: ele deve ser curto! Procure usar no mínimo três palavras, e evite que o tamanho da frase seja maior do que metade da linha.

3) O verbo é opcional

O título não precisa ser, necessariamente, uma oração completa com sujeito e predicado, como “O desmatamento é o pior crime contra a natureza”. Pode, também, ser uma expressão sem verbo, como “O problema da reforma agrária”. Mas usar a expressão, apesar de resolver o problema do título longo, pode ser perigoso: é preciso que ela consiga sintetizar o tema, mesmo sem o verbo. Na dúvida, aposte no que parecer mais fácil na hora.

Lembrete: Jamais use o tema dado pela banca como título. O tema é o assunto estipulado pela banca sobre o qual você vai escrever; o título é a frase para encabeçar o seu texto, que você mesmo deve criar. Fique atento, copiar qualquer parte da proposta de redação pode provocar a anulação do texto!

4) Aposte na sua criatividade

É importante que o título deixe claro o que você vai abordar, mas usar da criatividade pode deixá-lo muito mais interessante para a banca corretora. Nada impede que você use figuras de linguagem ou mesmo uma citação (entre aspas, sempre) no título. Mas lembre-se que a simplicidade é fundamental: tentar rebuscar demais pode dificultar o entendimento da frase.

Dica: fuja de lugares-comuns, chavões, frases prontas e gírias. Usar da criatividade é o oposto disso.

5) Ponto final, letras maiúsculas, linha em branco

- Pode usar ponto no fim da frase? O título normalmente não tem ponto, mas, se for uma oração, você pode usar o ponto final. Se for uma expressão sem verbo, não.

- Devo usar letra maiúscula em todas as palavras? Não. Escreva o título como se estivesse escrevendo uma frase normal, usando a maiúscula apenas em palavras que a exijam, como nomes próprios.

- Devo pular uma linha depois do título? Depende. Pular a linha deixa o texto esteticamente melhor – mais bonito, digamos. Mas não é obrigatório, especialmente se o limite de linhas for pequeno.

Consultoria:

- Dez passos para a redação nota dez

Sérgio Vieira Brandão

Editora Artes e Ofícios

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Análise de redação para a proposta sobre o Bolsa Família

Ana Prado | 23/02/2015

A prova de “Interpretação do Brasil Contemporâneo” do vestibular 2013/1 da Fundação Getúlio Vargas (FGV) pediu para os candidatos escreverem sobre o Programa Bolsa Família. Para ler a proposta na íntegra, clique aqui.

Leia a seguir texto escolhido:

Fotos produzidas pelo Senado
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O programa Bolsa Família é concedido pelo governo Lula, com o objetivo de tentar reduzir a miséria evidenciada nas classes mais desfavorecidas do nosso pais isso porque a situação estava cada vez mais degradante ou seja todas essas pessoas passaram a serem beneficiadas com uma pequena quantia em dinheiro por mês por si só não muda a realidade dessas famílias.

O programa tem sido alvo de inúmeras críticas por não garantir melhores condições de vida aos inclusos nesse programa, apesar desses terem que atender algumas exigências como manter seu filho frequente a escola e devidamente com sua carteira de vacinação em dia, caso deixar de cumprir algumas dessas obrigações é excluso do programa.

Para que o Bolsa Família venha a ser usufruído corretamente, faz se necessário que as boa parte das famílias que o recebem não esperem apenas por ele mais busque oportunidades já que ele é apenas um auxílio ou complemento para suprir as necessidades que se fazem presentes.

Entretanto é importante ressaltar o quanto o bolsa família veem quebrando barreiras pois através do mesmo as crianças tem um relacionamento mais íntimo com a educação e a saúde criando um futuro mais promissor a cada um dos inseridos.

O dinheiro recebido deve ser gasto em prol da infraestrutura da família em alimentação, material escolar, roupas e acessórios preciso. Em debates político a questão e bastante discutida, porém não se consegue chegar a um consenso pois o mesmo não conseguiu atingir seus objetos ou metas por completo porém não deixa de ser um auxilio bem-vindo.

Percebe-se que mesmo com todos os obstáculos o programa tenta amenizar o problema dando consequentemente possibilidades de frutos melhores para a nova geração. Espero que o resultado nós traga de fato uma melhor qualidade de vida.

 

Comentários da professora de redação do Colégio e Curso Oficina do Estudante, Ednir Barboza: 

O aluno que deseja produzir um bom texto de redação para vestibulares precisa estar atento, principalmente, ao que está sendo proposto pela banca. Ele não pode e não deve escrever aquilo que quer, mas desenvolver um texto condizente com o que lhe é proposto. Uma das características das provas de redação é justamente essa: avaliar como o aluno lê a proposta e de que forma ele consegue expressar suas ideias de forma consistente, coerente e coesa.

Vejamos esta proposta sobre o Programa Bolsa Família. A banca apresenta 2 trechos que versam sobre o assunto e pede ao aluno o seguinte: uma dissertação que analise os argumentos favoráveis e contrários ao Programa Bolsa Família. Ao final da redação, ele deve realçar sua posição pessoal sobre o assunto.

Há, portanto, três tarefas com que o aluno tem de se preocupar:
1ª. análise dos argumentos favoráveis – 1. está combatendo, ao mesmo tempo, a pobreza e a desigualdade; 2.não desperdiçando recursos com quem não precisa; 3. ataca a desigualdade para além da questão da renda, chegando à origem do problema: a Educação; 4. – e as pesquisas já mostram o quanto isto está reduzindo a repetência e a evasão escolares; 5. , o programa faz um combate intergeracional da pobreza e da desigualdade,
2ª. análise dos argumentos contrários – 1. Distribuir dinheiro para os mais pobres, sem garantir as condições de trabalho para os pais e as mães, (…).,não vai efetivamente resolver os problemas da pobreza e da desigualdade; 2. O que o país precisa é de políticas para aumentar o emprego, e não de um assistencialismo de curto prazo, que não gera mudanças estruturais para as famílias mais pobres; 3. Além disso, esta distribuição farta de recursos pode ser apenas uma forma de ganhar votos dos mais pobres, sobretudo no Nordeste brasileiro; 4. Também é preciso pensar em “portas de saída” para os beneficiários, para que não fiquem eternamente dependentes do Bolsa Família.
3ª. realçar sua posição pessoal sobre o assunto.

A tarefa não é complexa. O trecho 1 da proposta traz os argumentos favoráveis; o trecho 2, os contrários. Primeiramente, o aluno deveria comentar e analisar esses argumentos: são válidos? têm fundamentação teórica e prática? são relevantes? Ao fazer essa análise, vai-se delineando a opinião pessoal do aluno, na medida em que apoia ou rechaça as ideias ali apresentadas. É uma redação de 3 ou 4 parágrafos. Um para apresentar o programa Bolsa Família; outro para analisar os prós e os contras; e o parágrafo final, em que ele exporá seu próprio ponto de vista.

Vejamos, agora, a redação transcrita para análise.

1º parágrafo- o aluno fala do Bolsa Família como uma forma de melhorar o estado de miséria, com um pouco de dinheiro, mas se contradiz no final do parágrafo quando afirma que uma pequena quantia não muda a realidade das pessoas. (pergunta-se, então- é um bom programa ou não?)
2ºparágrafo- o programa é alvo de críticas, mas o aluno defende que os pais têm obrigações que garantem benefícios a seus filhos.
3º parágrafo – aqui ele afirma que junto com o Bolsa Família, os pais precisam realizar uma série de outra ações para complementar o benefício.
4º parágrafo – o aluno analisa que o programa quebra barreiras levando as crianças a um futuro mais promissor.
5º parágrafo – os pais devem usar o dinheiro em uma série de necessidades, mas não se consegue chegar a um consenso se o programa é bom ou não.
6º parágrafo – o aluno encerra dizendo que o programa ameniza os problemas, apesar de todas as suas dificuldades e expressa sua esperança de que tudo dê certo.

O que se depreende desta redação é que a aluno não seguiu as instruções da proposta: discorre sobre prós e contras, mas não analisa as opções apresentadas. Não traz informações novas, não contesta dados nem corrobora opiniões dadas.

Além, portanto, de alguns desvios de linguagem (coesão, coerência, sintaxe e regência), o texto não se caracteriza como uma dissertação, na medida em que não deixa claro o ponto que se quer analisar. Ao final da leitura, fica-se com a impressão de que ele é favorável ao programa, mas não há definição sobre isso. O aluno poderia ser favorável, desde que ele expusesse os pontos positivos e contestasse algumas críticas. Para fazer isso, é preciso expor a ideia, analisá-la, exemplificar e concluir.

Finalizando: faltam ao texto espírito crítico, dados objetivos e uma opinião mais concreta a respeito do tema. Conclui-se que o autor não tinha opinião bem formada sobre o assunto e buscou nos trechos apresentados pela banca a fundamentação de sua dissertação. Isso, entretanto, não é suficiente para se escrever um bom texto.

Mas estamos no comecinho do ano. Com persistência, leitura e muito exercício é possível reverter esse quadro.

Nota: 6,0 (de 0 a 10)

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Nova proposta de redação: “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil”

Ana Prado | 10/02/2015

A proposta de redação desta semana foi tirada do vestibular 2015 da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Leia os textos de apoio e as instruções abaixo:

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Pintura de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), um dos principais pintores das condições dos escravos no Império do Brasil (Wikimedia Commons)

Texto 1

O Brasil era o último país do mundo ocidental a eliminar a escravidão! Para a maioria dos parlamentares, que se tinham empenhado pela abolição, a questão estava encerrada. Os ex-escravos foram abandonados à sua própria sorte. Caberia a eles, daí por diante, converter sua emancipação em realidade. Se a lei lhes garantia o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia meios para tornar sua liberdade efetiva. A igualdade juridical não era suficiente para eliminar as enormes distâncias sociais e os preconceitos que mais de trezentos anos de cativeiro haviam criado. A Lei Áurea abolia a escravidão mas não seu legado.

Trezentos anos de opressão não se eliminam com uma penada. A abolição foi apenas o primeiro passo na direção da emancipação do negro. Nem por isso deixou de ser uma conquista, se bem que de efeito limitado.

(Emília Viotti da Costa. A abolição, 2008.)

 

Texto 2

O Instituto Ethos, em parceria com outras entidades, divulgou um estudo sobre a participação do negro nas 500 maiores empresas do país. E lamentou, com os jornais, o fato de que 27% delas não souberam responder quantos negros havia em cada nível funcional. Esse dado foi divulgado como indício de que, no Brasil, existe racismo. Um paradoxo. Quase um terço das empresas demonstra a entidades seriíssimas que “cor” ou “raça” não são filtros em seus departamentos de RH e, exatamente por essa razão, as empresas passam a ser suspeitas de racismo. Elas são acusadas por aquilo que as absolve. Tempos perigosos, em que pessoas, com ótimas intenções, não percebem que talvez estejam jogando no lixo o nosso maior patrimônio: a ausência de ódio racial.

Há toda uma gama de historiadores sérios, dedicados e igualmente bem-intencionados, que estudam a escravidão e se deparam com esta mesma constatação: nossa riqueza é esta, a tolerância. Nada escamoteiam: bem documentados, mostram os horrores da escravidão, mas atestam que, não a cor, mas a condição econômica é que explica a manutenção de um indivíduo na pobreza. [...]. Hoje, se a maior parte dos pobres é de negros, isso não se deve à cor da pele. Com uma melhor distribuição de renda, a condição do negro vai melhorar acentuadamente. Porque, aqui, cor não é uma questão.

(Ali Kamel. “Não somos racistas”. www.oglobo.com.br, 09.12.2003.)

 

Texto 3

Qualquer estudo sobre o racismo no Brasil deve começar por notar que, aqui, o racismo é um tabu. De fato, os brasileiros imaginam que vivem numa sociedade onde não há discriminação racial. Essa é uma fonte de orgulho nacional, e serve, no nosso confronto e comparação com outras nações, como prova inconteste de nosso status de povo civilizado.

(Antonio Sérgio Alfredo Guimarães. Racismo e anti-racismo no Brasil, 1999. Adaptado.)

 

Texto 4

Na ausência de uma política discriminatória oficial, estamos envoltos no país de uma “boa consciência”, que nega o preconceito ou o reconhece como mais brando. Afirma-se de modo genérico e sem questionamento uma certa harmonia racial e joga-se para o plano pessoal os possíveis conflitos. Essa é sem dúvida uma maneira problemática de lidar com o tema: ora ele se torna inexistente, ora aparece na roupa de alguém outro.

É só dessa maneira que podemos explicar os resultados de uma pesquisa realizada em 1988, em São Paulo, na qual 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito e 98% dos mesmos entrevistados disseram conhecer outras pessoas que tinham, sim, preconceito. Ao mesmo tempo, quando inquiridos sobre o grau de relação com aqueles que consideravam racistas, os entrevistados apontavam com frequência parentes próximos, namorados e amigos íntimos. Todo brasileiro parece se sentir, portanto, como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados.

(Lilia Moritz Schwarcz. Nem preto nem branco, muito pelo contrário, 2012. Adaptado.)

 

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma redação de gênero dissertativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil.

ORIENTAÇÕES

1. Redija seu texto de acordo com a norma culta escrita da língua.

2. O texto deve ter entre 10 e 20 linhas no Word.

Você pode enviar seu texto até quarta-feira, dia 18 de fevereiro, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com, em um anexo ou no corpo na mensagem. Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

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4 passos para iniciar sua preparação para as provas de redação

Ana Lourenço | 09/02/2015

As férias já acabaram e o ano de estudos está só começando. Enquanto você vai retomando o ritmo dos livros, é hora de planejar bem qual vai ser o seu método e por onde começar a estudar. Para a prova de redação, o planejamento deve ser feito do mesmo jeito – ao contrário do que pode parecer, é necessário bem mais do que só treinar a escrita dos textos. É claro que escrever o máximo de redações possível é essencial, mas há várias outras coisas que você pode colocar em prática ao longo do ano e que serão o seu diferencial para a banca corretora.

Para começar o ano com o pé direito, preste atenção nas quatro etapas que você deve seguir para ir bem em redação. Mas lembre-se: para que essas dicas façam realmente a diferença, você precisa colocá-las em prática desde já, mesmo que ainda faltem vários meses até as provas. Vamos lá!

escrevendo

1. Construa o seu repertório

A prova de redação, tanto do Enem quanto de qualquer outro vestibular, é sempre muito dinâmica. Não só porque os temas podem variar muito, mas também porque é a prova que mais dá possibilidades ao candidato – no caso específico do Enem, a única dissertativa de todo o exame. Não se engane: poder escrever e soltar a criatividade é um fator muito positivo e que, se bem usado, pode te fazer alcançar notas muito altas.

Na redação, é possível que você expresse as informações e conhecimentos que adquiriu durante a vida, tanto na escola quanto na cultura que foi absorvendo ao longo dos anos. Para fazer o máximo dessa vantagem, você deve investir muito na ampliação dos seus conhecimentos, ou seja, na formação do seu repertório cultural. Fazer uso dessas táticas pode mostrar ao corretor que você está bem informado, consegue sair do senso comum e sabe articular os conhecimentos que tem em outras áreas.

Aqui, não estamos nem falando de estudar, no sentido “chato” do termo, mas sim de consumir o máximo de cultura que puder. Assista a filmes, leia livros, vá a peças de teatro, visite museus, busque conhecer música e artistas que se tornaram ícones. Não há exatamente um guia de como construir um bom repertório cultural, mas saiba que é bastante amplo. E o melhor: você pode fazer tudo isso enquanto se diverte, nos fins de semana.

2. Fique atento ao noticiário

Você já deve estar mais do que cansado de ouvir que o vestibulando precisa ficar ligado em tudo que acontece no mundo, porque é muito provável que os assuntos mais comentados nos noticiários podem acabar virando tema de questões. Pois é, não dá para fugir, é verdade. Ano após ano, os vestibulares sempre baseiam parte de suas questões em temas recorrentes da mídia. Na redação, especialmente a do Enem, não é diferente. A tendência, mais recentemente, é que as provas priorizem os temas com pegada mais atual, que proponham reflexões sobre assuntos que interessem ao mundo moderno.

Nossa recomendação é que você procure sempre ficar atento ao que bomba na mídia. Não é necessário que você acompanhe obsessivamente cada pequena notícia que aparece no jornal, mas é importante acompanhar, pelo menos uma vez por dia, o que está rolando no mundo, e principalmente o que vira notícia recorrente.

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3. Acostume-se a observar de maneira crítica

De alguns anos para cá, os exames de vestibular vêm adotando uma postura diferente na formulação de questões e dos temas de redação: ao invés de exigir a reprodução de conteúdos, o aluno vem sendo estimulado a dar sua opinião e construir um raciocínio. Por isso, é importante que, sobretudo na prova de redação, você se desconecte do modo “decoreba” e procure refletir sobre o tema e o que você pensa sobre ele.

Esse exercício de reflexão vale para absolutamente tudo. Se ler uma notícia ou acompanhar alguma repercussão pela televisão, tente formular uma ideia a respeito do ocorrido, ou imaginar possíveis causas e desdobramentos do fato. Se ler um livro ou assistir a um filme, procure fazer uma crítica dele. Em suma, tente se acostumar a pensar de maneira crítica. Esse pequeno exercício pode te acostumar a construir argumentações, o que é vital no preparamento para a redação.

4. Procure ler artigos de opinião

A dissertação, tipo de texto mais comum das provas de vestibular, baseia-se em desenvolver uma ideia, um problema ou um questionamento em cima de opiniões favoráveis e contrárias à que o estudante vai defender. Por isso, é importante conhecer ideias diferentes das suas.

Artigos são a maneira mais fácil de entender as diferentes opiniões, mas você deve procurar de vários autores – para isso, é só vasculhar o máximo de jornais, revistas e blogs possível. Procure analisar o modo com que o autor desenvolve a sua argumentação e no que se baseia para dar sua opinião.

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*Com informações do GUIA DO ESTUDANTE Redação Vestibular + Enem 2015

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