Guia do Estudante

Análise de texto para a proposta: “A sociedade e suas violências”

Ana Lourenço | 24/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2012 da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A sociedade e suas violências”.

Leia o texto escolhido:

Amadurecimento ético e psicológico

No convívio social caótico no qual estamos inseridos é notável a presença de diversos tipos de violência. Essa questão já virou rotina, em cada beco, esquina ou residência acontece algum tipo de violação dos direitos humanos, que muitas vezes sai impune. A reação da população diante das práticas de violência é diferente dependendo da gravidade, ficando chocada ou não com o acontecimento, e também por parte da condição social da vítima, que pode levar menos importância por ser mais carecida.

A violência vem se manifestando cada vez mais e em locais públicos, revelando uma parte da população que age impulsivamente e agride moralmente ou fisicamente os demais cidadãos. Recentemente, um ato de racismo praticado contra o jogador Daniel Alves, que recebeu uma banana da torcida adversária enquanto jogava em campo, repercutiu o mundo, diversas celebridades publicaram fotos com uma banana, em apoio ao jogador. Já, o jovem negro acorrentado nu em um poste no Rio de Janeiro, não gerou muitas críticas ao racismo por parte da sociedade. 

Além do racismo, o preconceito contra homossexuais e a violência contra a mulher tem tomado significante espaço na mídia, sendo que este último movimentou diversas famosas que pousaram com cartazes contra o ato. A influência que a mídia tem na sociedade, pode mudar sua consciência, fazendo com que se mobilizem também quando se tratar de alguém menos favorecido, pois todo ser humano é cidadão e possui seus direitos. 

Contudo, é necessário o amadurecimento ético e psicológico de cada pessoa desde muito cedo, seja dentro de casa com os valores morais, ou na escola, com palestras incentivando a pacificação, sendo assim possível a formação de jovens e adultos cientes de cidadania, igualdade de raças e gêneros.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta é a criação de  um artigo de opinião. A banca traz algumas informações sobre o gênero que deviam ser seguidas pelos alunos. Importante no artigo de opinião é o conhecimento que o articulista tem a respeito do tema, seja por atividades profissionais, seja por pesquisas realizadas. Esse conhecimento deve ficar evidente para o leitor. Além disso, esse tipo de  texto deve levar o leitor a uma reflexão sobre o assunto trazida à tona pelo autor. Portanto, é também um texto de convencimento.  As instruções falam disso: “O produtor de um artigo de opinião busca construir para os leitores uma imagem de si mesmo, mostrando seus conhecimentos sobre o tema tratado, através da razão e da lógica, sustentando sua posição.”

Vejamos, então, o texto em questão.

O autor inicia seu texto falando de violências na sociedade em que vivemos, sem discriminá-las mais precisamente. Aborda ainda a reação das pessoas diante das violências, mas não as nomeia para esclarecer o leitor sobre o foco que dará à sua análise.  No segundo parágrafo, refere-se a um caso de racismo no futebol. Aqui também se refere ao comportamento das pessoas diante dos fatos. Faz uma observação que a reação das pessoas depende da vítima ser ou não importante no cenário mundial; ou seja, os mais importantes gozam de maior repercussão. Apenas no terceiro parágrafo, a aluna cita algum tipo de violência: racismo, preconceito e violência contra a mulher. Mas não se percebe qual a  relação entre as violências citadas e o autor do texto. Por que este artigo de opinião estaria se referindo a tais violências? Qual é a contribuição do autor do texto para o esclarecimento do leitor? Qual o objetivo do articulista ao escrever o texto? Finalmente, no último parágrafo, aparecem algumas sugestões de como formar jovens e cidadãos pacíficos e éticos.

O texto não é,  portanto, um artigo de opinião. Não se sabe e o autor não permite que o leitor vislumbre quem ele é, o que faz e como chegou aos fatos que citou. Mesmo se fosse uma dissertação comum, o texto careceria de mais argumentação, da exposição de um ponto de vista, de uma conclusão mais reflexiva.

Embora o texto não apresente muitas falhas de linguagem, peca na exposição das ideias e na construção do tipo de texto requerido pela banca: um artigo de opinião.

Importante que os alunos atentem para isso: é preciso desenvolver o tipo de texto solicitado, bem como explanar o tema pedido. Esse texto corre o risco de ser anulado nesses dois aspectos.

Outros pontos que precisam ser apontados: a) não há progressão das ideias: elas se repetem sem aprofundamento; b) por isso, não há elementos de coesão unindo os parágrafos; c) a conclusão apresenta elementos que não foram discutidos no texto; d) o autor não se fez conhecido do leitor, como deve acontecer num artigo de opinião; e) a aluna não usou a coletânea oferecida, apesar das instruções claras dadas pela proposta.

Nota: 4,0 (de zero a 10).

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Categoria: Correção

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Nova proposta de redação: Ostentação

Ana Prado | 22/07/2014

O tema desta semana foi tirado da prova de redação do vestibular 2014/2 da Universidade de Passo Fundo (UPF).

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“O casamento de Latino com a ex-miss Rayanne Morais foi tão exuberante que algumas passagens merecem registro para a posteridade: 1) Ele foi filmado por um drone, espécie de mini-helicóptero com uma câmara acoplada; 2) O tecido do smoking do cantor veio do Japão (…).
 (Revista Veja, São Paulo: Ed. Abril, ed. 2365, p.72, 19 mar. 2014)

O casamento das duas celebridades ocorreu no início de março, no Copacabana Palace – RJ, o qual teve um andar inteiro reservado para os convidados. Dentre outras extravagâncias, a mídia divulgou que foram servidos sete mil docinhos e que o vestido da noiva foi feito todo em renda francesa. Paradoxalmente, o Copacabana Palace é o mesmo lugar em cuja frente Latino, antes da fama, vendia cachorro-quente, acompanhando a mãe, para sobreviver.

Tendo os dados acima como um dos exemplos possíveis, produza um texto dissertativo-argumentativo que aborde a ostentação na sociedade atual. Você poderá discutir sobre os motivos que levam as pessoas a ostentar e as consequências desse estilo de vida para quem o vive e para a sociedade em geral.”

 

INSTRUÇÕES:

• Redija seu texto de acordo com a norma culta escrita da língua.

• Dê um título.

• A redação deve ter entre 15 e 25 linhas no Word.

• Não copie trechos da proposta.

 

Você pode enviar seu texto até terça-feira, dia 29 de julho, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com, em um anexo ou no corpo na mensagem. Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

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Categoria: Proposta

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Análise de texto para a proposta: “A relação homem-natureza”

Ana Prado | 16/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2011 da Universidade Federal do Acre (UFAC), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A relação homem-natureza”. 

Leia o texto escolhido (os grifos em vermelho são da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza): 

O fim pode estar próximo, resta agir

A vida do homem depende da saúde de seu pulmão, portanto, não seria possível a vida sem a sobrevivência deste órgão vital. Nesse contexto, fica claro que a vida humana depende da Floresta Amazônica, conhecida mundialmente como “pulmão do mundo” pela enorme filtração de gás carbônico e a liberação do oxigênio. Cabe reconhecer, no entanto, que ela não é bem cuidada, deste modo, a vida na Terra é passível de perturbações nas próximas décadas.

É nesse ambiente que se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos). O mais preocupante, contudo, é constatar que mesmo sabendo disso o homem segue realizando queimadas e derrubadas na maior floresta do mundo, tudo em busca do lucro. Em contexto assim, não é de admirar que haja uma entrada em um ciclo vicioso pela falta de consciência ambiental e foco no capital, prejudicando cada vez mais a natureza e a própria espécie humana.

Não é exagero afirmar que a situação da Floresta Amazônica é quase que irreversível, já que o tema é tratado com tanto descaso no Brasil. Mesmo aí, exige-se cautela, visto que estudos recentes de empresas especializadas no ramo descrevam que com apenas 1 bilhão de reais por ano (pouco se comparado com os gastos com Copa do Mundo) seja possível conservar o “pulmão do mundo”. Então, não se trata de escolher entre fazer ineficientes campanhas nas redes sociais (como foi feito no Twitter a pouco tempo) ou tratar como causa perdida, mas sim de pressionar o governo a mudar a postura diante de tal cenário.

Por essa lógica seria aceitável que organizações como o Greenpeace e a WWF estimulem os cidadãos a pressionar o governo para que parte do dinheiro arrecadado pelo Estado seja destinado à restauração da Amazônia e a conscientização da população sobre os danos que queimadas podem acarretar. Essa, porém, é uma tarefa trabalhosa, visto a extensão da área e os anos de devastação. O que importa, portanto, é agir rapidamente, pois ainda há volta, para que assim o mundo possa continuar a respirar.

Comentários da professora sobre a redação:

O texto apresenta uma análise da ação do homem sobre a Floresta Amazônica. Expõe, de forma sucinta, a ambição sobrepujando a consciência de que se deve preservar a Floresta, o “pulmão do mundo”.

Embora o texto seja pertinente, tenha coerência  e esteja, razoavelmente, bem escrito, o tema proposto (“a relação homem-natureza”) não foi muito bem desenvolvido. O aluno preocupou-se mais em expor os danos da ambição que leva o homem a destruir a natureza do que em analisar qual é a relação e a influência recíproca entre homem e natureza. É preciso lembrar e anotar  que  a proposta diz: “Vidas secas, romance de Graciliano Ramos publicado em 1938, já tematizava sobre a relação homem-natureza, ou seja, como o meio ambiente pode influir na vida do ser humano. Os fragmentos anteriores também trabalham essa questão.   Portanto, a tarefa do aluno é, além de falar como o homem age em relação à natureza, analisar igualmente a influência do meio ambiente sobre a vida do ser humano.

Mais uma vez, quero ressaltar aqui que a leitura atenta da proposta é fundamental para se construir um bom texto. Por melhor que seja o texto, ele perde valor, ou pode até ser anulado, se não se ativer ao que propõe a banca.

Em relação à forma como o texto foi escrito, quero ressaltar:

1.  No 1º parágrafo, a ligação entre os dois períodos deveria ser feita de forma diferente. A palavra contexto não retoma adequadamente o período anterior. Talvez a palavra melhor para unir as duas ideias seria: analogamente.

2.  No 2º parágrafo, o aluno deveria ter desenvolvido melhor, e mais profundamente, a primeira ideia focada: ”… se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos)”. Esse era o tema proposto! Se o texto seguisse nessa direção, teria mais valor.

3.  No último parágrafo, no lugar da fúnebre (porém real) profecia, deveria ter sido feita a conclusão: quais os efeitos da influência da relação homem-natureza. Era esse o tema a ser discutido, analisado e exemplificado.

Nota: 6,0 ( de 0 a 10)

 

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Nova proposta de redação: Copa no Brasil

Ana Prado | 07/07/2014

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Alguns vestibulares já estão usando a Copa como tema para a redação. Foi o caso do processo seletivo de inverno 2014 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), realizado em junho. Leia a proposta e envie seu texto.

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>> Aborde, num texto argumentativo, as implicações de uma Copa do Mundo no Brasil e seus possíveis efeitos em nossa estrutura social e econômica.

 

INSTRUÇÕES:

• Redija seu texto de acordo com a norma culta escrita da língua.

• Dê um título.

• A redação deve ter entre 15 e 25 linhas.

• Não copie trechos da proposta.

 

Você pode enviar seu texto até terça-feira, dia 15 de julho, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com, em um anexo ou no corpo na mensagem. Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

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Categoria: Proposta

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Análise da redação para a proposta sobre violência contra a mulher

Ana Prado | 24/06/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo discutindo as formas de violência contra as mulheres. Por coincidência, o tema da prova de redação do vestibular de inverno 2014 da Unesp, aplicado no último fim de semana, foi bem parecido com esse (clique para ver).

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Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Desigualdade de gênero

A violência contra as mulheres não é um fato contemporâneo, mas, sim histórico. Em Roma antiga as mulheres já sofriam discriminação e violação de direito, não podiam votar e nem exercer cargos públicos. Se isso  já não o bastasse [o certo seria "já não bastasse"], hoje as mulheres são as principais vítimas de violência física, sexual, e psicológica praticada pelo seu próprio companheiro, o qual devia zelar por sua integridade.

Embora os movimentos feministas, nas últimas décadas, tenham contribuído para a  igualdade [melhor usar "algumas equiparações"] de direitos, essa igualdade ainda não fora [foi] concretizada, pois os homens ainda têm maior poder aquisitivo e ocupam os cargos mais altos da sociedade em sua maioria, como cargos políticos por exemplo. A sociedade brasileira encontra-se ainda arraigada a valores e costumes patriarcais, machistas e preconceituosos, em encubação dessa prática mulheres são violentadas sexualmente por seus próprios maridos, mesmo não afim do ato sexual, acabam sendo violentadas sexualmente em razão ou justificação do matrimônio. [Trecho confuso; deve ser reescrito com mais clareza].

Essa sujeição leva muitas a se calarem ou a se omitirem diante de tamanha barbárie, permitindo o ato sexual em forma de estupro consentido em preservação à honra da família e os costumes segundo valores patriarcalistas [patriarcais]. É certo que as inovações no combate à violência contra a mulher, com a implantação da “Lei Maria da Penha”, têrefletido [mostrado] resultados, porém estes são insuficientes,. A violência domestica e familiar ainda é alarmante pois, segundo o estudo mais recente do Ministério da Justiça, 50 mil mulheres são agredidas de alguma forma de violência por ano no Brasil. Embora o Estado assine um pacto de enfrentamento [esclarecer que pacto e como ele acontece] e crie políticas, ainda não oferece mecanismos eficientes para sua aplicabilidade.

Em vista disso, é necessária maior intervenção do Estado no combate à violência contra a mulher. Apesar da [de a] “Lei Maria da Penha” coibir mecanismos no combate a essa prática de violência, ela sozinha não surtiu efeito desejado,. As instituições dos juizados especiais de competência cível e criminal (,) precisam encarregar [encarar] o problema não só como doméstico ou familiar, mais [mas] como do Estado, para hostilizar [melhor escrever "a fim de acabar com  essa impunidade"]. E que também promova campanhas e propagandas generalizando a conscientização, para que aquelas desenformadas ou ameaçadas possam sentir amparo e criar coragem para denunciar seus agressores.

Comentários da professora sobre a redação:

Como venho expondo nas análises que faço das redações, a dissertação tem uma característica muito específica que é de expor e discutir um ponto de vista apresentado pelo autor a respeito de um tema. Por isso, é fundamental que o aluno, logo de início, esclareça para o leitor de que assunto vai falar e de que forma vai abordá-lo. No caso desta proposta, a aluno deveria “discutir as formas de violência contra a mulher”. Um bom texto deveria apresentar o assunto amplamente falando sobre o impasse que há entre os dois gêneros e depois apresentar as formas de violência que ainda pairam sobre a mulher. O trabalho argumentativo aqui é simples: expor, discutir e analisar essas formas: como e por que ainda existem em nossa época.

Vejamos, agora, o que fez  o aluno:

Primeiramente, uma explicação sobre os grifos no texto dele: em azul o que está incorreto: do ponto de vista formal ou das ideias. Em vermelho, as correções e reescritas.

1.    O aluno começou bem, apresentando um  panorama da situação da mulher no mundo antigo e no atual. É lógico que esse histórico poderia ser mais completo ou poderia ter resgatado mais dados sobre a situação de inferioridade da mulher. Depois, ele apresentou, ainda no 1º parágrafo, os tipos de violência: física, sexual e psicológica. Aí, comete o primeiro deslize: atribui a culpa só ao companheiro, mas reforça o preconceito quando diz que: “o qual devia zelar por sua integridade.” Na verdade, não é apenas o companheiro que oprime a mulher. Isso é muito mais amplo: cultura, religião, família, sociedade também têm culpa no cartório nessa violência.

2.    Era de se esperar, portanto, pela introdução, que abordasse os três tipos de violência que apontou. Mas ele não fez isso. Limitou-se à violência sexual. Não falou dos maus tratos, dos crimes, das pressões, das humilhações a que estão sujeitas as mulheres em todo o mundo e, principalmente, no Brasil que, infelizmente, é um dos campeões mundiais em assassinatos de mulheres por ano.

3.    Fez bem em referir-se à Lei Maria da Penha. Mas poderia tê-la aproveitado melhor: uma análise mais crítica e atualizada dos seus resultados. A lei existe, mas é incapaz de resolver o problema sozinha, como o estudante apontou. O que falta então? Conscientização da mulher, do homem, dos pais, dos patrões, enfim, de todos: a mulher, como todo ser humano, merece respeito e deve viver com dignidade.

4.    Embora a proposta não tenha sugerido “soluções” para o problema, ele apresentou-as. E fez de forma correta.

5.    O que faltou para que o texto fosse mais adequado à proposta foi uma leitura mais atenta das instruções da banca: discutir as formas de violência contra a mulher, e não apenas uma forma de violência.

6.    Há alguns trechos mal redigidos; embora a ideia seja boa, a maneira de expressá-la prejudicou o entendimento. Isso apareceu, principalmente, no segundo e terceiro parágrafos.

7.   O vocabulário é bom, embora seja discutível o uso de algumas palavras e expressões, conforme ficou anotado no texto.

Nota: 6,0 numa escala de  0 a 10.

 

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Nova proposta de redação: “A sociedade e suas violências”

Ana Prado | 20/06/2014

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A proposta desta semana foi tirada do vestibular 2012 da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Leia os textos e as instruções abaixo:

Suponha que uma revista de circulação nacional fará um concurso de “artigo de opinião” com o tema “A sociedade e suas violências”, e você resolve participar. Para tanto, busca e encontra, entre suas anotações pessoais, fragmentos de textos recolhidos em vários suportes, como revistas, jornais, livros, blogs, etc. Após lê-los, separa os quatro fragmentos apresentados a seguir, que mostram visões sobre nossas sociedades e, sobretudo, a respeito do ser humano nestas sociedades. A partir deles, escreva um artigo de opinião com o qual você participaria do concurso.

 Sobre o tipo de texto pedido:

Observe a seguinte afirmação:

Todo texto é produzido em um contexto de produção, pois quem escreve, o faz pensando em certos elementos que interferem no sentido dos textos: existe uma intenção do autor ao escrever, e esta intenção está direcionada a quem vai ler o seu texto. O autor também se atém a um determinado tempo e lugar, a divulgação é feita em determinado veículo. São elementos que criam um “elo” entre autor e leitor.  O produtor de um artigo de opinião busca construir para os leitores uma imagem de si mesmo, mostrando  seus conhecimentos sobre o tema tratado, através da razão e da lógica, sustentando sua posição.

(UBER, Terezinha  J. B. Sequencia didática: artigo de opinião. Disponível em: <http://paraiso.etfto.gov.br/docente/admin/upload/docs_upload/material_7c7e3fba42.pdf>. Acesso em: 5 nov. 2011. p. 12)

Textos de apoio (clique para ampliar):

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INSTRUÇÕES:

• Redija seu texto de acordo com a norma culta escrita da língua.

• Dê um título.

• A redação deve ter entre 15 e 25 linhas.

• Não copie trechos da proposta.

 

Você pode enviar seu texto até quinta-feira, dia 26 de junho, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com, em um anexo ou no corpo na mensagem. Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

 

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Categoria: Proposta

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Análise da redação para a proposta sobre felicidade

Ana Prado | 10/06/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre felicidade.

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Leia o texto escolhido:

Felicidade Interior

Geralmente, felicidade é definida como algo inalcançável, surreal, ou até mesmo como um estado de espírito. Cada pessoa elege seu ponto clímax na vida, sendo este a realização plena e contínua e seja ele no relacionamento, no sucesso profissional, na formação de uma família, ou até mesmo, em bens materiais. Em vista disto, a importância do bem-estar cotidiano, promovido muitas vezes pela autoestima, fica em segundo plano.

Felicidade é aquilo que cada pessoa julga como o “clímax” de sua própria vida, entretanto, de longa duração, ou seja, se estabelece um período de tempo e um limite, em que é preciso ter alcançado a felicidade, associando-a, muitas vezes, à perfeição. Antes do limite – imposto pelos próprios indivíduos, procura-se pela realização dos sonhos e o famoso estado pleno de espírito, onde nada mais na vida possa dar errado, e também imagina-se que, quando atingido o ápice, a vida torna-se um mar de rosas interminável.

Há quem diga que felicidade é provida por dinheiro, bens materiais e artigos de luxo. Isso tudo é atribuição de valores para algo que não tem valor. Já outros, acreditam que ela se encontra no privilégio da saúde, na família reunida, nos amigos, etc. Ou seja, cada pessoa define felicidade baseando-se em suas próprias crenças, desejos e sonhos.

Cada pessoa tem seus objetivos e para cada uma há uma “felicidade” diferente. Ser feliz para  uma criança, com certeza não é o mesmo para um adulto. A vida muda constantemente, e o que era antes muito almejado, hoje já nem mesmo se cogita; por isso a ideia de que felicidade é inalcançável.

Engana-se quem pensa que nunca atingirá seu “clímax”, basta um impulso psicológico, e nem tudo é Não existe receita para a felicidade. É preciso querer viver sempre bem, procurar entender o lado bom das mudanças e o aprendizado que acompanha toda a dificuldade. Saber enxergar tudo que há de bom em cada “tempo ruim” possível, e principalmente ter uma pitada de senso de humor. Nada melhor do que aprender com as falhas. Felicidade não é inalcançável, tampouco definível, é muito mais interior do que exterior.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta feita pela PUC- RJ é bastante aberta, ou seja, o aluno poderia discorrer sobre o tema como quisesse. Poderia dizer que a felicidade não existe; ou que existe, mas é inalcançável; que existe e está ao alcance de todos; que só os ricos são felizes; que só os pobres conhecem a verdadeira felicidade… Não havia nenhuma instrução que direcionasse a discussão sobre o tema. Porém, havia um limitador: o texto deveria ser dissertativo-argumentativo, entre 25 e 30 linhas.

Portanto, qualquer que fosse a abordagem do aluno sobre o tema, este deveria estar contido numa forma, que é a dissertação. E a dissertação pressupõe: introdução (em que se aborda o assunto e se expõe a tese/ponto de vista que será defendido pelo autor do texto); desenvolvimento (em que se argumenta para defender o ponto de vista escolhido); e a conclusão (em que se retoma a tese inicial e a reforça apoiada nos argumentos apresentados). Isso mostra que a liberdade de explorar o texto termina na forma de apresentá-lo.
Pois bem, vamos à análise do texto.

Ela começa corretamente seu texto, apresentando uma definição particular do que é felicidade. Inicia o parágrafo com a palavra geralmente; teria sido mais elegante dizer: Costuma-se definir felicidade como… ou  É comum definir-se felicidade como… Porém, nessa apresentação, ela usa dois termos ambíguos, que mereceriam uma melhor definição: “surreal” e “ponto clímax”. Sem a explicação, fica complicado para o leitor apreender, exatamente,  o que quis dizer. Ainda na sequência, ela termina o parágrafo de forma incoerente com o que vinha dizendo. Por que a realização plena e contínua não leva à alta autoestima e ao bem-estar cotidiano? Portanto, nesse parágrafo, há indefinição do propósito com que ela vai discutir o tema. Ou seja, a tese não foi claramente enunciada.

Ao iniciar o segundo parágrafo, não faz a ligação com o primeiro. Ela continua explicando o que é felicidade para as pessoas; deveria, então, ter começado com uma palavra de coesão: por isso, além disso, ademais… O que se vê nesse parágrafo é uma repetição do já foi dito no anterior, embora com alguma progressão de ideias. Não deveria ter repetido a palavra clímax, cujo significado continua vago.  Neste parágrafo, aparece outra expressão que carece de maior explicação: o famoso estado pleno de espírito; é preciso esclarecer ao leitor que estado é esse e por que é famoso.

O mesmo procedimento acontece na passagem do 2º para o 3º parágrafo: ela não faz a coesão. Poderia escrever: Há quem diga, também, que… Essas palavras de coesão indicam ao leitor que caminho vai seguir a argumentação. Ainda neste parágrafo, aparecem definições de felicidade, tema da redação, mas a autora não conclui, nem as analisa, com argumentos, ou exemplos, valorizando-os ou reprovando-os. Fica faltando, portanto, a argumentação.

O mesmo sucede no 4º parágrafo. Fala sobre conceitos variados de felicidade, mas não se convence ou não procura convencer o leitor do que se trata esse sentimento. Portanto, ela fez uma dissertação expositiva e não argumentativa.

No último parágrafo, onde ela deveria condensar todas as suas argumentações comprovando sua tese, ela dá uma “receita” de felicidade que não cabe neste tipo de texto.

Concluindo: o texto não é ruim, mas não cumpre, adequadamente, a proposta que é dissertativo-argumentativa, uma vez que não defende um ponto de vista, simplesmente  expõe vários conceitos sem argumentar sobre eles.

É certo que ninguém, ou quase ninguém consegue definir ou dizer o que é felicidade, mas essa era a proposta e o texto deveria defender, pelo menos, que esse é um conceito sobre o qual muitos falam e poucos sabem o que é.

Nota 6,0  (de zero a 10)

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Nova proposta de redação: relação homem-natureza

Ana Lourenço | 29/05/2014

A proposta desta semana foi retirada do vestibular 2011 da Universidade Federal do Acre (UFAC).

desmatamento

Para o desenvolvimento do tema “A relação homem-natureza”, leia atentamente os fragmentos de textos apresentados a seguir. O fragmento 1 foi retirado da reportagem intitulada “R$ 7 bilhões para salvar a Amazônia” publicada na Revista Época, em 30/7/08. O fragmento 2 é parte de uma reportagem intitulada “Twitteiros fazem manifestação inédita contra queimadas no Brasil”, publicada no dia 26/9/2010:

Fragmento 1: 

R$ 7 bilhões para salvar a Amazônia

“[...] cientistas e economistas dos nove principais institutos de pesquisa e ONGs ambientalistas do país, como Imazon, WWF, Greenpeace, Instituto Socioambiental e Ipam, se juntaram para responder à seguinte pergunta: quanto custa frear a destruição da Amazônia? A resposta que eles encontraram, divulgada na quarta-feira passada no Congresso Nacional, é R$ 1 bilhão por ano. Não é um investimento tão alto. Só as usinas do Rio Madeira, em Rondônia, deverão custar R$ 17 bilhões [...]

[...] O desmatamento é um problema que o Brasil terá de enfrentar nas próximas décadas durante as negociações mundiais para o controle do clima. Não fosse por ele, o país seria um dos heróis mundiais na guerra contra as mudanças climáticas. O Brasil é um dos poucos países que podem se orgulhar de sua matriz energética. Mais de 80% de nossa eletricidade vem de usinas hidrelétricas. Essa energia não depende da queima de combustíveis fósseis e não gera resíduos radioativos. Também temos um dos programas de geração de combustíveis mais inovadores do mundo. Cerca de 45% de nossos veículos são movidos a partir de fontes renováveis, como o álcool ou o biodiesel, que não contribuem para o aquecimento do planeta. A média mundial é de menos de 15%. O país seria um dos mais isentos de culpa pelas mudanças climáticas se não fosse o desmatamento [...]”

Fragmento 2:

Twitteiros fazem manifestação inédita contra queimadas no Brasil

“#chega de queimadas. É esse o mais novo protesto na rede social Twitter. Iniciada ontem (25), a manifestação é um marco histórico na área ambiental: nunca antes uma campanha para denunciar os impactos das queimadas foi feito de maneira tão rápida e espontânea. [...]

[...] A situação mais crítica ocorre no Tocantins, onde as queimadas já destruíram 216 mil hectares do Parque Nacional do Araguaia. O instituto também considera crítica a situação no sul do Pará e em Rondônia. Além da destruição das florestas, as queimadas trazem prejuízos sociais e econômicos. Os aeroportos de Rondônia e Acre ficaram fechados por vários dias, por falta de visibilidade ocasionada pela fumaça. O tráfego nas estradas também foi afetado, principalmente no período noturno [...]

Em Rondônia os ribeirinhos estão com dificuldades para navegarem no Rio Madeira, já que além da baixa do rio, ocasionada pelo período de seca, a visibilidade é praticamente zero. Na região urbana a cidade está tomada por neblina, e a fumaça, em certos momentos chega a tomar conta das residências. Os atendimentos nos postos de saúde e nas policlínicas aumentaram substancialmente: apenas no Hospital Infantil Cosme e Damião, o atendimento a crianças que apresentam problemas respiratórios subiu 70% [...]”

A RELAÇÃO HOMEM-NATUREZA

Vidas secas, romance de Graciliano Ramos publicado em 1938, já tematizava sobre a relação homem-natureza, ou seja, como o meio-ambiente pode influir na vida do ser humano. Os fragmentos anteriores também trabalham essa questão. O primeiro, embora trate da questão da destruição da Amazônia, apresenta uma possibilidade de salvação, cujo custo seria de R$ 1 bilhão por ano, como aponta a reportagem.

A partir da releitura dos fragmentos de textos, manifeste sua opinião em um texto argumentativo/dissertativo sobre o tema.

INSTRUÇÕES:

• Redija seu texto de acordo com a norma culta escrita da língua. Dê um título.

• A redação deve ter entre 7 e 25 linhas.

• Não copie trechos da proposta.

Você pode enviar seu texto até quinta-feira, dia 5 de junho, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com. Seu texto pode ser enviado em um anexo ou no corpo na mensagem.

Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas não fique chateado. Lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

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Categoria: Redação

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Nova proposta da redação: felicidade

Ana Prado | 12/05/2014

A proposta desta semana foi tirada da prova de redação do vestibular 2014 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio).

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Você deve criar um título e produzir um texto dissertativo/argumentativo com o mínimo de 20 e o máximo de 30 linhas sobre felicidade. Antes de desenvolver o tema, leia o fragmento abaixo. Ele pode despertar ideias para desenvolver o seu trabalho.

Felicidade e alegria
Contardo Calligaris

Quando eu era adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.  Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor. Por sorte, meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados. Graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a juventude era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas. Com isso, evitei uma depressão profunda, pois, uma vez que a adolescência, que eu estava vivendo, não era paraíso algum – nunca é –, qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção? Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: quando a gente é adolescente, a felicidade é algo que só será possível no futuro, na idade adulta; quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi – a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes. Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de outra época da vida – futura ou passada.

No filme de Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade” (2010), o avô (Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre. Concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria? Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto [...] Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível, sobretudo, no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime – “descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso”. Para justificar a vida, bastam as experiências – agradáveis ou não – que a vida nos proporciona, à condição de que a gente se autorize a vivê-las plenamente. Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é. Para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais, de feitos sublimes. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo. (Texto adaptado de artigo publicado na Folha de S. Paulo (18/11/2010).13 (1): 11-16, jan./abr. 2000; p. 11)

 

INSTRUÇÕES:

• Redija seu texto de acordo com a norma culta escrita da língua. Dê um título.

• A redação deve ter entre 7 e 25 linhas.

• Não copie trechos da proposta.

Você pode enviar seu texto até segunda-feira, dia 19 de maio, para o e-mail: redacaoguia@gmail.com. Seu texto pode ser enviado em um anexo ou no corpo na mensagem.

Coloque seu nome completo, idade e cidade. Ele poderá ser avaliado e publicado aqui no blog.

Importante: apenas uma redação será corrigida, mas não fique chateado. Lembre-se de que a melhor forma de se preparar para a prova de redação é treinando, certo?

 

 

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Categoria: Proposta, Sem categoria

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Análise da redação para a proposta sobre analfabetismo e exclusão (UPF)

Ana Prado | 25/04/2014

Com base na proposta de redação extraída do Processo Seletivo de Verão 2010 da Universidade de Passo Fundo (clique para ver), o estudante deveria escrever um texto dissertativo sobre o tema “analfabetismo e exclusão”.

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Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Educação Igualitária

A sociedade vive a era da tecnologia, da informação e da modernidade. Os países vêm se desenvolvendo cada vez mais e os governos aprimorando seus setores como o  da economia e o da saúde.  Outro fato [seria melhor usar “dado”] é que quanto mais desenvolvido o país, melhor é a sua situação em relação a [à] educação e, consequentemente, menores são as taxas de analfabetismo. O Brasil vem melhorando sua situação em relação a isso, porém o problema o número de pessoas que nunca tiveram acesso à educação ainda é muito grande e piores são os problemas enfrentados por elas. [Este período está pouco claro; é preciso reescrevê-lo. No meio do parágrafo, a passagem do geral (quanto mais desenvolvido o país) para o particular (O Brasil vem melhorando) não foi bem feita. Seria necessário relacionar as duas informações. Mesmo sendo início de texto, as informações são pouco precisas. Não há referências para análise.].

Por se tratar dos tempos da globalização e do desenvolvimento, possuir conhecimento e informação sobre o que ocorre no mundo, atualmente, é algo essencial. Porém, os analfabetos não têm acesso a isso, portanto eles sofrem muito com a exclusão social. Como por exemplo, podemos ver que [use um ou outro: “como podemos ver” ou “Por exemplo, podemos ver que”] as empresas procuram e necessitam de mão de obra qualificada e especializada, por isso quem não possuiu uma determinada formação acadêmica já enfrenta problemas ao arrumar um emprego. Para alguém quem nunca estudou, essa situação é ainda pior e o desemprego é algo muito frequente entre essas pessoas. [Neste segundo parágrafo, falta ligação com o parágrafo anterior- é importante fazer a coesão. Exemplo: “O nível de alfabetização é algo essencial”; além disso, ao fornecer os motivos da exclusão, não se fez uma análise crítica da situação dos analfabetos no quadro geral do país. O texto é pouco objetivo, impreciso, não conclusivo.].

Para realizarmos algumas atividades básicas diárias necessitamos do conhecimento da leitura e da escrita. Ao comprarmos um produto, por exemplo, devemos conhecer a quantidade de dinheiro que deve ser dada ao vendedor. Para nos locomovermos de ônibus precisamos ler e interpretar as informações sobre os locais. Então muitas das atividades que realizamos em nosso dia a dia não podem ser realizadas por um analfabeto, que acaba ficando excluído da sociedade. [Neste parágrafo, o aluno inicia o uso da primeira pessoa do plural (nós) o que deve ser evitado em dissertações, principalmente no meio do texto; as atividades relacionadas acima não são as mais importantes que excluem os analfabetos – aliás, estes andam de ônibus e fazem compras; entretanto, têm dificuldade com uma conta bancária, especialmente hoje, quando tudo é digital; podem ser fraudados em contratos de trabalho; não conseguem um bom atendimento médico; e, como foi dito, precisam realizar as tarefas mais simples e menos remuneradas do mercado.]

Portanto, os problemas de exclusão social enfrentados por quem não é alfabetizado só podem ser resolvidos de uma maneira: levando educação de qualidade a todos. A maioria dos analfabetos não possuíram acesso à escola, [informação óbvia, portanto, desnecessária] por isso não foi uma escolha deles não estudar, como muitos pensam. [O aluno poderia analisar aqui por que eles não estudaram, o que os impediu.] Por isso, somente assim poderemos alcançar a posição de um país rico, desenvolvido e igualitário. [Neste último parágrafo, procurou-se dar solução para o problema, mas como viabilizar educação de qualidade para todos? De que maneiras isso poderia ser feito? Por quem? Com que verbas? A frase final parece um “final feliz”, mas não houve argumentos que justifiquem tal posição.]

Comentários da professora sobre a redação:

O texto perde pela estrutura formal da dissertação e pelo conteúdo:

1. Não há uma tese bem definida, por isso, a argumentação não acontece nos parágrafos e nem há uma conclusão que remete às ideias comentadas.

2. A argumentação, ponto forte da dissertação, praticamente inexiste no texto. O aluno faz algumas referências vagas ao tema, mas não defende nenhum ponto de vista , sequer traz qualquer informação ou análise relevantes para contribuir com o tema. O aluno não usou nem os dados constantes da coletânea, que poderiam ter ajudado na argumentação.

3. O título nada tem a ver com o texto; em nenhum momento, o aluno defendeu uma educação igualitária.

4. Alguns trechos são confusos e mal redigidos, conforme foi anotada acima.

5. De zero a dez, receberia 5 ou 6 pontos.

 

 

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