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5 livros para entender o fim da União Soviética e a guerra na Ucrânia

Da Guerra Fria à ascensão de Putin, selecionamos obras que ajudam o estudante a entender o conflito entre Rússia e Ucrânia

Por Luccas Diaz Atualizado em 25 fev 2022, 14h08 - Publicado em 24 fev 2022, 20h00

Nesta quinta-feira (24), a Rússia iniciou uma operação de invasão da Ucrânia. Em discurso, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que aqueles que tentarem interferir no conflito ou criar novas ameaças devem saber que a resposta da Rússia será “imediata e levará a consequências como nunca antes experimentadas na história”. O chefe de relações exteriores da União Europeia já aponta o evento como uma das “horas mais sombrias da Europa desde a Segunda Guerra Mundial”.

Apesar da escalada recente, o conflito entre Rússia e Ucrânia vai além de um desentendimento pontual entre países vizinhos. Sob a ótica da história e da geopolítica, a guerra atual revela um jogo de interesses que se estende desde a Guerra Fria, quando a União Soviética (URSS) se opôs aos Estados Unidos. Agora, entram em cena, ainda, novos atores do Ocidente com novas pretensões políticas e econômicas, colocando o mundo todo sob tensão.

Para te ajudar a entender o caminho desse conflito, partindo da Guerra Fria e chegando até as delicadas políticas internacionais contemporâneas, o GUIA DO ESTUDANTE separou uma lista com 5 leituras para se aprofundar no assunto, divididas a partir dos principais recortes que compõem o atual contexto. As indicações são acompanhadas de uma breve explicação sobre o tema.

Para entender a Guerra Fria

Pôster antigo com propaganda soviética
Wikimedia Commons/Reprodução

A Guerra Fria (1947-1989) foi o confronto ideológico, político, econômico e militar entre os dois blocos internacionais formados no fim da Segunda Guerra Mundial: o capitalista – liderado pelos Estados Unidos – e o socialista – encabeçado pela União Soviética. Foram anos de tensão que duraram até a queda do Muro de Berlim, em 1989, momento que simbolizou também o enfraquecimento do bloco socialista. A URSS foi oficialmente dissolvida em 26 de dezembro de 1991.

Durante o período, o mundo ficou dividido entre as duas potências, e a Europa acabou no centro do conflito. Um exemplo dessa divisão é a formação das duas grandes alianças militares à época. Enquanto EUA garantia sua hegemonia no oeste do velho continente, formando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a URSS focava sua área de influência no leste europeu, com o Pacto de Varsóvia.

Os mais de 40 anos do conflito trouxeram um clima de bipolaridade política e ideológica para o mundo, mas um confronto direto entre os dois blocos nunca aconteceu. O nome Guerra Fria remete ao fato de que as duas potências travaram entre si uma batalha de influências, com verdadeiras corridas para aumentar seu poder militar, tecnológico e até mesmo espacial, sem nunca, no entanto, entrarem em conflito direto.

No livro “Da Guerra Fria à nova Ordem Mundial” (2003), os autores Ricardo de Moura Faria e Mônica Liz Miranda apresentam o conflito a partir de um ponto de vista que foge da noção de “paz armada” entre as duas potências e se debruçam nas consequências ideológicas que a guerra trouxe para os rumos da humanidade.

Para entender o fim da URSS

Queda do Muro de Berlim
Wikimedia Commons/Reprodução

A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) é resultado da Revolução Russa, de 1917, que pôs fim à monarquia e culminou no surgimento do primeiro país socialista do mundo. Oficialmente, a União Soviética foi instituída em 1922, reunindo as diversas regiões antes pertencentes ao Império Russo (entre elas, a Ucrânia) e introduzindo um governo de teor revolucionário, que coletivizou terras e investiu em políticas de desenvolvimento estatal.

A partir dos anos 80, após anos de desgaste causados pela Guerra Fria e pela invasão ao Afeganistão (1979), o bloco se encontrava mergulhado em crises econômicas e altos índices de insatisfação popular. Mesmo com as tentativas do líder Mikhail Gorbatchov, movimentos democráticos pipocavam com fervor nos países membros do bloco. Os atos contra o regime registrados na Polônia, Hungria e Tchecoslováquia criaram o momento de efervescência perfeito para o episódio que simbolizou a desmembramento do bloco: a queda do Muro de Berlim, em novembro 1989.

A União Soviética ainda resistiu por mais dois anos, mas em 1991 é oficialmente desfeita, dando lugar a 15 repúblicas. O livro “O último império: Os últimos dias da União Soviética” (2015), do historiador Serhii Plokhy, retrata esse momento de falência do bloco, e aponta duas repúblicas soviéticas como a principal chave para o colapso: Rússia e Ucrânia.

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Para entender Vladmir Putin

Vladimir Putin
Wikimedia Commons/Reprodução

Após o desmantelamento da URSS, a Rússia se torna uma república federalista de caráter liberal com um regime semipresidencialista, no qual o presidente exerce o cargo de chefe de Estado, e o primeiro-ministro o de chefe de governo. Essa passagem de regime socialista para liberal-capitalista foi, de certa forma, traumática para o país, e a década de 1990 acabou marcada por uma forte crise econômica, com altos índices de inflação e desemprego.

O primeiro presidente depois do fim do bloco, Boris Iéltsin (1931-2007), ficou no poder por dois mandatos, de 1991 até 1999. Além de crises e escândalos de corrupção, seu governo foi marcado por sua renúncia televisionada de ano novo, na noite de 31 de dezembro de 1999. Iéltsin pede desculpas à nação e anuncia que não será mais o presidente do país. Quem assumiu imediatamente foi o então primeiro-ministro, e que futuramente seria apontado pela revista Time como um “czar em ascensão”, Vladmir Putin.

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Putin assume uma Rússia fragilizada e marcada por crises, mas inicia uma espécie de reconstrução do país. O movimento foi beneficiado pela alta dos preços do petróleo e do gás no início dos anos 2000, dois produtos dos quais a Rússia é um dos países-líderes no comércio internacional.

A volta do crescimento, da estabilidade política e da ideia de grandeza russa, muito forte no período socialista, aumentaram os índices de popularidade de Putin e permitiram que ele redesenhasse o país, incluindo a possibilidade atual de tentar um terceiro mandato consecutivo. Em “O novo Czar: ascensão e reinado de Vladimir Putin (2018), Steven Lee Myers, ex-diretor do escritório de Moscou do jornal The New York Times, reconta a trajetória de Putin ao poder abordando a sua postura tida como impiedosa e envolta em polêmicas contra a liberdade civil.

Para entender o histórico entre Rússia e Ucrânia

Mapa do Leste Europeu
Wikimedia Commons/Reprodução

A relação entre os vizinhos Rússia e Ucrânia nunca foi pacífica. Já no século 13, os dois territórios tinham suas desavenças, mas a situação se intensificou com a Revolução Russa, em 1917. Por um breve período, logo depois fim do Império Russo, a Ucrânia viveu um momento de independência, com movimentos nacionalistas ganhando força no país. Os atos se sustentaram até os primeiros anos da integração à União Soviética, mas logo no início da década de 1930 o cenário começou a mudar.

Em 1929, após Stálin instituir uma política que deveria substituir a Nova Política Econômica (NEP) de Lenin (1870-1924), a industrialização pesada e a coletivização de terras se tornaram prioridades do governo. Para sustentar esse processo, camponeses, que eram a maioria na Ucrânia, foram expulsos de suas terras e levados para fazendas coletivas, onde foram obrigados a trabalhar no cultivo agrícola sob vigia da polícia soviética. O trabalho duro e o racionamento de comida levou a Ucrânia a um penoso período de fome, que matou milhões de ucranianos.

Sobre esse episódio, o livro “A fome vermelha: A guerra de Stálin na Ucrânia” (2019), da autora Anne Applebaum, é uma recomendação de leitura.

Nos anos seguintes (e principalmente depois da Segunda Guerra Mundial), Stálin enviou cidadãos russos para repovoar o leste da Ucrânia, completamente devastado. Muitos russos foram enviados sem sequer dominar o idioma ucraniano ou ter algum tipo de relação com o país. O resultado, nas gerações seguintes, foi a formação de uma população ucraniana com laços identitários muito mais ligados à Rússia, incluindo o idioma e a religião ortodoxa.

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Essa relação escalou ao ponto de, em 2014, os municípios de maioria russa, Donetsk e Lugansk, deixarem de responder ao governo ucraniano. A decisão separatista ocorreu após a anexação da península da Crimeia pela Rússia. No último dia 21 de fevereiro, Putin, em Moscou, reconheceu a independência das regiões e inflamou os conflitos separatistas, sendo acusado, inclusive, de armar cidadãos pró-Rússia.

Para entender a crise atual

Queda do MH17
Destroços da queda do voo MH17, que deixou 298 mortos Getty Images/Reprodução

Como o GUIA DO ESTUDANTE já explicou neste texto, a Ucrânia é um ator importante na busca por influência territorial da Rússia pós-Guerra Fria. A sua localização fronteiriça com o país de Vladmir Putin a coloca como uma peça central na defesa de possíveis ataques terrestres ocidentais. Isso sem falar que o país é também a principal região pela qual passam os gasodutos que levam o gás natural russo para a Europa. Uma aliança entre a Ucrânia e um país ocidental seria, para Putin, uma tremenda perda financeira e política – e o Ocidente sabe disso.

Após o fim da URSS, a Otan vem permitindo a entrada de países antes pertencentes ao bloco soviético e ao Pacto de Varsóvia, como Polônia e Hungria. Para estes, é uma vantagem participar de um grupo que conta com a presença das principais potenciais mundiais, como Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha.

O livro “A Nova Guerra Fria e o Prisma de um Desastre: Ucrânia e o voo MH17” (2020), de Kees van der Pijl, investiga a política contemporânea entre Ucrânia e Rússia a partir da queda do avião da Malaysia Airlines 17. O boeing 777 da empresa foi abatido no dia 17 de julho de 2014 quando sobrevoava a região separatista de Donbass, no leste da Ucrânia, a 40km da fronteira com a Rússia. Das 298 pessoas a bordo, ninguém sobreviveu. Os Estados Unidos afirmam que o avião foi derrubado por um míssil disparado de uma zona controlada por separatistas pró-Rússia.

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