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Entenda as consequências dos cortes de orçamento das federais

O anúncio da UFRJ sobre possível fechamento alerta o problema de falta de verbas das federais

Por Juliana Morales Atualizado em 12 Maio 2021, 13h19 - Publicado em 11 Maio 2021, 18h32

A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio de um artigo, anunciou que não há recursos para o pagamento de contas básicas. Sem orçamento, a universidade corre o risco de fechar no segundo semestre. Infelizmente, a situação complicada da UFRJ não é uma caso isolado de como o corte de verbas pode gerar um abismo para as federais. É um alerta para um problema muito grave.

Orçamento discricionário da UFRJ em 2021.
Orçamento discricionário da UFRJ em 2021. UFRJ/Reprodução

Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o orçamento discricionário para 2021 teve um corte de pelo menos R$ 1 bilhão. Sendo assim, o valor destinado às 69 universidades federais neste ano é 18,16% menor do que o orçamento de 2020.

A Andifes alerta que todas as instituições serão afetadas pelo corte. Sem contar que a maioria delas já têm enfrentado uma batalha para continuar com programas estudantis diante de cortes nos últimos anos.

A diminuição no orçamento discricionário não interfere no salários de funcionários e aposentadorias. Por outro lado, afeta em despesas como água, luz, obras e até em realização de pesquisas e assistência estudantil.

 

O fechamento de restaurantes universitários e falta de verba para programas de moradia dos universitários, por exemplo, colocam em risco a exclusão dos jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica na faculdade. Medidas como essa prejudicam muito o papel do ensino superior como uma ferramenta para diminuir a desigualdade social. 

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O impacto

Em entrevista para a Andifes, o professor e diretor do Conselho de Gestores de Relações Internacionais das Instituições Federais de Ensino Superior (CGRIFES), Waldenor Moraes, falou que não dá para imaginar o Brasil sem as universidades federais. Com 30 anos, vivenciando a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ele fala da influência da instituição no crescimento do Triângulo Mineiro: “na qualificação das pessoas, no processo de saneamento, de organização social, até no transporte público”.

“Toda a produção de conhecimento, interligado com prefeituras e com a microrregião tem um efeito prático naquela sociedade. Pensar no Brasil sem a universidade federal é querer o país parado no tempo. As nossas universidades são geradoras de pesquisas, formadoras de pessoas, influenciadoras de ideias, provocam inovação. O Brasil sem elas não teria alcançado o nível de desenvolvimento que nós alcançamos”, defende Moraes.

Em meio à pandemia, fica ainda mais evidente o prejuízo dos cortes nas pesquisas. Instituições federais estão trabalhando arduamente na produção de testes, vacinas e soluções para combater a covid-19. A própria UFRJ é responsável pelo desenvolvimento de duas vacinas contra o coronavírus, que estão em fases de testes pré-clínicos. O processo, entretanto, pode ser prejudicado com os cortes.

Em entrevista ao GUIA, sobre os desafios da ciência brasileira na pandemia, Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), disse que a falta de investimentos se dá por conta do que ele chama de “terraplanismo econômico”: sem considerar a importância (inclusive, econômica) da ciência, os gestores, olhando apenas os número reduzem os recursos como a melhor saída para resolver a questão.

Sem investimento, mas com muito esforço de estudantes e pesquisadores, há o avanço das pesquisas no Brasil, mas o reflexo da inovação no país ainda é pequeno. As descobertas não tem verba o suficiente para serem desenvolvidas e terem seus avanços aplicados na sociedade. Além disso, Ildeu também lembra que a falta de investimento faz com que o Brasil perca talentosos pesquisadores, que após perderem suas bolsas de estudo, acabam deixando o país em busca de oportunidade.

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